Categoria: Priscila Neves Gonçalves Baeta

Evolução humana: Eu, mutante.

Quantas vezes olhamos para a rua ou para o espelho e nos perguntamos “o que mudou na nossa espécie?”.

Evidentemente não é uma pergunta comum. Até questionamos sobre o avanço da tecnologia, ciência. Mas tratando de evolução de espécie chegamos nas fotos comparativas do australopitecos ao homo sapiens sapiens e paramos por ai.

“Ah, afinal são milhares de anos para atrás e para frente que fazem a diferença”.

E se dissermos que a evolução acontece em todos os dias. E que está acontecendo agora. Que pode estar acontecendo na sua mesa de jantar, ou que podemos nós mesmos sermos os responsáveis por nossa própria evolução – ou involução…

Tudo bem, já imaginamos aquela resposta “ah sim, existem mesmo apenas 2% de ruivos no mundo e eles podem acabar”.

Não é só isso. E nem só a extinção de quem tem olhos azuis, ou dos canhotos, ou que tudo será a eliminação de genes recessivos, pronto e acabou.

Lógico que jamais desprezaremos Darwin, a seleção natural é um grande causador das alterações de genes e tudo o mais, entretanto vamos além. Os genes podem ser alterados pelo meio ambiente. Pelo que os indivíduos andam ingerindo. Pela Lei do Uso e Desuso de Lamarck (nome inteiramente autoexplicativo). E por mutações até em laboratórios!

Pouco divulgado, mas tem quem hoje já nasça sem os dentes do siso, afinal, os alimentos são bem mais facilmente digeríveis hoje.

Há, também, pesquisas que afirmam que em um futuro “breve”, o homem não possuirá o dedinho do pé. Ele já não tem mais função, visto que o equilíbrio é estabelecido pelos dedos maiores e o quinto dedo servia apenas para literalmente “escalar árvores”. – menos função ainda ele possui quando vivemos topando naquela quina…

Agora é claro que a ciência também possui uma parcela da culpa, para o bem ou para o mal. Enquanto muitos laboratórios testam diariamente mecanismos de eliminar genes que sofreram anomalias, ou que causam doenças ao ser humano; outras tantas indústrias trabalham, através, claro, de interessem econômicos, para produzir diversos tipos de hormônios e pesticidas que vão diretamente para nossa alimentação, envenenando nós mesmos e as próximas gerações.

Resultado de imagem

Anúncios

Se palpite fosse bom, não seria grátis

A personalidade de uma civilização pode mudar com o tempo, com o local em que se habita, com os círculos de afinidades, mas algumas atitudes podem ser explicadas pela ciência, atitudes que independem de época ou estado existencial, determinações quase biológicas.

Um exemplo, é a necessidade irresistível de alguns seres humanos de interferirem na vida de outros com suas opiniões, muitas vezes sequer solicitadas.

A psicologia explica que até os 8 anos temos 55% de nossa personalidade formada e nesse período as crianças possuem grande noção de como os adultos interferem em sua vida, desde os pais e avós, até os professores.

Existem estudos que indicam que quanto mais “livre” a criação desses pequenos, mais interessados em suas próprias vidas e menos nas dos outros deverão ser esse adultos.

Parece óbvio, mas quantos de nós chegam a essa conclusão?

Tenho a impressão que essas intervenções não requeridas são muitas vezes sinônimos de extremo egoísmo e egocentrismo, ao passo que quando realmente necessitamos de conselhos e do tempo de alguém seja por algum problema físico ou psicológico, o número é bastante reduzido de quem estará realmente disposto a essa “complacência”, visto que até com simples “Oi, tudo bem?”, tudo o que o outro deseja ouvir é uma resposta afirmativa.

Vou mais além. Egoísta esse ser que precisa se auto afirmar sobre suas experiências de vida tão válidas e que deram tão certo. Quase uma vangloriação em cima de quem talvez ainda não tenha acertado, mas pior que isso, em cima de quem está disposto a acertar mesmo que seja errando, e que nunca pediu a opinião de ninguém.

 

Resultado de imagem

E o mar avança…

As ressacas nos litorais do sudeste têm surgido nos jornais com maior frequência a cada ano, majoritariamente nos invernos, e isso alarma a toda população litorânea. É sabido que no mundo, 44% da população vive em zonas litorâneas e cada vez mais fenômenos oceano-meteorológicos devem ser discutidos.

Infelizmente há poucos registros históricos detalhados sobre as ressacas antigas nos litorais de SP, o que complica um diagnóstico certeiro das causas. Apesar do aquecimento global ser o pretexto mais apontado, ainda existem outras mudanças climáticas que poderiam ser igualmente motivadoras.

O máximo existente são registros de acervos de jornais e bancos de dados de desastres da cidade de Santos, litoral de São Paulo dos últimos 88 anos, em que foi percebido que 73% das chamadas ressacas ocorreram a partir dos anos 2000, o que já serve de grande alerta para um aumento exponencial ao longo dos anos.

Além das destruições nos jardins e avenidas urbanas das praias, as ressacas invadem garagens de prédios trazendo muitos prejuízos a moradores da orla e destroem pousadas que, claro, se sustentam com o turismo da região.

O que mais preocupa ambientalistas é que existe uma previsão para que em até 50 anos o nível do mar suba mais que 20 cm em todo o mundo, e se isso acontecer e nada for feito, as cenas catastróficas dos cinema serão bem próximas da realidade.

Estudos afirmam que as primeiras e mais conhecidas cidades a sumir com a elevação do mar serão Veneza na Itália, Roterdã na Holanda, Bangcoc na Tailândia e várias ilhas do paradisíaco arquipélago das Maldivas.

Santos, praia do boqueirão, outubro de 2016: Água avança 300 metros do normal

 

captura-de-tela-2016-11-23-as-21-59-37

Santos, praia do boqueirão. Mesmo trecho como ele é geralmente.

Acordem! Estamos virando máquinas

Ser forte não é mais uma qualidade. É uma obrigação.

Não existe espaço para a fraqueza, para o medo, para vulnerabilidade. O tempo não pode ser desperdiçado.

Todos possuem problemas. Uns maiores, outros menores. Uns mais contornáveis, outros nem tanto. Mas isso é problema de cada um.

Egoísmo, falta de compaixão.

Mas se afundar na cama é mal visto. É praticamente desprezado.

Hello! É século XXI! Tecnologia, velocidade.

Choro e lamentação? Que descaso com o tempo!

Se ausentar do trabalho por doença física já é impensável em tempos de desemprego, imagine por uma doença psicológica. As contas estão caras demais para esse luxo.

Parar de estudar até é possível algum dia, mas com o mercado de trabalho tão competitivo, quem se arrisca a ficar defasado.

Dispensarmos um pouco da atenção de um cônjuge para repousar é perigoso, a concorrência com o tempo fica cada vez maior, e os relacionamentos já andam frágeis demais.

Mas deixar as tarefas de casa para uma doméstica, também custa bastante.

E a energia para os filhos, para atendê-los à noite, levá-los à um parque aos fins de semana? Tem que ter. Nem que tire da cartola, mas de alguma maneira temos que fazer o possível para sermos presentes, afinal, de doentes psicológicos já bastam os adultos.

E então, são dos nosso pais que desistimos. Cada vez mais os asilos são a primeira opção.

Os pais envelhecem, ficam doentes, e somos nós que esquecemos quantas vezes eles também se desdobraram por nós.

O que essa sociedade está se tornando? Robôs. Com tarefas pré-determinadas, sem a possibilidade de agirem emocionalmente, registros de memórias cognitivas agora são registros em sistemas de computadores e redes sociais e as ocupações diárias são como linhas de produção.

Pra quem tem medo do futuro de ser dominado pela inteligência artificial, ou pelas conspirações do universo que possuem todos os dados da nossa vida através de e-mails, redes sociais, e etc; o meu medo é outro.

Não tenho medo deles, tenho medo de nós mesmo e do que estamos nos tornando.

Terceirização ilimitada: entendendo a pauta do STF

Em 1o de maio de 1943, sancionada por Getúlio Vargas, nasceu a CLT, Consolidação Das Leis do Trabalho. Nela esteve determinado que cada empresa fosse obrigada a contratar todos os seus empregados para cumprimento da atividade empresarial.

Alguns anos depois o TST, Tribunal Superior do Trabalho, relativizou essa norma. Através da Súmula 331, Item III ficou garantido que uma empresa pudesse contratar uma outra empresa para desempenhar funções consideradas parte de uma “atividade-meio”, que nada mais é que terceirizar cargos que não correspondam ao contrato social dessa empresa. Contudo permaneceu ilegal a terceirização de funcionários para exercerem funções naturais ao produto final da companhia, a “atividade-fim”. Que de acordo com CLT, no art. 581, § 2º, entende-se por atividade-fim “a que caracterizar a unidade do produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente em regime de conexão funcional.”

Ou seja, com a súmula do TST passou a significar em exemplo direto que um fabricante de móveis é obrigado a contratar sobre o regime celetista seus marceneiros, carpinteiros, pintores, e etc, mas lhe é permitido que terceirize uma equipe de seguranças.

Mas hoje o Supremo Tribunal Federal possui nas mãos uma votação que pode transformar muito a atual forma de contratação de funcionários em todo o país. Está próximo de ser decidido se qualquer atividade em uma empresa poderá ser desempenhada por um terceirizado, sem restrições.

Para muitos, caso a decisão seja de terceirização ilimitada, o entendimento é de retrocesso. Além de contratações precarizadas, esses funcionários perderão diversos direitos e conquistas de convenções e acordos coletivos, já que a partir da terceirização, a quem eles responderão serão à terceirizada, evidentemente que os salários e os direitos sociais serão muito menores, e uma exposição à rotatividade será fatídica. O trabalhador será apenas uma mercadoria para a empresa.

Por outro lado, não é fácil ser empresário. Os tributos são muito altos, e custa muito caro para o empregador manter toda sua empresa na legalidade, fadados, muitos, a fecharem suas portas, o que também é péssimo do ponto de vista de menos postos de trabalho.

A sessão no STF que julgaria o processo estava marcada para o dia 9 de novembro, mas ela foi encerrada sem a pauta. O processo será reagendado, mas podemos aguardar apreensivos por uma decisão que pode mudar a vida de todos os brasileiros muito em breve.

Brasil: De imigratório para emigratório

O Brasil fez 50 anos de substituição no título de um país imigratório para um país emigratório.

A partir do século XIX nosso país esteve entre os 5 principais destinos de estrangeiros. Foram portugueses e italianos em sua maioria, seguidos por espanhóis, alemães, japoneses, e outros como suíços, eslavos, russos, ucranianos e poloneses.

Entretanto a última grande leva imigratória ao país ocorreu nas décadas de 50-60, durante o desenvolvimento industrial no governo de JK – exceto pelo fenômeno pontual dos imigrantes ilegais vindos do Haiti em 2010, pelo terremoto que deixou mais de 300 mil pessoas desabrigadas.

Após 1960, mais ainda pelo período de ditadura vivido pelo brasileiro, o país inverteu seu fluxo migratório, e a emigração veio à tona.

Essencialmente na “década perdida de 80”, milhares de brasileiros emigraram em sua maioria para os Estados Unidos, em seguida outros milhares de descendentes de japoneses emigraram para o Japão e um número bastante elevado de brasileiros foram trabalhar com garimpo e agricultura em países fronteiros ao Brasil, e um número menor emigrou para os países da antiga Comunidade Europeia.

Acontece que nos últimos anos uma nova jornada emigratória tem incidido sobre os brasileiros. Levados fundamentalmente pela crise econômica e a descrença com o governo, e mais que isso, ao contrário das outras emigrações que buscavam basicamente uma vida financeira melhor, agora o intuito é agregar à vida financeira, uma melhor qualidade de vida, que outrora não era possibilitada pela maioria da emigração sem qualificação. Hoje vemos uma quantia maior de brasileiros de classe média e alta, inclusive com formação superior apostando a vida no exterior.

O IBGE divulgou um relatório 2014-2015, apresentando as estimativas dos brasileiros residentes no exterior. O relatório apresentava que mais de 3 milhões de brasileiros residiam fora do país. Os principais países de destino foram Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e Inglaterra (6,2%). Esses países representam quase 70% do total. Cabe ressaltar que, somados, os primeiros 10 países europeus na lista (Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Bélgica, Holanda) representam quase 49% do total, mais do que o dobro da cifra referente aos EUA, ao contrário da primeira leva de emigração décadas atrás, em que os Estados Unidos eram o principal destino, e disparado.

captura-de-tela-2016-11-19-as-14-37-09

 

Facebook, suas notícias falsas e sua responsabilidade. Até as eleições americanas podem ter sido comprometidas.

Quando vi essa matéria, imediatamente pensei “Quão pertinente ao blog!”

captura-de-tela-2016-11-17-as-22-29-38

O site BuzzFeed.com publicou ontem uma matéria alegando que as notícias falsas do Facebook tiveram extrema importância nos últimos meses da campanha eleitoral americana.

Sobre a criação de informações falsas serem estratégia de marketing de anunciantes dentro dessas mesmas páginas, Zuckerberg já assumiu e prontamente desenvolveu mecanismos para que esses anunciantes não lucrassem com esses rumores, contudo são os compartilhamentos “ingênuos” desses assuntos traiçoeiros que tanto os disseminam e que são de tão difícil controle. Mas porque são essas notícias que fazem tanto sucesso? Bom, já chegamos a essa conclusão em “mídia, complexidade e poder”. As informações mais dissimuladas geralmente são as mais impactantes, infelizmente.

Os dados sobre o possível empurrãozinho que Trump obteve graças às matérias mentirosas foram adquiridos pelo Buzz Feed News, através de uma análise das viralizações nas redes sociais. Os números são diretos: 7,4 milhões de reações, comentários e compartilhamentos das 20 principais notícias verdadeiras (exclusivamente dos grandes The New York Times, The Washington Post e Huffington Post), comparados às 8,7 milhões das farsas. Foram histórias como a que afirmavam o apoio do Papa Francisco a Donald Trump e a venda de armas pela Hillary Clinton ao Estado Islâmico que possam ter feito a diferença.

É claro que Zuckerberg não admite a vitória do republicano por culpa dos boatos em sua rede, aliás, ele afirma que os boatos nem possuem “tanta representatividade assim”, mas assumiu que o trabalho para limpar toda essa cadeia de informações falsas não é tão simples quando os usuários imaginam.

Fato é que algo deve ser feito, porque além dos tristes acontecimentos espalhados pelo mundo que são causados pela propagação de inverdades, o Facebook deve assumir ao menos uma responsabilidade de intermediário, uma vez que muitos usuários das redes sociais a utilizam como principal fonte de notícias.