Categoria: Carolina Valentim Munhoz Vergal

Cadê o bom senso?

Por Carolina Munhoz

Não são apenas os chamados abutres da imprensa que se aproveitam de tragédias para obter vantagens. A empresa Netshoes deixou todos perplexos após aumentar o valor das camisas do time Chapecoense, no mesmo dia em que o acidente aéreo aconteceu. A equipe viajava para Medellín, na Colômbia, para disputar a final da Copa Sul-Americana.

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Em uma mensagem no Facebook, a empresa se justificou colocando a culpa na Black Friday:

“Em virtude da Black Friday, a camisa da Chapecoense estava com preço promocional e, na manhã de hoje, teve suas últimas unidades vendidas por R$ 159,00. Com o esgotamento do produto, por uma programação de sistema, o valor retornou ao preço original R$ 249,00, junto com o alerta de indisponibilidade do produto. Reiteramos que no momento estamos sem estoque do produto e que, em nenhum momento houve intenção de aumento do preço. Com o objetivo de sermos transparentes ajustamos manualmente o preço do produto para o valor inicial, embora o mesmo esteja indisponível. A Netshoes lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com todos os familiares, torcida e amigos dos envolvidos neste episódio.”

O pedido de desculpas não foi muito bem aceito, no Twitter os usuários começaram uma campanha de boicote à empresa. Será que eles acharam que ninguém perceberia o aumento do valor?

O site Catraca Livre também gerou muita revolta após a publicação de vários conteúdos considerados insensíveis e impróprios para o momento de luto.

O criador do site, Gilberto Dimenstein, também se desculpou publicamente relatando a discordância dos outros jornalistas do site, em relação às publicações:

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O público não parou com as críticas fazendo uma campanha contra o Catraca Livre para diminuir o número de seguidores da página. Além disso, milhares de mensagens foram despejadas na página pessoal de Gilberto que chamou o protesto de Insanidade Digital, dizendo que as redes sociais são um grande instrumento de ódio.

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O episódio “Odiados Pela Nação” da série Black Mirror mostra bem esse chamado julgamento digital que as pessoas fazem em torno de algum acontecimento negativo. Ao que me parece as desculpas na rede, não são suficientes.

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A abordagem sexista na publicidade e produtos

Por Carolina Munhoz

Não é de hoje que a representação da mulher na mídia é estereotipada e desrespeitosa. Um grande exemplo disso são alguns produtos de uso geral que são separados por gênero. Os femininos na maior parte das vezes, na cor rosa.

Um estudo publicado pelo Departament of Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova Iorque, confirmou que os produtos direcionados para o público feminino são na maior parte das vezes, mais caros do que os mesmos vendidos para os homens.

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Além de a mulher receber muitas vezes menos que os homens, elas ainda pagam mais caro para adquirir os mesmos produtos.

O dia da mulher e o dia das mães, por exemplo, sempre associam o gênero feminino com trabalhos domésticos. As propagandas são sempre voltadas para produtos e eletrodomésticos para facilitar a limpeza da casa ou até mesmo utensílios de cozinha, como se apenas as mulheres fizessem esse tipo de trabalho, como se aquilo, fosse um presente maravilhoso para a mulher.

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O próprio ministério da justiça trouxe uma campanha nas redes sociais insinuando que a mulher é culpada por vazamento de fotos na internet quando ela bebe.

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Somos representadas como seres não pensantes, únicas responsáveis pela limpeza da casa, fúteis e culpadas pelos assédios que sofremos.

As redes sociais estão ajudando cada vez mais nas críticas e ao combate de publicidades com esta abordagem. Nesta semana a loja Dafiti deixou todas as mulheres indignadas com uma camiseta à venda que relacionava mulher burra com pleonasmo (vício de linguagem marcado por redundância).

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Após o caso viralizar na internet, a loja tirou o produto do site. Em nota de esclarecimento a empresa divulgou o seguinte comunicado:

“A Dafiti lamenta o ocorrido e esclarece que não compartilha a mensagem expressa no produto em questão e repudia qualquer tipo de manifestação de preconceito e discriminação. Somos uma empresa comprometida em oferecer a melhor experiência de compra online, por meio de marcas e serviços que promovam o acesso a moda a todos os consumidores. Acima de tudo, apoiamos a igualdade de gênero e a diversidade. Acrescentamos ainda que o produto foi disponibilizado para venda por um de nossos parceiros. Tão logo tomamos conhecimento, descredenciamos a marca e seus produtos. Pedimos desculpas a todas nossas clientes.”

Quando a admiração vira paranóia

Por Carolina Munhoz
A televisão traz aquilo que várias pessoas procuram, fama e visibidade. Muitos vêem os seus ídolos como semi deuses e heróis e entram em uma obscessão que muitas vezes se torna loucura. Vários casos mostram o quão longe essas pessoas podem ir para alcançar o seu ídolo ou até mesmo atingí-lo por não conseguir uma aproximação.

Hoje em Fortaleza, em uma gravação de um quadro do programa Caldeirão do Huck da TV Globo, o apresentador Luciano Huck foi surpreendido por uma mulher que tentou se suicidar cortando os pulsos. O apresentador foi ao local para entregar a nova estrutura para uma escola de música que realiza trabalhos em uma comunidade.

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Alguns sites divulgaram que a mulher estava decepcionada por não ter sido chamada para participar de quadros do programa como o “Lar Doce Lar” e o “Lata Velha”, que têm como intuito reformar casas e carros. A forma que ela encontrou de chamar a atenção do apresentador foi tentando se suicidar na frente de uma multidão que estava no local.

Símbolo sexual dos anos 90, a atriz Suzana Alves que ficou conhecida como tiazinha, declarou recentemente que um dos motivos que a fez repensar sua carreira, foi um episódio traumático com um fã que invadiu o seu quarto enquanto ela dormia.

“Acordei de madrugada com ele perto da minha cara e comecei a gritar. Foi desesperador. Nada de grave aconteceu, mas, depois daquilo, eu só dormia com uma camareira na mesma cama e um segurança na porta do quarto. O olhar dos homens durante os shows me assustava. Eu tinha pesadelo porque meu inconsciente não estava em paz” Declarou Suzana.

A apresentadora Anna Hickmann também passou por algo parecido em Belo Horizonte quando um fã armado invadiu seu quarto para tentar matá-la. O cunhado da apresentadora, Gustavo Correa,  estava junto e atirou matando o rapaz. Rodrigo, se declarava com frequência para a apresentadora em seu perfil nas redes sociais.

O que faz essas pessoas muitas vezes arriscarem suas vidas ou até mesmo abrirem mão de tudo por um ídolo? Ao que me parece, a linha entre a admiração excessiva e a paranóia é muito tênue.

Plágio ou inspiração?

Por Carolina Munhoz

A profissão momento é ser blogueira. Corpos sarados, viagens perfeitas, roupas caras e fotos impecáveis é a receita para se ganhar muitos likes e através do grande número de seguidores, começar a faturar.

A palavra plágio começou a surgir nesse meio após muitos seguidores inspirados por suas blogueiras, decidirem seguir a fórmula para o sucesso. Um exemplo disso foi a polêmica envolvendo Lauren Bullen, que costuma mostrar sua rotina de viagens no instagram, e  sua seguidora Diana Alexa.

Diana fez fotos idênticas as postadas por Lauren. Nas imagens ela está nos mesmos lugares com roupas e poses muito semelhantes a da blogueira de viagem.

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Após denunciar o plágio em uma publicação, Lauren disse que a imitação é a mais sincera forma de elogiar. O público começou a duvidar da veracidade da história e acusá-la de inventar tudo para conseguir mais visibilidade. Se essa era sua real intenção, ela obteve sucesso. Com a repercussão da história, Lauren ganhou milhares de seguidores.

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Outro caso muito comentado no meio das blogueiras foi o da estilista Patrícia Bonaldi. Com mais de um milhão de seguidores, a estilista conhecida por suas roupas bordadas com pedraria e rendas, é aclamada por todas as famosas.

O que todos não esperavam é a relação que fizeram dela com a Sass & Bide, marca que se destacou após criar peças para o seriado Sex and the City.

A Blogueira Bia Nicastro fez uma postagem mostrando a relação da coleção das duas marcas. A postagem mostra várias fotos comparando as peças.

Segue link: http://www.bianicastro.com/2012/05/mais-do-mesmo.html

Tudo isso seria uma fonte de inspiração ou a cópia de uma receita de sucesso?

Abelhas Robôs

Por Carolina Munhoz

“Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.” Albert Einstein

Isso já começa a fazer parte da nossa realidade. As abelhas entraram para a lista de espécies ameaçadas de extinção e junto, surgem vários questionamentos.

Uma das causas seria a urbanização cada vez maior e como consequência a destruição do habitat natural dos insetos. Outro fator seria uma doença chamada Síndrome do Colapso da Colônia, na qual as abelhas simplesmente abandonam suas colmeias sem que nada de errado aconteça. A síndrome ainda não foi compreendida pelos cientistas.

Existem 25 mil espécies de abelhas. Sete tipos entraram para a lista das extintas, todas abelhas de cara amarela, parecidas com a comum aqui do Brasil. Várias ideias estão em discussão em torno de alguma solução para tudo isso.

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, já está desenvolvendo RoboBees que seria algo como abelhas drone. O episódio “Odiados pela Nação” do seriado Black Mirror trata um pouco desse assunto, vale muito a pena assistir e imaginar como seria esta nova realidade.

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A série faz uma reflexão dos males pelo uso excessivo  da tecnologia, e o epísódio mostra os danos que as abelhas robôs poderiam nos causar caso fossem usadas para outros objetivos além da polinização.

E nós, o que podemos fazer diante de tudo isso?

Brasileiros a favor de Trump

Por Carolina Munhoz

Como de costume, a Avenida Paulista é palco de inúmeras manifestações durante o ano. Toda e qualquer reivindicação reúne os seus grupos na famosa avenida de São Paulo. Mesmo assim, a última coisa esperada pelos brasileiros, era uma manifestação a favor ao candidato do partido republicano à presidência dos EUA, Donald Trump.

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Trump é conhecido por suas declarações polêmicas e tem sido muito criticado em diversos lugares do mundo. Ele é contra a imigração e prometeu construir um muro na fronteira dos EUA com o México.

“Quando o México manda gente para os EUA, eles não estão mandando os melhores, eles estão mandando pessoas que têm muitos problemas e estão trazendo esses problemas para nós. Eles estão trazendo drogas, estão trazendo crime, estão trazendo estupradores, e, alguns, presumo, são boas pessoas”, afirmou o candidato.

Outra declaração que gerou revolta foi sobre as mulheres. Trump afirmou que pode-se fazer qualquer coisa com as mulheres quando se é famoso.

O que mais me impressiona não é a posição e as declarações do candidato, pois esse tipo de comportamento já se é esperado na política atual que estamos vivendo.

O típico perfil de político egoísta e sem escrupulos. O que mais surprende é um grupo de brasileiros apoiar esse tipo de político que nem faz parte do seu país.

No Brasil temos muitos motivos para protestarmos, na política mesmo não falta. Eu me pergunto, o que essas pessoas pretendem?

Chamar a atenção de quem? Quando vejo coisas assim, imagino que seja apenas pelo espetáculo. Essas pessoas querem de alguma forma ser notadas, vistas, e o único jeito de virararem notícia é apoiando algo tão esdrúxulo.

Todos temos o direito de protestar sobre aquilo que acreditamos. Só espero que esse mesmo desejo seja exercido para os tantos outros problemas que enfrentamos no nosso país.

A diversidade nos holofotes

Por Carolina Munhoz

Na semana passada, o São Paulo Fashion Week que está em sua 42º edição, chamou a atenção em dois momentos.

O evento conhecido por encher a cidade com modelos extremamente magras, trouxe dois desfiles cheios de personalidade.

Sempre surpreendendo o público, o estilista Ronaldo Fraga contou apenas com transsexuais na passarela, colocando todos os holofotes sobre a temática. As modelos usaram apenas um único modelo de vestido em várias versões. O foco não estava nas roupas e sim nas pessoas.

O estilista declarou que a história das roupas só existe porque por trás delas, estão pessoas com histórias, e afirmou gostar dos “invisíveis”.

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O outro ponto alto ficou com o rapper Emicida. O artista que já tem grande influência no meio musical, se revelou no mundo da moda. Ao lado do irmão Evandro Fioti, ele colocou a sua nova marca de roupas, a LAB, para impressionar as passarelas com a celebração da cultura afro.

O destaque ficou com a diversidade dos modelos, entre eles, minorias que geralmente não são representadas nas passarelas do evento como negros, um homem com vitiligo e modelos plus size.

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Em entrevista para o jornal A Folha De São Paulo, Emicida declarou que hoje a beleza está sendo entendida de uma forma pobre e que o seu objetivo foi enriquecer essa temática, colocando pessoas comuns que encontramos na calçada todos os dias.

A cultura japonesa também esteve presente com modelagens que remetiam a quimonos. O rapper contou que a inspiração veio de um escravo africano, Yasuke, que foi levado ao Japão por um padre jesuíta e se tornou um samurai. Emicida acredita que o Brasil é um lugar onde vivem muitos asiáticos e negros e que estamos ressignificando nossa história.

Outra coisa interessante é que as peças da sua coleção, podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. Uma diversidade de coisas que iluminaram a passarela do evento e trouxeram para a mídia, assuntos debatidos frequentemente em nosso cotidiano de uma forma artística e poética, como as músicas que ele faz.