Categoria: Fabiana Cristina Medina

O que dizer de 2016?

2016-2017

Por Fabiana Medina

Foi um ano sem pausas. De tudo tivemos um pouco, ou melhor, tivemos de sobra. Arrocho, crise econômica, desemprego, crise política, desastres ambientais, terrorismo no mundo, violência, presidente deposto, novos tempos em Cuba, Donald Trump eleito, tragédias na aviação. Fortes emoções.

Apesar de já ter começado difícil, aquele ano cheio de boas esperanças – principalmente como era esperado no 2º semestre – não aconteceu. Talvez estejamos em processo ou no início do longo caminho para se chegar lá. Mas não se pode negar que foi um ano muito difícil.

Em meio aos acontecimentos desastrosos, 2016 foi ano olímpico. Conquistamos o ouro no voleibol masculino na Rio 2016 e, no campeonato Brasileiro de Futebol, o Palmeiras levou o título de grande campeão. A seleção brasileira de futebol ganhou novo técnico, o Tite, e nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, está lá no topo.

Dizem que nas horas difíceis, é que conhecemos verdadeiramente as pessoas. Pois bem, brasileiro não desiste nunca. Apesar dos fatos em 2016 nos assombrarem, nos desiludirem, eles nos trouxeram novos desafios e não podemos deixar a peteca cair. Vamos em frente. É preciso, recriar, reinventar e acima de tudo acreditar que dias melhores virão.

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Aids x Brasil

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Por Fabiana Medina

A situação se complica a cada ano. O número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids cresce alarmantemente, principalmente jovens entre 15 e 25 anos. O Ministério da Saúde informou, recentemente, que 827 mil pessoas vivem com HIV no país, 260 mil pessoas sabem que estão infectadas pelo vírus, mas não estão se tratando.  Outras 112 mil têm o vírus e não sabem por não apresentarem os sintomas, dados também divulgados pelo governo. E agora, a pergunta que não quer calar? O que está se fazendo para conscientizar a população desse perigo?

Para se ter uma ideia, o estado do Rio Grande do Sul concentra dados epidemiológicos assustadores, é o Estado mais afetado e praticamente não existem campanhas de conscientização, ações educativas, distribuição de preservativos, nada. Pode isso?

Hoje, é que fui ler algo de alerta na imprensa. Será uma coincidência por ser 1º de dezembro, o Dia Mundial de Combate à Aids? A situação é muito crítica para ser lembrada somente nesta época e um pouco mais durante o Carnaval.

As informações do jornal O Estado de S.Paulo de hoje (01/12) também preocupam. O Brasil está perdendo a batalha contra dois dos principais indicadores da Aids: o número de novos casos e as mortes ocasionadas pela doença. Mostram que as taxas registradas no ano passado de infecções e óbitos são praticamente as mesmas de dez anos atrás. É como se todo o avanço científico nesse tempo não tivesse trazido benefícios ao país.

A Aids mata sim e as pessoas, em especial, os jovens perderam a noção disso. O tratamento existe, os coquetéis, os antirretrovirais estão à disposição, mas as pessoas estão se arriscando cada vez mais com seus variados parceiros sexuais, sem dar a devida importância ao uso de preservativos.

Passou da hora de acordar e nos mexer. Vamos informar sobre a Aids! Ela está aí tragando parte da população sem dó.

Todo mundo em saia justa

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Por Fabiana Medina

O ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, que botou a boca no trombone com as declarações a respeito de ser pressionado pelo colega de ministério, Geddel Vieira Lima, decidiu fazer tudo isso quando se deu conta de que havia um “processo de fritura” para “macular” a sua imagem.

Ele sofreu pressão dos integrantes do governo para conceder a licença de construção do empreendimento imobiliário de luxo chamado La Vue Ladeira da Barra, em Salvador, que foi embargado por estar localizado em uma área tombada como patrimônio cultural da União, sujeito a regramento especial. O problema é que os construtores pretendiam erguer um prédio com 31 andares, mas o Iphan autorizou a construção de, no máximo, 13 andares. E Geddel como é dono de um apartamento nesse empreendimento – avaliado em 2,6 milhões de reais, e que ficaria no 23º andar – pediu que essa situação fosse revertida com a “ajudinha” de Calero.

E Calero não parou por aí. Entregou mais. Disse também que o presidente, Michel Temer, pediu a ele que enviasse o caso para a Advocacia-Geral da União (AGU) porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução. Já Geddel teria ligado mais uma vez a Calero, depois de outras inúmeras ligações pressionando o então ministro da Cultura e ameaçado acionar o presidente Temer e pedir a cabeça da presidente do Iphan, caso não atendesse ao pedido.

Agora, Geddel nega as acusações de Calero. Temer também negou que tenha enquadrado Calero e que jamais induziu algum deles (ministros) a tomarem decisão que ferisse normas internas ou suas convicções. Com a crise, Geddel pediu demissão. T

Toda essa situação mostra que somos o país do jeitinho brasileiro. Sempre dá certo com um empurrãozinho aqui outro ali, custe o que custar, chegamos lá. A lei de Gérson impera, a pessoa age e tem que ter vantagem em tudo que faz, tem que se aproveitar de situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.

O adeus festivo a Fidel

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Li recentemente um artigo que dizia “A história não absolverá Fidel”, escrito pelo prêmio Nobel Mario Vargas Llosa logo após anunciada a morte do líder cubano. Achei a frase contundente.

Vargas Llosa, assim como milhares de cubanos, foi um dos intelectuais latino-americanos que viram na Revolução Cubana uma luz democratizadora. Ele chegou a fazer parte do grupo de escritores que visitavam Castro, mas logo se decepcionou. Reação semelhante à de milhares de cubanos. A perseguição de Fidel aos dissidentes o horrorizou. As pessoas sofreram represálias não apenas pelas ideias políticas, mas também pela orientação sexual: mesmo que fossem partidários do regime.

A morte do ditador revelou depoimentos e desabafos de cubanos exilados em Miami que comemoraram muito o seu adeus, com direito a muita música e muito charuto cubano. O clima nada tinha de lamentação. Estranho, ficar feliz pela morte de alguém, não é? Mas, por outro lado, super compreensível. Esses cubanos amarguraram os rumos que o país tomou ao abraçar o comunismo anos depois da revolução. Eles tiveram a família separada e muitos foram perseguidos.

Diante de tantas manifestações festivas pela morte de Fidel, chego a pensar que realmente ele vai prestar contas com a história. As pessoas se desiludiram com o que era para ser uma grande esperança para o povo cubano e que terminou com ditadura, fome e miséria. Pensando assim, triste fim.

As marcas deixadas pelo líder cubano assustaram. Agora, um alívio paira. Só que não se pode desconsiderar que o fim de uma era deixou uma angústia escondida: a da incerteza sobre o futuro de Cuba.

 

O Enem e minhas dúvidas…será que somente minhas?

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A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já foi realizada há alguns dias, mas tenho alguns comentários a fazer, antes mesmo de mais novidades serem anunciadas em virtude da “racionalização” de recursos.

Entra ano e sai ano e o Enem sempre apresenta um probleminha a cada ano que é realizado. São tantas notícias de fraude, de vazamento de temas da redação, de utilização de ponto eletrônico, de compra de gabarito, que sempre colocam o Exame – considerado a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil – em descrédito.

Hoje, essa prova tem 180 questões e diz que cobra muito mais a capacidade interpretativa do aluno, além da dissertação, se transformou em um grande vestibular realizado em dois dias. Os alunos se preparam muito, estudam horas a fio para enfrentarem a avaliação tão esperada e que pode ser a única chance de ingresso em universidades federais.

Eles até fazem a prova, mas no dia seguinte já pipocam as notícias na imprensa de que a prova vazou, de que a redação deveria ser anulada e outras mais que só desrespeitam completamente aquele aluno que estudou, se dedicou, concentrou e viveu para “dar o sangue” naquela questão que corre o risco de ser eliminada do exame. Que difícil! Que bagunça!

Por outro lado, há quem considerou o Enem 2016 como um “sucesso absoluto”. Isso porque 97% dos inscritos tiveram condições de participar da prova neste ano, segundo declarações do ministro da Educação, Mendonça Filho. Minha dúvida é: será que os nossos governantes darão suporte e respaldo aos aprovados no Exame? Será que as universidades vão comportar ou receber – como se deve – o estudante que conseguir a vaga?

Eu tenho minhas dúvidas. A educação brasileira vai muito mal. Há quem diga que a PEC 241 prenuncia o fim das universidades públicas. Será também o fim da gratuidade das universidades públicas em razão da desvinculação de receitas tributárias para a educação?

Conserto ou retrocesso?

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Por Fabiana Medina

A tão falada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita gasto público já foi aprovada na Câmara dos Deputados em 1º turno, por 366 votos a favor, 111 contras e duas abstenções. Ela também já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e teve parecer favorável. Agora, será submetida à apreciação do plenário.

Só para reforçar o entendimento, a proposta estabelece um teto para o aumento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos e é tida pelo Palácio do Planalto como um dos principais mecanismos para o reequilíbrio das contas públicas.

Se a analisarmos sob o ponto de vista de uma possível tentativa de colocar o país nos eixos, a iniciativa nos enche de esperança para um “conserto” da nossa economia que está em frangalhos. Mas se considerarmos que não se pode gastar mais do que recebe – regra que vale para todos nós – a proposta representa um retrocesso.

A necessidade de criação dessa PEC nos deixa explícita a falta de planejamento, de gestão dos recursos públicos, o desleixo, sem contar a falta de responsabilidade e respeito com a nação brasileira. O nosso governo falhou feio no básico.

Você parou para ver a Superlua?

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Por Fabiana Medina

Embora tenha sido véspera de feriado (dia 14/11), o que já costuma ser um dia mais animador para os brasileiros, a segunda-feira também contou com um “evento” que foi a sensação no céu: a aparição da Superlua.

A maior e mais brilhante lua deu o ar da graça após 68 anos e fez com que muitas pessoas parassem, desacelerassem seus ritmos frenéticos noturnos para apreciar a obra da natureza e até mesmo pensar na vida.

Que raridade vista! Foram inúmeras postagens no facebook de imagens lindas de vários recantos do nosso Brasil. Um verdadeiro espetáculo da natureza, de arrancar suspiros e que não passou em branco. Ela foi admirada e, mais do que isso, recebida com aplausos.

Amigos aproveitaram para se reunir e brindar a amizade, casais curtiram momentos românticos, outros fizeram seus pedidos para o futuro. Pessoas largaram mão de suas correrias, de seus cotidianos a mil “modo on” e usaram os seus celulares para registrar a beldade. Talvez ela tenha conseguido transmitir uma paz, uma tranquilidade, das quais estamos sedentos e que ela nos proporcionou colocar em prática pelo menos por uma noite.

Pessoas inábeis de olharem ao redor, sugadas pela tecnologia mobile, concentraram-se no privilégio tão simples e puro que a natureza nos concedeu, capaz de roubar a nossa atenção e das redes sociais, sem que fossem as desgraças e devaneios que estamos acostumados e que ganham tantos likes.

Bom, melhor voltar à Superlua. Ela é 14% maior e 30% mais luminosa do que a Lua Cheia em seu apogeu. A última vez que a Lua se aproximou tanto assim da Terra foi em 26 de janeiro de 1948, isso significa que a maioria da população mundial nunca viu uma lua tão grande quanto essa que surgiu. Outro fenômeno como esse só deve ocorrer novamente no dia 25 de novembro de 2034.