Categoria: KANE/2SEM16

Feliz ano novo!

Parece que tudo no final do ano fica mais corrido, mais intenso. Mas por que será? Por que só marcamos amigos secretos, encontros e confraternizações no fim do ano que está corrido, e não em qualquer outra época do ano? Geralmente o fim de um ano marca o fim de um ciclo, é uma época de términos e de recomeços. Mas nossas cabeças vivem na loucura e na correria desses dias, não paramos para nada, saímos todos os dias em busca de alguma coisa: uma roupa, um presente, encontros com amigos. E não é a toa que geralmente nessa época estamos sempre animados e felizes, porém sempre estamos cansados. 

O alto nível de consumo nessa época do ano não passa batido, então vemos nossa felicidade e alegria ligadas ao consumo, aos presentes, a sair e viajar. Será que é por isso que essa é considerada a época mais feliz do ano? E por isso que compramos mesmo com os preços cada vez mais altos? Deve ser, já que todos os meios de comunicação passam a imagem que só seremos felizes adquirindo certos produtos, e porque não comprar e tentar ser mais feliz nessa época do ano?

Boas festas a todos e um feliz 2017! 

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Você valoriza o seu tempo?

Se você ganhasse por mês um milhão de reais, independente da atividade exercesse, você continuaria trabalhando com o que você faz hoje? Essa simples pergunta durante um almoço me fez refletir um pouco sobre minha carreira e pelo que pude perceber, todos os meu redor também ficaram um pouco inquietos com a provocação.

Entre um pensamento ou outro, percebi que apesar do dinheiro ter sido determinante para tal reflexão, atualmente investimos ao muito mais valioso que ele em nosso trabalho: o nosso tempo. Passamos no mínimo oito horas diárias dedicadas ao nosso trabalho, sem incluir horas extras, tempo gastos se aprofundando em algum trabalho em casa, deslocamento no trajeto trabalho-casa ou até mesmo cursos para melhorar a qualidade de nossos serviços.

Temos obrigações de pensar sim no parte financeira, afinal, nesse mundo capitalista em que vivemos, ou você corre com o maré ou é levado por ela, mas todo o dia antes de se levantar da cama você deveria refletir um pouco se você está gastando os minutos da sua vida com algo que te traz algo positivo, com algo que realmente te dê algum sentido para viver e se sentir satisfeito no final do dia, afinal, o tempo é algo que jamais volta para a nossa vida.

Como parar? 

Por que parece que precisamos funcionar mais de 24 horas por dia? Por que será que temos tanta coisa pra fazer? De vez em quando temos a impressão que só é sério e importante quem tem muita coisa para fazer, e quem tem muito tempo livre não é levado a sério. Estava lendo um texto chamado “Os Domingos precisam de feriados”, de Nilton Bonder, que fala sobre a pausa, o parar, como parte da natureza. Parece que nos dias de hoje a sociedade exige que cada vez mais nos desdobremos em mil para realizar as tarefas cotidianas, tudo acontece rápido, tudo exige tempo e precisa ser feito o mais rápido possível. Bonder usa a frase “a incapacidade de parar é uma forma de depressão”, e ainda complementa que o mundo está assim, e a indústria do consumo está se desenvolvendo e se aproveitando disso. 
Pausa: enquanto eu escrevo esse texto uma pessoa aqui no trabalho sem conhecimento do que eu estou fazendo grita a frase: se você não parar a vida te para. Pois é, a falta de tempo e a correria estão presentes na vida do brasileiro.
Continuando…

Hoje sempre que paramos para descansar já nos perguntamos: o que vamos fazer hoje? Não descansamos de fato. Parece que toda segunda feira acordamos tão cansados quanto estávamos na sexta. Talvez precisemos parar como propõe Nilton Bonder, talvez assim nossas mentes descansem de verdade ao invés de se lotarem com entretenimento. Quando paramos geralmente sentimos um vazio. Algo sem sentindo. Acho que por isso que a maior doença do nosso tempo é a depressão.
Segue abaixo o texto de Nilton Bonder:
 “Os domingos precisam de feriados”

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta. Hoje, o tempo de ‘pausa’ é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim. Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado.

Nossos namorados querem ‘ficar’, trocando o ‘ser’ pelo ‘estar’. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos? Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos.

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair – literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande ‘radical livre’ que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Gerações da tecnologia

Cada dia mais me surpreendo com a capacidade e a facilidade das crianças com a tecnologia. Semana passada estava com a Ana Helena, afilhada do meu namorado. Ela tem um ano e meio, e conseguiu pegar o celular da minha mão, desbloquear, e dar o play no desenho preferido dela no Netflix. Um ano e meio. Será que elas realmente já nascem sabendo? Outro dia eu não estava presente, mas ela queria muito “falar” comigo, então não parava de apontar para o celular. Mas como ela sabe que ali, do outro lado do celular, ela vai conseguir falar comigo? Eu nunca falei no telefone com ela ou fiz qualquer transmissão de vídeo. 

Depois que me pediram, mandei um GIF pra ela, comigo dando tchau. Ela então colocou o celular no meio das bonecas dela no sofá, e me colocou pra assistir TV. Que coisa, ela achava que eu realmente estava ali.

Parece assustador mesmo. Enquanto isso minha avó me chama na casa dela para ajudar a maximizar uma janela da internet, que por sinal não sabia como tinha aberto e nem como fazia para fechar, só sabia que ela não estava aparecendo na tela inteira.

Será que o ser humano está nascendo com uma capacidade maior pra tecnologia? Será que isso faz parte da evolução?

Me pergunto se quando eu for mais velha eu vou precisar da ajuda dessa criança, que hoje tem um ano e meio, e no futuro provavelmente entenderá mais de tecnologia do que nós.

Xuxa é baleada

Quem não conhece a Xuxa, a rainha dos baixinhos? Desde que a apresentadora saiu da Globo ela tem aparecido muito na mídia. Estreiou um programa na Record, mas não deu certo. Agora ela está ajudando o canal Porta dos Fundos em alguns vídeos.O último vídeo que ela apareceu faz uma crítica a sociedade atual e o uso e dependência de smartphones.

No vídeo, Xuxa é assaltada e leva um tiro, e quando está caindo no chão ensanguentada aparece uma fã. A menina, ao invés de ajudar a apresentadora, pede de tudo: para ela cantar parabéns, mandar mensagem para as amigas, e, principalmente, tirar uma “selfie”. Durante o vídeo Xuxa pede ajuda para a menina, mas a menina nem percebe seu estado. 

Assisa o vídeo: https://youtu.be/YUslh4ag8Mo

O canal Porta dos Fundos é conhecido por fazer vídeos com críticas em tom de piada dos mais variados acontecimentos do dia a dia. E o uso excessivo dos smartphones não ficou de fora. Mas o que vem primeiro: tirar a foto perfeita com a celebridade ou a ajudar?

Balanço

Foram três anos sem entrar numa sala de aula desde que me formei no fim de 2013. Mas nesse tempo, foquei 101% de dedicação e esforço ao meu trabalho de jornalista esportivo. Ainda assim, o incômodo de estar defasado para estudar sempre me pegou.

Eu gosto de estudar, sempre gostei desde moleque. Só agora que, realmente, dediquei-me pouco a isso, por muitos motivos além do trabalho. Problemas familiares pesados, brigas com pessoas que sempre fizeram parte do meu círculo de amigos e até, por que não dizer, não estar confortável e de bem comigo mesmo, me fizeram demover essa ideia.

Não para este ano. Saí da minha caverna particular e pedi demissão do meu emprego. Em um primeiro momento, minha família não gostou muito da ideia, muito por causa deles serem workaholics em seu estado puro, mas eles sentiram que eu precisava de apoio e me deram. Juntei uma grana e morei fora por um tempo, focando em um aprendizado de uma nova língua.

Voltei. Sem emprego, mas disposto a dar um novo rumo à minha vida e voltar a estudar foi o primeiro passo. Ainda não assimilei e aceitei tudo o que devo sobre a decisão que tomei no início deste ano, mas sigo trabalhando nisso. Acredito que 2016 foi o meu turning point pessoal e estou disposto a aceitar todas as consequências dos meus atos como nunca antes tive.

Força, Fernanda

Diante da tragédia do avião da Chapecoense na última segunda feira, 28, muitos jornalistas e figuras do esporte prestaram suas homenagens, tanto aos jogadores quanto aos colegas de profissão que perderam.  

A jornalista Fernanda Gentil, apresentadora do Globo Esporte, publicou em seu facebook um texto homenageando as vítimas, inclusive três colegas de trabalho: Gui Van der Laars, Ari Junior e Guilherme Marques. Os três faziam parte da equipe da Rede Globo. 

No final do texto ela deixa uma mensagem de otimismo para todos que estão enfrentando a dor da situação: “Então por vocês três, por tantos outros que estavam nesse avião, e, principalmente, pelos amigos e famílias que perderam alguém querido, espero que a nossa reflexão nos faça mudar de verdade; e que dessa vez esse “efeito” dure exatamente o mesmo tempo que a saudade de vocês vai durar – pra sempre.”

Mesmo diante da homenagem e das palavras de conforto de Fernanda, parece que a única coisa que chamou atenção foram os comentários da publicação. Foram inúmeros comentários de ódio e xingamentos por conta de sua opção sexual. 


Na mesma semana em que tantos atos de solidariedade ficaram em evidência, aparecem tantos comentários de ódio. Mais uma vez uma jornalista virou notícia pela sua vida pessoal.