Categoria: Fábio Corrêa Gomes

Caso Floyd Collins

Por Fábio Gomes

A Montanha dos 7 Abutres é até hoje considerado um clássico do cinema por causa da maneira como retrata a espetacularização midiática. O filme conta a história de um repórter sem escrúpulos que faz de tudo para noticiar eventos de uma forma espetaculosa. A história do filme foi baseada em um fato real, que teve como protagonista um escavador chamado Floyd Collins.

Em 1925, Floyd Collins ficou preso em um complexo de cavernas, localizado no estado de Kentucky, enquanto explorava os túneis com o objetivo de encontrar rotas turísticas. Nos primeiros dias, os responsáveis pelo resgate conseguiam, através de pequenas passagens, entregar comida e água para Floyd. Entretanto, após 4 dias, uma rocha deslizou e isolou de vez o escavador. Floyd permaneceu preso por mais 14 dias, quando faleceu devido as suas condições precárias.

O que tornou o caso famoso foi justamente a cobertura jornalística do acontecido. A história de Floyd foi extensivamente coberta pela mídia, gerando grande atenção do público. Em certo momento do resgate, a curiosidade popular foi tão grande que diversas famílias se deslocaram até o local para acompanhar o salvamento, criando uma espécie de festival nos arredores do local, com barracas de alimentação e vendedores.

O que consolidou a participação da mídia nesse evento foi a cobertura do repórter William Burke Miller, do jornal The Courier-Journal de Louisville. Willian chegou a ser um dos envolvidos na tentativa de resgate, utilizando sua baixa estatura para ajudar a remover terra dos arredores de Floyd, o que deu ao repórter a possibilidade de entrevistar o acidentado. Com isso, William ganhou notoriedade e conquistou um prêmio Pulitzer de jornalismo.

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Quem Matou Eloá

Por Fábio Gomes

Lançado em 2015, o documentário curta-metragem “Quem Matou Eloá” debate sobre a história do sequestro e morte da menina Eloá, acontecido em 2009, e traz a tona diversas discussões a respeito de como o caso foi coberto pela imprensa, o discurso empregado na mídia e o papel dessa cobertura no desfecho do caso. Além disso, o documentário levanta alguns questionamentos sobre os significados presentes nesse acontecimento, traçando paralelos com diversos assuntos fortemente debatidos atualmente, principalmente o feminismo.

O filme avalia a repercussão midiática através da análise de alguns recortes de matérias do período em que o caso acontecia. Através desses trechos, fica evidente uma série de absurdos. O que mais choca dentre esses absurdos é a atitude de alguns jornalistas que contataram e entrevistaram o sequestrador, se colocando na frente da polícia na tarefa de – sem nenhum treinamento específico – negociar com o rapaz.

Outro ponto denunciado é a tentativa insistente da mídia em romantizar a história. Ao fazer afirmações do tipo “é apenas um rapaz apaixonado cometendo um erro” ou “ele está fazendo tudo por amor”, a imprensa relativiza as atitudes criminosas do agressor. O que se aprende dessa história, de acordo com os jornais, é que cometer crimes é justificável se for por “amor”.

Por último, o documentário coloca em cheque a influência psicológica que todo aquele circo causou sobre o sequestrador. Segundo os depoimentos, o rapaz acompanhava a sua própria narrativa, através da televisão, sentindo-se poderoso por causa de toda aquela atenção.

Liberdade de imprensa na Coréia do Norte

Por Fábio Gomes

Em entrevista para a Agência EFE, o jornalista norte-coreano, Chang Hae-seong, detalhou como funciona a censura dos meios de comunicação da Coréia do Norte. País de regime totalitarista, liderado pela família Kim desde os anos 90, a Coréia do Norte tem como única fonte oficial de notícias a estatal KCTV, onde Chang trabalhou por 20 anos.

Enviado para campos de trabalho após escrever o nome do líder erroneamente, Chang Hae-seong contou em entrevista que os conteúdos da televisão são submetidos por 3 níveis de censura: o interno, o estatal e o posteriori. O jornalista também afirmou que a família Kim e seus assessores ‘fornecem instruções detalhadas sobre o tipo de programas que a TV norte-coreana (‘KCTV’) deve transmitir’ e ‘monitoram os conteúdos propostos pelos jornalistas’.

Chang falou que a empresa transmite conteúdos estrangeiros sem especificar questões autorais, ilustrando esse fato ao contar que, apenas quando se mudou para Seul, descobriu que o desenho animado que assistia na sua infância era americano, e que os personagens, o rato e o gato, eram chamados de Tom e Jerry.

O Jornalista, que está lançando seu livro “Rio Tumen”, concluiu a entrevista afirmando que os seus ex-colegas ‘estão conscientes de que a Coreia do Norte já não é socialista, e sim, uma monarquia feudal’, mas o que os mantém dentro dessas condições é o medo imposto pelo governo.

Quem são os YouTubers?

Por Fábio Gomes

O ano de 2016 foi um período muito marcante para o YouTube. Estima-se que as empresas, nesse ano, investiram mais que o dobro em ações destinadas diretamente ao site, em relação ao ano anterior. A maior causa desse crescimento foi a consolidação da figura do YouTuber.

Os YouTubers são pessoas que utilizam o sistema do YouTube para publicar vídeos de conteúdo autoral, através de seus canais – perfis criados dentro da plataforma. O sucesso dessas figuras se dá principalmente pela capacidade de influenciar os telespectadores. Daí surge o termo “Digital Influencer”.

As marcas tem apostado nesses YouTubers, principalmente através de inserções publicitárias e da co-produção de conteúdo (branded content). A grande vantagem dessa prática é a comunicação mais próxima, informal e orgânica.

No Brasil, o cenário é ainda mais favorável. No final de 2016, a rede Snack (empresa responsável pelo agenciamento de diversos canais do YouTube) realizou uma pesquisa que posicionou o Brasil como o segundo pais no mundo com os canais mais influentes. Dos 100 canais mais influentes da rede, 24 são brasileiros.

Apesar da dificuldade de muitas empresas em se posicionarem nesses novos mares que se abriram na publicidade, especialistas esperam que em 2017 seja mais um ano de sucesso para esses influenciadores digitais.

A juventude do consumo

Por Fabio Gomes

Estamos em um momento da história em que o consumismo vem alcançado níveis cada vez mais expressivos. Impulsionado por movimentos artísticos como o Funk Ostentação, o consumismo tem se feito mais presente nos jovens. Pelo menos, é o que afirma Maria Helena Pires, autora do livro O prazer das compras (Ed. Moderna), ao fazer a seguinte colocação: “o jovem é especialmente suscetível aos apelos do consumismo”.

Em entrevista para o site Carta Educação, a especialista afirma que “o consumismo é um fenômeno econômico e social que apareceu com maior ênfase após os anos 1960”. Para ela, o consumismo é “uma ideologia que encoraja a compra de produtos e serviços em quantidade sempre maior”. A escritora ainda conclui a ideia, afirmando que a indústria estimula esse consumo através da “obsolescência programada”.

Segundo Maria Helena, os jovens são mais suscetíveis a esse consumismo, principalmente pela influência da mídia. Ela adiciona que os novos formatos midiáticos tem sido determinantes para o desenvolvimento desse mundo do consumo, principalmente através dos formadores de opinião.

Por fim, Maria Helena reforça a importância da relação familiar e com as escolas para que se criem modelos de consumo mais conscientes. Para isso, a especialista afirma que é necessário que os país e as escolas também eduquem a si mesmos, com a finalidade de colocar a frente dos jovens, não só ensinamentos, mas exemplos reais.

Programação: um novo idioma

Por Fábio Gomes

Uma nova tendência mundial vem acontecendo junto com a onipresença dos dispositivos tecnológicos. Com o uso cada vez mais cotidiano dos celulares e computadores, surgiu uma nova demanda educacional na formação das novas gerações: a compreensão das linguagens de programação.

Estima-se que 40% das escolas americanas já ensinam programação, e a ideia do governo é dobrar esses números. Segundo o ex-presidente, Barack Obama, “Saber programar um computador hoje é tão básico quanto saber ler, escrever e fazer contas e deve ser ensinado em todas as escolas”. Junto com os EUA, alguns países da Europa também seguem a linha de incluir na grade curricular o estudo da computação. No Reino Unido, por exemplo, desde 2014 as escolas são obrigadas a ensinar computação aos jovens a partir dos 5 anos. Estônia, Finlândia e Austrália também engrossam o coro ao incorporar no ensino básico a programação. No Brasil, o estudo da linguagem dos computadores também ganha espaço, entretanto essa situação ainda é muito restrita as escolas particulares.

Essa tendência é essencial diante do panorama atual e das projeções futuras. Programar é uma tarefa cada vez mais necessária e que pode ganhar ainda mais uso se aliadas as atividades básicas profissionais e do dia-a-dia.

Arte nas novas mídias

Por Fábio Gomes

Como todos os outros processos de transmissão de ideias, a arte vem passando também por uma adaptação digital. Durante os últimos anos, os processos de produção e circulação artística vêm adquirindo cada vez mais as formas do mundo virtual. São os pequenos estúdios de música e vídeo dentro de computadores, elaboração de imagens através de programas, circulação de livros virtuais, entre outros. Na intenção de seguir essa tendência, diversos grupos vem criando formas muito interessantes de ajustar a difusão artística às redes sociais.

Em agosto de 2016, a organização do tradicional Toronto Internacional Film Festival incluiu na sua premiação uma categoria destinadas a vídeos produzidos para o Instagram. A ideia era premiar pequenos curtas de até um minuto (limite da plataforma), assim como os prêmios tradicionais, entretanto utilizando como meio de transmissão do evento a própria internet. Os vencedores dessa categoria foram “Hope” (escolhido pelo público), do tunisiano Mohamed Abdallah, e “La Pasión Original” (escolhido pelos jurados), do dominicano Ivan Herrera. Outro exemplo de nova proposta dentro desse contexto é o Twitter Fiction Festival, que acontece desde 2012. A proposta desse festival é reunir diversos escritores para participar de uma mostra literária, elaborada através do Twitter.

Esses projetos, entre diversos outros que vemos por aí, demonstram que as redes sociais não estão aí para ameaçar a comunicação e a arte, e que para elas coexistirem em paz é necessário uma adaptação da maneira como os processos são feitos.