Marcado: educação

Como o Whatsapp é com a vida.

Por Rafael M. Azevedo

O individualismo autista dos usuários de WhatsApp 5

Um dos canais de maior sucesso no Youtube, o Porta dos Fundos, postou um vídeo de como a vida é quando se usa um dos aplicativos mais rentáveis do mundo.

O Whatsapp tem mais de 900 milhões de usuários pelo mundo. No Brasil, ele é o segundo aplicativo mais usado, totalizando 100 milhões de indivíduos. As pessoas usam tal aplicativo como ferramenta de comunicação, entretenimento, trabalho, entre outros. Apelidado de “zap zap”, começou de forma modesta apenas para troca de mensagens, porém logo deu a possibilidade de começou a anexar arquivos com áudio, fotos, vídeos. Famílias inteiras migraram para grupos de Whatsapp: fiquei sabendo que pessoas são remuneradas para administrarem grupos empresarias de network. Além disso, recentemente ganhou as páginas policiais ao ficar fora do ar por mais de 24 horas, por conta de uma decisão judicial, já que sua política é de sigilo total.

Para muitos, esse aplicativo parece um sonho, pois consegue conectar centenas de milhares de pessoas de diversos lugares. As novas gerações já não têm ideia de como seria a vida sem este APP. Um dos Fundadores do Porta, Antônio Tabet, é o interlocutor de uma narrativa bem-humorada sobre a vida com Whatsapp.

Vídeo Porta dos Fundos

WHATSAPP

Claro que este esquete é um exagero, mas você enquanto passava seus olhos aqui neste texto, chegou a dar uma olhada no seu Whatsapp?

Pois é, pode ser um exagero mas podemos perceber em vários lugares como metrô, ônibus, carro, sala de aula, shopping, restaurantes, cinema, teatro, reunião de família, churrasco, passeio com cachorro entre outros milhares de atividades que podemos fazer, o quanto estamos distantes das pessoas mais próximas da gente.

Sabe o que isso significa?

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Darcy Ribeiro tem razão

Por Guilherme Assen

Não é de hoje que a crise no sistema educacional brasileiro é notícia. Há décadas, o ensino público vem sofrendo constantes ataques à sua estrutura. Invenção de cargos temporários para professores, salários baixos, salas de aula superlotadas, escolas sem orçamento para a manutenção básica – são tantos os sintomas que assolam a educação que ficamos com a sensação de que o prognóstico é mais complexo do que gostaríamos.

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Estudantes paulistas protestam nas principais ruas em São Paulo contra a reorganização de escolas.

Provocando a mais recente mazela à educação, o governo do estado de São Paulo criou um plano mirabolante para reorganizar o ensino. A princípio, a ideia é segmentar as escolas por ciclos escolares (anos inciais e finais do ensino fundamental e ensino médio). No entanto, a reestruturação que pode ser decretada amanhã pelo governador Geraldo Alckmin terá como consequência o fechamento de 94 instituições.

Em reação imediata, os estudantes paulistas ocuparam pelo menos 190 escolas em todo o estado. Pais, professores e alunos ainda contam com o apoio de movimentos sociais ligados à educação e em oposição ao governo do PSDB que buscam impedir o fechamento das instituições.

Alckmin parece não estar aberto para o diálogo. Já autorizou a Polícia Militar a invadir os colégios ocupados e a prender estudantes sob os crimes de vandalismo e depredação de patrimônio público.

No dia 19 desse mês, a secretaria sinalizou a possibilidade de adiar o fechamento das instituições, caso os alunos desocupassem as escolas. A medida logo foi denunciada como uma manobra do governo para resolver a crise a curto prazo e logo reinstaurar o plano de reorganização. Não deu certo. Os estudantes se mantiveram acampados nas escolas.

Ontem, Fernando Padula, chefe do gabinete da Secretaria Estadual de Educação, se reuniu com mais de 40 dirigentes regionais de ensino para anunciar que o decreto de reorganização do ensino sai na terça (dia 1º) e passar estratégias para “isolar” e “desmoralizar” as escolas em luta, com o apoio da Polícia Militar.

Em um áudio, vazado pelo site Jornalistas Livres, Padula diz:

Nessas questões de manipular, tem uma estratégia, tem método. O que vocês precisam fazer é informar. Fazer a guerra da informação (para convencer a sociedade), porque é isso o que desmobiliza o pessoal.

Estratégias para manipular a opinião pública, apagar a memória da população, jogar o povo contra o povo e maquiar os dados oficiais. Junto, uma boa dose de violência personificada nos homens fardados do estado. Trama de um romance de Orwell? Sempre bom lembrar a máxima de Darcy Ribeiro, sociólogo brasileiro, sobre a crise educacional brasileira: “a crise da Educação no Brasil não é uma crise, é um projeto.”

A crença do ‘Homeschooling’

por Marina Neto

Logan Laplante é um menino de 13 anos de idade, que foi levado para fora do sistema de ensino tradicional a ser ensinado em casa de uma vez por todas. Ele não só foi educado em casa, mas também teve a capacidade de adaptar o ensino aos seus interesses e também seu estilo de aprendizagem, algo que a educação tradicional não oferece. Como Logan mencionou no vídeo abaixo, quando crescer, ele quer ser feliz e saudável.

            Em uma conversa no canal de palestras online em 2013 – TED Talk – ele discutiu como foi que ‘hackear’ sua educação vem ajudando-o a alcançar o objetivo de ser uma criança feliz e diferenciada.

 Educação e Ensino doméstico

A educação é muitas vezes considerada a base para a criação de uma sociedade hierarquizada e produtiva, mas essa crença geralmente decorre a certeza de que aqueles que saem do sistema de ensino são capazes de manter as engrenagens da sociedade do avesso, a fim de manter as margens de lucro das grandes empresas com um sistema que requer constante crescimento. Em vez de ter criatividade e pessoas com pensamentos mais libertários, o estilo atual da educação cria mais indivíduos submissos, obedientes e treinados para que o sistema atual se mantenha equilibrado e controlado.

Isso significa que a educação padrão é menos focada em cada indivíduo e seu crescimento é mais na criação de um fornecimento de abelhas operárias que seguem um caminho premeditado e dentro dos limites do sistema. O ilustre escritor e Professor Ken Robinson apresentou o tema em questão em um TED Talk em 2006, onde ele discutiu suas crenças sobre como a educação ‘mata’ a criatividade.

Esta palestra do TED é uma das palestras mais vistas de todos os tempos e tem inspirado muitos a repensar a forma como estamos educando a próxima geração. Como a educação tradicional ainda está tomando seu tempo com muitos ajustes e qualificações, muitos estão se voltando para a educação doméstica como uma solução disciplinar, pois permite que as crianças explorem a educação da forma mais acessível e independente, muito parecido com que o jovem Logan fez.

Atualmente, cerca de 3,8% de crianças com idades entre 5-17 são educados em casa nos EUA. No Canadá, este número caiu para cerca de 1%. É uma estatística que irá crescer em ambos os países em razão das limitações do nosso sistema de ensino atual. Além disso, estudos feitos nos EUA e Canadá mostram que educação feita em casa, as crianças conseguem realizar atividades e empreendimentos educacionais assim como nas escolas públicas e privadas.

 Acredito que vamos ficar bem se deixarmos o sistema de ensino atual para trás e escolher outros métodos. Isso não quer dizer que educação doméstica é comumente vista como um processo bastante funcional, mas realmente acredito em uma drástica mudança, e quero dizer drástica mudança na forma como as funções do sistema de educação precisam acontecer, e logo.

Em minha mísera opinião, ter educação em casa é muito mais propenso a criar uma pessoa criativa, adaptável e com uma visão de futuro maior do que a pessoa que está na escola e condicionada a pensar apenas dentro dos pequenos limites de um sistema de desintegração escolar e fundamentado.

The Daily Beast – The Sinister Side of Homeschooling

DDA e a Escola Complexa

Por Karen Koerich Gerber

O aumento significativo de diagnósticos de DDA (Déficit de Atenção) traz um alerta, qualquer criança muito ativa, tagarela, agitada, rebelde e esperta é passível de hiperatividade, portanto, fora dos padrões da escola atual e por isso, para acompanhar o ensino e promover a concentração deve tomar um remédio tarja preta, com diversos efeitos colaterais, chamado Ritalina.

Uma matéria escrita por Marcela Picanço, publicada no portal Obvious Mag traz o problema e uma grave reflexão “Infelizmente nosso comportamento é resultado da educação que tivemos e isso só vai mudar quando todas as áreas foram igualmente valorizadas nas escolas e entre os alunos. Cada vez teremos mais crianças com déficit de atenção.”

Edgar Morin, com os sete saberes necessários à educação do futuro, propõe uma escola preocupada em educar, interligando os conhecimentos, promovendo a interdisciplinaridade.
Hoje o modelo autoritário de ensino é fragmentado, saímos prontos para uma especialização, sem o conhecimento de um todo que faça algum sentido. Morin propõe que não é necessário chegar numa verdade absoluta, em números exatos, é preciso sim fazer pensar, reconhecer pontos de vista, tecer uma rede de conhecimentos.

O sistema atual exclui, e deixa muito claro que nem todos podem ser encaixados.

“Minha mãe resolveu perguntar à minha médica por que eu ficava concentrada nas coisas que eu gostava de fazer. Ela disse que isso era normal. Nas áreas que eu tinha mais habilidade, os sintomas não apareciam de modo que me atrapalhassem. Que doença engraçada, né?”, questiona Marcela.

Estaria o problema está na maneira de ensinar ou com as crianças que não se adaptam a esse formato? No final, penso como Marcela, quantas crianças ainda terão que tomar um remédio para se sentirem enquadradas, pois uma escola que é melhor avaliada por aprovações no vestibular e não baseada em formar cidadãos conscientes e pensantes ainda está longe do ideal.

Fonte: http://lounge.obviousmag.org/de_repente_da_certo/2014/11/o-deficit-de-atencao-esta-no-comportamento-da-nossa-sociedade-e-nao-nas-nossas-criancas.html

Morin e o vestibular

Por Lia Teodoro Martins

Qual o perigo da hiperespecialização segundo de Edgard Morin?

O autor acredita que que a especialização que se fecha sobre si mesma acaba por considerar apenas uma parte. Desconsidera o todo, o global e o complexo.  Como observar isso em nossa sociedade? Hoje, levando em conta a semana de provões, simulados e vestibulares ainda recentes, resolvi discutir Morin com o ensino nas escolas, principalmente no ensino médio e cursinhos.

O conteúdo passado aos alunos que se preparam para o vestibular geralmente são resumos de livros, truques para decorar fórmulas, recortes de temas específicos para redações, apostilas construídas a partir de trechos de livros enfim, por aí vemos o quão fragmentado é o conteúdo passado. Não existe aprofundamento, contextualização ou complexidade em nenhum dos temas mas sim superficialidade, direcionamento específico dentro de cada disciplina e principalmente reduzir ou melhor, simplificar ao máximo para que o estudante fixe a matéria e não a absorva.

Relacionado a este sistema fragmentado temos a mercantilização da educação. O melhor e mais eficaz chamariz de alunos para uma escola/cursinho são os índices de aprovação em vestibulares. Os outdoors com alunos de caras pintadas, as revistas e jornais que levam números de aprovação, com isso os métodos são vendidos, o mercado editorial enriquecido, matriculas, mensalidades e a escola com maior aprovação terá o melhor lucro. Por isso é interessante agrupar “maquinas” que passem no vestibular, quanto mais alunos passarem mais lucro dará a empresa. Este sistema de produção considera o conteúdo reducionista e fragmentado mais vantajoso devido a velocidade e facilidade em que é apreendido.

Existe o lado bom em tudo isso? Claro que sim, mas também é fragmentado. Acredito que o estudante aprende sim muita coisa com este tipo de ensino, como também acredito que a hiperespecialização também seja uma forma de conhecimento direcionado também enriquecedor, no entanto há necessidade de uma inteligência geral que preserve o contexto, o global, multidimensional e o complexo. Disciplinas e conteúdos que não se voltem apenas para questões de vestibular mas que englobe temas sociais, econômicos e políticos como um todo. Matérias que se relacionem e não se individualizem para que o todo possa ser encontrado nas partes e vice versa.

Até onde a mídia influencia na criação de nossos filhos?

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Por Larissa Domingos

Uma questão que me atormenta atualmente, devido ao fato de que me tornarei mãe nos próximos meses, é a de que como vou organizar e controlar o acesso de minha filha à mídia. Claro que é impossível não expor minha pequena às tecnologias atuais e tudo que as envolve – e não desejo isso -, porém queria muito delimitar este acesso de uma forma que ela cresça também através de sua imaginação e não só engolindo tudo que for exposto a ela através da televisão e da internet, por exemplo.

Se desde agora, antes de nascer, ela já é influenciada através de minhas decisões por “produtos da mídia”, imaginem depois? Claro que a mídia, principalmente a internet no meu caso, ajuda e muito uma mãe a esclarecer dúvidas, compartilhar opiniões, discutir o que é bom ou ruim e até mesmo se decidir sobre o que ter ou não para receber seu filho. Entretanto, será que eu preciso mesmo de um bombardeio de “imposições” que o mundo virtual me disponibiliza? Essa resposta é particular, mas digo que para mim, apesar de muito útil, a internet muitas vezes me deixou confusa.

Ser mãe é padecer no paraíso virtual… Esse é o meu atual lema. Apesar de ter encontrado diversas soluções durante minha gravidez na internet, me peguei muitas vezes sendo influenciada pela imensa quantidade de opções encontradas na rede. Não que eu tenha achado ruim, mas me despertou ainda mais para este fato de como a mídia no geral pode sim influenciar a opinião de uma pessoa.

Partindo do princípio deste poder que a mídia exerce sobre nossas vidas, como agir para que esse “poder midiático” não seja maior que a minha visão? Como dizer não a uma coisa se na televisão ou nas redes sociais minha filha verá que todos dizem sim? Como fazer minha educação prevalecer a tantas imposições e sugestões midiáticas? Sinceramente ainda não sei, mas espero conseguir achar um “meio-termo” ideal.

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