Categoria: KANE/1SEM15

O desconhecimento sobre Cristiano Araújo

cristianoA repercussão da morte de Cristiano Araújo surpreendeu milhões de brasileiros que não conheciam o cantor

Por Rodolfo Albiero

Um acidente de carro na madrugada desta quarta-feira (24) matou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes. A fatalidade não despertou apenas um sentimento de perda e tristeza entre milhões de fãs, mas também perplexidade para tantos outros: afinal, quem era Cristiano Araújo?

Após as primeiras notícias sobre a morte do cantor, representante do sertanejo universitário, não faltou quem desse pouca importância, graças ao desconhecimento ou um pensamento de que se tratava de algum músico iniciante ou sem muito sucesso. Houve ainda quem se vangloriasse da ignorância, como se não saber sobre um determinado estilo musical com apelo popular fosse sinal de erudição.

Em poucas horas, emissoras de rádio, televisão e portais de internet praticamente não falavam de outro assunto. Com uma imensa demanda por notícias por parte do público, era mais do que necessário contar essa história e seus detalhes, como os personagens envolvidos, os motivos do acidente, a repercussão entre os fãs e no meio artístico. Parte dos jornalistas escalados para essa tarefa também não conhecia o cantor, aumentando a possibilidade de erros na cobertura.

O estilo sertanejo reúne multidões de todas as classes socioeconômicas em shows por todo o Brasil, além de figurar nos primeiros lugares das músicas mais tocadas pelas rádios. Mesmo com milhões de fãs, Cristiano Araújo ainda era desconhecido por uma grande parcela da população. O episódio evidencia a complexidade cultural do país e que existe dificuldade em acompanhar tudo o que está acontecendo à nossa volta.

Não saber sobre algo que faz sucesso não significa necessariamente ser uma pessoa ignorante. Se o indivíduo não gosta de determinado estilo musical, é até natural que ele nem tenha ouvido sobre um artista deste gênero. E isso não se aplica apenas ao sertanejo nem se restringe à musica, mas também podemos ampliar para outras áreas. É possível assistir a todas as séries disponíveis no Netflix, ver todas as estreias no cinema, ler todos os livros no ranking dos mais vendidos da semana, acompanhar todos os jogos do Brasileirão e dos principais campeonatos internacionais? Se conseguir, parabéns! Aproveite e nos ensine o segredo.

Isso, no entanto, não justifica o orgulho da ignorância. Não dá para desconhecer que o sertanejo faça sucesso e que existam milhões de fãs do gênero, nunca ter ouvido falar no sucesso das produções da HBO, estar alheio à existência de Cinquenta Tons de Cinza ou dos problemas na transferência de Neymar para o Barcelona. Cada um escolhe sobre o que quiser se aprofundar, mas ter satisfação de estar totalmente por fora de assuntos que mobilizam milhões de pessoas, como se isso não lhe dissesse respeito, é, no mínimo, uma soberba sem propósito.

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Inhotim: nosso parque de diversão

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Um trecho da obra de Naomi Klein “Marcas Globais e Poder Corporativo” que fala sobre marcas-casulo me chamou atenção a fazer um comparativo. A autora usa o exemplo da Disney World para explicar esse conceito, como no trecho:

“A Disney entendeu que seus filmes eram anúncios de seus brinquedos, que, por sua vez, divulgavam seus parques temáticos. Ela vem ampliando e construindo esse casulo de marca desde a década de 30. Agora sua ideia de marca é a ideia de uma América de cidades pequenas, valores familiares, aquela comunidade em que o garoto pode passear de bicicleta assobiando. E, por ter saído na frente, a Disney conseguiu ir mais longe, mais longe do que qualquer outra marca na verdadeira construção do casulo, não se associando ao estilo de vida, mas construindo o estilo de vida em três dimensões.”

Essa ideia de uma cidade que supre as necessidades dos seus clientes/moradores me remeteu a experiência de visitar o Instituto Inhotim. O lugar é um dos mais importantes centros de arte contemporânea do mundo e um ótimo destino de passeio para os apreciadores de arte. Mas de uns anos pra cá, esse roteiro está cada vez mais completo, fazendo com que o Inhotim possa ser incluído na categoria casulo. Mais do que comprar cartões postais ou pequenos souvenires, o lugar se prepara para lançar um hotel interno, para fazer de sua visita uma experiência de imersão única no universo da arte contemporânea. O mesmo inclui bares, restaurantes e lanchonetes espalhados pela fazenda localizada no município de Brumadinho, em Minas Gerais, e linhas roupas, louças e peças de decoração com os temas do centro de arte, muitas delas assinadas por estilistas como Oskar Metsavaht, da Osklen, são lançadas a cada temporada e podem ser adquiridas até mesmo em lojas fora do parque.

Salvas as devidas proporções, o Inhotim é a Disney para muitos de nós.

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“Por que alguém compraria uma revista hoje em dia?”

O mercado editorial não está lá muito bem das pernas atualmente. Mas será justo acreditar que ninguém mais precisa de revistas impressas? A internet é mesmo capaz de suprir o conteúdo produzido pelos títulos editoriais?

Alguns pontos são importantes nessas questões. Se pegarmos para analisar especificamente as publicações de moda, as revistas esbarraram há algum tempo na concorrência de blogs pessoais, onde meninas de forte poder aquisitivo compartilham o dia-a-dia de estilo. Mas para quem se interessa pelo assunto, esses conteúdos não são comparáveis sob nenhuma perspectiva. Revistas do meio como ELLE, VOGUE e Harper’s Bazaar exercem uma influência de curadoria nesse assunto e produzem matérias e um material fotográfico com conteúdo e qualidade que em jamais poderia ser encontrado em sites e blogs.

Aos poucos os veículos estão experimentando e descobrindo alternativas para se fazer relevante e manter suas marcas de pé. O caso mais recente é da ELLE Brasil, que em seu especial de aniversário deste ano colocou os leitores na capa, através de um material semelhante a um espelho que refletia quem a olhasse. Isso deu muita visibilidade para o conteúdo da edição, que trazia personagens de idade, tipo físico, classe social e estilo diferentes no lugar das tradicionais modelos.

Essa ação poderia ser considerada como comunicação pós-massiva, em que existe uma maior participação do receptor na produção de conteúdo do emissor, numa colaboração mútua.

O sucesso do projeto #VocêNaCapa foi tanto que a capa do mês seguinte retomou a ideia e colocou três das tidas “pessoas normais” que tanto repercutiram na capa espelhada. Claro que esse conceito de pessoa normal é absolutamente questionável, mas isso seria assunto para um outro post…

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Poder >>> Dinheiro

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Em uma das cenas mais emblemáticas do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, o personagem principal é questionado pelo seu mentor jurídico pelo falo da empresa estar gastando um milhão de dólares por ano com os jornais de sua empresa, sem obter nenhum lucro. Kane responde: “Eu gastei U$ 1 milhão ano passado com o jornal, vou gastar U$ 1 milhão neste ano e certamente gastarei U$ 1 milhão ano que vem. Nesse ritmo terei que encerra-los em 60 anos”. Carregada de ironia, a resposta de Kane deixava bem claro não só que dinheiro não era uma preocupação, como também nem de longe seria sua prioridade. Quem assistiu ao filme sabe que o cidadão em questão valorizava mesmo de outra coisa: o poder. O filme é de 1941 e, num paralelo contemporâneo, o Cidadão Kane da dramaturgia de agora certamente poderia ser o personagem da série House Of Cards, Frank Underwood, no ar pelo Netflix desde 2013. O protagonista da série, interpretado por Kevin Spacey, arma poucas e boas na Casa Branca com o objetivo de chegar à presidência dos Estados Unidos. Por diversas vezes ele menospreza possíveis aliados ao perceber que os mesmos estão interessados em lucrar financeiramente, não sem antes tripudiar sobre a ignorância de quem valoriza mais o dinheiro do que o poder. Kane também exerceu sua influência para chegar ao cargo máximo da Casa Branca. A diferença dele para Underwood é que o segundo tem seu objetivo alcançado, com o perdão do spoiler.

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Babás Invisíveis.

Por Ricardo RosseBABA
No dia 24 de maio e nos posteriores, uma notícia envolvendo dois astros da rede globo de televisão, tomou conta dos noticiários: Um acidente de avião envolvendo Luciano Huck, Angélica, Joaquim, Benício e Eva(filhos do casal), o piloto Osmar Frattini, o copiloto José Flávio de Souza, e duas Babás. A comoção e preocupação pelo estado de saúde do casal famoso e de seus filhos, tomou conta dos veículos de comunicação.
Um fato que chama atenção nas inúmeras matérias veiculadas sobre o caso, foi o equívoco da imprensa em sequer citar o nome das babas que estavam presentes no acidente. Na matéria veiculada pelo jornal O GLOBO, todas as pessoas envolvidas no caso incluindo ainda o piloto Osmar Frattini e o copiloto José Flávio de Souza foram citados, com exceção de Francisca Mesquita e Marcileia Garcia referidas no jornal apenas como “duas babás”. A única menção às babás foi ao fato de uma delas ter machucado a pequena Eva, apertando-a demais.
Outro fato que só chegou ao conhecimento popular graças à internet, foi o atendimento VIP prestado ao casal famoso e seus filhos na Santa Casa de Campo Grande. Segundo Eduardo Cury, coordenador do Samu, o hospital está deixando de receber pacientes alegando falta de vagas.
A fama nesse caso, mostra a diferença de tratamento, tanto do hospital, quanto da imprensa. As profissionais apenas referidas como duas babás, não terem seus nomes citados, colocam-as num espiral de silencio quando temos um casal de famosos envolvidos no acidente. Já o fato de o hospital providenciar uma vaga para um casal famoso, talvez até colocou em risco a vida de outras pessoas, porém diante do acidente seria uma notícia pouco atrativa nos meios de comunicação.

FONTE: http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/05/globo-babas-de-huck-e-angelica-nao-tem-nome/

A crucificação da compreensão

Por Adriano Andolpho Silva

Jesus Cristo foi crucificado há mais de 2.000 anos. Suas lições de generosidade e amor ao próximo vão muito além da compreensão humana. É muito comum ouvir e ler pregações de que “Jesus Cristo morreu crucificado por nós”. O Messias, assim, tomava para si os próprios pecados da humanidade. No último domingo, durante edição da Parada LGBT em São Paulo, a atriz Viviany Beleboni, usando apenas uma coroa de espinhos e pano na altura dos quadris, fez uma performance como se estivesse ensanguentada e presa a uma cruz sob uma placa com os dizeres “Basta homofobia GLBT”.

Foto da polêmica performance: críticas de líderes religiosos

Foto da polêmica performance: críticas de líderes religiosos

Uma onda de protestos surgiu. O lateral Léo Moura, ex-jogador do Flamengo e evangélico, postou em uma rede social uma mensagem de indignação com a foto. “Que tristeza ver essa imagem! O que Jesus tem com isso? Quanto deboche! Quanta falta de respeito, meu Deus!”, escreveu o atleta.

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, emitiu nota sobre o episódio. “Entendo que quem sofre se sente como Jesus na cruz. Mas é preciso cuidar para não banalizar ou usar de maneira irreverente símbolos religiosos, em respeito à sensibilidade religiosa das pessoas”, disse ele. “Se queremos respeito, devemos respeitar.”

Depois foi a vez do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), em vídeo no facebook: “Cadê os líderes de denominações evangélicas, principalmente do Estado de São Paulo? Cadê os líderes da Igreja Católica? Eles feriram a minha fé, a sua fé”, acusou. “Até quando vocês vão assistir de camarote?”, perguntou em outro trecho do vídeo. O pastor pediu que advogados e juristas ajudem em uma ação coletiva nacional contra o uso de símbolos religiosos. “Pegaram símbolos da minha fé, que é a fé cristã.”

Feliciano:

Feliciano: “Eles feriram a minha fé, a sua fé”

Feliciano defendeu ainda que sejam processadas as marcas que apoiam “marchas gays”, como a de São Paulo. Ele citou duas estatais, a Petrobras e a Caixa Econômica Federal, que patrocinaram a festa paulistana. Dias antes da Parada LGBT de São Paulo, outro líder religioso, Silas Malafaia, propôs o boicote aos produtos de “O Boticário” porque a marca usou em um de seus anúncios dois casais gays.

Viviany Beleboni se defendeu das críticas em sua conta do Facebook, sugerindo que o objetivo não foi ofender a nenhuma religião. De acordo com ela, a representação fazia referência a todas as mortes e agressões sofridas pela comunidade gay.

E é incompreensível que não entendam esta representação. Esta, apenas. Das charges e literaturas anticlericais do século XVIII à capa da revista Placar com o jogador Neymar crucificado, passando pelo “Evangelho segundo Jesus Cristo”, de José Saramago, pelo filme “A última tentação de Cristo”, de Martin Scorsese, e pelo Cristo negro do videoclipe de “Like a prayer”, de Madonna, a produção cultural se apropria da iconografia e narrativas cristãs para mostrar o quanto as igrejas, ao longo desses séculos, comportam-se de maneira paradoxal. Não é segredo que a Igreja Católica empreendeu um morticínio ao longo dos séculos, teve participação direta na disseminação do antissemitismo, na escravidão de negros africanos e no envolvimento de membros em exploração sexual de crianças e adolescentes. Nota: o papa Francisco vem reconhecendo estes “deslizes”.

Quanto a alguns líderes evangélicos, estranha a incompreensão, ou se preferirmos analisar sob outra ótica, o “preconceito seletivo”. Decidiram boicotar “O Boticário” por causa de uma campanha em favor da diversidade de relações afetivas, mas silenciaram em relação às empresas acusadas de manterem trabalhadores em situação análoga à escravidão e de crimes ambientais. Os “patrulheiros seletivos” estão de plantão. São incapazes de analisar, ouvir, compreender. Para eles existe apenas um lado. Parece que não tem os seus pecados – porque são sempre os primeiros a atirar as pedras.

Um dos grandes males de nossa sociedade é a falta de tolerância. O filósofo Edgar Morin, expõe uma idéia interessante: “A tolerância supõe sofrimento, ao suportar a expressão de idéias negativas ou, segundo nossa opinião, nefastas, e a vontade de assumir este sofrimento. (…) A tolerância vale, com certeza, para as idéias, não para os insultos, agressões ou atos homicidas”.

Fontes:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/63,65,63,12/2015/06/09/internas_polbraeco,485934/atriz-crucificada-na-parada-gay-diz-que-nao-quis-afrontar-religiosos.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1639631-atriz-que-encenou-crucificacao-na-parada-gay-recebe-ameacas.shtml

http://www.hojeemdia.com.br/almanaque/imagem-de-transexual-crucificada-na-parada-gay-de-sp-gera-polemica-nas-redes-sociais-1.323684

MORIN, Edgar. “Ensinar a compreensão”. In: Os sete saberes necessários à educação do futuro..., p. 93-146.

Abra espaço para a INTERNET.

Por Ricardo Rosse

O desenvolvimento desenfreado de novas tecnologias, coloca à nossa frente os mais diferentes tipos de aparelho. O surgimento de novos produtos passa a dividir espaço com os já existentes. Trazer a ideia de que uma nova mídia põe fim à outra , já foi provado ao longo dos anos ser uma grande bobagem. O surgimento da televisão, não acabou com o rádio; a internet tampouco foi o fim da televisão e novas tecnologias não vão tirar de cena tão cedo essas 3 mídias tão importantes.

A implantação de novas tecnologias, dividem espaço com as já existentes. Por mais que o rádio e a televisão permaneçam fortes após a chegada da internet, o cenário foi alterado e a rede mundial interfere diretamente nos índices de audiência no decorrer dos anos. Trazendo um número infinitamente maior de possibilidades, a internet passa a ser uma tecnologia utilizada para as mais diversas atividades como trabalho, estudo, entretenimento etc.

A Televisão e o Rádio continuam presentes na sociedade e a expansão da internet traz consequências diretas as emissoras que cada vez mais procuram o usuário da internet . Segundo pesquisa da E-life, a televisão é o principal motivo de Tweets. Interações ao vivo, conteúdos disponíveis online, e até mudanças de formato são estratégias que as emissoras estão adotando para não ficarem para trás nessa onda de expansão da internet que está só começando.

FONTE:http://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2013/04/televisao-e-internet-estao-cada-vez-mais-misturadas.html