Categoria: Diego da Silva Teixeira Mota

Precisamos falar sobre o capitalismo – Parte 2/2

Por Diego Silva

Na verdade, pra mim, já deveríamos estar fazendo algo além de apenas falar sobre o capitalismo; algo prático precisa acontecer tão logo possível. Mas é o sistema que temos no momento, e precisamos conviver com ele. Sei que estou colocando o dedo na ferida, porém, me tranquilizo ao saber que outras pessoas também não estão satisfeitas com esse modelo.

Recente pesquisa realizada em Harvard questionou aos entrevistados, entre 18 e 29 anos, sobre o sistema econômico vigente. Apenas 42% das respostas foram positivas ao capitalismo, enquanto 51% se diziam desencantados. No entanto, a grande maioria não possui nenhuma alternativa para essa situação, enquanto uma minoria -33%- defendem o socialismo. Não vale a pena elencar aqui os problemas e o porquê do socialismo não ter vingado no mundo todo, acho que este também não seja a solução.

Talvez seja idealista ou ingênuo demais, porém, a unificação de alguns pontos do capitalismo com o socialismo resultaria em um sistema mais igualitário e justo. Se não tivermos algo para viver e buscar além do dinheiro, em breve não conseguiremos mais viver em comunidade e a guerra de ego poderá acabar com nossa sociedade. O jogo de quem pode e manda mais tem que chegar ao fim, ou o fim pode chegar até nós. (parte 2/2)

capitalismo

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Precisamos falar sobre o capitalismo – Parte 1/2

Por Diego Silva

Já passou da hora de o mundo discutir o sistema econômico que o domina. Todos já estão acostumados e sabem das vantagens que o capitalismo trouxe para o desenvolvimento da sociedade, mas será que não está ultrapassado? Pessoalmente, nunca vi com bons olhos esse modelo, pois tenho na minha cabeça a ideia de que quem sai beneficiado é o próprio capital e não a sociedade. Os objetivos, os sonhos e os serviços realizados são pautados pelo dinheiro e sua conquista, e ao consegui-lo, qual o próximo passo? Buscar mais.

Em outras palavras, sempre o que mais importa é a procura incessante por mais poder de compra e não questões sociais e humanitárias. Quando isso ocorre, a sociedade deixa em evidência que os valores estão todos bagunçados e qualquer coisa vale no jogo da vida para não ser passado para trás. Basta ter o capital que tudo se compra e tudo se resolve; desde objetos e pessoas, chegando até leis, questões políticas, entre outras.  

Enquanto o capitalismo e o dinheiro vão ficando mais forte, as relações humanas parecem ficar mais fracas. A partir do momento em que a educação, a segurança, a saúde, o lazer e todas as atividades que praticamos giram em torno da moeda, surgem as desigualdades sociais, as sensações de injustiça e impotência.

A sociedade, de forma geral, vê no próprio capitalismo a saída para a desigualdade social, acreditam que uma família pobre tem nesse sistema as mesmas chances que as famílias mais ricas, basta correr atrás. Na verdade, não é bem assim. Num primeiro momento, e apenas na teoria, existe sim essa chance, porém, na prática as coisas ficam mais distantes. Veja bem: dois economistas do Banco Central Italiano (Banca D’Italia), Guglielmo Barone e Sauro Mocetti, realizaram um estudo com base em informações de um censo feito em 1427, em Florença – que registrou o nome, salário e patrimônio dos cidadãos – para traçar a situação das famílias até o ano de 2011. O resultado é: as famílias mais ricas em 1427 continuam sendo as mesmas após 584 anos. E mais do que isso: os sobrenomes dos mais pobres também se mantiveram.

Se o pobre não tem dinheiro, precisa trabalhar desde cedo para conseguir se manter. Com a melhor educação sendo privada, prioridades básicas o fazem optar por uma educação precária; ao procurar trabalho, é pedido diploma, que ele não tem pois não teve acesso ao ensino. Por outro lado, o rico quando nasce não precisa se preocupar com as prioridades básicas da vida e recebe uma educação de primeira linha, conhece pessoas igualmente poderosas e influentes, portanto, também consegue bons contatos; ao procurar trabalho, consegue esbanjar habilidades por ter conseguido um ensino que nem todos podem, assim, se torna diferenciado e consegue se posicionar melhor no mercado de trabalho.

Verdade que por vezes uma família mais pobre consegue o árduo feito de evoluir financeiramente, assim como filhos de pessoas ricas, às vezes acabam não tendo o mesmo sucesso financeiro dos pais, sejam quais forem os motivos. Entretanto, conforme revela a pesquisa em Florença, essa mudança de patamar é a curto prazo, pois não foi a família que se desenvolveu ou decaiu, foi apenas um filho ou uma filha, uma pequena vertente de uma vasta gama de gerações.

Esse sistema nos afasta do nosso lado humano; permitimos a concentração de toda a renda com 1% da população enquanto o restante briga entre si. Por isso, tenho em mente que o capital premia apenas a si próprio e não deixa dúvidas: a melhor forma de ganhar dinheiro, é já nascer com ele. Já dizia Tim Maia, “o dinheiro é o mal do mundo. O mundo só vai ser bom quando o dinheiro acabar”. (parte 1/2)

Polícia e ladrão

Por Diego Silva

Fátima Bernardes, em seu programa da Rede Globo – “Encontro com Fátima” -, resolveu abordar um tema social polêmico, baseado em uma situação que ocorre em um filme, onde algumas pessoas se encontram feridas e entre elas está um traficante. Fátima levantou então a questão: quem você salvaria, policial ou traficante? Este último em estado mais grave. Após a repercussão de que por estar em estado mais grave, o traficante seria atendido primeiro, surgiram muitas pessoas à favor do policial e Fátima Bernardes precisou esclarecer que foi apenas uma enquete e ninguém estava a favor da morte dos policiais; inclusive, que se fosse ela, a opção seria pelo militar.

Pois bem…enquanto algumas pessoas se transformam em marionetes, voltam a infância e brincam de “polícia e ladrão”, de  “bem contra o mal”, a discussão aprofundada fica esquecida. Foi dito no programa que os médicos deveriam salvar o traficante por terem um compromisso com a profissão que exercem. Os outros cidadãos então não teriam essa obrigação? Em que país estamos vivendo? Temos pena de morte, “justiça” com as próprias mãos?

Deve-se entender o significado de justiça e vingança antes de entrar numa questão tão delicada, e decidir se haverá diálogo com base em argumentos ou apenas gritaria sem fundamento. Imagine a cena: você está passando de carro numa rodovia, avistou duas pessoas feridas no chão, uma com um tiro de raspão na perna e outra com uma bala no estômago, portanto, mais necessitada de ajuda. O que você faz? Parece fácil dizendo assim. E é fácil. Não devemos dividir em ladrão, traficante, policial ou bonzinho. São pessoas precisando de cuidados. Seres humanos.

Não nos cabe julgar e decidir se alguém deve viver ou não. Digamos que você saiba que um é policial e o outro seja traficante; isso muda algo? Temos o direito de deixar alguém, que clama por ajuda, estatelado no chão aguardando que a morte chegue?! Não faço aqui defesa de ninguém. Se a um indivíduo pratica qualquer crime, deve pagar por isso, ser julgado e cumprir a sentença. Ponto. Não é errando que se conserta outro erro. Abandoná-lo à morte seria uma espécie de vingança – se não pessoal – por todas as vidas que esse traficante possa ter “destruído”.

Devemos ajudar, sim, quem precisar de nós, independente de quem seja, de cor, classe, status ou o que for. Nossa consciência ficaria tranquila sabendo que deixou alguém que precisava de ajuda sem nenhum amparo? Enquanto nos fazem de fantoches para decidirmos entre mocinho e bandido, dividindo a sociedade, escondem quem é o chefe do traficante – o peixe grande – que continua intocável, lucrando com a desgraça da população.

O poder de um boato

Por Diego Silva

Redes sociais. Elas estão, no momento, no topo das relações humanas. Nelas tudo acontece, tudo se pode, tudo se consegue. Estamos ainda tentando nos adequar à elas; mesmo utilizando-as em todos os momentos do dia a dia, não sabemos lidar com algumas situações que ocorrem no “mundo virtual”. Crimes, ofensas, injúrias, mentiras e falsidades, estão rolando sem filtro no Facebook, Whatsapp, Twitter e outras redes de comunicação e interação social.

O cenário da internet hoje é tomado por um risco que perturba aqueles que faturam com ela. Com as novidades tecnológicas, um monopólio foi tirado das grandes empresas de comunicação, pois qualquer cidadão consegue produzir algo e compartilhar para o mundo todo através das mídias sociais. Entretanto, temos também um problema: ficou mais fácil a invenção e implantação de notícias falsas. Uma vez semeadas, complicado é para desmenti-las. Sabemos que com o avanço tecnológico e a instantaneidade das notícias, os veículos de comunicação pulam etapas de confirmação das fontes e publicam sem checar se a informação procede, porém, as coisas agora estão além.

Ativistas, pessoas más intencionadas, interesseiros, lançam notícias falsas nesses canais de comunicação até que virem verdades de tanto serem repetidas. Dessa forma, o populismo ganha o poder de sentenciar alguém antes de um julgamento e até de destruir uma imagem com inverdades, mesmo que seja comprovado o contrário posteriormente. O estrago já está feito, e as mentiras na boca do povo assumem o papel das verdades.

Algumas dessas redes sociais já sofreram acusações de interferência política por conta de informações mentirosas. O Facebook, por exemplo, já está colocando em prática sete pontos de proteção para combate-las após a eleição de Donald Trump. Séries como Black Mirror também já abordam o perigo que tem o poder da internet na mão de certas pessoas.. Qual o poder de um boato? Hoje está mais forte que nunca.

Sociedade Retrógrada – Parte 2/2

Por Diego Silva

Para contextualizar de forma prática o quanto o Brasil é, e está ficando ainda mais retrógrado, gostaria de citar uma medida que será tomada na Finlândia a partir de 2017.

Os finlandeses a chamam de Previdência Social dos anos 2020; ela propõe uma renda mínima de 560 euros mensais (o equivalente a cerca de dois mil reais) – isenta de impostos – a todos os cidadãos, sejam eles bilionários ou favelados, sem pedir nada em troca, apenas pelo simples fato de habitarem o país.

A implantação de uma renda mínima universal extinguiria os programas e projetos sociais, já que com esse dinheiro, o cidadão teria condições de se manter com o básico. Acabaria também com possíveis burocracias que famílias podem enfrentar ao solicitarem esses programas sociais, além de baratear o gasto do governo, já que não teria mais a necessidade de uma grande rede de funcionários administrando esses programas.

Aí, algumas pessoas podem até pensar “assim é fácil, não precisa trabalhar nem nada que vai ganhar dinheiro”. Embora pareça contraditória, a ideia dessa nova Previdência Social seria estimular as pessoas a trabalharem. Encontrar um meio termo no valor do dinheiro cedido aos cidadãos é o principal desafio desse novo modelo. Diversos estudos, feitos na Europa, sobre esse assunto, indicam que a minoria da população poderia se acomodar com tal medida, ficando em casa e parando de trabalhar.

Tendo sua estabilidade financeira garantida, o cidadão teria liberdade para realizar o que quisesse, sem ter medo dos riscos de abrir um negócio, por exemplo, ou então poder escolher com calma qual serviço lhe interessa mais, ao invés de aceitar o que paga melhor.

O raciocínio e o ponto principal de tudo isso é: num mundo cada vez mais tecnológico, digital, em que as empresas a cada dia que passa dispensam mais e mais empregados, apenas uma pequena parcela da população conseguirá manter empregos fixos e tradicionais. Uma grande onda de automação industrial, conforme já previu estudo da Universidade de Oxford, tem o potencial de eliminar até 47% dos postos de trabalho em um futuro não muito distante.

Com a crise que se instalou na Europa, além da desigualdade social, diversos países estão criando movimentos que defendem a ideia de uma renda mínima universal. Enquanto isso, aqui no Brasil nós seguimos na contramão, cortando direitos e conquistas dos trabalhadores e dos mais pobres. Parece óbvio que antes de pensarmos em alguma medida como essa em nosso país, primeiro temos que evoluir ainda em muitos quesitos. O caminho até a concretização é ainda mais longo. Temos muito a aprender.

Sociedade Retrógrada – Parte 1/2

Por Diego Silva

Poucas pessoas devem questionar que nós temos trabalhado muito, estudado muito, corrido muito e vivido pouco. Nossa vida está tão digital e dinâmica que não paramos por um segundo, que seja. Até quando planejamos um descanso, não é possível garantir que teremos esse tempo, pois estamos sempre ao alcance de alguém, com nossos celulares, tablets e notebooks. Antigamente, antes da era digital, a vida era outra. Hoje em dia, as crianças já nascem segurando tablets e celulares, baixando aplicativos e escolhendo o que assistir no youtube.

O mundo está em constante mudança. Poucas pessoas devem questionar isso também. A cada dia que passa, surge um novo aplicativo, uma nova tecnologia, um cientista prevendo viagens aos planetas mais distantes, entre novas descobertas. Porém, algo que pouco se discute são as condições em que nossa sociedade “moderna” se encontra.

Nossa jornada de trabalho foi baseada nos tempos antigos. Nosso esquema de férias também foi baseado em tempos passados, assim como diversas de nossas leis e diretrizes. Hoje, nossas oito horas trabalhadas são feitas com muito mais intensidade do que antigamente, as cobranças são maiores, os materiais para se realizar as atividades melhoraram, portanto, a produção também aumentou, assim como os problemas, estresses e dificuldades. O que antes servia, hoje já não serve mais. Mesmo quando saímos do trabalho, encerrando nosso expediente, continuamos trabalhando mas sem receber por isso. Continuamos conectados pelo celular, resolvendo problemas, ajudando, servindo de consultoria, entre outras possibilidades.

Em outrora, doze meses trabalhados para um mês de férias era compatível, hoje já não é. Mas, isso, muitas pessoas devem questionar, tais como os patrões e as empresas, que não teriam interesse em reduzir jornadas de trabalho ou darem vinte dias de férias a cada seis meses, por exemplo, por acharem que diminuiria a produção. Eu vejo pelo outro lado: teriam empregados mais concentrados, dispostos e satisfeitos, o que geraria uma produção igual ou até maior, já que não precisamos de pesquisas para comprovarmos que a nossa produção diária cai após algumas horas em grande intensidade.

Nossa sociedade, que aparenta ser moderna demais, na verdade não passa de uma cortina de fumaça para esconder o quão retrógrados somos e o quanto estamos presos a valores ultrapassados. Se o mundo está em constante mudança e evolução, temos que acompanhá-lo. (Parte 1/2)

Ódio que nos cega

Por Diego Silva

Integrante assíduo de grupos pró-movimentos sociais, o filho, Guilherme Silva Neto, estava envolvido nas ocupações das escolas contra a PEC 241 – entre outros protestos – e tinha intenção de ir à uma reintegração de posse em uma escola, porém, Alexandre José da Silva Neto, o pai, não concordava com o modo de pensar do garoto e o proibiu de ir. O estudante não aceitou a proibição e resolveu ir assim mesmo. Contrariado, Alexandre foi atrás do garoto, assassinou-o e depois se suicidou. Parece história de filme, mas é realidade. Aconteceu em Goiânia, no último dia 15.

Em meio a tantas discussões sobre o caso, ouvi pessoas dizerem que uma pessoa que faz algo assim com o filho deve ter problema. Discordo. Até pode ter, mas de onde será que ele veio? É preciso analisar o contexto em que vivemos. Os políticos, as empresas, os movimentos sociais – com segundas intenções – e a grande mídia, colaboraram para colocar o Brasil no buraco em que se encontra atualmente; a intolerância em nível extremo e a paciência já quase não existe. Talvez o ponto a ser discutido seja a raiva que todo cidadão sente nos dias de hoje.

O pai, cego de ódio, passou por cima do laço de parentesco que tinha com aquele manifestante. Alexandre se esqueceu do garotinho que viu crescer, dos planos que todo pai planeja ao ter um filho e, provavelmente, deve ter caído em si somente minutos depois de ver Guilherme baleado no chão. Sem outra alternativa para a mente abalada e para o sentimento de culpa, a situação culminou com o seu suicídio, além da moral e da civilidade.

Vendo esse caso, me lembrei do filme “Relatos Selvagens” e me permito colocar aqui a sinopse do mesmo: “Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie.” Somos nós, cidadãos comuns, que levados à um grande nível de estresse mesclado com sensações de injustiças, conseguimos realizar atos bárbaros uns contra os outros.

É importante dizer o quanto uma ideia contrária, uma oposição, é benéfica para a democracia e para a evolução da humanidade, pois qualquer partido, pessoa ou instituição que permaneça muito tempo no poder, sem ser questionada ou fiscalizada, acaba por, no mínimo, relaxando; portanto, oposição não tem que ser vista como um inimigo a ser aniquilado. Entramos numa guerra de nós contra eles que não leva a lugar nenhum e só faz diminuir a tolerância e o diálogo. O inimigo não é aquele que pensa diferente de mim, é aquele que nos divide, disseminando o ódio, para atender seus próprios interesses. Talvez se Alexandre tivesse optado pelo diálogo à proibição, o desfecho fosse outro.