Categoria: Karla Caroline de Araujo Fernandes

Você valoriza o seu tempo?

Se você ganhasse por mês um milhão de reais, independente da atividade exercesse, você continuaria trabalhando com o que você faz hoje? Essa simples pergunta durante um almoço me fez refletir um pouco sobre minha carreira e pelo que pude perceber, todos os meu redor também ficaram um pouco inquietos com a provocação.

Entre um pensamento ou outro, percebi que apesar do dinheiro ter sido determinante para tal reflexão, atualmente investimos ao muito mais valioso que ele em nosso trabalho: o nosso tempo. Passamos no mínimo oito horas diárias dedicadas ao nosso trabalho, sem incluir horas extras, tempo gastos se aprofundando em algum trabalho em casa, deslocamento no trajeto trabalho-casa ou até mesmo cursos para melhorar a qualidade de nossos serviços.

Temos obrigações de pensar sim no parte financeira, afinal, nesse mundo capitalista em que vivemos, ou você corre com o maré ou é levado por ela, mas todo o dia antes de se levantar da cama você deveria refletir um pouco se você está gastando os minutos da sua vida com algo que te traz algo positivo, com algo que realmente te dê algum sentido para viver e se sentir satisfeito no final do dia, afinal, o tempo é algo que jamais volta para a nossa vida.

A polêmica do veto de crianças em restaurantes

Raíza Costa, apresentadora dos programas Dulce Delight e Rainha da Cocada, causou uma polêmica na internet após publicar no Facebook que é a favor de restaurantes vetarem o acesso de crianças. Segundo ela, as crianças atrapalham a noite romântica de um casal que esteja justamente escapando de seus filhos. O comentário foi feito na última terça-feira, 25/10, e a mesma apagou a postagem pela manhã de quarta-feira, após receber um apedrejamento virtual e respondeu“Gente, tanto rebuliço porque um restaurante no Brasil fez o que muitos restaurantes franceses fazem há séculos: proibiu entrada de crianças menores que 14 anos. Pensa só nos pais que pagam uma babá pra finalmente saírem pra namorar tranquilões e, chegando lá, são obrigados a aturar o choro do filho alheio. Não acho que deveria ser regra mas não vejo nada demais alguns estabelecimentos proporcionarem momentos românticos sem incluir show de break dance esperneando no chão regado à berros de ‘eu quero batata frita!”
A posição de Raiza gerou comentários. “Aturar o choro do filho alheio? E todos vocês que pensam desse jeito! Nasceram adultos por acaso? Preferem o cachorro?”, “Raiza, obviamente você não tem filhos, não vive no Brasil e não deve ter amigas com filhos aqui. Uma pena uma pessoa tão talentosa fazer um comentário assim infeliz”, entre outros comentários bastante agressivos, recheados de ofensas pessoais.
Apesar da enorme crítica, a sugestão da Raiza é uma prática comum em vários restaurantes em outros países.

Tempos difíceis na mídia brasileira

O Brasil vive um dos momentos mais sombrios de sua jovem democracia. Democracia esta em que sua representante máxima é afastada sob alegações duvidosas, pra se dizer o mínimo.Ter opinião começa a custar caro, utilizar uma cor de roupa específica pode lhe render agressão verbal ou física. Manifestantes são cruelmente reprimidos por policiais durante protestos, em clara ofensa ao direito livre de se manifestar. Prisões sem provas, sequer com indícios relevantes estão acontecendo com determinada classe política. O próprio sistema judiciário está em descrédito.

Se nossa democracia está em cheque, medidas precisam acontecer para que ela não seja mais danificada e possa ficar forte novamente. E isso passa, prioritariamente, pela democratização dos meios de comunicação, além de uma profunda reforma política. Durante o segundo mandato do governo Lula, pequenos e tímidos passos foram dados nessa direção, um deles foi a criação a EBC – Empresa Brasil de Comunicação – para gerir as emissoras de rádio e televisão pública federais que, com a queda de Dilma Rousseff, teve seu fim especulado.

É bom lembrar que a mídia brasileira é dominada por sete famílias:  a Marinho na Globo, a Abravanel no SBT, Edir Macedo na Record, a família Saad na Band, Frias na Folha de S. Paulo, Mesquita no Estadão e a Civita na editora Abril (sendo o carro-chefe a revista Veja). A parcialidade de alguns desses veículos é tamanha que a Revista Veja, por exemplo, alcançou o ápice da desmoralização ao ter sua crítica negativa do filme Aquarius, feita pelo jornalista Reinaldo Azevedo ao dizer que as pessoas de bem deveriam boicotar o longa.

Há tempos a mídia brasileira pratica o jornalismo de guerra, atende aos seus interesses, manipula a sociedade para alcançar seus objetivos (assim como foi o golpe parlamentar de 2016) e ignora temas, de fato, relevantes para a sociedade, que cai em discussão trivial e não enxerga o grande problema.

As empresas de comunicação deveriam se posicionar quanto a sua ideologia política ao invés de pregar imparcialidade e inocência. Nos EUA, os veículos divulgam a sua ideologia, porém, isso também não lhes dá liberdade para divulgarem ou acusarem qualquer pessoa sem os necessários fatos.

A democratização da mídia passa pelo fim da interferência das empresas privadas no meio da comunicação, criação de órgãos de fiscalização, maior acesso aos dados, menor especulação, maior responsabilidade na apuração das informações, para que fatos, e não histórias distorcidas, sejam apresentados à população.

A história e o tempo sempre acabam por fazer justiça aos que, um dia, foram injustamente perseguidos, oprimidos, massacrados. No entanto, será preciso mesmo que sempre tomemos as decisões erradas e fiquemos do lado sujo para que apenas lá na frente alguém faça o que já poderíamos ter realizado? Quantos anos perdidos? Quantas vidas? Tomara que as próximas gerações possam corrigir nossos erros e que aprendam com eles para que não se repitam, pois nós, falhamos.

Através do espelho

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A série Black Mirror retrata as relações humanas mediadas pelo uso da tecnologia. O nome da série, em português Espelho Negro, é uma alusão à um utensílio místico utilizado para adivinhar o futuro, mas mais do que isso, também remete todos os espelhos que estão ao nosso redor, nesse momento, por exemplo, você está de frente para um, lendo esse texto na frente de algum eletrônico.

Apesar de ser ambientada em um futuro não muito distante, Black Mirror não é mais uma série futurista que tenta adivinhar como será o futuro com o uso das tecnologias, ela denúncia como o nosso comportamento está se moldando com o uso delas. É impossível assistir seus episódios e não ver uma clara referência do livro Admirável Mundo Novo.

Utilizando extremos que não estão distantes da nossa realidade atual, em cada episódio é uma reflexão sobre como estamos na beira de um precipício moral.

Quando foi a última vez que você pode dizer que esteve completamente off-line? O mundo virtual e o real já se tornaram o mesmo e não existem mais barreiras entre os dois.

Diversas reflexões são formadas em cada episódio e uma pergunta continua no ar: qual será o limite que as tecnologias irá domar nossas vidas? Esse limite já foi ultrapassado?

Clique aqui para assistir o trailer da segunda temporada da série.