Categoria: José Rodinei Fernandes

A ideia de consumir e viver com menos.

 

menos-e-mais

Trabalhar menos, ganhar suficiente, consumir pouco e viver mais tem sido difundido por vários movimentos que dependendo do foco principal coloca maior peso em um dos verbos, gerando novos conceitos e hábitos de vida. Porém todos têm de certa maneira um hábito em comum: o menor consumo.

Abaixo listo alguns destes movimentos e seus conceitos que mesmo ainda embrionários demonstram um passo na direção contrária ao modelo do “consumo irracional”.

O movimento “lowmerism” pode ser resumido em: reutilizar, reciclar, reaproveitar, customizar. Como dicas de hábitos saudáveis colocam: Não fique ligado a novidades , compre o necessário e não mais por impulso, reforme o que já tem, compre com qualidade, compre apenas quando precisar. Para mais detalhes vale o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=jk5gLBIhJtA

Sob o conceito de que a liberdade esta em viver em diferentes cantos do planeta, experimentando e vivenciando a cultura local e só produzir o suficiente é  representado pelo grupo Nômades Digitais. Estes defendem um caminho que podemos resumir em: Menos bagagem e pouca posse, não estressar com posses e contas, mais economia e dinheiro extra (sempre vendendo o que se torna desnecessário), valorizar a experiência, ter consciência de sustentabilidade, facilitar a organização (pois terá pouca coisa a ser organizada) e aproveitar o maior tempo para si.

http://nomadesdigitais.com/sobre/

Outro conceito é o Minimalista. Definido como algo ou alguém adepto daquilo que é simples e elementar, considerado um estilo de vida para indivíduos que buscam o mínimo possível de meios e recursos para viver. Resumindo “seus  hábitos” podemos listar: acabar com dívidas, diminuir radicalmente as idas a shopping e abrir mão de absolutamente tudo o que não tem utilidades.

http://www.theminimalists.com/minimalism/

O novo conceito de “independência financeira”, atualmente defendido até em revistas sobre investimentos, deixa de ser algo para quem tem muito dinheiro e passa a ser um modelo que se adapta a todos que a desejarem. Sua definição é ter renda suficiente para cobrir as despesas sem ter que trabalhar em tempo integral nos liberando para realmente desfrutar da vida. Descrevem como os 7 hábitos para esta conquista: Evite dívidas, ignore o vizinho (não compre para disputar com os outros), gaste menos do que você ganha, pague-se primeiro, compre ativos que geram renda, continue investindo, seja flexível e viva de acordo com sua situação financeira. Apesar de parecer um modelo simples este tem muitos adeptos com perfis jovens, empreendedores e atualizados em conhecimentos financeiros.

http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/planeje-suas-financas/noticia/3549556/estagios-tao-sonhada-independencia-financeira

http://blog.guiainvest.com.br/educacao-financeira/conquistar-independencia-financeira/

As referencias listadas são apenas para ilustrar e aguçar uma busca mais detalhada sobre cada modelo. Cada um pode desdobrar em várias vertentes e descobertas interessantes.

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1, 2, 3 graus para definir o novo formato de consumo

O principal motivo que conduziu a história pelos diferentes modelos econômicos partindo da subsistência, passando pelos  asiático, feudal, mercantil, capitalista industrial, comunismo marxista, capitalista financeiro e capitalista mercadológico não deverá ser o principal que nos levará a um novo modelo.  Acredito que o motivo será, se natural ou artificial, a mudança climática. Tudo indica que o consumo desenfreado é parte do problema por isso os consumidores deverão ser parte da solução e consequentemente as empresas. Porém não tenho certeza se isto ocorrerá por questão de consciência ou necessidade.

Por enquanto apenas três em cada dez brasileiros são considerados consumidores conscientes, aquele que antes da compra se preocupa com fatores financeiros e sócio ambientais. Esta pesquisa foi realizada pelo segundo ano consecutivo pela SPC Brasil. Mesmo com uma metodologia pouco acadêmica esta pesquisa talvez demonstre o que vemos em nosso dia a dia e comportamento. Ainda temos muito que avançar na questão consumo consciente.

Se a necessidade vai vir a ser o fator de mudança ainda não sabemos mas já começa a ser esboçada. No primeiro estudo sobre o ”Valor em Risco pelo clima”  realizado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças do Climas e do Ambiente na London School of Economics and Political Science é demonstrado que uma média de US$ 2,5 trilhões, ou 1,8% dos ativos financeiros do mundo estarão sujeitos aos riscos das mudanças climáticas. Esse número pode ser maior e chegar a US$ 24 trilhões, ou 16,9% dos ativos financeiros globais. O “famoso” professor Dietz, coordenador do estudo, comentou:“Isto significa que os investidores que não se importam com riscos (ao investir) optarão pela redução das emissões e os investidores avessos ao risco estarão ainda mais ansiosos para fazê-lo”.

Não importa o caminho pois o tempo da mudança climática já esta ocorrendo. Não sabemos se o acordo da COPI-21 será capaz de segurar o aquecimento abaixo de 2ºC, mas sabemos que já neste patamar ou acima disto muita coisa irá mudar no planeta. Com certeza o formato do consumo atual deverá sofrer alterações e com ele o modelo econômico que o motiva.aquecimento

https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/pesquisas/filtro/ano/2016/mes/7