Categoria: KANE/1SEM14

Idosos na rede

Outro dia recebi um pedido inusitado, depois de me adicionar no Facebook, Intagram e Twitter, minha avó de 85 anos me pediu para segui-la no Linkedin. Achei graça, afinal desde que me conheço por gente a querida Vó Paulina já não trabalha mais. Ela é telefonista aposentada. Talvez por ter sido telefonista ela tem extrema habilidade com equipamentos eletrônicos, bem mais que minha mãe. Quando ganhou um Ipad ficou desconfiada. Primeiro rejeitou o presente, mas com o tempo foi experimentando e ficou. Daí para as redes sociais foi um pulo. Foi uma forma que ela descobriu de passar o tempo, rever a família, acompanhar o crescimento dos bisnetos e espantar a solidão. Deferente de muitos jovens ela usa todas as ferramentas de forma inteligente. Não fica espalhando boatos, curte e compartilha notícias de interesse da família, faz cometários pertinentes e carinhosos. Um exemplo.
Já pensava sobre a maneira com que ela lida com tecnologias quando me deparei com a notícia: “Idosos são o grupo que mais cresce no Facebook”. A reportagem mostra um estudo do Centro de Pesquisas Pew que constatou que em 2013, os maiores de 65 anos foram o grupo que mais cresceu na maioria das redes sociais nos Estados Unidos, incluindo Facebook e Twitter, aumento que
contrasta com uma leve diminuição no número de usuários mais jovens. A matéria aborda que este fenômeno pode ser um sinal de alerta para as empresas que investem apenas em publicidade e conteúdo para os mais jovens. Para mim é mais do que isso: um alívio saber que a sabedoria e experiência podem também nos alcançar no universo on line.

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Violência ou mimimi?

No dia 19 de junho de 2014 o Movimento Passe Livre organizou uma manifestação para comemorar um ano da conquista da redução das tarifas do transporte público em São Paulo. A manifestação começou na avenida Paulista e no caminho, adeptos da tática black bloc promoveram a destruição de lojas de carros, bancos e depredaram um carro de reportagem da TV Gazeta. Na mesma noite representantes da Polícia Militar convocaram uma coletiva de imprensa para dizer que a PM foi “traída” pelo MPL, que solicitou a redução do efetivo se comprometendo a garantir a segurança do evento. Alguns críticos da atuação da polícia acusam a corporação de só saber agir de duas maneiras em manifestações populares, ou desce bomba ou fica de mimimi. O MPL diz que as acusações são uma tentativa de criminalizar os movimentos.

Leia a versão da Polícia na reportagem do Jornal O Estado de São Paulo:

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,demos-voto-de-confianca-e-fomos-traidos-diz-pm-imp-,1515061

Nota Oficial do MPL-SP sobre o ato “Não vai ter tarifa” de 19.06
Faz um ano que a população conquistou a revogação dos aumentos da tarifa. Essa vitoria só foi possível com muita luta nas ruas. Seguimos ocupando a cidade que é de todos, resistindo contra os poucos que querem fazer dela um negócio lucrativo. Realizamos um ato que tinha como objetivo a comemoração dessa vitoria popular no dia 19 de junho do ano passado. Por sermos um movimento social que luta por um transporte publico de verdade, para nós a revogação do aumento nunca bastou, por isso, essa manifestação era também uma luta pela tarifa zero. Fizemos uma grande festa popular em uma das principais vias da cidade, voltada para carros.
Com antecedência, anunciamos publicamente toda a proposta para o ato. Foi essa proposta que seguimos. Os manifestantes chegaram em segurança na Marginal Pinheiros, lá ocorreram diversões juninas, leitura de poesia, jogos de futebol, apresentações musicais e teatrais. Fizemos uma festa popular contrapondo-se ao espetáculo elitista da FIFA, com suas remoções forçadas e territórios de exceção. Mostramos a radicalidade da ocupação do espaço urbano.
A Polícia Militar de SP, acostumada a reprimir os manifestantes, agora se diz “traída” pelo Movimento Passe Livre. Diante disso é preciso fazer alguns esclarecimentos. O que manifestamos por escrito à Secretaria de Segurança Pública foi nossa preocupação com a presença ostensiva da polícia, tendo em vista as provocações e confrontos com manifestantes que ela sempre desencadeia. Isso não significa que a polícia não estivesse presente no ato. Tanto que ela se fez presente, com as ameaças, as provocações, os policiais a paisana e a repressão de sempre.
Entendemos a revolta da população com a constante repressão da polícia, dentro e fora das manifestações. Entendemos também que as pessoas tem direito de preservar a sua identidade, utilizando máscaras, para evitar a perseguição por parte do Estado, como vem ocorrendo com todas as pessoas que tem se manifestado. Além disso, sabemos que historicamente os quebra-quebras fizeram parte das lutas populares. Não cabe a nos legitimar ou deslegitimar essas ações, no entanto elas nunca estiveram entre os objetivos do ato do dia 19.
É lamentável a postura do secretário de segurança pública, Fernando Grella, de utilizar o ocorrido para voltar a criminalizar diretamente o MPL, tentando retomar um inquérito ilegal, indo novamente até a casa de militantes e intimidando seus familiares.
Não importa o quanto nos ataquem ou procurem desviar o foco, seguiremos na rua lutando por um transporte público de verdade, para os de baixo.

Por uma vida sem catracas!
Movimento Passe Livre – São Paulo
21.06.2014

A verdade é dura…

Em março deste ano a mídia brasileira passou a relembrar o Golpe de 1964. Eram matérias sobre os 50 anos que se passaram desde que as tropas do Exército foram às ruas para derrubar o governo do presidente João Goulart dando início ao período da Ditadura Militar no Brasil. Foram trabalho de pesquisa e fotografia muito bem elaborados, mas poucos analisaram a fundo como a própria imprensa, a grande imprensa se portou na época. Como parte do seminário da disciplina, o grupo Cidadão Kane entrevistou o jornalista Audálio Dantas. Em 1975 Audálio assumiu a presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (Sjsp). No dia 29 de outubro daquele ano, o órgão denunciou as omissões do caso da morte do jornalista Vladimir Herzog, sem temer pelas repercussões. Foi um marco importante no processo de redemocratização do País.
Audálio Dantas é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros, ganhador do prêmio intelectual do ano – troféu Juca Pato e o Prêmio Jabuti com seu mais recente livro, “As Duas Guerras de Vlado”.
Ele fez uma avaliação do comportamento da imprensa durante o Golpe e o regime e falou sobre as “desculpas” dadas por esses órgãos hoje.

Perguntas e respostas

Por Celso Cardoso

As obras de Adorno e Horkheimer há quase 70 anos nos pautam na discussão do poder dos meios de comunicação na sociedade contemporânea. A ação dos grandes conglomerados a serviço do capitalismo e a ação da mídia como a mais poderosa instituição social nos geram perguntas na mesma proporção que respostas.

Pelo que já escrevemos ou lemos neste espaço, por tudo que já foi discutido, não há dúvidas quanto ao fascínio que esse poder exerce sobre quem o tem. Exemplos de ações que objetivaram ditar comportamentos, rumos políticos ou usar a mensagem de acordo com interesses escusos estão aí cravados na história. Lá vem a imagem das Organizações Globo à mente novamente. Inevitável.  São vários os interesses políticos e econômicos. Um caminho sem volta que sustenta o sistema e sujeito a ação equivocada, do ponto de vista ético, pelos donos do “poder”.

Falando em política, as próximas eleições repetem o mesmo quadro dos últimos anos. Partidos vendem suas ideologias por minutos a mais no programa eleitoral gratuito. Fazem as mais inusitadas e esdrúxulas parcerias, enquanto marqueteiros ganham seus milhões de Reais pra montar uma imagem limpa e promissora de candidatos que nem sempre são o que procuram demonstrar. Mas será que este modelo ainda funciona? Ainda é possível influenciar a opinião pública de maneira tão contundente e decisiva a partir de imagens espetaculares criadas no estúdio e pelo marketing?

Definitivamente nem tudo é o que parece ser.

A aceleração da informação e o papel dos grupos midiáticos

por Renata Gomes de Castro

Partindo do pressuposto de que a internet passou a ditar uma nova ordem para a massificação da informação, diante da queda de público das mídias tradicionais, é possível afirmar que a informação na esfera digital continua em mãos dos grandes veículos tradicionais.

Como Ignacio Ramonet defende na obra Mídia, Poder e Contrapoder, “os conglomerados midiáticos são grandes atores do mercado e, ao mesmo tempo, sua missão é difundir ideologias disfarçadas de informação”.

Ainda que a mídia alternativa esteja crescendo e a aceleração da informação seja incontrolável, as grandes mídias têm seu espaço no mundo virtual, no intuito de manterem um direcionamento e pautar a opinião do leitor no espaço digital, em defesa de sua visão política ou de mercado, no espaço onde o cidadão é bombardeado com variadas opções.

O risco para esses grupos é que a aceleração da informação os torna mais suscetíveis às próprias diretrizes adotadas, porquanto podem ser questionados e desprezados com um simples comentário ou compartilhamento que as redes sociais nos permitem fazer imediatamente.

As mídias tradicionais e a internet

Por Renata Gomes de Castro

As redes sociais, inicialmente utilizadas como meio de interação entre pessoas pautam, a cada dia, o modo de pensar e de se informar dos internautas. Páginas do Facebook figuram como vitrines para que os seus usuários se inteirem do que ocorre no mundo sobre variados assuntos.

A oferta de canais de informação na internet pode gerar mais conhecimento, desde que pautada em pesquisa e apuração, a fim de que seja mantida a qualidade da informação.

Diante desse cenário, as denominadas mídias tradicionais, que se dividem em impressas e televisivas, tentam cumprir o seu papel nas redes sociais através de suas páginas digitais.

Sob essa perspectiva, é possível assegurar que os grandes veículos midiáticos buscaram o seu espaço na internet, a fim de manter o público ávido por mais informação e acostumado à era digital, somado ao impacto experimentado pelos reis da informação com o crescimento do jornalismo na internet.

Importa ressaltar que as páginas desses veículos nas redes sociais cumprem o seu papel, na medida em que tais veículos são mais acessados do que os meios alternativos que debutaram na internet, comprovando que a mídia tradicional ainda pauta a opinião do cidadão, mas que não deve ficar restrita ao ambiente que a consagrou.

Cidadão Kane brasileiro

O cidadão Kane brasileiro

Por Celso Cardoso

Impossível resistir à tentação de associar Roberto Marinho, o responsável pela construção do império “global”, à personagem principal do filme de Orson Wells, o famoso “Cidadão Kane”.

A comparação é comum, especialmente entre os críticos do grupo de comunicação mais influente da mídia brasileira. As críticas começam a partir da concessão pública tendo como contrapartida o apoio à ditadura militar e, consequentemente, passam pelas coberturas de fatos jornalísticos em acordo com os interesses dos donos do poder afim de influenciar a opinião pública, assim como fazia Kane no filme.

O movimento das Diretas Já em 1984, por exemplo, clamando por eleições democráticas no país, reuniu milhares de pessoas num evento em São Paulo, mas foi tratado pelos telejornais da emissora como uma festa de comemoração do aniversário da cidade. Sem falar na longa briga da rede de televisão com Lionel Brizola, então governador do Rio de Janeiro, ou na edição do famoso debate final entre Lula e Collor em 1989.

A fama de Roberto Marinho à frente das organizações Globo se tornou famosa fora do país e inspirou a criação do documentário “Beyond Citzen Kane” (Muito além de Cidadão Kane), de Simon Hartog, exibido em 1993 por uma emissora pública do Reino Unido. Nele são retratadas relações de mídia e poder tendo como protagonista o fundador da Rede Globo.  A exibição no Brasil chegou a ser proibida pela Justiça.  Abaixo segue o documentário na integra postado no Youtube.