Marcado: vigilância

Como o Whatsapp é com a vida.

Por Rafael M. Azevedo

O individualismo autista dos usuários de WhatsApp 5

Um dos canais de maior sucesso no Youtube, o Porta dos Fundos, postou um vídeo de como a vida é quando se usa um dos aplicativos mais rentáveis do mundo.

O Whatsapp tem mais de 900 milhões de usuários pelo mundo. No Brasil, ele é o segundo aplicativo mais usado, totalizando 100 milhões de indivíduos. As pessoas usam tal aplicativo como ferramenta de comunicação, entretenimento, trabalho, entre outros. Apelidado de “zap zap”, começou de forma modesta apenas para troca de mensagens, porém logo deu a possibilidade de começou a anexar arquivos com áudio, fotos, vídeos. Famílias inteiras migraram para grupos de Whatsapp: fiquei sabendo que pessoas são remuneradas para administrarem grupos empresarias de network. Além disso, recentemente ganhou as páginas policiais ao ficar fora do ar por mais de 24 horas, por conta de uma decisão judicial, já que sua política é de sigilo total.

Para muitos, esse aplicativo parece um sonho, pois consegue conectar centenas de milhares de pessoas de diversos lugares. As novas gerações já não têm ideia de como seria a vida sem este APP. Um dos Fundadores do Porta, Antônio Tabet, é o interlocutor de uma narrativa bem-humorada sobre a vida com Whatsapp.

Vídeo Porta dos Fundos

WHATSAPP

Claro que este esquete é um exagero, mas você enquanto passava seus olhos aqui neste texto, chegou a dar uma olhada no seu Whatsapp?

Pois é, pode ser um exagero mas podemos perceber em vários lugares como metrô, ônibus, carro, sala de aula, shopping, restaurantes, cinema, teatro, reunião de família, churrasco, passeio com cachorro entre outros milhares de atividades que podemos fazer, o quanto estamos distantes das pessoas mais próximas da gente.

Sabe o que isso significa?

o Google é o novo Big Brother?

Por: Adriano Rodrigues

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No livro 1984, George Orwell aborda o assunto da vigilância do cidadão pelo Estado. Esta afirmação é representada por meio de um televisor (monitor) que foi intitulado na novilíngua como teletela. A teletela era um aparelho bidirecional, isso quer dizer que tanto as pessoas podiam ver e serem vistas e podiam ouvir e serem ouvidas.

Além da teletela o livro apresenta também um cartaz com a figura do Grande Irmão (Big Brother). A ideia de vigilância apresentada por Orwell mostra que tanto o estado (governos) e as empresas (hoje em dia) nos vigiam o tempo todo. Isso quer dizer que estamos sendo monitorados por diversos órgãos e empresas como pelo seu governos, pelo Facebook, AmazonGoogle etc.

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Para entregar dados mais precisos sobre seus públicos aos seus anunciantes, o Google nos monitora o tempo inteiro. Ele quer saber e entender nossos comportamentos, nossos hábitos, nosso dia a dia, quer saber onde vamos, o que comemos, como nos divertimos e tudo isso com o nosso consentimento, isso mesmo, nós deixamos que o Google nos monitore o tempo inteiro. Vamos entender como o Google faz isso.

Antes de entrarmos nestes detalhes quero te fazer uma pergunta. Você sabe qual o primeiro maior buscador de conteúdos da web? Você dever ter respondido que é o Google, certo? Se você disse que é o Google, acertou. Agora, você sabe qual o segundo maior buscador da web do mundo? Pense bem. Você acha que é o Bing da Microsoft? Ou o Yahoo? A resposta está errada, o segundo maior buscador da web é o Youtube. Isso mesmo o Youtube. A maior plataforma de vídeo do mundo, o Youtube é o segundo maior buscador de conteúdos na web, e só para seu conhecimento o Youtube também é do Google (acredito que você já saiba disso).

Você usa Gmail, Drive, Google Docs, Google Calendar, Youtube, Google Maps e outros brinquedinhos do Google? Se a resposta for sim, você autorizou o Google a saber seus passos, quando você clica naquele botão aceitando (sem ler) as regras de uso destes aplicativos, você acaba autorizando o Google a te monitorar. Este monitoramento vem em troca de excelentes serviços, que geralmente são gratuitos, ou vai dizer que você não gosta dos aplicativos que citei? Eu chamo isso de iscas digitais, o Google de tá um excelente serviço e em troca você o autoriza a te monitorar.

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O que o Google monitora? A resposta é toda sua vida digital. Se usarmos as ferramentas do Google, ele acaba monitorando suas atividades na web e aplicativos, suas atividade de voz e áudio, as informações dos seus dispositivos, seus históricos de localizações, seus históricos de exibição de pesquisas e de vídeos do Youtube. Se você quer ver e até não autorizar mais a vigilância do Google, entre no link que vou te indicar. Você vai se assustar quando souber o que o Google sabe sobre você. Entre por aqui:  https://history.google.com

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Com os dados coletados de você, o Google vai te entendendo, sabe toda sua vida digital, vai conhecendo você, e todo esses conhecimentos são transformados em dados, que são usados para acertar cada vez mais em sua plataforma de publicidade. Quanto mais o Google te conhece mais, assertiva sãos as publicidades das suas plataformas. O Google é considerada a maior empresa de mídia do mundo. Você já reparou que o Youtube faz pra você sugestões de vídeos baseados em seu uso, já reparou que quando você faz uma busca, geralmente os primeiros resultados são anúncios? Isso acontece no buscador do Google, no Youtube e em outros lugares. Veja este exemplo: estes três primeiros resultados marcados em verde são anúncios do Google.

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O alerta de monitoramento feita por Orwell no livro 1984, sobre como o Estado (no caso do livro) e as empresas (nos dias de hoje) nos faz refletir como nossa privacidade invadida, como nossa vida é monitorada, como somos vigiados e se quisermos que isso não aconteça é bom ficarmos atentos em nossa vida digital, pois se você acha que ninguém está vendo o que você faz, engano seu.

Uma pergunta que não cala: e Orwell estava certo?

por Marina Neto

Muitas das previsões feitas por George Orwell em seu livro 1984, em relação à vigilância do “Big Brother”, a corrupção da linguagem e do controle da história já vem surgindo em grande parte dos países pós-comunismo, e em certa medida, no Ocidente.

As ações aplicadas pelo Big Brother, descrito por Orwell, é fazer com que países como os Estados Unidos, sociedades cada vez mais totalitárias como a Alemanha, Rússia e China, obtenham o controle máximo sobre os cidadãos. E quando falo em controle, é possível visualizar o cenário de todos os aspectos. No entanto, nota-se que a corrupção da linguagem descrita em 1984 é bastante generalizada na mídia hoje.

O fato de que quase toda a repercussão da mídia, resenhas de livros e artigos sobre 1984 têm ignorado o papel crucial da prática de controle do passado, indicando que a profecia de Orwell já foi parcialmente cumprida de certa forma. O tema central de seu livro, o controle da história, já foi escrito em grande parte de obras renomadas, até mesmo fora de referências de seu livro, desaparecendo no limbo das essências literárias.

Orwell já trabalhou na BBC por um tempo, tanto que segundo ele, o Ministério da Verdade contado na obra é modelado em certa medida na vida real. Naquele tempo, George observou que a própria BBC conseguiu expor a verdadeira propaganda falsa do ódio durante a Segunda Guerra Mundial e a história controlada por censurar notícias sobre a política genocida nas cidades alemãs.

As crenças de Orwell sobre o controle do passado inclui o passado recente que também é derivado de suas experiências na guerra civil espanhola, onde ele descobriu que “nenhum evento é sempre corretamente relatado em um jornal, mas na Espanha, na primeira vez que vi os relatos dos jornais, não continham qualquer relação com os fatos ou uma parcialidade com a realidade”.

LEITE, Willian Carlos. 1984, o livro que matou George Orwell. Revista Bula, 2014. Disponível em http://www.revistabula.com/235-1984-o-livro-que-matou-george-orwell/. Acesso: 09 Junho de 2015.

TED Talk – Saiba como a polícia poderá investigar a sua vida usando tecnologia.

Vigilância sem segredo

por Marina Neto

Julian Assange aparece em uma grande tela como uma divindade virtual. Ele se acomoda contra um fundo opaco, totalmente desprovido de um ambiente identificável, com uma camisa rosa e desbotada. Com sua barba e cabelo na altura dos ombros, pele albina, Assange poderia facilmente se passar por um ‘populista’, um revolucionário russo da década de 1870.

Sua ambiguidade é reconhecida imediatamente na introdução feita pelo mediador do Festival Web We Want, Beeban Kidron, que ocorreu entre os dias 29 e 31 de maio: “Ele é acusado de revelar segredos de grandes estados governamentais, mas para muitas pessoas ele expôs a verdade sobre crimes de guerra e vigilância em massa… É acusado também de crime sexual da Suécia, mas com todo o seu suporte judicial, está perto de provar que não ocorreu nada. E também é acusado de ser paranoico, sendo que tenho que dizer, é algo desagradável, mas creio que meu conhecimento ainda não é um crime”.

A questão da vigilância em massa é a razão real para colocar Assange contra a parede em um evento sobre Internet e Segurança, com dezenas de perguntas enviadas pelo público antes da palestra. “Como você enquadrada seu desejo de privacidade como uma necessidade individual?” é uma delas.

Julian se pronuncia via Internet, da Embaixada do Equador, na Inglaterra. (Foto: Web We Want Twitter)

“Ingenuamente, a questão que deveria ser definida em Berlim no final dos dias da Guerra Fria na década de 1980 é: É essencial haver transparência dos governos e privacidade para os indivíduos”, responde Julian.

O indivíduo, segundo Assange, sente a autonomia de se dissolver em um sistema maior, onde não há privacidade, e esta é a dualidade entre a transparência e privacidade.

“É realmente tudo sobre poder de controle e o poder também é sobre a autonomia para os indivíduos”, Assange diz.

Não é nenhum segredo que há uma grande porcentagem de pessoas com más intenções e algumas delas fazem parte de uma aliança específica do governo, por isso, corporações poderosas (que são agora uma forma de governo) e instituições, como os serviços secretos, precisam estar cientes de que privacidade é um direito individual.

Durante o evento, o fundador do WikiLeaks lembra que quase todas as agências de segurança são geridas como empresas, quase 80 por cento do orçamento da Agência de Segurança Nacional vai para empreiteiros privados, como a pequena empresa que Edward Snowden trabalhava, também vinculada à NSA.

“Aprimorar a vigilância não nos torna mais seguros.” – ASSANGE, Julian. Web We Want Festival, 2015.

O quão rapidamente esquecemos nossos medos cotidianos. Em nenhum lugar isso é mais pronunciado do que no convite à apresentação de novas leis de segurança e mais vigilância. Os líderes vêm se tornando cada vez mais inflexíveis. Mas não vamos esquecer os fatos. Mais uma vez, Paris é envolvida com repressão autocrática. Na internet. Assim como também em Sydney, Woolwich, e Boston. O cidadão comum que é arrastado, oprimido, censurado e preso hoje em dia, não é apenas por um tweet ou um post radicalizando no Facebook. “No entanto, vigilância e interceptação de conteúdo na web são o que as autoridades insistem em ser essencial para nos manter seguros.” – Assange, 2015.

Por que deveríamos nos preocupar com vigilância e privacidade?

por Marina Neto

As revelações sobre o programa de espionagem e coleta de dados em massa, a Prism, e outras formas de vigilância da NSA, fazem as pessoas se perguntarem o que é essa coisa toda exatamente.

Quando William Hague [1]disse, em questionamento sobre o episódio de vazamentos de Snowden em 2012, que os ‘inocentes’ não têm nada a temer sobre a divulgação involuntária de informações pessoais, e ele ainda levanta questões sobre exatamente o que acontece quando somos espionados.

Mas aqui estão algumas razões que você deve se preocupar com privacidade, vigilância e coleta de informações.

 Estamos indo de mal a pior quando o assunto é privacidade, pois as consequências da espionagem em massa e a privacidade são separadas por uma grande quantidade de tempo e espaço das próprias divulgações.

Então, é claro que estamos péssimos na fita: quase todas as nossas divulgações de privacidade não causam dano, e é claro que alguma parte poderá contribuir para algum tipo de mal, mas quando isso acontece, acontece tão rapidamente que não temos tempo de aprender ou reconhecer o processo todo.

Você deve se preocupar com a privacidade, porque privacidade não é segredo. Eu sei o que você faz no banheiro, mas isso não significa que você não quer fechar a porta quando entra no chuveiro.

Você deve se preocupar com a privacidade, porque se os dados dizem de certo modo que você fez algo de errado, então a pessoa que lê os dados irá interpretar tudo o que você faz através de todo o conteúdo por trás desses dados, ao que inclui localização, pessoas, ambiente, consumo, interações.

Você deve se preocupar com a vigilância porque dá aos policiais chances de se manter registrado, mesmo que não tenha fornecido dados pessoais, mesmo que não tenha cometido alguma infração ou crime. A Comissão 11/9 (formada após atentado ao World Trade Center, em 2001) disse que os espiões da América tinham tudo o que precisavam para prever os ataques – mas foi perdido em meio a todo o processo da supercoleta de dados. E chegamos a um ponto importante: a justificativa da politica de vigilância é voltada para o rastreamento de atividades terroristas. Tem certeza que você esconde um terrorista em sua casa? Acho que não.

 

Você deve se preocupar com a vigilância porque você conhece pessoas que podem ser comprometidas por meio de divulgação de informações íntimas: as pessoas que são homossexuais; pessoas com doenças terminais; pessoas que estão relacionadas com alguém famoso por algum crime terrível.

Essas pessoas podem ser seus amigos, seus vizinhos, talvez os seus filhos: estes merecem uma vida que é tão livre de problemas como você, que está com a sua consciência ‘limpa’ sobre quão utópico é a privacidade.

Você deve se preocupar com a vigilância porque uma vez que o sistema de vigilância é construído nas redes de telefones ou computadores, bandidos (ou policiais corruptos) podem reutilizar este tipo de ferramenta como arma contra a própria sociedade civil.

 Na Grécia, um cidadão conseguiu (o que não é nada difícil hoje em dia) quebrar a backdoor[2] do sistema da polícia e da empresa de telefone para ouvir o primeiro-ministro durante a candidatura olímpica de 2005.

Hackers chineses usaram interceptação legal da backdoor do Google para hackear o Gmail e descobrir quem falou com dissidentes. Nossos sistemas de comunicação são mais seguros se eles são projetados para manter todos fora de alcance. Uma vez que dispositivos móveis são projetados para vigilância (sistemas Android, Windows Phone, iOS) qualquer um que pode subornar ou passar por um policial pode ter acesso.

Se o cidadão comum não tem nada a temer sobre divulgação de informações pessoais, então por que seu próprio governo exige um sistema sem precedentes de tribunais secretos em que a evidência de inteligência britânica, americana, russa ou qualquer outra, obtenha cumplicidade em sequestro ilegal e tortura?

Privacidade, ao que parece, é um poder totalmente essencial para o resto de todos nós.

[1] Político Britânico de partido conservador.

[2] Recurso utilizado por diversos malwares para garantir acesso remoto ao sistema ou à rede infectada.

TAYLOR, Nick. State Surveillance and Right to Privacy. University of Leeds, UK, 2002.

LYNCH, Michael P. The Philosophy of privacy. The Guardian Online, 2015.

ASSANGE, Julian. Quando o Google Encontrou o WikiLeaks; Boitempo Editorial. São Paulo, Brasil, 2014.

Polícia de [Vigilância] Segurança

 

            Com a problemática de hoje sobre a vigilância do governo dos EUA e da Europa aplicada no mundo todo, a palestra no TED Talk do historiador Hubertus Knabe, “Os segredos obscuros do Estado de vigilância”, é bastante oportuna. Knabe faz apontamentos, talvez, sobre o estado mais completo de vigilância de todos os tempos: a Alemanha Oriental, controlada pela polícia secreta conhecida como Stasi (Ministério para a Segurança do Estado).

A Stasi foi criada pela União Soviética para servir como uma polícia secreta da Alemanha Oriental depois da Segunda Guerra Mundial. Foi inspirado no Cheka Soviética (ou Tcheka). A Stasi cresceu rapidamente: em 1953, teve mais empregados do que o da era nazista durante a Gestapo. Em 1989, a Stasi tinha 90.000 empregados, que igualou um funcionário Stasi para cada 180 habitantes da Alemanha Oriental, uma relação incrivelmente alta.

            Como resultado de sua vasta rede, a Stasi foi uma polícia secreta completamente moderna. Não tinha necessidade de prender cada dissidente. Em vez disso, a Stasi tinha tantos dados pessoais que poderia destruir alguém sem realizar prisões através da organização de falhas em seu trabalho, o que prejudica suas relações pessoais, e outras medidas. Seu controle era absoluto.

     No final, porém, em 1989, uma revolução pacífica derrubou o governo da Alemanha Oriental. Mesmo assim, porém, a Stasi não deixou de reprimir a revolta que rompeu a Alemanha Oriental. O departamento de segurança nunca omitiu a ordem para agir porque o governo socialista estava paralisado. Em vez disso, os agentes da Stasi passaram o tempo da revolução freneticamente tentando destruir documentos que detalhavam a história e as ações da Stasi. Felizmente para nós, hoje, grande parte do arquivo não foi destruído e foi aberto ao público dois anos mais tarde.

Sou vigiado… ainda bem!

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Por Fernando Gonzaga

Dias atrás, recebi uma ligação da operadora do cartão de crédito. Mente desconfiada, já estava me preparando para recusar a avalanche de ofertas/promoções/prêmios que, como de praxe, eles lançam sobre nós nesse momento quando, para minha surpresa, o atendente diz:

Gostaria de confirmar com o senhor algumas compras realizadas?

Num átimo, minha guarda ruiu. Não fiz nenhuma compra nesse cartão nas últimas semanas, pensei. Mas logo o atendente começou a elencar.

O senhor realizou hoje pela manhã uma compra no valor de 900 reais? Não, respondi. E a compra ontem de duas passagens da viação cometa, no valor 180 e 360 reais? Também não.

Para meu assombro, a meada se estendeu ainda por mais seis operações. Resumo da ópera: compras de mais de 3 mil reais, ocorridas num intervalo de menos de 24 horas em lojas diversas, via internet, foram feitas com o meu número de cartão de crédito.

Após solicitar o bloqueio do cartão e abrir o processo de não reconhecimento das operações (previsão de dores de cabeça!), um pensamentozinho diabólico pairou em minha mente:

“Ainda bem que eles VIGIAM MINHAS COMPRAS…”

Quê?! – despertei da minha amorfosidade mental temporária para me quedar estupefato.

A mera reprodução de 16 números – que eu, tolamente, julgava só meus – feita em uma loja ou caixa eletrônico qualquer, foi capaz de me transformar de uma pessoa crítica da sociedade de controle para, quem diria, um quase entusiasta da vigilância de um banco sobre a minha vida (o que compro; onde compro; o que gosto; para onde viajo etc.).

Que merda!

É duro aceitar, mas nessa “luta de classes tecnológica”, que opõe os ditadores (e seu fascinante poder de proteger minhas compras e parco dinheirinho) aos transgressores (os falsificadores que burlam as engrenagens desse sistema opressivo), infelizmente estou do lado dos Grandes Irmãos S/A.

Ah! Quem dera poder estar em cima do muro.