Categoria: Muriel Pedrozo Monteforte

Então, é Natal… Então, é consumo!

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Desde de pequenos esperamos ansiosamente pelo Natal. Essa é uma celebração bastante aguardada no ano para os ‘cristãos’. A família se reuni e o clima de amor se instaura, até o momento em que você abre o seu presente do amigo-secreto e o detesta. Esse é apenas um exemplo do consumismo que nos domina nessa data.

Quando crianças até que aprendemos sobre o nascimento do menino Jesus, ao mesmo tempo que nos ensinam a se comportar em troca do presente do Papai Noel. A contradição desses ensinamentos são óbvios, mas ao mesmo tempo, fingimos não ver.

Nessa época do ano o foco tornou-se somente comercial. O consumo é desenfreado. E claro, tudo aumenta de valor!  Você se vê obrigado a comprar inúmeros presentes, comprometendo o seu dinheiro para satisfazer o desejo alheio e o seu de se fazer importante para alguém através de algo material. E para quem não tem condição, fica o sentimento de vazio, você quase que se culpa e o real sentido do Natal acaba sendo esquecido.

Fomos ensinados a consumir, algo que parece que já nasce com a gente e que é quase impossível reverter. O jeito talvez seria exatamente mudarmos a maneira como colocamos o Natal para os pequenos e ensinar que coisas materiais são necessárias, mas são as menos importantes que precisamos ter.

 

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Existe o jeito errado de lidar com a dor?

Diante das recentes inúmeras noticias que tem sido publicadas sobre o trágico acidente com a Chapecoense, duas delas me levaram a uma reflexão sobre como cada um tem o seu modo de lidar com a dor e também como a comoção pode gerar diferentes comportamentos.

Alaide, mãe do goleiro Danilo Padilha, uma das vitimas fatais, após ceder entrevista ao repórter Guido Nunes , o surpreendeu ao questioná-lo sobre como estava se sentindo por perder alguns amigos de profissão. Emocionados, os dois se abraçaram. Algo tão comovente, nos tempos atuais, não teria como não virar notícia e se viralizar. A força dessa mãe virou ‘exemplo a ser seguido’.

No domingo (04), a noticia da confusão no velório do lateral-direito Gimenez. A esposa do jogador Patrícia solicitou que o local onde o corpo estava sendo velado fosse reservado para ela por 15 minutos, onde a mãe dele também ficou. Pouco depois, cerca de dez minutos, a mãe de Gimenez abriu o portão e liberou a entrada dos torcedores, familiares e amigos. Foi então que se desentenderam e tiveram de ser apartadas pelos presentes. Talvez a esposa tivesse sentido que foi pouco tempo para a sua despedida e talvez para  a mãe seria só prolongar o sofrimento e resolveu acabar logo com aquilo, talvez.

Com essas diferentes posturas, passei a questionar como a dor, o luto, é algo muito pessoal. A comoção, o tumulto, podem ser influenciadores neste momento tão delicado, estão todos a flor da pele e tentando de alguma maneira extravasar. Não se sensibilizar com esses fatos e julgar o sentimento do outro é quase que se ‘desumanizar’.

Por Muriel Monteforte

Os ‘abutres’ sobre a tragédia da Chapecoense

 

chapecoA tragédia da queda do avião com a delegação do Chapecoense mal aconteceu e “os abustres já pousaram sobre o acidente”. As autoridades colombianas confirmaram a morte de 76 pessoas dentre as 81 que estavam no voo. Certamente uma das noticias mais tristes de 2016, mas um prato cheio para a ‘era do espetáculo’.

Começando pelo ‘cidadão comum’, as imagens do avião destroçado e das vitimas viralizaram através das redes sociais, algo já esperado e principalmente inevitável. A comoção acaba ultrapassando o limite do bom senso.

O portal Catraca Livre que é um veículo com mais de 8 milhões de curtidas, conhecido por defender ideias de empoderamento, contra racismo e homofobia, por exemplo, na tentativa de ir na contra-mão do que vem sendo noticiado, resolveu publicar uma matéria com fotos de pessoas momentos antes de morrerem, incluindo algumas vitimas do recente acidente.

A escolha do post repercutiu negativamente entre seus leitores que apontaram a matéria como tentativa de ganhar cliques e aumentar sua publicidade. Em sua defesa, o site publicou “Entendemos as críticas e as respeitamos. Mas consideramos relevante jornalisticamente mostrar outros aspectos da tragédia como, por exemplo, o medo de voar e os mitos. Em momentos assim, o pânico se espraia: é necessário mostrar que o avião é o meio mais seguro de transporte. É um meio de contribuir para que as pessoas saibam lidar com problemas. Estamos, como a nação, de luto. Mas precisamos não apenas lamentar, mas informar”. A justifica não foi bem aceita pelo publico, que automaticamente começaram a ‘descurtir’ a página.

O espetáculo nem sempre é bem-sucedido, como a imprensa midiatica ainda acredita.

10 fotos pesadas de pessoas instantes antes da própria morte

Por Muriel Monteforte

 

A caridade em troca do consumo

Recentemente fui convidada a participar de dois financiamentos coletivos, que funcionam como uma espécie de ‘vaquinha’ através da internet, e o resultado deles me alertou para uma questão um pouco preocupante: ‘caridade em troca de algum interesse’.

O primeiro financiamento que me foi sugerido era para ajudar a arrecadar fundos para a gravação do CD Remonta de Liniker e os Caramelows. O anúncio foi feito pelos artistas e a meta era de R$ 70 mil. No total 1.661 pessoas contribuíram para a campanha com um pouco mais de um mês de lançada. Até a data limite, eles conseguiram R$ 104.000,00 que foram usados para custear a gravação, prensagem , produção e as recompensas para quem contribui. A banda ficou famosa após sucesso viral da música ‘Zero’, que soma mais de 6 milhões de visualizações no YouTube.

Já o segundo financiamento consistia em juntar dinheiro em prol do  Hai Africa, que é um projeto social muito sério criado pela brasileira Mariana Fischer, que beneficia as crianças da comunidade de Kabiria, em Nairobi, no Quênia. Elas recebem educação escolar, alimentação e nutrição balanceadas e atendimento médico regular, algo bem raro por lá. Porém, o projeto aluga um espaço e criou o financiamento para comprar um terreno e construir uma sede própria. A campanha começou em agosto/16 e se encerrará no final de novembro/19 e tem a meta de R$ 150.000,00, só que arrecadou até o momento R$ 32.428,00, doados por 328 pessoas.

Liniker e os Caramelows são fruto da rapidez do alcance das midias sociais, pois oferecem  algo que consumimos, que nos é de interesse, seu produto é a música e cultura, quem não gosta? Já o Hai Africa, o que nos pode oferecer em troca a não ser o sentimento de ‘fiz a minha parte’? Talvez por isso, ainda não conseguiu alcançar a sua meta e continuar ajudando as crianças.

Por Muriel Monteforte

 

E você, quem salvaria?

 

 

Há alguns dias inúmeras publicações tomaram conta das redes sobre uma enquete que foi realizada no programa Encontro com Fátima Bernardes, que tratava de uma escolha sobre “salvar um traficante em vias de morte ou um policial com uma bala na cabeça, mas em situação estável”, o que gerou uma grande polêmica.

A questão foi levantada por causa da estreia do filme Sob Pressão, onde há uma cena em que o médico que trabalha no sistema público de saúde precisa tomar essa decisão de quem salvar primeiro . O programa quis saber, de seus convidados, quem eles socorreriam antes e escolheram atender primeiro o criminoso.

Policiais indignados gravaram um vídeo sugerindo à Fátima Bernardes que se ela fosse estuprada e tivesse ferido o estuprador com uma faca quem a policia deveria salvar primeiro, a vitima ou o bandido? O deputado Jair Bolsonaro também saiu em defesa dos policiais e publicou um vídeo afirmando que a mídia é parcial, e que o  programa dá mais atenção a um traficante ferido do que um policial, que segundo ele é “um herói a serviço nosso nas ruas”.  Fátima virou alvo de ataques como se fosse responsável pelo resultado do questionamento. Vale lembrar, que a apresentadora, nem tinha dado sua opinião.

Analisando a questão de forma fria, talvez eu tivesse optado rapidamente por salvar o policial. Mas me veio a questão do juramento dos médicos e policiais, cujo creio que tenham feito antes de ingressarem em suas carreiras, e então podemos pensar com isso, quais seriam as escolhas deles. O juramento de Hipócrates (médicos) diz: “Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes. Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza’. Já o juramento da policia do Estado do Rio de Janeiro afirma: “Ao ingressar na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, prometo regular a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, ao serviço policial-militar, à manutenção da ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo com o sacrifício da própria vida”. Tento com isso fazer uma análise técnica/profissional sobre a situação questionada.

O que vejo com essa repercussão toda é como um programa de massa, não expõe uma discussão mais aprofundada, e que as vezes pode acabar se tornando parcial. O resultado dessa enquete pode nos mostrar que ou estamos desacreditados da policia nacional ou o lado humanitário de pensar que uma vida corre mais risco que a outra e que precisa ser salva falou mais alto.

É muito difícil falar a respeito de algo sem antes analisar a situação mais profundamente, ambos os lados, o jeito ‘certo’ de opinar sobre um assunto entre outras coisas importantes para a formação de uma opinião.

Por Muriel Monteforte

Um pouco de Billy Wilder

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Samuel Wilder nasceu em 22 de junho de 1906 em uma cidade do império austro-hungaro, atual Polônia. O diretor do filme “A montanha dos sete abutres” recebeu de sua mãe o apelido de Billy ainda na infância . Na juventude estudou direito e era considerado um aluno brilhante. Desistiu da área jurídica ao ingressar em um jornal de Viena. Na década de 1930, iniciou carreira no cinema como roteirista no cinema mudo alemão. Por se judeu, depois da ascensão de Adolph Hitler, foi obrigado a fugir para a França, onde dirigiu seu primeiro filme (Curvas Perigosas, 1933), lançado somente após mudar-se para os Estados Unidos. Lá dividiu apartamento com o ator Petter Lorre o que facilitou sua entrada em Hollywood.

Nos primeiros anos  foi roteirista e colaborador do romancista  Charles Brackett. Juntos escreveram “Ninotchka”, “Pacto de Sangue”, “Farrapo Humanos” e outros. Billy Wilder também trabalhou com atores consagrados como Marilyn Monroe, Greta Garbo e Audrey Hepburn. Acumulou em seu currículo 60 filmes de todos os gêneros, sendo comédia o seu ponto forte.  Foi indicado ao Oscar 21 vezes e ganhou 6 estatuetas. É considerado uma das personalidades mais importantes do cinema.

Selfie do consumo

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Enquanto a Apple atinge a marca de 1 bilhão de iPhones vendidos, esses dois garotos fazem refletir sobre a questão do consumismo e o que representa. Já perdemos as contas de quantos celulares já trocamos e de quantas selfies já fizemos para expor o que temos para ‘sermos’.

A inocência das crianças dessa foto, ao mesmo tempo que nos faz sorrir, nos causa um certo desconforto ao refletir sobre todas as coisas que possuímos e descartamos desenfreadamente, enquanto muita gente ainda está distante do seu primeiro celular.

Consumir é o que todos querem ter, mesmo sem querer, mesmo sem saber. A questão do consumo está intrínseca em nós. Estes meninos em uma brincadeira reproduzem algo que veem outras pessoas fazendo, mas que provavelmente queriam ter um smartphone ou talvez nem tenham noção do quanto isso é rotineiro para algumas em uma realidade muito diferente da deles.

A ONU lançou um mapa global de lixo eletrônico e se essa nossa geração de e-lixo não for controlada, em 2017 o volume de resíduos eletrônicos no planeta aumentará 33% e que encheria 200 edifícios como o Empire State, nos EUA.

Já sabemos que o consumo não é algo de todo ruim, é necessário, é a porta da sobrevivência, mas o consumo consciente é o que precisamos efetivamente começar a praticar, assim talvez as diferenças sociais saltem menos aos olhos.

Por Muriel Monteforte