Categoria: Sheyla Maria Alves de Melo

A incessante busca pela liberdade de expressão

Por Sheyla Melo

O Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, organizador do 3ª Encontro de blogueiros e ativistas traz a tona reflexões sobre os riscos que corre a liberdade de expressão no país.

Mediada por Renata Mielli do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), com a apresentação da Campanha Calar Jamais, que recebe denúncias de violações e perseguição a jornalistas e blogueiros.

Gleisi Hoffmann, senadora pelo PT – PR, afirma que a mídia brasileira possui um oligopólio da comunicação, com uma concentração econômica e de interesses privados, essa situação foi estabelecida com a agência de regulação que nasceu em 1962, no período da pré ditadura, permitindo as concessões para poucos grupos.

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Palestrantes da Mesa: Altamiro, Maria Inês, Renata, Gleise e Luciana – imagem de Sheyla Melo

Luciana Santos, deputada federal pelo PCdoB – PE faz a ligação do atual momento do país com as manifestações de julho de 2013 no qual intensificou-se a radicalização do campo ideológico e político brasileiro.

Ela também é presidente do Partido Comunista do Brasil e relembra que Lula ganhou um governo, mas que nunca foi aceito pelas bases conservadoras e que retiradas de presidentes populares do poder, não é um fato isolado, existem diversos na América Latina.

E destaca que a regulamentação dos meios de comunicação avançou muito pouco, mesmo no governo petista não houve o fim do monopólio na comunicação.

“Onde foi que erramos?” é o questionamento da jornalista Maria Inês Nassif, para ela erramos no engano de acreditar que uma vitória eleitoral representava a conquista da hegemonia e que a mídia não abalaria, mas ela foi o verdadeiro partido de oposição.

E Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, define que vivemos um novo golpe, um golpe essencialmente midiático, onde políticos e juristas viram personagens.

Essa mídia ajudou esse golpe e agora é um período muito perigoso, corremos sérios riscos da falta da liberdade de expressão, é um cenário sombrio, tornando estado de exceção, com  desmontes do Estado, do trabalho e da nação é o projeto neoliberal contra a democracia.

A mídia alternativa está sofrendo uma asfixia dos patrocínios que podem fazer o fim de publicações críticas

Por isso a luta pela liberdade de expressão, para que todos tenham o direito de falar!

O encontro contou com a presença de jornalista, estudantes, representantes políticos, blogueiros, ativistas e interessado na compreensão no tema, esse foi o primeiro dia do 3ª encontro que aconteceu no Sindisep nesta sexta (09/6)

Veja na íntegra o debate no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=1vinOvQKGoM#t=148

O campo de várzea e sua importância para a comunidade

Por Sheyla Melo
 Exibir esse documentário é fazer as pessoas se identificarem na tela e permitir um significado muito maior a arte, diz o diretor Akins Kintê.

 

Ele destaca a importância da identificação da produção quando sua exibição acontece nas periferias da cidade, o documentário é Várzea, bola rolada na beira do coração (2010) que quando é exibido nas quebradas as pessoas imediatamente se identificam.
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Akins na roda de conversa sobre o documentário – imagem Cine Campinho

Os campos de várzea estão em diminuição, principalmente pela especulação imobiliária, o poeta Akins destaca a sua importância como ponto de encontro, sendo um dos poucos espaços de lazer e cultura.

Visto também como um espaço de disputa política, os poucos campos sofrem com políticos que organizam melhoras para o campo e acabam destruindo as forças das lideranças locais, para Kintê o sintético permite um melhor uso do campo, mas é preciso que as pessoas venham de coração aberto e que não da pra aceitar aqueles que querem cobrar para os outros usarem o campo.

Sobre a participação das mulheres no campos de várzea, ele afirma que os homens precisam mudar, pois tem muita mulher que vai para beira do campo porque gostam do futebol, de estar no local e não por interesse de se relacionar com ninguém, esse é um ensinamento que todos precisam aprender o mais rápido possível.

O encontro aconteceu 27/05/2017 e seu ponto de vista sobre os campos de várzea, política, participação da mulheres e o deslocamento pela cidade estão na íntegra na radioteca abaixo:

O controle reprodutivos das mulheres

Por Sheyla Melo

No livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley o controle reprodutivo das mulheres é feito por um cinto malthusiano, o nome é em referência a Thomas Robert Malthus (1766 — 1834) que formulou teorias sobre o controle populacional no qual continha três fundamentos:

  1. A sujeição moral de retardar o casamento
  2. A prática da castidade antes do casamento
  3. Ter somente o número de filhos que se pudesse sustentar

O retardo do casamento e a castidade era prática imposta as mulheres, já que os homens boêmios não abandonaram a vida de prazeres e as responsabilidades de casamento e filhos ficou geralmente para as mulheres.

Na obra de Huxley, o casamento não existia, todos pertenciam a todos, esse era um dos ensinamento hipnopédicos e ter filhos era algo considerado dos selvagens e que assemelhava as pessoas aos animais.

Então a regra era não casar e não existiam filhos, crianças nasciam em tubos e em equipamentos de laboratórios e em caso de gestações existiam locais para abortos.

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Filme Admirável Mundo Novo de 1980 – na cena uma senhora da reserva de selvagem anuncia a Linda sua gravidez.

Linda foi deixada na Reserva Selvagem, engravida e da a luz a John, ela não suporta ser chamada de mãe e deprime-se pela experiência das consequências sociais e mudanças no corpo, ela falece após um longo período de coma causado por altas doses de soma.

Hoje vivemos a intensa luta pela legalização do aborto para a sua descriminalização, alguns países já possuem a legalização até 12ª semana de gestação. A maior reivindicação é pelo direito de decidir ser mãe, pois em grandes casos o fardo dessa escolha ficam nas costas das mulheres.

Ter a regra do controle das gestações e ter a regra de ser mãe, ambas impedem as mulheres o seu direito de escolher, a regra gera perseguição social para ter ou não ter e essa gera pressão na vida das mulheres. Os dois casos impedem o uso da reflexão,  é necessário olhar para cada ser humana e vê-la como única, dotada de capacidade de escolher o que quer para sua vida.

A relação entre mobilidade e violência contra a mulher

Por Sheyla Melo

Frederico Bussinger no último encontro do repórter do Futuro que aconteceu no dia 20 de maio de 2017 na  Câmara Municipal de São Paulo nos traz um posicionamento sobre a mobilidade e a logística na cidade de São Paulo.

Frederico Bussinger é Engenheiro, Consultor Técnico e ex-Secretário Municipal dos Transportes de SP

FREDERICO BUSSINGER É ENGENHEIRO, CONSULTOR TÉCNICO E EX-SECRETÁRIO MUNICIPAL DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO

Ao ser questionado sobre se a violência contra a mulher tem relação com a mobilidade, a resposta de Bussinger é que o transporte por atingir todos o território de São Paulo sempre terá dados de violências, já os dados obtidos pelo Estado de São Paulo por meio da lei de Acesso à Informação relata que em 2016 foram 188 casos relatados nos trens e 31 em ônibus, sendo 4 casos por semana registrados.

Outro fato é que pessoas estão mais vulneráveis por passarem tanto tempo no transporte ou na rua aguardando os longos intervalos entre os ônibus e neste caso se o transporte estiver lotado, maior ainda é o risco de assédio às mulheres. Logo as locomoções das pessoas das bordas para o centro eleva problemas na mobilidade e nessa ideia outro problema da mobilidade é a criação de conjunto habitacionais isolados e o quanto isso impacta no transporte.

A complexidade na defesa das águas na Represa Billings

Por Sheyla Melo

Em 2012 o decreto do prefeito Gilberto Kassab determina as desapropriações de imóveis particular no Distrito de Pedreira, zona sul da capital, para a implantação do Parque dos Búfalos, c​ontidos na área de aproximadamente 995 mil m², o mesmo decreto foi revogado em 2013 pelo Prefeito Haddad, assim foi permitido a construção do residencial com a licença da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Em 2014 a cidade passa por uma crise hídrica devido ao esgotamento das reservas de água da cidade, abastecida pelas represas Cantareira, Guarapiranga e Billings, que atendem cerca de 20 milhões de pessoas da região Metropolitana.

Neste mesmo ano intensifica a movimentação em pró do Parque dos Búfalos e pressão  popular fazem a ​suspensão das obras em dezembro de 2014 pelo juiz Kenichi Koyama, mas em outubro de 2015 as obras iniciaram pela construtora ​EMCCAMP que ​teve aprovação para a obra que atenderá uma média de 14 mil moradores.

Em 2015 Gilberto Natalini (PV) que era vereador na Frente Parlamentar pela Sustentabilidade declarou que os governos não estão preocupados com a crise da hídrica que ocorre pelo adensamento na beira de represa, justamente no momento que precisa proteger e não deixar ocupar o pouco que temos de beira de represa.

O projeto garante preservar a área de manancial, segundo André Del Nero diretor comercial da construtora afirma na CPI de compensação ambiental em outubro de 2016 que as áreas estão preservadas, as nascentes tem área tem 50m de recuo e estão sendo feito a compensação de 1 árvore a cada 6m².

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Imagem da EMCCAMP – out/2016

Atualmente Natalini é Secretário do Verde e do Meio Ambiente e ​na terça-feira (30/5), participou da audiência pública da comissão extraordinária permanente de meio ambiente, na Câmara Municipal de São Paulo, afirmando que a moradia é uma necessidade muito grande e a crise econômica piora muito mais a situação e as áreas mais frágeis são ocupadas “agora ocupando área de manancial, você está ajudando a destruir a água que você precisa para beber, para viver”.

Como a água é um bem para todos seu cuidado precisa ser um plano de estado, uma politica de estado e não de governo que a cada gestão vai se modificando.

O slam ou o sarau?

Por Sheyla Melo

A prática do Slam ou das competições poéticas tem origem em Chicago na década de 80 e seu ícone mais divulgado como fundador é Marc Smith, consiste em disputas entre poetas que recitam escritos de autoria própria para juízes que podem dar notas, geralmente de zero a dez.

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Nota dada pelo juri popular em Slam da Resistência – fotografia de Sérgio Silva

Na cidade de São Paulo muitos slams surgiram nos últimos anos, principalmente nas regiões centrais da cidade, a ideia é partilhar poesias e no final temos uma pessoa que enfrenta todos e sai com a maior nota.

Diferente do sarau que é a prática de incentivo à leitura e acesso ao livro, com uma maior concentração em regiões periféricas, neste a ideia principal é aguçar o desejo de ler a todas as pessoas envolvidas, sem exclusões ou classificações e também encorajar a escrita e a partilha de poesias ou outras linguagens artísticas.

Numa sociedade onde valores como ser vencedor, de competição acirrada e aceleração constante, incentivo as pessoas a irem em saraus, pois ao final volto para casa sem ser vencedora, principalmente por não ter juízes para esse encontro e com uma leve sensação de felicidade por não ter que rebaixar ninguém pra ser melhor.

Com o coração no lugar certo

Por Sheyla Melo

           No 7 de abril é comemorado o dia do Jornalista, aquela pessoa que gosta de escrever, mas não só isso, possui um bicho chamado curiosidade e inconformismo, nessa provocação Aldo Quiroga iniciou o encontro de seleção para o Projeto Repórter do Futuro. Além de nos alertar sobre uma passividade dos profissionais e da população pelos acontecimentos no cenário político nacional e internacional.

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Abertura do projeto e seleção de estudantes – 08/04/17 – Câmara Municipal de São Paulo.

            O projeto é apresentado com um belo convite para os estudantes: como uma semeadura de pessoas esquisitas com o coração no lugar certo e principalmente para a complementação acadêmica sobre o jornalismo como uma prática diária da inteligência e exercício cotidiano do caráter.

             Sérgio Gomes reforça que o jornalista tem uma atividade política, relembra as agressões que 127 jornalistas sofreram em manifestações e que destes 90% eram assalariados dos meios de comunicação mais veiculados e que infelizmente não houve um posicionamento das instituições. Ressaltando que o jornalismo precisa ser relevante, atual e de interesse público, nessa área não pode entrar quem é analfabeto político.

               Os que tem o coração no lugar certo saíram deste encontro com a certeza que o jornalismo possui uma incrível importância para a democracia. O curso iniciará no dia 06 de maio e vai até 8 de julho.

             Mais informações em Oboré Projetos Especiais, Escola de Parlamento e Câmara Municipal de São Paulo.