Categoria: KANE/2SEM15

#SP462

Por Imani Zoghbi

sp.png

Ela é um pouco cinza, sim. Mas se olhar bem, tem todas as cores. Tem todos os amores, de mãos dadas e sorrindo pelas ruas. Garoa bastante. E faz sol, e frio, e calor, tudo no mesmo dia! Muitos cheiros, e todos, todos os tipos de gastronomia . Além das comidas, há todo o tempo do mundo também. 3h30 da manhã e você quer comer um hamburguer? Tem. Yakissoba? Tem. Esfiha? Tem também. E depois de comer, quer sair pra dançar? Talvez até o amanhecer você decida um lugar, pois são muitas opções.

Não é difícil saber que eu estou falando de São Paulo. Sou paulista e paulistana da gema, nasci na Avenida Paulista. Já viajei pra lugares incríveis do Brasil e do mundo, mas posso dizer com segurança que não trocaria São Paulo por nenhum deles. Nova York faz meu coração bater mais forte, é fato, e algum dia ainda morarei lá. Mas não é um lugar que eu passaria o resto da minha vida, criaria meus filhos. Por mais falhas que a minha cidade tenha, ela é a MINHA cidade, e nenhum outro lugar me dá tanta sensação de lar quanto ela.

Porque então ninguém nos ensina a amar São Paulo da maneira que ela merece? Porque os outros lugares são apresentados como sendo tão bonitos, tão ricos, tão cheio de cultura, e São Paulo é só São Paulo? É claro que o trânsito diário pode nos tirar do sério; que o custo de vida e os impostos são altíssimos; que não é o lugar mais seguro do mundo. Mas eu não conheço uma cidade mais acolhedora que esta. Ao mesmo tempo que dá a liberdade para as pessoas serem quem quiserem, sem julgamentos, São Paulo abre seus braços para todos, e os recebe com um largo sorriso.

Já percebeu que não existe, em nenhum lugar deste planeta, uma qualidade de serviços como a nossa? Reparou que em meio ao caos há tantos recantos? E o quanto somos abençoados pela temperatura equilibrada? Sim, parece meio louco que em um mesmo dia tenhamos todas as estações, que tenhamos que nos vestir em camadas e sair tirando/ recolocando tudo ao longo do dia. Ainda assim, não vivemos meses seguidos de frio dilacerador, ou de calor insuportável.

Porque não nos ensinam que há felicidade em São Paulo? Porque para mim, a maior felicidade é saber que eu vivo na cidade que é uma amostra do mundo inteiro. Parabéns, minha velha, pelos seus 462 anos.

euamosp

Anúncios

Não, eu não preciso de uma mãozinha

Por Imani Zoghbi

girl power 2

Acho que eu tinha uns 12 anos. Estava tentando abrir um pote de alguma coisa, eis que minha mãe diz “para com isso, dá esse pote pro seu pai que ele abre. Mesmo que você consiga, se tiver um homem na casa, deixa isso pra ele. Eles se sentem importantes, sabia?” Não, mãe, eu não segui o seu conselho. Nesse mesmo dia, meu primo estava em casa, pegou uma faca e me ensinou: “Faz assim, ó!”, tirou o vácuo pelo cantinho da abertura, e magicamente a tampa abriu com a maior facilidade.

Desde então se tornou uma questão de honra – nunca pensar em pedir para alguém abrir um pote, ou fazer algo para mim por falta de força, prática ou conhecimento. Além do primo, tive que agradecer às minhas então musas Spice Girls, que não sei se por princípio ou por marketing, lançaram o lema Girl Power para dizer que as mulheres poderiam (e deveriam) fazer tudo o que quisessem. Baita lição de empoderamento antes mesmo de descobrir o que era feminismo!

girl power

Por fim, em uma fase posterior da vida, aqui vai um agradecimento especial ao meu queridíssimo Google. Porque foi através dele que eu consegui aprender a usar uma furadeira, furar uma garrafa de Jack Daniels e fazer uma luminária linda com ela (o detalhe é que o meu pai não sabe usar a própria furadeira direito, e eu sei). Foi através dele também que eu aprendi a trocar o fusível do chuveiro para uma amiga, pois o zelador “não podia entrar na casa de uma moça que mora sozinha”. Não, eu não preciso de uma mãozinha, e ainda posso continuar delicada e feminina fazendo todas essas coisas. Acabo de abrir um pote, aliás. Vai geléia de morango aí?

Dolce & Gabbana – só “para inglês ver”

Por Imani Zoghbi

Dolce & Gabbana

No início deste ano, dois colegas da Cásper me enviaram um link de uma matéria e pediram meu parecer. A matéria dizia que a grife Dolce & Gabbana havia criado “uma coleção para muçulmanas” (e eles se lembraram de mim por conta das minhas origens árabes e o meu amor pela moda). A coleção se chama ‘Abaya’, em referência às túnicas árabes que cobrem o corpo, e contém além de longas vestes, os ‘hijabs’ (ou véus). Depois de ler a matéria, fiquei um pouco pensativa.

Minha mãe me contou há tempos que as grandes marcas de alta costura (maiores que a Dolce & Gabbana) sempre fizeram coleções e desfiles exclusivos para as muçulmanas mais endinheiradas do mundo. Coleções que, aliás, não têm véu – o que há por baixo das burcas muitas vezes são as roupas mais caras do mundo, que elas ostentam quando estão dentro de suas casas ou das amigas. As mulheres árabes sempre foram as maiores consumidoras da alta costura.

Minha mania de ler comentários me levou a encontrar toda a sorte de opiniões, desde que “a marca está na pindaíba, está apelando para os terroristas endinheirados”, risos, até que “este é um passo democrático, virei fã”. Coloco-me em dúvida já que, sim, a marca anda passando por maus bocados – há algum tempo teve até que extinguir uma de suas frentes, a maravilhosa D&G. Por outro lado, não se pode desconsiderar algumas polêmicas protagonizadas pelos estilistas, que são um ex-casal gay, mas em uma entrevista de 2015 se declararam contra famílias formadas por homossexuais, bebês de proveta ou barrigas de aluguel.

Portanto, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, gosto muito das roupas que vocês fazem, mas vocês não me compraram. Esse discurso de “nossa que cool, que marca plural” não me convence, não. Tudo isso é só “pra inglês ver” (ou ocidental, nesse caso), quanto esforço!

CET, está difícil fazer tudo certo

Por Imani Zoghbi

radar

A cada dia que passa tenho certeza que o nome da CET está errado. A sigla só pode designar Caos E Trânsito, Custo E Transtorno ou qualquer coisa do gênero. O esforço de fazer tudo direitinho é imenso. Você, tenta, tenta, toma cuidado com os radares, dá seta antes de pensar em fazer qualquer movimento, coloca em prática tudo o que aprendeu no CFC (porque você não quis dar aquele “jeitinho” e realmente FEZ o CFC). Mas parece que o papel de quem aplica as leis é apenas dificultar que isso aconteça.

Se você mora em São Paulo, teve que se acostumar nos últimos meses com os 50 km por hora estabelecidos pra quase todas as vias. Atrasado? Precisa correr? Isso não existe mais para você, Paulista. É melhor ter todo o tempo do mundo, pois você vai pegar trânsito (mais do que o de costume!). Mas tudo bem, desse jeito você não corre o risco de cair num buraco – porque o asfalto dessa cidade, caro amigo, anda parecendo de isopor, e ninguém arruma.

radar2

Olhar para o velocímetro ou olhar para a frente, eis a questão. E dizem que a redução da velocidade evitaria acidentes. Sei. Esses dias estava no carro de uma amiga, farol verde, tudo lindo, quando ela reduz a velocidade bruscamente. “Que houve?”, perguntei. “Ah, foi o assaltante!” “Ahn?!”, demorei a entender. Olho para o lado e me deparo com um “marronzinho” auxiliando a montagem de um radar móvel. Já não basta sermos assaltados pelo preço da gasolina, IPVA e todas as coisas que um carro precisa, tem mais essa! Isso sem falar naquelas pistolinhas operadas por pessoas em cima dos viadutos, medindo a velocidade. É sério isso, precisava ser tão escondido?

Não estou dizendo tudo isso porque é legal infringir as leis. O que incomoda é quando as leis não fazem muito sentido e são fiscalizadas de maneiras surreais, não como uma ferramenta saudável e necessária de controle, mas como mais uma forma de tomar seu honesto dinheiro. CET, amiga, me ajuda a te ajudar. Assim está muito difícil.

Radar3

Minhas férias :-)

Ludmila Escobar

Que atire a primeira pedra quem aí não foi premiado com uma redação de volta às aulas com o famigerado tema “Minhas férias”. E como não dá para aguardar a volta às aulas, decidi então contar aos colegas agora, aos 45 do segundo tempo do Dimas, apenas o início das minhas férias, que foi cheio de adrenalina!

O meu intervalo começou em uma segunda-feira chuvosa de 21 de dezembro, quando eu encarei o interminável aeroporto de Guarulhos. Oficialmente trabalhando, eu precisava enviar um relatório até as 19h daquele dia e, esperta que sou, resolvi marcar o voo para o mesmo dia em que tinha que finalizar uma tarefa importante.

Muitas redes Wi-Fi se conflitando e um notebook com pouca bateria (sim, eu despachei o carregador na mala, rá!). Junte a isso uma criança chegando à fase dos terrible twos (entenda: joga-se no chão a qualquer hora, em qualquer lugar e sem motivo aparente!).

Arquivo anexado, clica no send e nada. Até que vejo um oásis: Starbucks, a internet que salva vidas! Sim, eu estava certa, lá estava a solução dos meus problemas. Arrasta a filha, seu bicho de pelúcia, o notebook, a bolsa e o saco de uvas que ela está comendo uma a cada hora. E… voilá! E-mail enviado! Bora correr alguns quilômetros até o portão de embarque.

Tirando esse primeiro dia de correria, minhas férias foram boas. Com festas familiares regadas a muita comida, bebida, discussões (sempre tem, né?!), abraços e, por fim, despedidas. Todos desejosos por um ano com saúde e dinheiro no bolso.

Bora que 2016 já está mostrando a que veio!

A triste realidade de ter (e ser) um ex-amigo

Ludmila Escobar

É difícil fazer um ranking de quais seriam as piores coisas da vida, mas eu arrisco dizer que ter um ex-amigo está entre as top five. Ex-namorado a gente sofre, mas esquece, ex-marido muitas até comemoram e ainda dizem “como pude ter 2 filhos com aquele traste?”. Agora, ex-amigo dói pra sempre, não importa se a gente é adolescente ou já tem uma boa bagagem da vida.

E se não tivéssemos dito aquelas ofensas um ao outro? Por que ele me deu cano tantas vezes, me trocando por outras amizades ‘fugazes’? E por que nunca veio me visitar? Não, não tem como voltar no tempo. O ex-amigo tá lá, quieto, dolorido, cheio de mágoa e assuntos mal resolvidos. E as boas lembranças, ah como elas são presentes! Tínhamos tanto em comum, tantos segredos, tantas fotos. Para onde foi tudo isso?

Não sou de fazer resoluções de ano novo, mas para este que se inicia eu tenho dito: vou reaver meus ex-amigos (que são pouquíssimos, graças a Deus!). Eu acredito no perdão e, como dizia Chico Xavier, um dos homens mais sábios que habitou esse planeta, “Não dá para voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos recomeçar e fazer um novo fim”.

Você é fã de Star Wars?

2015-12-16-1450300622-8118374-Star_Wars.png

Ludmila Escobar

Dia desses, fui assistir ao novo filme de Star Wars, chamado “O Despertar da Força”. Cheguei ao cinema já tendo ouvido muitas opiniões (todas positivíssimas!), estava lá, ansiosa e radiante, preparada para ver o que eu esperava ser uma obra de arte.

Quando todo mundo fala que algo é muito bom, a gente fica com medo de discordar. Pois é, mas neste caso eu discordei. Não, o filme não é ruim, longe disso, mas foi especialmente feito para agradar aos fãs, com cenas, histórias e personagens da trama dos quais todos que curtem a saga estavam saudosos.

Essa constatação me fez perceber que todas as pessoas que haviam comentado sobre o filme, que acharam excepcional, eram fãs ‘level pro’, daqueles que têm capacete de Darth Vader e já compraram o novo robozinho (este, por sinal, é uma graça mesmo!).

Eu gosto de Star Wars, vi todos os filmes. Mas neste último senti falta da novidade, era tudo muito óbvio e fazia forte relação com as outras histórias. Enfim, apenas uma observação sobre a obra. Estou longe de ser uma crítica de cinema gabaritada para dar pareceres mais técnicos e tenho certeza que muita gente pensa diferente!