Categoria: Laura Regina Martins Rodrigues

A VIRALIZAÇÃO DAS FAKE NEWS

Por Laura Rodrigues

Essa semana, ficou em voga nos meios de comunicação o caso do adolescente que teve a sua testa tatuada, no ABC Paulista. Quando as primeiras notícias saíram, muitas pessoas começaram a julgar o garoto, e a dizer que ele merecia a punição, pois segundo os tatuadores, ele havia furtado a bicicleta de um deficiente físico, e revoltados, resolveram tatuar na cabeça dele a seguinte frase “Eu sou ladrão e vacilão”.

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Com o passar dos dias, o vídeo que mostra a ação dos tatuadores começou a circular e a viralizar na internet, e outra versão da história começou a ser contada. Pelo levantamento da Polícia, o garoto não havia furtado bicicleta alguma, e descobriram com a família do menor que ele é usuário de drogas, álcool e que possui transtornos psicológicos. Através do vídeo liberado pelos tatuadores foi possível identificar sinais de tortura ao adolescente. Segundo depoimento do mesmo, ele teve seus pés e braços amarrados, para que não escapasse. Os tatuadores foram presos por tortura.

Esse caso é apenas um entre milhares que surgem todos os dias, sobretudo na mídia digital. São as chamadas fake News. Se não averiguamos o conteúdo da notícia, não podemos saber se é real ou não. Muitas notas falsas, acabam por distorcer a realidade e, no caso citado acima, interpretaríamos a história de forma precipitada. Ao invés de ver o menor como alguém que precisa de ajuda, por todo o histórico que apresenta, o veríamos apenas como um marginal, e talvez até achássemos aceitável ele receber uma punição por seus atos. Esse é apenas mais um exemplo de como a mídia pode nos manipular, por isso é importantíssimo ir mais além e buscarmos informações, para poder discutir qualquer tema em nossa sociedade, sem disseminar essas fake News.

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A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

Por Laura Rodrigues

“Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência a fazer ver (por diferentes mediações especializadas) o mundo que já não se pode tocar diretamente, serve-se da visão como o sentido privilegiado da pessoa humana – o que em outras épocas fora o tato”. Assim, Guy Debord define a Sociedade do Espetáculo.

Os Estados Unidos sabem aplicar a cultura do Espetáculo, como nenhum outro país. Tudo o que eles fazem se torna um evento grandioso, e isso não só no que diz respeito a produções culturais, como na política também. Em 1969, foi transmitida a primeira missão do homem na Lua. Em meio a tantas teorias da conspiração, o fato é que os americanos transformaram isso em um grande espetáculo televisivo. Milhares de pessoas pararam em frente a televisores para assistir o ocorrido.

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A impressão que dá, é que hoje em dia qualquer evento, programa, filme, celebridade, tem sempre que estar envolto por um grande espetáculo. Os desfiles de lingerie da grife Victoria’s Secret vão muito além das roupas, de fato, elas viram atração secundária, ou até mesmo terciária. O grande enfoque do evento são os números musicais, cada vez mais elaborados, dos artistas que estão nos topos das paradas, e as super top models, sem dúvida as mais famosas e cobiçadas do mundo da moda.

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Cada vez mais, as pessoas consomem imagens, e isso se reflete na sociedade. Hoje, para chamar a atenção do público, as marcas têm que exercer um esforço dobrado para se destacar tanto no mercado, quanto na mente de seus consumidores. E essa tarefa tende a complicar mais e mais nos próximos anos, devido ao acesso a comunicação ser cada vez maior.

PUBLICITARIAMENTE CORRETO

Por Laura Rodrigues

A nova tendência dos produtos midiáticos é mostrar que as marcas estão preocupadas com o meio ambiente e a sustentabilidade, com a igualdade e a diversidade social, de gêneros e sexos. Está na moda o politicamente correto.

Um caso clássico é o de crianças negras que não se identificam com suas bonecas. A indústria de brinquedos infantis, até pouco tempo, só fabricava bonecas brancas, em sua maioria loiras e de olhos claros. Segundo muitos relatos, as crianças cresciam com um padrão de beleza em mente, no qual não se enxergavam. Com isso, as meninas não se achavam bonitas, não gostavam de seus narizes, cabelos cacheados, lábios, etc. Algumas mães começaram a fazer bonecas para as suas filhas, e é óbvio que a indústria começou a observar esse comportamento. A Mattel lançou em 2016 uma linha de bonecas Barbie com diversidade de tom de pele, cor de olhos, cabelos e formatos de corpo (mais baixinha, mais cheinha, etc.). Ainda assim, apenas 3% das bonecas disponíveis no mercado são negras.

A Natura é uma empresa que quer passar imagem de sustentável e consegue. Com ações publicitárias enaltecendo as belezas e os recursos naturais do Brasil, e incentivando o consumo consciente. A marca mostra sua preocupação com o meio ambiente, desde suas embalagens recicláveis até a publicidade. Porém nem toda a marca consegue alinhar a sua imagem, com a sua reputação, como a Natura.

Algumas marcas de cerveja estão tentando modificar a sua imagem. Ao invés de colocar a mulher como símbolo sexual e objeto de desejo em suas propagandas, estão “empoderando” o público feminino. O problema é que muitas vezes essa mudança de posicionamento não passa veracidade, e sim, parece que a marca está querendo entrar na onda do movimento feminista que está em voga. Ou seja, o público pensa que a marca não está sendo verdadeira, e sim tendenciosa, querendo lucrar mais. Um exemplo disso é a Verão da Itaipava, que passou de objeto sexual, para heroína de diversos contos. A transição não foi natural, e sim, muito forçada.

Mostrar o que você não é por modismo, ou lucro, pode ser uma grande armadilha, e o público ao invés de aplaudir a mudança, pode chegar a boicotar a marca. O politicamente correto na publicidade é um processo que não acontece de uma hora para outra, principalmente se uma marca nunca apresentou tal comportamento. Muitas vezes pode levar anos, ou até mesmo, nunca ser possível associá-la com esse movimento.

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OS MOVIMENTOS SOCIAS E A INTERNET

Por Laura Rodrigues

Em meio ao caos político que o país vive, vemos cada vez mais a influência da internet nos movimentos sociais. Eles têm visto a internet como uma “aliada”, um meio pelo qual propagar seus princípios, ideais e captar cada vez mais adeptos. O poder de disseminação da informação é cada vez maior. Cada vez mais, as pessoas têm acesso à tecnologia. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2015, 58% da população brasileira usa a internet, ou seja, cerca de 102 milhões de brasileiros tem acesso à internet.

Em 2013, o Movimento do Passe Livre (MPL) conseguiu parar as principais capitais brasileiras. A princípio poucas pessoas aderiram ao movimento, que reivindicava o aumento nas passagens do transporte público, mas com a veiculação, em todos os meios de comunicação, da repressão policial ao grupo de manifestantes, o movimento tomou outras proporções. Desde a época do governo Collor, não se via tantas pessoas se manifestando nas ruas (Diretas Já). Graças a movimentação nas redes sociais, o MPL conseguiu mobilizar outros eventos e se tornou visível em todas as camadas da sociedade.

Essas manifestações tornaram o ato de protestar recorrente, e as redes sociais são o grande instrumento motor desses movimentos. Hoje, para reivindicar alguma coisa, ninguém precisa sair de casa. Muitas petições são feitas pelo meio online, e os efeitos podem ser devastadores, até mesmo para os grandes governos.

As operações da Polícia Federal, como a Lava Jato, têm tomado grandes proporções na internet. As delações premiadas viraram grandes espetáculos, e a todos os dias, vazam novas notícias na internet. No caso da delação dos donos da JBS, Wesley e Joesley, que citou o Presidente da República, Michel Temer, e o senador, Aécio Neves, o poder da mídia online foi comprovado quando o último descobriu que estava envolvido no caso, ainda dentro do Senado, enquanto lia a notícia em seu celular. Apesar de negarem veementemente o envolvimento nas acusações, é notório a preocupação deles com a repercussão do caso. Essa semana, Michel Temer com medo de ter sua imagem cada vez mais denegrida, proibiu o uso de suas fotos oficias para a utilização em memes.

Fato é que não tem como controlar os movimentos que ocorrem na internet em uma república democrática, como o Brasil. As notícias vão continuar saindo, os movimentos vão ganhar força, e cabe aos políticos saberem lidar com essa nova realidade.

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AGENDA SETTING: A MÍDIA E A POLÍTICA

Por Laura Rodrigues

O conceito de Agenda Setting foi introduzido por Maxwell McCombs e Donald Shaw, no ano de 1972. Segundo a teoria, a mídia determina os temas a serem discutidos e comentados pelo público, impedindo que outros tantos se tornem de conhecimento da sociedade.

No filme Cidadão Kane vemos o conceito de Agenda Setting aplicado nas notícias e manchetes do jornal “Inquirer”, comandado pelo magnata Charles Kane. Isso pode ser evidenciado logo no início do filme, quando uma matéria jornalística sobre a vida do mesmo é veiculada:

Em todos os seus anos de imprensa, muitas façanhas ele fez. Kane defendeu a entrada de seu país em uma guerra, foi contra uma outra. Ganhou a eleição de pelo menos um presidente americano. Falou para milhões de americanos! Foi odiado por tantos outros. (…) Durante 40 anos, não apareceu no jornal de Kane problema público para o qual ele não tivesse uma opinião, nenhum homem público que Kane não apoiasse ou denunciasse. Geralmente apoiava, depois denunciava.”

Kane determinava a pauta a ser discutida pela sociedade. Hoje, muitos veículos da imprensa fazem isso, porém, assim como no filme, nem sempre da forma mais justa. Alguns veículos ligados à direita, como a Revista Veja, o jornal Folha de São Paulo e a Rede Globo de Televisão, são bem tendenciosos ao abordar assuntos relacionados à política. No caso mais recente das delações da Operação Lava Jato, centenas de políticos, dos mais diversos partidos, foram citados, mas esses veículos sempre acobertam os seus e crucificam sempre os mesmos.

Sem querer entrar em detrimento de “coxinhas” e “petralhas/mortadelas”, o fato é que os canais citados acima, não chegam a pautar em suas manchetes e capas os escândalos de políticos ligados ao PSDB, pois suas lideranças são de certa forma, ligadas aos grandes empresários desses veículos. Enquanto o PT acaba “pagando o pato” de todos. Não que o PT não mereça ser julgado e posto em pauta por tudo o que fez, mas assim como ele, os outros partidos deveriam ser julgados da mesma forma. Não existe A ou B, existem políticos que independente do partido roubaram e tem que responder por seus crimes. Não podemos criar uma espiral do silêncio, onde os meios não se limitam a impor os temas sobre os quais se deve falar, mas impõe o que falar sobre esses temas, silenciando parte da sociedade.

REPUTAÇÃO E MÍDIA

Por Laura Rodrigues

O filme Cidadão Kane de 1951 apresenta, dentre muitos assuntos, como a mídia é capaz de influenciar e impactar a sociedade. Na história o magnata Charles Foster Kane concorria ao governo e despontava como favorito nas pesquisas, até que o seu rival, Jim Gettys, ameaçou divulgar para a sociedade o caso extraconjugal de Kane com uma cantora. Após a publicação do escândalo, o magnata da imprensa teve a sua carreira política arruinada.

Em nossa sociedade já presenciamos situações semelhantes a do filme, como no caso do ex-presidente americano Bill Clinton, e seu envolvimento com a então estagiária da Casa Branca, Monica Lewinski. Na época a notícia rodou o mundo através dos mais diversos meios de comunicação. O então presidente sofreu ameaças de impeachment, mas conseguiu contornar o caso. Assim que acabou o seu mandato, Clinton se afastou da política e teve seu nome manchado, pois depois de negar veementemente o ocorrido, ele se deu por vencido e confessou o seu deslize.

No ano de 2016, a eleição americana foi marcada por uma disputa jamais vista na internet. Notícias vazavam a todos os instantes a favor ou contra democratas e republicanos. A poucos dias da votação, a então candidata Hillary Clinton mostrava certa tranquilidade nas pesquisas eleitorais, apresentando uma boa vantagem sobre o seu concorrente Donald Trump. O que ninguém previa é que vazariam e-mails de Hillary e de sua comitiva democrata, que indicavam tráfico de influência no Departamento de Estado em favor da Fundação Clinton. Fora isso, vazaram escândalos sexuais envolvendo o marido da assessora da candidata, e ainda, o site WikiLeaks divulgou informações de que Hillary, enquanto ainda era secretária de Estado, permitiu a venda de armamentos a grupos terroristas. Após esses fatos, ela foi caindo nas pesquisas e o final já é do conhecimento de todos.

Ao contrário de Cidadão Kane, hoje as notícias circulam a uma velocidade muito superior à da época do filme. Na internet notícias são postadas a todos os segundos, sendo difícil levantar se têm fundamento ou não, se são apenas rumores ou insinuações, mas fato é que hoje todos estão sendo vigiados pela rede. Qualquer passo em falso, e hackers conseguem entrar no sistema das maiores potências mundiais e revelar segredos e escândalos de corrupção. Hoje em dia, Kane não estaria apenas manipulando informações, como também poderia ser facilmente manipulado e vigiado por seus inimigos. Na internet qualquer reputação pode ser posta à prova, em questões de segundos, arruinando a carreira e a vida de qualquer indivíduo.

TERCEIRA GUERRA “DIGITAL”

Por Laura Rodrigues

No decorrer da história muitas guerras foram travadas. Quando pensamos nelas sempre imaginamos confrontos bélicos, soldados atrás de trincheiras, combate homem a homem, mas desde a famosa Guerra Fria, conhecemos outro tipo de disputa.

Essa famosa guerra entre Estados Unidos e União Soviética, ocorreu apenas em campo ideológico, onde as duas maiores potências mundiais batalhavam para saber quem tinha o maior poderio político-econômico e bélico. As batalhas em campo ocorreram apenas em territórios em que eles tinham influência, como por exemplo, na Guerra do Vietnã (1959 – 1975), onde ambos os países tiveram uma intervenção direta, e na Guerra da Coreia (1951 – 1953). A Coreia na época sofreu pressões e acabou dividindo o seu território em dois, sendo a parte sulista, capitalista, de grande influência americana, e a Coreia do Norte, socialista, com extremo apoio soviético.

Nos últimos anos as guerras têm sido fomentadas em ambiente virtual. Numa espécie de Guerra Fria, tanto os Estados Unidos, quanto a Rússia, estão utilizando a famosa e temida deep web para investigar os movimentos de seus “inimigos” e fiscalizar o que está acontecendo, em termos políticos e bélicos, no mundo inteiro. Um exemplo disso, foi um ataque a Georgia, em que os russos conseguiram derrubar todos os sistemas de defesa do país, através da deep web, enquanto seus militares avançavam sobre o território do país. Outro exemplo foi um ataque virtual que os americanos inferiram contra o sistema do arsenal nuclear iraquiano, em 2008, em que retardaram qualquer resposta militar ao seu ataque territorial. Segundo entrevista do general russo, Valery Gerasimov, “ O papel dos meios não-militares para alcançar os objetivos políticos e estratégicos tem crescido e, em muitos casos, têm até excedido o poder da força das armas em sua eficácia”, referindo-se à influência da mídia digital nas guerras.

Nas últimas semanas temos visto a tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Segundo muitos especialistas a terceira Guerra Mundial está anunciada, mas tudo o que tem sido veiculado na imprensa são manchetes, as quais não sabemos a veracidade das informações. Muito se fala em mísseis e bombas nucleares, sobre a aproximação de navios americanos ao território coreano, sobre possíveis alianças, mas o que já foi constatado é que já há uma guerra midiática entre os dois países, sobretudo em âmbito virtual. Por enquanto, tudo não passa de um grande espetáculo midiático. Até quando permanecerá assim? Até onde o meio digital pode interferir nessa disputa?

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