Categoria: Felipe Paz Silveira

Chaplin ousado

maxresdefault

Felipe Paz

Em 1940, Charlie Chaplin lançava “O grande ditador”, filme que satiriza o nazismo, o fascismo e seus maiores propagadores, Hitler e Mussolini. O roteiro ousado, cômico e com forte crítica social fez da obra um clássico, ainda mais por ter sido o primeiro filme inteiramente falado e produzido por Chaplin. O cineasta tenta, nos primeiros minutos, passar a ideia de que a crítica era mera coincidência, mas não deu para disfarçar.

O filme faz das cenas de tensão da Segunda Guerra Mundial momentos cômicos e licenciados pela peculiaridade da comédia. A criatividade de Chaplin é exemplificada na caricatura de dois personagens que moldam o enredo. O autor banaliza o que representava a seriedade de uma guerra e critica a má utilização dos poderes bélicos.

Chaplin ousa em um contexto em que as artes pisavam em ovos e faziam das obras peças apenas de entretenimento. Mais um filme atemporal, deslocado de seu tempo. Uma trama visionária que retrata o totalitarismo, assim como “1984”, de George Orwell, discutido neste curso.

Anúncios

A escola mediadora

educacao_escola_sala_de_aula_be_01

Felipe Paz

Há décadas a violência é um dos sérios e grandes problemas da sociedade brasileira. Pesquisadores e o senso comum acreditam que a educação é a base para um ambiente mais justo e sem tantos transtornos. Em 2004, Edgar Morin apresentou sete eixos para a educação do futuro. “Ensinar a compreensão” é um dos caminhos apontados pelo autor.

Educar para a compreensão humana, segundo Morin, seria colocar-se no lugar do outro e não desejar para o outro o que não se desejaria para si mesmo. A proposta é fazer dos espaços escolares ambientes onde a solidariedade e a generosidade prevaleçam. A escola não é a única responsável pela violência, mas ela pode ter um papel de fato mais incisivo.

A escola pode ser o meio do caminho entre a família e a sociedade. Ela pode ser uma mina de repertório para o indivíduo. Digo na condicional porque, claro, depende do interesse de cada um. A escola deve fomentar o amor. E, quando houver conflito interno, fazer disso uma oportunidade de debate e formação. Como um reflexo da família e um espelho da sociedade. A escola como uma mediadora.

O cão mordido

mi_1074439567944671

Felipe Paz

No jornalismo, muitas vezes nos deparamos com acontecimentos virando espetáculos. Tudo pela audiência e pelo dinheiro. Afinal, são as notícias mais inusitadas, trágicas e até bizarras que geram mais cliques, infelizmente. O filme “A montanha dos sete abutres”, lançado em 1951 por Billy Wilder, trabalha justamente com a questão ética da imprensa.

Com a frase “trabalho com grandes e pequenas notícias. E se não houver notícias vou à rua e mordo um cão”, o jornalista Charlie Tatum, interpretado por Kirk Douglas, exemplifica como a mídia sensacionalista influencia em compras de jornais e na sociedade. Na obra, o jornalista é visto como um construtor da verdade. Para a população, Tatum é uma estrela, um herói.

Para alavancar sua carreira e ganhar dinheiro, o personagem procura comportamentos antiéticos. Essa atitude é bem contemporânea. Hoje, muitos jornalistas buscam aparecer a qualquer custo. Plantam especulações falsas e colhem cliques. Ainda que depois sejam massacrados pela verdade. Ainda que seja preciso morder um cão para entrar nos mandamentos dos critérios de noticiabilidade. É colocar em xeque o maior bem de um jornalista: a credibilidade.

O tempo e a morte

tunel-proximo-morte

Felipe Paz

Reclamar e temer: um ciclo vicioso. Muitos de nós reclamamos do tempo. Ou da falta dele. Alegamos que não temos tempo para nada. Reclamamos que o tempo e a vida passam de pressa demais. Mesmo assim, somos capazes de contar os segundos do relógio a esperar por algo que nos agrade. Então, depende. É relativo o tal do tempo.

Já paramos para agradecer e comemorar que nossa vida passa?

Muitos também temem a morte. Evitamos a tal da morte. Sentimos medo de morrer e acabar tudo isso aqui. Não ter mais nada. Fim. Mesmo assim, somos corajosos em muitos momentos e transcendemos nossa própria vida. “Perigo de morte”, alertam algumas situações. E lá vamos nós “viver”.

Já paramos para encarar a morte, independentemente de nossa religião ou ateísmo, como um acontecimento de vida igual ao nascimento?

O tempo e a morte passam. E nós passamos por eles.

1984 x Admirável mundo novo

10livros2

Felipe Paz

Os livros “1984”, de George Orwell (1948), e “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley (1932), são duas das obras literárias com maior envolvimento político da história. Podemos dizer que ambas foram um esboço hipotético de uma sociedade futura e apresentam pontos de convergência, principalmente no que diz respeito ao controle e aos protagonistas.

Apesar de diferentes enredos, ambos os regimes apresentados pelos livros são ditatoriais, uma vez que tiram do indivíduo o poder de decisão, seja através do condicionamento explícito ou do implícito. Quanto aos protagonistas, o de “1984” parece familiarizado com a situação, enquanto o de “Admirável” se mostra um estranho.

As duas obras são muito atuais, mas é possível fazer um paralelo de contraste entre ambas. Por exemplo, na sociedade imaginada por Orwell, o temor era que nos privassem da informação. Já Huxley temia que a informação seria tanta que seríamos passivos e egoístas.

Os livros parecem se complementar. E nossa sociedade atual seria um pouco de cada um.

Conexões

emorin

Felipe Paz

Um dos sete saberes necessários à educação, apresentados por Edgar Morin, é a proposta de se construir um conhecimento pertinente, contrário à fragmentação. O autor coloca quatro pontos necessários para que esse conhecimento tenha pertinência ao indivíduo. São eles o contexto, o global, o multidimensional e o complexo. E a educação deve tornar esses aspectos evidentes.

Segundo Morin, é preciso situar as informações em um contexto para obter sentido. A palavra precisa do texto. A sociedade, por sua vez, representa o global. O multidimensional são as unidades complexas, como o ser humano ou a sociedade. Já o complexo é esse tecido que une a unidade e a multiplicidade.

Essas observações de Morin servem para orientar nossas escolas e enfatizar que o conhecimento que é transmitido aos alunos deve ser carregado dessas dimensões apresentadas pelo autor. Ele não pode estar solto. A contradição é que hoje o mercado sugere a especialização. Porém, nas formações acadêmicas, exatas, humanas e biológicas pouco se dialogam.

Saber de tudo é impossível, mas saber muito de uma coisa e não entender o contexto também gera uma limitação. Pascal dizia que “não se pode conhecer partes sem conhecer o todo, nem conhecer o todo sem conhecer partes”. A ideia é contextualizar e fazer conexões para se ter de fato a posse do conhecimento.

Estimular ideias

Menina-ideias_Shutterstock_230868757-750x500

Felipe Paz

No livro “A publicidade é um cadáver que nos sorri”, Oliviero Toscani adota uma opinião extremista e critica a publicidade por não fazer um papel social, público e educativo de comunicar à população sobre uma determinada marca. Para o autor, o mundo publicitário é uma arte e deve ser encarado como uma ferramenta transformadora da sociedade. Toscani, no entanto, relata que os publicitários agem a partir de um círculo vicioso, uma fórmula de sucesso, em que se utilizam apenas do marketing para vender felicidade.

Essa observação de Toscani completa 21 anos. O lucro e o “comércio” da felicidade continuam tocando o mercado publicitário à frente de uma proposta de reflexão. Em um mundo cada vez mais imagético e de ideias, a publicidade tem que se afirmar como uma peça de comunicação, capaz de buscar o equilíbrio entre moldar e informar o consumidor.

Considerando a extrema criticidade de Toscani e fugindo da ilusão comum, é possível refletir sobre a proposta de fazer o consumidor guardar a marca por algo a mais que o produto.

O que se deve enterrar são as propagandas triviais e fúteis, que já não despertam mais um conceito na população. A ideia é estimular ideias.