Categoria: Jade Campos Drummond

Egito bloqueia 21 sites de notícias no país

Na última semana, o Egito bloqueou 21 sites de notícias no país com a alegação de se tratarem de portais que disseminam notícias falsas ou promovem o terrorismo. Entre os sites, está o famoso portal Al Jazeera, que possui base no Qatar. De acordo com a agência de notícias britânica Reuters, Cairo acusa o Qatar de apoiar a Irmandade Muçulmana, que foi retirada do poder no Egito durante a Primavera Árabe.

Em meio à um governo ditatorial, ações como esta trazem mais preocupação à mídia local, que vê no bloqueio uma clara tentativa de censura. Jornalistas do portal egípcio Mada Masr passaram a publicar matérias no Facebook, que permanece acessível por ser um site estrangeiro. À agência Reuters, a editora-chefe do Mada Mars disse: “Nada justifica esse bloqueio mais do que uma intenção muito clara das autoridades em reprimir as mídias críticas de maneiras que ignoram a lei”.

De acordo com o jornal Egyptian Streets, após cinco dias da medida que baniu os 21 sites no país, alguns portais egípcios voltaram a funcionar, como o Mada Masr e Daily News Egypt. Entretanto, alguns usuários ainda relatam ter dificuldade em acessar os conteúdos.

Anúncios

Jout Jout Prazer e o mínimo que deveria ser esperado dos homens

Em um dos seus vídeos, a youtuber Jout Jout Prazer trouxe à tona um comportamento feminino comum desencadeado pela quantidade de experiências ruins enfrentadas pelas mulheres ao se relacionarem com os homens hoje em dia: tratar o mínimo como diferencial. Para exemplificar o seu raciocínio, ela cita duas histórias em que os homens trataram a mulher em questão bem e com respeito e foram vangloriados por este simples fato, que já deveria ser esperado por qualquer ser humano com quem nos relacionamos.

Com uma pegada de humor comum em seus vídeos, ela cita diversas características que podem são consideradas diferenciais ao conhecer uma pessoas – e que não são básicas como respeitar o outro -, por exemplo, gostar de pizza de aliche, dançar salsa, ter um olho de cada cor, usar um monóculo, ter decorado todas as falas do filme Senhor dos Anéis, ter 36 irmãos, etc.   

Não foi a primeira vez que a Jout Jout tratou de temas femininos, com foco em empoderamento da mulher, no seu canal. Ela, hoje com mais de 1 milhão de seguidores no Youtube, tem o poder de alcançar diversas mulheres que talvez não abririam os olhos para algumas situações preocupantes do nosso dia-a-dia sem alguma intervenção. E com uma linguagem simples, o humor e normalmente de forma bastante didática, a Jout Jout consegue ser realmente ouvida por público cada vez maior.

 

Um olhar atento às histórias individuais

O fotógrafo e jornalista americano Brandon Stanton criou, em 2010, o projeto Humans of New York. A ideia era fotografar 10.000 nova iorquinos nas ruas e criar um catálogo dos habitantes da cidade. A partir de certo ponto, ele passou a entrevistar essas pessoas e colocar algumas citações delas junto das fotografias publicadas no blog do projeto. Assim, Humans of New York se desenvolveu rapidamente, desencadeou a publicação de dois livros e hoje possui mais de 20 milhões de seguidores nas mídias sociais.

Mas… o que esse projeto tem de diferente? Basta entrar rapidamente na página do Facebook do projeto para se encantar com o trabalho realizado pelo fotógrafo. Ele compartilha relatos extremamentes pessoais de seres humanos ordinários, pessoas completamente comuns que ele encontra pelas cidades, acompanhados de imagens sinceras. Algumas vezes são histórias fortes e traumáticas, e outras são relatos curtos e adoravelmente leves. É curioso imaginar como o Brandon consegue fazer com que estranhos se sintam confortáveis em compartilhar detalhes tão íntimos das próprias vidas e admirável perceber a sensibilidade que o fotógrafo possui em repassá-los ao público. E a delicadeza com que ele compartilha a vida dessas pessoas se reflete diretamente na reação do público que segue o conteúdo nas mídias sociais, que, diferentemente do discurso de ódio já comum nas redes, demonstra um senso de empatia tão grande que chega a nos fazer ter mais esperança no futuro da nossa sociedade.   

 

Como os jornalistas dos Documentos do Panamá desvendaram o maior vazamento da história

Em palestra à comunidade TED, Gerard Ryle contou sobre o processo de apuração e pesquisa desencadeados pelo vazamento dos Documentos do Panamá e como eles conseguiram criar uma rede de jornalistas para desvendar as informações recebidas de forma eficaz. Em 2015, um anônimo (auto-denominado John Doe) entregou a cópia de quase 40 anos de registros do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca – especializado na criação de contas em paraísos fiscais – a dois jornalistas do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Eram 11,5 milhões de documentos, contendo os segredos de pessoas de mais de 200 países diferentes.

Por causa do volume de informações, os jornalistas procuraram a organização de Gerard, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, e eles decidiram fazer exatamente o oposto de tudo o que haviam aprendido como jornalistas investigativos: compartilhar. Ao todo, participaram do processo de apuração repórteres de mais de 100 organizações de mídia em 76 países, com o objetivo de buscar “Olhos nativos em nomes nativos”. Como os documentos envolviam nomes de diversos locais do globo, os jornalistas conseguiam identificar de forma mais rápida as pessoas importantes do seu local de origem. Haviam apenas duas regras para os que foram convidados: todos concordaram em compartilhar tudo que encontraram com os demais e em publicar em conjunto, no mesmo dia.

Foram meses de trabalho, envolvendo mais de 350 repórteres de 25 grupos de idiomas diferentes. Eles criaram uma redação virtual segura, com um buscador especialmente projetado para a situação, no qual era possível conectar os assuntos e se reunir em torno de um mesmo tema. Manter o segredo era essencial para o trabalho bem apurado e eles auxiliavam uns aos outros nos momentos de estresse, a cada descoberta nova durante a pesquisa nos documentos. “O maior vazamento de informação da história tinha gerado agora a maior colaboração jornalística da história”, diz Gerard. E em 3 de abril de 2016, exatamente às 20h no horário alemão, eles publicaram simultaneamente em 76 países as reportagens produzidas e que desencadearam grande repercussão mundial.

Três formas de consertar a indústria quebrada de notícias

Em janeiro deste ano, a jornalista americana Lara Setrakian realizou uma palestra para a comunidade TED e propôs três maneiras de consertar a mídia atual, que ela acredita estar quebrada por não noticiar histórias que fazem jus à complexidade da sociedade. Lara foi correspondente internacional no Oriente Médio pela ABC, mas largou o trabalho na TV para começar um website chamado “Syria Deeply”, concebido para ser uma fonte de notícias e informações que tornasse mais fácil a compreensão do conflito na Síria. Ela ajudou a construir um modelo de negócio baseado em informações consistentes e de alta qualidade, convocando as melhores mentes no assunto e se tornando um recurso de referência para políticos e profissionais ligados à situação.

Lara cita três pontos principais para gerar uma mudança no contexto midiático e melhorar a produção jornalística:

  1. “Precisamos de notícias construídas sob conhecimento especializado”.

Ou seja, é necessário utilizar o conhecimento específico de cada jornalista, que traz um olhar diferenciado por estar dentro do nicho do assunto pautado. Por exemplo, quando se fala de notícias estrangeiras, uma colaboração com jornalistas locais pode te dar um conteúdo muito mais preciso e inusitado do que se um estrangeiro estivesse em busca de uma história em um local que não conhece.

  1. “Precisamos de um tipo de Juramento de Hipócrates na indústria jornalística, um juramento de não causar mal”.

Ela afirma que os jornalistas precisam expor a verdade, mas também precisam ser responsáveis. É preciso cumprir os próprios ideais e reconhecer quando o que fazem pode potencialmente prejudicar a sociedade, quando perdem a noção de jornalismo como um serviço público.

  1. “Precisamos adotar a complexidade se quisermos entender um mundo complexo”.

Para Lara, é importante não tratar o mundo de forma simplista, porque simples não é exato. Ela defende, então, a importância de aprofundar na complexidade da sociedade e dos fatos e encontrar novas formas para facilitar a compreensão dessas informações.

As “fake news” não são de hoje

Os historiadores temos esse hábito irritante de dizer ao mundo que o que as pessoas veem hoje como novidade sempre existiram….”

Assim começa a entrevista do historiador americano Robert Darnton ao jornal Folha de São Paulo, publicada em fevereiro deste ano. Darnton é um estudioso da França do século XVIII, mas relata que as fake news, ou notícias falsas, existem desde o século VI. Ele conta que Procópio, um famoso historiador bizantino que escreveu a história do império de Justiniano, também escreveu um texto secreto, chamado “Anekdota”, no qual espalhou notícias falsas que arruinaram a reputação do imperador Justiniano e outros.

Já no século XVI, o jornalista Pietro Aretino (1492-1556) era conhecido por escrever notícias falsas em formato poemas curtos e os grudar em uma estátua de Roma. De acordo com Darnton, ele difamava os cardeais candidatos a virar papa e as suas “fake news” se tornaram tão famosas, que ele passou a chantagear figuras públicas que não queria ser alvo das suas histórias.

E, ao pensar no século XVIII, foco de estudo do historiador, Darnton lembra dos chamados “homem-parágrafo”, de Londres, que recolhiam fofocas e as redigiam em um único parágrafo e vendiam para impressores/editores, que as imprimia em forma de pequenas reportagens muitas vezes difamatórias.

Cidadão Kane

No filme Cidadão Kane (1941), a confirmação dos fatos também não parece ser o principal motivador das manchetes publicadas no jornal The Inquirer. Logo que assume a direção do jornal, o personagem principal Kane deixa claro que tem como foco o que as pessoas querem ler, mas não necessariamente os fatos exatos e apurados de forma precisa. Fake news?

Sensacionalista: isento de verdade

Significado de Sensacionalismo

substantivo masculino
1. Interesse da imprensa em buscar assuntos que provocam escândalos ou chocam a sociedade, geralmente de teor falso; a publicação desses assuntos: houve sensacionalismo da mídia na apuração das eleições.
2. Característica de sensacional, extraordinário, espetacular.
3. [Filosofia] Fundamento ou teoria cujas ideias são provenientes, exclusivamente, das sensações ou das percepções sensoriais.
Etimologia (origem da palavra sensacionalismo): sensacional + ismo.
Fonte: www.dicio.com.br

Difícil é achar alguém que não saiba o significado da palavra “Sensacionalismo”. Muito presente no filme Cidadão Kane (1941), a prática é tão comum na mídia que desencadeou na criação de um site feito inteiramente de notícias falsas e títulos exagerados: o Sensacionalista. O site de humor com notícias fictícias foi lançado em 2009 e possui diversos leitores fiéis, que leem, compartilham e interagem com os perfis do portal nas mídias sociais. No início, existiam alguns relatos de confusão e estranhamento, vindos de pessoas que acreditavam ser reais as matérias de título e conteúdo absurdos.

Mas, com o tempo, a marca ganhou cada vez mais visibilidade e foram surgindo outros portais similares, com conteúdos mais locais, que faziam piadas em formato de notícias falaciosas voltadas para o público de uma região específica, como é o caso do portal O Parcial de Vitória-ES.