Categoria: Tassia V. E. Azevedo

Imagens – A substituição da reflexão?

                                                                               Por Tássia Vargas

O século XX, dentre outras coisas, alterou o comportamento padronizado das massas. Essa alteração, imposta pela ênfase das máquinas pelo fluxo acelerado, gerou uma mudança no quadro social, na qual os indivíduos agora não mais são avaliados por suas qualidades pessoais ou sua personalidade e sim pela maneira como se vestem, pelos objetos simbólicos que exibem, pelo seu comportamento.

A comunicação básica, com essa mudança, agora é externa e baseada em símbolos exteriores, fazendo com que as pessoas se tornem aquilo que consomem. A visibilidade social e seu poder de sedução se tornam proporcionais ao poder que cada um tem de consumir. A partir desses aspectos associados entre si, a forma de percepção sensorial das populações urbanas vai sofrer uma mudança drástica, originando a supervalorização do olhar. Essa supervalorização agiria no aprimoramento da sua capacidade de captar o movimento, ao invés de ter uma concentração além do olhar, sobre objetos e contextos estéticos (SEVCENKO, 2007).

Nesse novo mundo de crescente aceleração tecnológica os processos sensoriais e culturais também se interligam, fazendo com que o aguçamento da percepção visual fique evidente. Não só com a supervalorização do olhar, mas principalmente com o surgimento da Pop-Art, da T.V., das campanhas publicitárias coloridas e intensas, a utilização da imagem se tornou cada vez mais forte.

Para Frederic Jameson, o termo imagem, no contexto do pós-modernismo, adquire um sentido específico: de que a imagem é um significante sem significado. Em outras palavras temos apenas a imagem, como um “pastiche”- imitação ou reprodução de outras obras – (referências autorais aos modernos, por exemplo) sem que tenha nenhuma profundidade, nenhum significado.

De acordo com Vilém Flusser, as imagens representam um perigo aonde reside o pensamento e com a resistência da escrita, pode-se pensar em um salvamento da visão crítica, como uma negação à subordinação às imagens. Para Flusser a imagem, cada vez mais, tem se tornado importante e consequentemente passou a substituir textos até mesmo de caráter informativo, mas a imagem deveria ser utilizada de forma à complementar os textos e não a substituí-los.

O filósofo Jean Baudrillard coloca que as pessoas ficam fascinadas apenas pela imagem, pela plasticidade, e não pelo significado da obra. E essa “fascinação” (no pós-modernismo) faz com que você não consiga desfrutar, por exemplo, uma obra de arte, e, consequentemente não consegue fazer reflexões nem pensar em cima das imagens que estão sendo expostas a você.

Para Walter Benjamin, a imagem está inserida na era da reprodutibilidade técnica, ou seja, como qualquer imagem pode ser facilmente reproduzida, a obra de arte perde sua “áurea”.

A relação entre esses autores e cada uma de suas colocações em relação às imagens, é clara. Enquanto Baudrillard acredita que as imagens no pós-modernismo estejam carregadas de um fascínio descomunal pelas pessoas, Flusser vê a escrita como uma salvação a visão crítica, e podemos até arriscar a dizer, sobre esse fascínio. Flusser quer incorporar um significado às imagens e para isso, a escrita seria um “modus operandis” de um viés crítico.

Ainda em Flusser, as imagens para ele contêm uma essencial e curiosa dialética, e com isso, tem o propósito de oferecer ao mundo um significado, mas com o perigo de se tornarem opacas, de encobrirem ou até de substituir tal aspecto. Para ele, as imagens podem aprisionar o homem e que somente a luta contra essa alienação que as imagens causam, a escrita seria um caminho contra esse cativeiro do pensamento.

Atualmente em nossa sociedade e cotidiano percebemos a força e a intensidade do uso e abuso das imagens. Campanhas publicitárias, Revistas, Outdoors, T.V., Jornais e até mesmo em qualquer lugar para onde você vá, existem um enxame de imagens para você apreender em questão de segundos. A rapidez de nossas vidas cotidianas e o fluxo de informações também está relacionada a este intenso tráfego de imagens. Muitas vezes não temos tempos de ler o que está em uma revista ou em um jornal que preferimos somente nos focar nas imagens com legendas que ilustram metade da página em que está o texto informativo.

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