Categoria: KANE/2SEM14

Futebol? Não, o esporte do momento é o surf

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Por Vitor Hugo

O esporte pode ser encarado como um espelho da sociedade, refletindo os hábitos e os costumes das pessoas. Por exemplo, no jornalismo esportivo a notícia sobre futebol é predominante. Lógico, esse é a maior paixão da maioria dos brasileiros. Mas, como ficam as outras modalidades? Não merecem uma cobertura melhor?

A obrigação e o dever do jornalista não é somente dar a informção que o público quer ver, mas também as demais opções. A imprensa só começa a falar sobre outros esportes na época de megaeventos, como as olimpíadas. Não é por acaso que o Brasil geralmente tem um dos piores desempenhos nos jogos olímpicos.

Se não é futebol, a notícia é sobre Formula 1, tênis, basquete ou vôlei – e mesmo assim de maneira bem superficial. O jornalismo esqueceu do seu caráter de formação e conscientização do cidadão. A imprensa tem que ser um lugar de fomentação do debate público sobre diferentes assuntos.

Essa história de que o Brasil é a pátria das chuteiras já não convence mais. Com mais de 200 milhões de habitantes, um território com dimensões continentais, aqui era para ser uma potência esportiva. Mas, o povo absorve a ideia de que o único esporte é o futebol.

A falta de bons atletas é consequência do descaso do governo em promover políticas sociais para estimular a prática de diferentes modalidades. E, claro, a imprensa tem uma grande parcela de culpa nisso tudo, porque simplesmente ignora os outros universos esportivos.

Sim, há exceção. Quando tem um atleta que se destaca muito, a mídia enxerga isso como uma oportunidade de aumentar a audiência, forçando muitas vezes a construção de um ídolo. O caso mais recente é o do surfista Gabriel Medina, que tem bombado na internet e nas redes sociais.

Nunca um brasileiro conquistou o campeonato mundial de surf, e ele está muito próximo de conseguir esse feito inédito. Pronto, era tudo o que os grandes veículos de comunicação queriam. Jornal Nacional, Folha de S. Paulo, Estadão, entre outros, divulgaram notícias sobre Medina. Agora, o esporte da moda não é mais o futebol, e, sim, o surf – pelo menos momentaneamente.

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Sobre os “Efeitos da Mídia”

Na primeira aula de Mídia, Complexidade e Poder, após o professor Dimas nos apresentar a Saudação do Epicuro, foi debatido um fragmento de um texto da professora e historiadora de filosofia Marilena Chaui.

Em “Efeitos da Mídia”, a professora defende a tese da dispersão da atenção da população e de que os meios infantilizam as pessoas.

No argumento em que trata da dispersão da atenção do público, embasada em estudos e exemplos concretos, a professora afirma que o público perde atenção em suas tarefas a cada sete minutos.

Isso ocorre, segundo ela, devido a uma tendência do rádio e da televisão em dividir as programações em blocos. Quando o programa entra no intervalo, mudamos nosso foco para outra coisa.

Não tenho como argumentar contra essa tesa de Marilena visto que parei este texto ao menos umas dez vezes em um espaço de uma hora e meia, para fazer as mais diversas e inúteis tarefas.

Agora quando ela entra no campo de que a indústria cultural e os meios e comunicação infantilizam o público, eu luto contra a dispersão de atenção e faço objeções.

Discordo da parte em que a filósofa, de forma generalizada, diz que os meios de comunicação prometem e oferecem gratificação instantânea, nos mostram a cultura sob a forma de lazer e entretenimento e não nos pede atenção, pensamento, reflexão e crítica.

É possível – e existem exemplos concretos disso – fazer/mostrar cultura nos meios de comunicação e ter como feedback do público atenção, pensamento, reflexão e crítica. Basta saber escolher o canal em que essa cultura será transmitida e como ela chegará até você.

A grande maioria do público é de fato uma presa fácil para os produtos da rala indústria cultural, até mesmo por uma limitação de informação, como acesso apenas a TV paga ou conhecimento de apenas “x” sites e/ou rádios.

Porém as pessoas que têm acesso amplo nos meios de comunicação a um leque maior de opções conseguem sim aproveitar um bom conteúdo cultural e refletir devidamente sobre o que lhe foi exposto.

A satisfação pode não ser imediata, mas será compensada após o processo de entendimento. É possível sim unir a satisfação do entendimento com a cultura através do meio de comunicação.

Portanto, pode até ser que a maioria esmagadora dos meios de comunicação tendam a manter o público em um estado infantil. Mas a partir do momento em que você tem um leque de opções para absorver a cultura, cabe ao seu discernimento sair dessa infantilização e atingir a maturidade.

Wi-Fi na casa da vó

O temido dia chegou. Eu já imaginava. Era quase inevitável. Colocaram wi-fi na casa da minha avó.

O único local que eu considerava como intocável – o templo da socialização – onde a família ainda conseguia se comunicar usando as cordas vocais, e não apenas as falanges e metacarpos, não resistiu e se entregou à modernidade.

Os encontros nos almoços de domingo ou nos cafés da tarde de sábado dificilmente serão os mesmos. Temo que as discussões sobre os assuntos sem importância alguma e as conversas descontraídas sobre os temas de maiores significância fiquem apenas no passado.

Antes da instalação do wi-fi, o contato pessoal era inevitável até para os mais novos, que não abriam mão do 3g ou do pacote de dados no celular. Uma hora a internet falharia e eles teriam que encontrar uma brecha para entrar no assunto. Isso era certo.

Se antes o ruído que atrapalhava a comunicação entre os primos de diferentes idades era o latido do cachorro que queria se enturmar na bagunça, agora será o de notificações nos aparelhos celulares.

Se antes as gargalhadas eram verdadeiras e até os mais tímidos mostravam os dentes com aparelho, meio que de forma involuntária, agora irão aparecer em forma das letras “aga” e “a” juntas e repetidas em caixa alta. Ou, se a preguiça for maior, com uma sequência de “emoticons” que indicam grande euforia.

Acho que as únicas pessoas da família que passarão ilesas perante essa mudança – “trágica”, mas assumo que necessária – serão minha avó e minha prima de três anos.

Mas não sei por quanto tempo, uma vez que a matriarca da família está tendo aulas de internet e a caçula, por sua vez, já começa a ganhar bastante intimidade com os smartphones.

Espero sinceramente estar errado no meu prognóstico. Mas se porventura o cenário acima sugerido vier a se tornar realidade, que as quedas de energia sejam constantes nos almoços de domingo e cafés da tarde de sábado.

Tese, Antítese e Fim da História

De acordo com Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão que viveu entre os séculos 18 e 19, a história é dialética.

Existe uma “tese” sobre determinada vertente ou assunto, que cedo ou tarde será questionada.

Com o início dos questionamentos, basta um passar de tempo para que esse movimento de questionar se torne maior a ponto de ganhar corpo e virar uma “anti-tese”, uma antítese.

Quando a antítese fica mais forte do que a própria tese, ocorre a síntese. A tese sucumbe e as novas idéias, opiniões e pontos de vistas emergem.

Apesar da mudança brusca para superar a antiga tese, a partir do momento em que a antítese chega ao poder, nem todos os valores antes vigentes são esquecidos. É relembrado as coisas boas que podem ser salvas da tese “ultrapassada”.

O filósofo norte-americano Francis Fukuyama adota a “tese” de Hegel para abordar o que ele considera “O fim da história”. De acordo com o estadunidense, com a queda do Muro de Berlim em 1989, o socialismo ruiu e o capitalismo vigorou.

Do ponto de vista dele, o capitalismo e a democracia burguesa constitui o coroamento da humanidade, atingindo o ponto máximo da evolução, como o único sistema a se manter “intacto”.

Longe de questionar a ideologia de um renomado filósofo, mas é triste pensar que o ápice da história da humanidade é um sistema que favorece uma pequena parcela em meio a bilhões.

A esperança é que, assim como descreve Hegel, em algum lugar, uma antítese melhor do que a atual e consagrada tese esteja ganhando força.

A ética no jornalismo

Por Vitor Hugo

Para entender melhor as questões ligadas à ética no jornalismo e na internet é interessante ler o livro “Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória“, de Caio Túlio Costa. Principalmente, o capítulo 8 que é a parte da obra que farei uma breve analise.

Neste texto, o autor relaciona a pós-modernidade com a ética no jornalismo, contextualiza as questões políticas e sociais, além do desenvolvimento tecnológico e o surgimento de uma nova forma de comunicação. Esses fatos influenciaram – e influenciam – as condutas ligadas ao aspecto moral de cada cidadão. Nicolau Maquiavel é citado como referência ao analisar a ética e política, assim como a ética e o jornalismo. Ele foi capaz de explicar as burocracias políticas a ponto de clarear a ideia do “jeitinho” brasileiro.

Tanto na política quanto na comunicação há uma dualidade no processo de conduta. Esse conflito envolve o aspecto ideal (normativo) e a prática cotidiana (funcional). Em ambos os casos, o funcionalismo se sobrepõe e os mecanismos normativos são, praticamente, ignorados.

No jornalismo, a relação entre o repórter e a fonte é constituída por essa dualidade. O jornalista costuma aceitar as condições que a fonte exige para conseguir uma informação, e muitas vezes o fim justifica o meio, ou seja, utiliza meios ilícitos em favor de seus próprios interesses. “A preocupação moral (…) é conjugada na grande maioria dos casos apenas e tão somente de forma normativa. Aparece no sentido ideal e se destrói, se decompõe, vira do avesso quando entra na prática do fazer jornalístico”, de acordo com o texto.

Apesar de Maquiavel ser fundamental para o entendimento da questão ética (normativo e funcional), o adjetivo “maquiavélico” é associado à maldade e serve para caracterizar o jornalista que adota condutas imorais. Segundo Niceto Blázquez, “no maquiavelismo informativo não se respeita a moral dos meios, mas isso significa a própria negação do senso de responsabilidade e de integridade profissional”.

Para melhor compreender, é necessário contextualizar a situação da indústria da comunicação na era pós-moderna. O individualismo é mais importante que a sociedade, portanto, há uma fragmentação e as decisões coletivas ficam prejudicadas, Nesse contexto, o pós-modernismo tem influência na tecnologia, na cultura, na economia, na sociedade, e está baseado em um relativismo que é fortalecido pela individualidade. Isso interfere nas condutas morais, pois a ética será encarada de forma relativa.

Em “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman compara a fluidez dos líquidos e dos gases com as constantes mudanças presentes na era moderna. A metáfora de “derretimento dos sólidos” significa: “os sólidos que estão derretendo são exatamente os ‘elos que entrelaçam as escolhas individuais em projetos e ações coletivas’”. As causas da mudança estão enraizadas na transformação do espaço público e no modo como a sociedade opera (individualismo e em rede), de tal maneira que o interesse público se individualizou. Consequentemente, o espaço público é dominado por interesses do individuo e, portanto, controlado pelo privado.

Atualmente o meio cibernético estimula a fragmentação (individualidade), mas por outro lado possibilita o individuo resgatar o direito de cidadania, de ser mais do que um receptor de informações e se tornar um leitor ativo, capaz de interagir, através da internet, nos blogs, sites, redes sociais, celular, etc. A mídia tradicional e as novas mídias com o suporte da tecnologia, proporcionam ferramentas para aumentar a capacidade de circulação de informações. No entanto, essa abundância de informações é desenvolvida de forma assimétrica que pode agravar a questão ética.

Assimetria da informação significa desigualdade das informações. “Perceber a assimetria, todos a perceberam. Há muito tempo. Perceber os problemas das imperfeições da informação e as suas consequências adversas é outra coisa”, afirma Joseph Stiglitz. Não há comunicação perfeita nem em jornalismo. O problema moral do jornalista é em relação àquilo que ele não sabe do que em relação àquilo que sabe. O texto exemplifica: “Um repórter que colheu dados confidenciais e exclusivos, seja por acaso, por suborno ou por interesse de uma das partes, estará refém do que não sabe quando acha que detém uma informação privilegiada”.

O que será veiculado, tanto na mídia tradicional quanto na nova mídia, é determinado pela tensão entre quatro interesses: 1) a fonte, ou seu filtro; 2) o jornalista; 3) a empresa de comunicação; 4) o público. A diferença é que na nova mídia os quatros interesses são disputados em com forças iguais. Por exemplo, o jornalista não tem mais a palavra final e a fonte ganhou mais poderes com as informações, pois ela também pode veicular.

Na conclusão, o texto ressalta a relação entre os mecanismos normativos e a questão funcional. No caso do jornalismo, a objetividade jornalística existe apenas na parte normativa e, portanto, não alcança o funcional. A questão moral se tornou relativa e isso é reflexo da pós-modernidade. Além disso, aponta a assimetria como um problema tanto na velha mídia quanto na nova mídia e sempre haverá interesse em tirar proveito dessa situação.

Onde está a essência do jornalismo?

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Por Vitor Hugo

O número de leitores de jornal impresso está diminuindo cada vez mais, e a tendência, agora, é buscar tudo dentro da internet. A nova geração está inserida em um mundo cheio de tecnologias, com muitos meios alternativos para captar informação. Será que o jornalismo ainda tem espaço na sociedade? Da mesma maneira que o jornalismo nem sempre existiu, pode ser que futuramente não precisemos mais dele.

A sociedade perdeu o costume de fazer uma leitura extensa, hoje em dia está tudo muito superficial. Na era do conhecimento, a rapidez com que a noticia é vinculada passou a ser essencial para suprir a necessidade do consumidor (leitor). O meio digital tem uma capacidade de fornecer dados de maneira instantânea, praticamente em tempo real. Consequentemente, a informação foi reduzida ao máximo, a ponto de, muitas vezes, perder o sentido.

Essa necessidade de obter informação à todo momento está relacionada ao prazer de consumir. Dentro dessa perspectiva, há uma descontextualização das noticias, que são apresentadas sem vinculo algum com o passado ou com o futuro.  Apesar do excesso de conhecimento, as pessoas não conseguem gravá-los e nem entendê-los, pois há muita informação e de maneira simplificada, sem análise, apenas informativa.

O jornalismo vem perdendo as suas principais características para se moldar as exigências do mercado. O caráter social foi deixado para trás para que os interesses econômicos e políticos prevalecessem. Portanto, a imprensa não é mais um espaço de debate e não estimula a reflexão. Na maneira mais obscura, o jornalismo caminha para um futuro incerto.

Sociedade de consumo

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Por Vitor Hugo

No final do século XX e no inicio do século XXI, foi um período marcado por diversas mudanças tanto no âmbito político quanto no âmbito econômico. Onde o capitalismo atingiu o seu ápice. Esses acontecimentos influenciaram no modo de viver da sociedade contemporânea, que é definida como a sociedade de consumo.

Esta estabelece a ideia de que o individuo precisa participar de alguma tribo para ter uma identidade, isto é, uma pessoa se identifica com um grupo pela a sua aparência, e não pela sua ideia.  A ideologia deixou de ser um conjunto de crenças, pensamentos. Antes a ideologia era uma maneira de viver e pensar, agora está presente nas coisas materiais.

Por exemplo, um surfista tem toda uma filosofia de preservar o meio ambiente, de buscar a paz interior e estabelecer uma relação harmoniosa com os outros seres. E claro, além de surfar praticamente todos os dias. No entanto, hoje em dia qualquer pessoa pode comprar roupas relacionadas a surf, e nunca ao menos ter surfado uma onda na vida.

A sociedade de consumo enfatiza o tempo presente (o momento). A juventude é associada ao ato de consumir, e não há mais planejamentos. Logo, a pessoa tem que ter prazer sempre a todo custo, e o consumo proporciona essa sensação (obrigação de ser feliz). Porém, não é possível ser feliz o tempo todo, e isso causa uma frustação ou desprazer.

A fragmentação presente no consumo enfraquece a sociedade, que já não é mais capaz de se organizar para reivindicar os seus direitos, tanto é que o movimento social vem perdendo a sua essência, e passa a ser movimento de minorias (institucionalização dos movimentos sociais).

Também houve mudanças dentro da imprensa. O jornalismo começa a segmentar dentro da lógica do consumo, e divide o jornal em várias áreas especializadas. Por exemplo, os cadernos de esporte, internacional, cotidiano, política, etc. Com isso, os fatos perderam a relação entre si, tornando difícil construir uma compreensão geral das coisas.