Categoria: Mídia

An algorithm is watching you!

Por Guilherme Assen

Gay Talese disse que o jornalismo é a arte de sujar os sapatos. Bom, já não trabalho mais em redação, mas continuo gastando as solas de meus calçados diariamente – ê, ô, ô, vida de gado! Numa dessas ocasiões que só o desleixo e a preguiça podem justificar, fiquei sem um bom par de sapatos para trabalhar. E em pleno 2015, o que um sujeito que quer comprar alguma coisa – mas que precisa economizar – faz? Sim, “joga no Google”.

Se arrependimento matasse…

Alguém sabe como é que

Alguém sabe como é que “desliga” a Netshoes?

Hoje em dia não é mais tão simples assim comprar um novo par de tênis. A internet ajuda muito na hora de encontrar a melhor oferta, é verdade, mas basta procurar um mísero “tênis adidas” no Google que você será perseguido por pares e mais pares de sapatos incansáveis na guerra por sua atenção.

Não vou mentir. Sem nem ao menos sair de casa, eu encontrei o modelo que eu queria em um bom preço. Gastei 5 minutinhos fazendo o cadastro de meu endereço para entrega e efetuando o pagamento. Depois foi só esperar os novos sapatos chegarem em casa. E já se foram duas semanas, eu já até dei um tropeção na calçada, marcando o bico do tênis novo, mas ainda assim os anúncios da Dafiti e da Netshoes não cessaram.

Eu já não sei mais o que fazer. Fui feito refém por um algoritmo! Caso algum de vocês encontrem por aí um post patrocinado ou um anúncio recomendado com a minha foto e um pedido de socorro, não hesitem! Liguem para a minha esposa, chamem o Batman, façam sinal de fumaça… Façam qualquer coisa, mas me salvem dos anúncios de sapatos pela amor de Deus!

No mesmo Google, basta perder 1 minuto pesquisando o verbete “algoritmo” para obter os seguintes resultados:

Estejam avisados: an algorithm is watching you!

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Ilustrações retratam a agonia de 1984

Amanda Melaré
Untitled1984, de George Orwell, é uma obra que até hoje merece ser lida, estudada e lembrada. Publicado em 1949, o livro põe em discussão o controle que os regimes totalitários podem exercer sobre as pessoas, sendo capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ele. Sendo um clássico da literatura, o The Folio Society – um grupo criado em 1974 que se dedica a ilustrar os livros mais famosos do mundo – decidiu dar cores às passagens mais interessantes da história.

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Melbourne Festival: poderosa e potente adaptação de 1984

Amanda Melaré

(tradução da resenha do The Age Entertainment)

Article Lead - wide1001589824gkbjobimage.related.articleLeadwide.729x410.gkbjnk.png1445080212536.jpg-620x349A última vez que a obra de George Orwell apareceu no Festival de Melbourne foi em 2007. Uma frustração para o público e um prato cheio para a crítica.

Felizmente, a nova adaptação, sombria e imersiva, mais do que compensa a decepção do passado. A peça, em cartaz até o fim de outubro, dramatiza a visão complexa de Orwell com tanta força e clareza, que você poderia facilmente levar um adolescente que não tinha lido o livro e ter a certeza de sua conexão com as ideias apresentadas.

O mundo de 1984 é aqui encarada como atemporal, mas com a sombra da Grã-Bretanha de Thatcher pairando sobre ele.

Durante a peça, o próprio público acaba por se tornar O Grande Irmão: o caso de amor entre Winston e Julia se desenrola nos bastidores e é transmitido ao vivo para o público através de vigilância intrusiva.

Quando o casal é capturado e entregue ao Ministério do Amor, uma mudança espetacular desnuda o verniz da civilização. E as cenas em que O’Brien preside Winston sendo torturado em sua apresentação – começando com unhas e dentes, e então, sim, os ratos – são ainda mais intensamente horríveis, por serem entregues impassivelmente por meio de uma figura benevolente.

Nada parece remoto sobre essa versão de 1984. Ela nos convida a olhar para o espelho do nosso próprio mundo e ver os piores aspectos da ficção de Orwell refletidos em nós.

Infelizmente, não precisamos olhar muito longe. Crianças doutrinadas a cometer atos de horror? Pessoas trancadas e maltratadas pelo governo para seu próprio bem? Estas não são realidades desconhecidas na Austrália contemporânea.

Esta encarnação da distopia de Orwell faz você ofegar e pensar quão tênues são os direitos e liberdades que fazem a vida valer a pena.

Tatum sob a lamparina de Diógenes

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Lolita Campani Beretta

Pois me contaram, um dia desses, que o filósofo grego Diógenes perambulava pelas ruas de Atenas tendo em mãos uma lamparina. Questionado sobre o porquê de carregar o objeto, dizia: estou à procura do humano. Tenho a impressão que é essa mesma curiosidade que mobiliza o universo das obras de arte. Se não é o que conduz o artista em sua criação – será mesmo possível? –, é o que conduz o público à recepção, embora alguns nem desconfiem. Me parece, enfim, que o que está em jogo na experiência estética – seja ela de que natureza, pertencente a todo tipo de civilização ou cultura – é essa bonita, por vezes perturbadora descoberta de alguma importante parte daquilo que somos. Qual uma surpresa diante do mesmo rosto no espelho: eis o fascínio de um bom livro, uma boa canção, um bom filme.

Como bom filme que é, A montanha dos sete abutres, de Billy Wilder, tem seu quê de espelho desconcertante. São muitos os fragmentos de humano que nos fazem revirar no sofá – mas, pergunto, alguém aí é tão mais nobre que todos aqueles espectadores? –; dessas frações de autoexame, uma se impôs mais fundo. Em algum momento do filme, questionado sobre sua conduta diante da delicada situação de Leo Minosa, o jornalista Charles Tatum responde: Eu não faço as coisas acontecerem. Apenas escrevo sobre elas. Um homem está soterrado há quase uma semana, seu prolongado isolamento no fundo da montanha significa a glória de Tatum, mas ele está tranquilo, pois encontra nessa distinção um refúgio. Até aí, tanto a pergunta quanto a resposta estão colocadas em um nível estritamente profissional. Até aí, Tatum pode dormir e acreditar que seu benefício não diz sobre seu caráter, mas sobre sua sorte.

Mas os rumos da história de Leo Minosa logo transformam o conforto de sua declaração em abismo pessoal. Após uma semana sob a montanha – tempo estendido estrategicamente por Tatum –, Leo sucumbe a uma pneumonia e morre, horas antes de ser alcançado pelas máquinas de resgate. Ao perceber que dessa vez sua atuação foi muito além de escrever sobre as coisas, o jornalista recorre, enfim, ao lema que povoa as paredes do jornal que tanto desdenha: tell the truth. Eis a verdade, que Tatum tratará de anunciar, sem êxito, aos grandes veículos do país: repórter mantém homem soterrado por seis dias. Ainda que os editores ignorem sua revelação, declarar em alto e bom tom aquilo que enfim admitiu para si mesmo é libertador. É sua versão da cura pela palavra, de que falava Hipócrates, da qual continuamos a falar até hoje. Apenas assim Tatum tem sua catarse, apenas assim poderá morrer. Antes disso, no entanto, haverá de suportar a dor de uma tesourada no ventre – dor que, embora forte, em nada se parece com a de perceber que fez, sim, as coisas acontecerem.

A historia em “O admirável Mundo Novo” : Psicologia

Welson Mario

Umas das principais características do livro “Admimirável Mundo Novo” de Aldous Huxley é a psique humana. Em toda a obra de Huxley indica os processos psicológicos dos personagens.
A psicologia como estudo ciêntífico ganha maior espaço no início do século XX, Teóricos como Edward Titchener, William Osler, entre outros produziram na primeira metade do século estudos signicativos sobre a pisque humana como as teorias sobre a Psicologia Experimental, Herança das Carterísticas Mentais Humanas etc.Transformaram experimentações e manifestações empíricas em estudos aprofundados, e para tanto, experimentação na pratica foi fundamental. Na década de 1930, os estudos rompia as fronteiras da Europa para os outros continetes.
Não é por acaso que o livro aborda nos personagens por este ângulo. Em 1932 a psicologia já firmava seus fundamentos no âmbito da ciência, e com o avanço das teses, já discutia-se sobre as influências do comportamento em sociedade . E Sigmund Freud, considerado o mais importante teórico sobre o tema ainda publicava livros.
Na ficção, Huxley imcita a discussão de como as condições do indivíduo analisando-o psicologicamente, podendo faze-lo ser manipulado sem que haja força física. No enredo, a solução para os traumas humanos através dos remédios e uma vida social sem conflitos vai ao enontro do que os estudos dos doutores do pensamento.Para os teóricos o pós trauma é o objeto de estudo/cura enquanto para Huxley em sua ficção a sociedade tenta evitá-lo.
A discussão que o livro permite, é que ao evitar os traumas que a psicologia aponta que em uma sociedade comum, através de suas crenças religiosas, empirologia, regime político entre outros, aliado a medicamentos de controle de humor, o ser humano pode viver em uma prosposta de uma sociedade de indivíduos “sáudáveis”.
Cabe aos leitores e a nós analistas sobre o tema, discutir até onde é ficção, se podemos encontrar sememlhanças a nossa sociedade e como esses processos psicólogicos podem alcançar o domínio sobre o homem.

Sou seu agente de saúde, Hipócrates

BaymaxgivesHiroahugBruna Maniscalco

– Olá, eu sou Baymax, seu agente pessoal de saúde. Ouvi uma interjeição de dor. Em uma escala de 1 a 10, qual o nível da sua dor?

Baymax, o robô de Operação Big Hero, é programado para identificar sinais vitais, detectar e tratar níveis de humor, stress e dor das pessoas que cuida. Com seu design fofinho e aconchegante, o atendente pessoal de saúde só é desligado quando recebe o comando “estou me sentindo melhor”.

Mas, Baymax se depara com a dor que não pode ser curada com remédios. Hiro, seu paciente, perde o irmão, Tadashi, em um acidente. A dor não se encaixa na escala. Nem de 1 a 10. Nem de zero a um milhão. Cumprindo seu papel de robô, ele faz o download de toda informação que pode obter sobre perdas emocionais e encontra amigos e abraços como alternativas de tratamento.

Não muito distante de Hipócrates, Baymax percebe o que todos os homens deveriam saber. “Os homens deveriam saber que do cérebro, e de nenhum outro lugar, que vêm as alegrias, as delícias, o riso e as diversões, e tristezas, desânimos e lamentações“. E para o cérebro, os remédios vão além de corticoides, antibióticos e ansiolíticos. As drogas necessárias para o cérebro estão no próprio cérebro. A mesma doença que ele cria, ele cura.

Sentir-se melhor com receitas médicas, atestados e recomendações é possível. Entretanto, Baymax e Hipócrates sabem muito mais que nós. São as forças de dentro, aquilo que nos torna mais humanos, que nos curam das nossas doenças.

Obrigada, Baymax e Hipócrates. Estou me sentindo melhor.

Prato do dia: Redes Sociais

Por Douglas Martins

ABRE-JIANG

Escalope de peixe-sapo, Bife Wellington, Linguiça de Cordeiro. Nenhuma das receitas do MasterChef Brasil 2015 foi mais comentada quanto a combinação: participantes ousados, Chefs polêmicos e uma apresentadora que era um meme em pessoa.
Sem dúvida nenhuma, essa ultima edição do programa foi o maior prato cheio para o Twitter, que se fartou com a atração e respondeu à altura. Foram cerca de 1,8 milhão de comentários e mais de 81,7 milhões de impressões (quantidade de vezes em que os tweets relacionados ao programa foram visualizados durante sua exibição). Um recorde de dar água na boca para qualquer emissora de televisão brasileira.
A repercussão histórica mostra a força das redes sociais num momento em que as empresas amargam para fisgar consumidores. Isso prova que a estratégia da Band de convergir plataformas estava certa. E olha que, provavelmente, eles não imaginavam tamanho sucesso.
Com essa nova forma de o público consumir informações e, principalmente, interagir com conteúdos, as marcas estão testando os mais variados formatos em busca de visibilidade. Quem nunca ouviu sobre o desastroso Tomara que Caia, da Globo, que está com a batata assando há algumas semanas? E levante o garfo aquele que ainda não viu, em seu feed de notícias, uma tentativa sequer de empresas tentando modernizar sua imagem?
Não há formula certa para o sucesso. Seja interação real time, decorar o avatar com a bandeira do arco-íris ou travar batalha de rimas com a concorrência. O caminho é ouvir e entender o público para se aproveitar do marketing digital, usando todo seu potencial.
Pelo visto, é mais fácil agradar aos Chefs do que acertar o ponto certo da comunicação nos dias de hoje.
MasterchefPaolacareta