Categoria: Caroline de Almeida Lima Rodrigues

O sensacionalismo por toda parte

Caroline Rodrigues

No clássico “A Montanha dos Sete Abutres” a grande crítica está no sensacionalismo, que sempre busca a audiência sem o menor compromisso com a verdade. Desde crianças o ditado “quem conta um conto, aumenta um ponto” está presente em nossas vidas de diversas formas.

Crianças criam histórias para ganhar atenção dos pais, adolescentes não querem se sentir excluídos e por isso tornam sua vida em um grande espetáculo, mesmo que metade dele não seja verdade, adultos acreditam que às vezes mentir é necessário e assim vamos.

O espetáculo e a mentira ficam cada vez mais presentes e acabam se tornando algo comum nas nossas vidas. É a televisão que traz informações maquiadas por interesses próprios, são as marcas desfilando em formas de corpos pelas ruas, histórias aumentadas e exageradas. A verdade? Não importa mais, é chata, monotemática, comum, não surpreende e acaba ficando para trás, como algo sem importância ou pouco interessante.

Tudo com um único objetivo: aparecer. Audiência, popularidade, status, reconhecimento, tudo vale para ser protagonista desse espetáculo.

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“Você deve ser duas vezes melhor que eles para conseguir metade do que eles têm”

Caroline Rodrigues

Na série Scandal, que conta com uma personagem negra como protagonista, uma das cenas mostra o diálogo bastante curioso entre a ela e seu pai. Nela, ele menciona que por ser negra ela deve ser duas vezes melhor que eles para conseguir METADE do que eles têm!”.

Eles são o que Ruth Manus, advogada e escritora, chama em sua palestra no TED de sujeitos ideais, aqueles que não devem nada a ninguém: homens, brancos, heterossexuais, magros, europeus ou americanos, sem deficiências. E ela, a personagem, é integrante dos grupos vulneráveis, aqueles que precisam provar que são capazes.

Não é questão de julgar o caminho do outro mais fácil ou não. O fato é que os vulneráveis precisam provar que eles podem ser tão bons quanto o sujeito ideal. Mas o que a escritora atenta é que mesmo sendo uma batalha todo dia, não deve se fechar os olhos para as pequenas coisas do dia a dia.  E quando conseguir provar que é bom o suficiente. Não deixar de olhar para trás e trazer consigo tantos outros que enfrentam esse caminho: mulheres, gays, deficientes.

E ela explica ainda que, enquanto for um só rodeado por caras ideais, essa pessoa vai ser visita, mas se ela trouxer mais gente para seguir com ela, o ideal será desconstruído e o caminho pela frente se tornará mais fácil de seguir.

 

Sociedade passiva e sem complexidade

Caroline  Rodrigues

Há muito tempo a forma de educar as crianças tem mudado. Esses dias mesmo em uma programa na rádio havia a seguinte enquete: “você dá espaço para os seus filhos questionarem ou cria eles de forma tradicional?” A pergunta incomoda. Parece que crianças devem apenas obedecer e brincar, sem questionar ou ter qualquer ponto de vista diferente dos pais.

O que é preciso entender é que essas crianças também vão crescer e se tornar adultos. E será que serão adultos dispostos a argumentar ou ir apenas com o que a maioria pensa? Se desde pequeno a criação em casa mostra que você não deve questionar, apenas aceitar e obedecer, a tendência de quando se tornarem adultos é termos pessoas sem opinião nenhuma ou sem curiosidade nenhuma para entender se o que está sendo dito pela maioria faz sentido mesmo.

É a criação de uma sociedade sem complexidade e passiva, que qualquer coisa está bom, em que a opinião não vale nada e quem vence é a maioria ou quem tem mais poder.  O debate e a discussão perdem espaço, o que já acontece com o uso de tecnologia recorrente no dia a dia, e as crianças sentem que cada vez menos a interação pessoal tem importância e o tablet tem muito mais para oferecer e divertir.

Liberdade de expressão nas redes sociais: será?

Caroline Rodrigues

Em uma apresentação ao Ted Talks, o educador Clint Smith comenta que o silêncio é o resíduo do medo. Um caso recente que pode mostrar o efeito disso é o que aconteceu nas eleições americanas. As pesquisas mostravam que Hillary estava na frente e no dia decisivo Trump venceu. Segundo especialistas isso pode ter sido afetado uma  vez que  as pessoas que eram a favor do Trump não falavam, ao mesmo tempo que  os simpatizantes de Hillary tinham voz e destaque.

O fenômeno também acontece nas redes sociais, que nos dá uma falsa impressão de dar mais liberdade de expressão e opinião. Uma pesquisa do Pew Research Center, nos Estados Unidos. No material, os entrevistados preferiam discutir a questão de vazamento de informações, do caso Edward Snowden, pessoalmente em vez de se posicionar a respeito no Facebook e no Instagram.

O problema é que as pessoas estão cada vez menos dispostas a ouvir quem tem uma opinião diferente, os próprios algoritmos do Facebook fazem com que sua timeline seja repleta de coisas que são do seu interesse. Isso faz com que as pessoas fiquem cada vez mais extremistas e radicais em seus discursos, segundo Natalie Stroud, autora de Notícias de Nicho: A Política da Escolha das Notícias e professora da Universidade do Texas.

Com esse cenário de pouca interação pessoal e pessoas silenciadas na redes estaremos caminhando para uma sociedade com um discurso uníssono, sem entender a complexidade dos temas e da importância de pontos de vista diferentes.

 

 

A falta de discursos complexos e a espiral do silêncio

Caroline Rodrigues

Como um dos contribuintes para o sensacionalismo está a espiral do silêncio. A falta de discursos complexos e que promovem a discussão, contribuem para discriminação e opressão de ideias que são diferentes da maioria.

No filme “A Montanha dos Sete Abutres” Chuck Tantum consegue “controlar” os fatos com a compra do silêncio de personagens importantes como a esposa, xerife e empreiteiro. A troca pelo dinheiro, fama e poder é o suficiente para eles concordarem com uma história sensacionalista e, por vezes, mentirosa. A opressão da opinião alheia fica clara quando um especialista em minas diz que o método escolhido para retirar a vítima é desnecessária e fortalecer as paredes seria a ação mais prudente e rápida, discurso já feito pelo empreiteiro antes para Tantum. Por meio do constrangimento, uma vez que o especialista nunca tinha feito um resgate de vítima com vida, o jornalista exclui completamente a hipótese apresentada e o especialista se cala. O assunto nem sequer foi debatido pelas as pessoas. Se está na mídia é verdade, se está na mídia esse é o jeito certo.

Segundo estudo realizado pela Eldeman Significa, a confiança das pessoas na mídia é de 48%, ficando atrás apenas empresas e ONGs. Além disso, a pesquisa mostra que as pessoas estão seis vezes e meia mais propensos a ignorar fatos os quais não concordam.

Esse cenário só mostra que enquanto não estivermos aberto aos diálogos e discussões, a maioria sempre vai vencer, seja pelo bem ou mal.

Duelo de Titãs

Caroline Rodrigues

O encontro de Lula com o juiz Sérgio Moro nessa quarta-feira (10) foi transformado em um verdadeiro espetáculo. Tratado como um duelo de titãs, o primeiro encontro pessoal do ex-presidente com a autoridade ganhou capas de revistas, plantões televisivos, manifestações e uma tropa com mais de 400 policiais e atiradores de elite.

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Crédito: Acervo digital Veja

Como outros tantos que já depuseram na Operação Lava Jato, Lula é um cidadão convocado como réu, acusado de corrupção política, e Moro o juiz que pode condená-lo ou absolvê-lo. Mas é não bem assim que a imprensa mostra e como a sociedade está encarando. Cada um tem o seu time e o seu herói e vilão.

O sensacionalismo, tema abordado já desde a década de 50 no filme A Montanha do Sete Abutres, tem ganhado mais espaço na mídia como forma de ganhar audiência. A pergunta é: até quando a informação será segundo plano e o entretenimento prioridade?

 

Quanto tempo eu tenho?

Caroline Rodrigues

Quando se descobre que se tem uma doença terminal a primeira coisa que é perguntada para o médico é “Quanto tempo eu tenho?”. Quem conta essa situação é a Dra. Ana Claudia Arantes, especialista em Cuidados Paliativos. A prática busca tirar o sofrimento, seja ele espiritual, emocional ou físico, de pacientes que tem doenças graves e sem perspectiva de cura.

Quando se está próximo da morte a dimensão e a importância do tempo são diferentes do que costumamos ter ao longo da vida. É comum nos depararmos esperando um tempo que ainda está por vir, a sexta-feira, feriado, férias… e torce para que o “agora” passe rápido.

A eterna busca pela felicidade faz com que as pessoas perdessem a noção e a importância que o tempo tem, deixam de viver o momento para ficar pensando no que vem ou no que pode vir a seguir. Felicidade não se resume a momentos, felicidade é poder olhar para trás e ficar feliz e orgulhoso por tudo o que já passou, mesmo pelas situações mais difíceis. É ter a noção da realização.

Agora eu te pergunto: como você está cuidando do seu agora para ser feliz no futuro? Será que é melhor viver com o que é oferecido hoje ou só ligar o ‘on’ da vida quando já tiver tudo o que planejava ou que queria? O tempo é algo que não volta e não tem como pedir reembolso.