Categoria: Matheus Moraes Lourenço

Guerra ao fake news

Por Matheus Moraes Lourenço
No início do mês, o Facebook, em parceria com a ONG First Draft, lançou uma campanha para tentar conter a disseminação de notícias falsas pelas redes. Por meio de uma ferramenta com dicas sobre como identificar notícias falsas na rede social, a empresa de Mark Zuckerberg se esforça para combater um problema que ganhou notoriedade em 2016, por conta das eleições presidenciais dos Estados Unidos.
Já nessa semana, essa batalha ganhou mais um importante representante: o Wikipedia. Seu fundador, Jimmy Wales, lançou uma campanha de financiamento coletivo para a contração de 10 jornalistas que alimentarão a plataforma Wikitribune. O serviço, semelhante ao Wikipedia, será colaborativo e exigirá a apresentação das fontes para a publicação de um artigo. Entretanto, o Wikitribune passará por uma série de filtros para garantir que a informação é, de fato, verdadeira. Qualquer pessoa no mundo poderá sugerir edições às notícias, porém as alterações deverão ser aprovadas por uma pessoa da equipe ou um voluntário verificado antes de serem atualizadas.
O fato é que há um longo caminho para o enfraquecimento do buzz das fake news. A velocidade com que as informações circulam no mundo dificulta o processo de averiguação da realidade e facilita a proliferação das inverdades. Para muitos analistas, a onda das fake news e a era da pós-verdade são uma chance de ouro para o jornalismo que ainda tem nas marcas de mídia nativas impressas um porto seguro de confiabilidade. Em entrevista ao portal The Verge, Wales afirma: “Antes da Internet, nós recebíamos as notícias apenas de organizações tradicionais de notícias, editores, repórteres, checadores de fatos ou gate keepers e nós confiávamos neles para nos contar a verdade. Nós até pagávamos para eles nos contarem a verdade, isso mostrava o quão nós respeitávamos as notícias. Mas então, as notícias foram online e de repente passamos a querer tudo de graça.”
Pode parecer um monte de barulho sobre uma pequena expressão, mas essa é uma confusão que precisa ser acompanhada e que pode prejudicar a função da verdade em uma democracia.
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