Categoria: Nathália Mosteiro Gaspar

13 Reasons Why x Dear White People e o silêncio programado

Por Nathália Gaspar

Quando falamos de espiral de silêncio e agenda setting precisamos lembrar que isso acontece fora da TV. O ambiente virtual faz parte de da vida de grande parte da população mundial e, assim como a TV, tem prioridade por algumas causos e causas. O racismo é uma pauta extremamente presente e pouquíssimo falada (infelizmente). A Netflix é responsável por grandes lançamentos do mercado cinematográfico, tendo uma importância muito grande no cenário cultural. A prova disso é a série 13 Reasons Why, série baseada no livro com mesmo nome e que fala sobre bullying e suicidio. Pautas importantes e que precisam ser viabilizadas mas que é tratada como uma preferência “racial” muito explicita.

Uma série que procura tratar um problema social gigantesco no mundo, principalmente no Brasil, onde é mascarado, é a Dear White People que coloca personagens negros na luz. Jovens negros protagonizam suas próprias vidas, algo muito raro em roteiros no cinema/série, personagens fora dos padrões esperados. Em época onde o Oscar foi criticado por não ter atores indicados ao prêmio, onde Viola Davis faz um discurso brilhante de “a única coisa que separa mulheres negras de papéis ótimos são as oportunidades”.

O fato é que o seriado foi muito criticado por colocar os brancos como vilões, dentro de um padrão e estereotipar. Exatamente o que fazemos com os negros. Dear White People toca numa ferida profunda e que poucos percebem, os privilégios foram dados a muito tempo atrás e jamais questionados pelos privilegiados (lógico) e agora os que sofrem com pouquíssimo ou nenhum tipo de privilégio questionam, perturbam o sono. Perturbar o sono, dessa maneira, não é interessante para uma sociedade onde a tradição é o principal e o correto, por isso, é mais fácil silenciar e julgar a entender o que aquele roteiro, de fato, quer dizer. Escutar e enxergar a realidade do outro com empatia e alteridade. O racismo é sofrido exclusivamente por quem não é branco, ou seja, pelas minorias e, geralmente, não a classe dominante. O suicídio é capa quando essa mesma classe dominante o comete, assim como questionamos a história de um branco quando comete algum outro crime e já sentenciamos o negro pelo simples andar na rua.

Anúncios

Espetacularização de tudo

Por Nathália Gaspar

Billy Wilder foi criticado em seu filme A Montanha dos 7 Abutres por ter como o personagem “malvado” alguém que nunca se vê como tal, o cidadão de bem: o telespectador. Tal artificio chocou toda a sociedade americana que se julgava tão boa e próspera. Os vilões (nós) estamos sedentos por imagens e informações do que teria acontecido no acidente. A busca por informações e como elas são passadas para nós, como um verdadeiro show!

Hoje, em pleno 2017, tivemos outro episódio parecido. Transmitido ao vivo. Os três atentados, quase que sincronizados, por Londres foram gravados e disponibilizados online e nas próprias TVs não só por jornalistas. Agora a mídia também recebe o acesso e a contribuição de todos. O mais forte nas cenas é perceber que a notícia pode vir de qualquer lugar e a todo momento, literalmente. Ao acompanhar as imagens, a correria e a tentativa de tradução simultânea, era como se fosse um filme e que o final não fosse anunciado em nenhuma resenha ou sem nenhum spoiler.

Paralelamente, na internet, os comentários bombavam e até apostas eram feitas. Trending Topics no Twitter, posts sem para no Facebook e até lives no Instagram. Qualquer rede social tinha referências e comentários sobre o que estava passando há poucos (ou muitos, no caso do Brasil) quilômetros de distância. Policiais gritando para se afastarem e a câmera, como se fosse nosso olhar, seguindo o que eles queriam evitar de mostrar. Billy Wilder, se estivesse vivo, teria muito material para uma segunda parte do filme.

TRUMP: O que aconteceu?

Por Nathália Gaspar

O que atrai atenção? Notícias falsas. Nada é mais nocivo do que uma pessoa ser julgada por algo que não fez e o processo de provar o contrário é extremamente cansativo e pesado. A guerra de postagens, como vimos nas eleições dos EUA pode ganhar uma eleição. Dar voz a pessoas portadoras de ideias perigosas, que não só flertam mas brincam quase que docemente com teorias fascistas, é dar espaço e margem para pessoas que pensam igual se manifestarem sem a barreira moral de pensar que pessoas morrem por ideais como os de Trump que falava, abertamente, ser contra imigrantes no país. E aqui, no Brasil, aquele-que-não-deve-ser-nomeado e que brincam misturando o nome do político com um de desenho animado, isso não é engraçado e ajuda a disseminar o nome do cara, como aconteceu com o Tiririca que ganhou até votos de quem achava que estava fazendo protesto. Pois é, o cara ganhou.

Essa espera pela informação é algo muito arcaico e questionado por uma geração que nasceu com o mundo disponível em um clique, a questão é: até que ponto esse instantâneo não vai atrapalhar o aprimoramento, desevolvimento de nós quanto sociedade real, no mundo onde pessoas precisam e vão precisar se relacionar?

As redes sociais cada vez mais ganham espaço no dia a dia e cada vez mais abrem menos espaço para que haja uma preocupação necessária, natural e preciosa naquilo que compartilhamos. Algo mal compartilhado ou conteúdo mal intencionado é extremamente nocivo para as pessoas que, muitas vezes, voltando ao que falamos no inicio, não tem o senso crítico ou a sensibilidade de fazer uma análise para passar, de novo, por outro filtro, se aquela informação confere. Nos apenas repassamos, muitas vezes sem nem ler além da machete colocada para caçar cliques

Internet: Vilã, heroína ou além disso?

Por Nathália Gaspar
A forma correta, ou que aprendemos a chamar de correta, para se chegar até uma opinião não é processar a informação de acordo com seus valores ou com o achismo, temos que passar por um processo para melhora-la, aprimora-la, questiona-la e então, forma-la. A opinião é mais do que uma informação segundo nosso ponto de vista, se fosse algo assim seria muito vago e impreciso. Tendencioso.

Apesar da informação passar por um processo para chegar até nós, quem analisa e dissemina opinião também deve estar ciente disso e procurar por mais informações em outros veículos e fontes, ajudando a melhorar também a qualidade do produto final: opinião. Está colocada como matéria prima para ter uma rede social. O que seria do Facebook sem os posts falando sobre temas polêmicos e sem nenhum critério para as postagens e palavras expressas junto aos textos.

O twitter, com seus 140 caracteres é mais limitador ainda. Com um limite minúsculo, expressar qualquer pensamento mais complexo que “o que estou comendo agora” pode ser complicado, isso ajuda a disseminar informações incorretas, incoerentes e inconclusivas. Digo, quando colocamos o pensamento dividido em vários twittes podemos perder o sentido, ser interpretados de uma maneira totalmente contrária a desejada (como se isso não acontecesse com o texto corrido e postado de uma vez só, já) e é mais fácil de espalhar o caos. Quando se tem 140 caracteres as melhores formas de obter atenção é: palavras no impertativo, frases curtas e diretas com menos do que 140 caracteres. Chama atenção, vende, divulga. Retwitta.

O combo, falta de análise, excesso de informação geram o especialista de nada. Onde opinião vale mais do que um bom argumento, onde o “é minha opinião e cada uma tem a sua” não existe dialogo e, portanto, não existem melhorias ou projetos de uma sociedade mais justa. Não estamos dispostos a conversar porque simplesmente nos fechamos nos grupos online, com quem queremos, na quantidade que queremos desta pessoa e está tudo certo. A Internet é importante e foi revolucionária no seu nascimento porque possibilitou dar voz a quem antes não sabia que poderia ser algo além de estatística em algo que nem sequer tinha noção do significava. Por esses motivos é complicado barrar ou implantar regras em uma terra nascida como sem lei.

Mesmo que existam leis e punições contra hackers, pessoas que disseminem ódio gratuito nas redes, é complicado chegar até os caras. A tecnologia está chegando a lugares que nunca imaginamos e fica difícil lidar com algo que nos mesmos criamos e que ainda é muito novo. Não sabemos, a longo prazo, qual será o efeito disso.

Boatos espalhados em Whatsapp já destruíram (injustamente) vidas de pessoas e empresas

Por Nathália Gaspar

O aplicativo de comunicação Whatsapp é o mais baixado no Brasil, com 120 milhões de usuários no país, é a plataforma onde as mentiras têm consequências mais devastadoras. Com um acesso muito maior e mais fácil, notícias (quase sempre) infundadas, fotos que não correspondem ao texto e até mesmo vídeos que comprometem a vida de terceiros acabam espalhando mentiras que, muitas vezes, não tem volta.

Casos dos “Revenge Porn”, ou o “pornô de vingança”, casos de possíveis abusos, roubo são frequentes em mensagens trocadas pelos grupos. A questão é que esse compartilhamento é muito mais complicado de rastrear e impedir. Não é possível, por enquanto, saber o tamanho exato dos boatos criados no aplicativo. Enquanto em redes sociais como Facebook e Twitter o problema é calculável e até mais fácil de conter, as mensagens instantâneas ainda escapam.

Há vários casos que, infelizmente, viraram notícias nos jornais por serem pessoas que apanharam na rua por serem suspeitas de algo ou por estarem no lugar errado e na hora errada. Há registros de mortes por espancamento como a da moça no Guarujá que foi acusada de usar crianças para feitiçaria.

Pesquisas independentes indicam que entre 80% e 92% dos brasileiros conectados à internet utilizam o serviço. Hoje, o Whatsapp é o principal aplicativo de mensagens do mundo, com 1,2 bilhão de usuários, dos quais aproximadamente 10% (120 milhões) estão no Brasil. É dizer: existe um enorme potencial para atingir muita gente.

Segundo pesquisa do Datafolha sobre os hábitos e opiniões do brasileiro em relação ao Whatsapp, encomendada pela própria empresa de tecnologia, 53% dizem compartilhar “piadas, memes e coisas engraçadas” e 35% afirmam enviar “notícias, textos de jornais, revistas e outros meios” — onde os boatos se encaixariam. O instituto de pesquisa entrevistou 2.363 pessoas em 130 municípios brasileiros; a margem de erro é de dois pontos percentuais.

É assustador saber que, por mais que as redes sociais estejam infestadas de “fake news”, sites buscando cliques, algo tão banal como uma mensagem para um amigo/grupo pode acabar tirando vidas e estragando tantas outras. Online e offline são um só, finalmente.

Os sete abutres versão digital

Por Nathália Gaspar

Eleições americanas, cenário político no Brasil, Coreia do Norte versus Donald Trump. No que acreditar? Em quem devemos confiar? O problema é que, além de matérias falsas ou com conteúdo duvidoso no meio jornalístico, agora também temos que lidar com sites duvidosos que se dizem jornais ou abusam da liberdade de expressão.

Em A Montanha dos Sete Abutres, o roteiro mostra como um fato (quase sempre tragédia) pode causar um enorme reboliço na mídia local e na própria cidade, de boca em boca, como hoje acontece entre compartilhamentos e curtidas.  No filme as notícias correm tão rapidamente que é muito possível que outras pessoas, não colocadas no roteiro e gravação tenham vivido como “telefone sem fio” em que se passa uma informação e, no final, se repete outra. A questão é os jornais divulgam uma matéria. Até que ponto tudo que está escrito ali é verídico? Até que ponto a informação que nos informa realmente é (pouco) moldada? Esse é o tipo de pergunta que devemos fazer quando vemos algo no jornal e/ou no meio virtual.

A expressão “Bad News is good News” é aprendida na faculdade pelos futuros formadores de opinião. Quem está no meio sabe como a notícia é produzida e, principalmente, PARA QUE ela é feita.  É dizer, inventar histórias pode favorecer, sim! Ao criar algo o foco muda e o que é realmente importante passa para segundo plano, como secundário e já não-tão-novo. A mídia em tempos de Impeachment e denúncias  sobre o Temer é grande prova disso no nosso dia a dia.

iCrianças ou Crianças “oldschool”?

Por Nathália Gaspar

É interessante perceber como a busca por escolas alternativas cresceu e como as opções também se tornaram mais viáveis, pelo menos para entender o que cada uma quer dizer. As novas gerações estão entrando em escolas que buscam integrar o individuo no grupo, o grupo na sociedade e essa sociedade, em outras. A ideia de que vivemos isolados, que o conhecimento é algo que apenas o professor detém, está morrendo.  Hoje existem escolas Construtivistas, Freiriana, Waldorf, Freinet, Optimist, Montessoriana, Comportamentalista e tendência democrática. Claro, não vamos ser ingênuos que isso é para uma parcela mínima da população que não só detém essa informação, mas como pode bancar isso.

O importante, mesmo assim, é saber que existe alternativa para o método tradicional que mina, todos os dias, seres humanos que não se encaixam no perfil do método. Cada vez mais falamos em representatividade, em aceitar o outro como igual e entender que diferenças não só fazem parte da vida como da natureza. Ainda que uma parcela pequena da população tenha acesso, com a mentalidade mais inclusiva, esses novos cidadãos podem ajudar a melhorar nossa sociedade e criar, cada vez mais, uma igualdade. Ainda que tarde, o otimismo ganha espaço quando vemos crianças sendo criadas da maneira mais justa possível.