Categoria: Melina Kitzinger

Coisas que não precisam de aviso no elevador

Por Merillyn Reis

Semana passada, me deparei com um aviso no elevador – esse da foto aí- e me perguntei: img_7230isso sempre esteve aí? É preciso mesmo ainda avisar que discriminação é crime?
O pior é que por mais que as pessoas “camuflem” de alguma forma esse preconceito, me decepciono ao constatar que a resposta é sim. Foi também nessa mesma semana que escutei um termo que achava nem existir mais:  “pessoas de cor”. Fiquei triste da maneira como foi falado, da situação, de tudo. Então, voltando a plaquinha do elevador, que ao menos multas sejam distribuídas e mais avisos sejam colocados, já que não há consciência e o preconceito ainda rola solto.

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Vamos celebrar

Dia 15 de outubro comemoramos o dia dos professores. Mestres que nos ensinam a arte da vida e do pensar. Profissionais que, em muitos países, são considerados prioridade nas políticas públicas, recebendo o devido reconhecimento seja por meio da valorização do ofício ou via remuneração e benefícios.
No Brasil, entretanto, esse cenário não se repete. Não é incomum professores atuarem em condições pouco adequadas de trabalho, seja por infraestrutura, material de apoio ou até mesmo por assédio moral. Muitos têm carga horária dobrada para complementar a renda.
Segundo um estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, nossos docentes recebem menos da metade da média salarial paga aos professores de 46 países. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação afirma ainda que em mais dez estados brasileiros não se paga nem o piso.
Lamentável crise no sistema educacional do país, a valorização dos professores vai muito além das questões salariais. Como se não bastasse a evidente desmotivação dos profissionais, o modelo, ainda no formato fabril do século 19 e com pouco foco na aprendizagem e na educação integral, não desperta interesse dos alunos. Esse visível cabo de guerra entre estudantes e mestre divide opiniões. Muito se discute e pouco se faz para resolver a problemática do principal pilar responsável pelo crescimento socioeconômico do país.
Enquanto isso, milhares de brasileiros assistem em inércia nosso descaso pela educação. Enquanto isso, nas redes sociais, como diria um mestre há 20 anos, nós celebramos a juventude sem escola e nosso estado, que não é nação.

1984: sobre o autor e como é retratado no livro

De filho de funcionário colonial britânico, nascido na Índia, a conhecido entusiasta do Partido Trabalhista Britânico. De funcionário da Polícia Imperial Indiana a escritor. De anarquista a socialista anti-stalinista. De pacifista a soldado que lutou, pelos republicanos, contra nacionalistas de Francisco Franco, na Espanha. Finalmente, de Eric Arthur Blair a George Orwell, nome pelo qual ficaria conhecido como um dos maiores autores de ficção – e, mais especificamente, distopias – do mundo.

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Sua trajetória pessoal é muito nítida em 1984 e A Revolução dos Bichos, suas maiores obras. Especificamente em 1984, Orwell critica a sociedade oligárquica coletivista – algo semelhante ao sistema colonial britânico, do qual seu pai era funcionário -, a vigilância constante – da qual fez parte durante seus dias na Polícia Indiana -, e a um regime político totalitário – contra a qual lutou na Espanha.

1984 é, se não, um retrato das lutas pessoais de Orwell contra o sistema vigente durante sua vida, entre 1903 e 1950. Anos marcados por grandes guerras e totalitarismos que controlavam completamente as máquinas estatais, entre elas a opinião e a linguagem – novamente, críticas presentes na obra que tem Winston, um apagado funcionário do Ministério da Verdade da Oceania, como personagem principal.

À época já lutando contra uma tuberculose, que acabaria por tirar sua vida um ano depois da publicação da obra, Orwell encerra 1984 traçando um paralelo entre sua própria existência e a de Winston: é necessário lutar contra o sistema, mas é impossível não se agarrar a ele.