Categoria: André Rodrigues Teixeira

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Por André Rodrigues Teixeira

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Eu gosto de ouvir Shakira. E você?

Preferência musical é algo muito particular. Cada pessoa com suas tendências, individualidades e seu repertório cultural. Numa sociedade diversa e democrática a preferência de cada um por algum gênero musical deve ser respeitada.

Ainda sim, é necessário que se faça uma explicação sobre a diferença entre cultura popular e cultura de massa. Tal esclarecimento é fundamental para que se evite conceituar tudo o que faz sucesso como cultura popular.

Cultura de massa está ligada ao que está em alta na mídia, enquanto a cultura popular vincula-se à essência de um povo. A cultura de massa diz respeito a um produto que é propagado para muitas pessoas através dos meios de comunicação. É operacionalizada pela indústria cultural com o objetivo de conseguir lucros. A cultura popular refere-se às diferentes manifestações que são populares e com origem em diferentes regiões, sendo relacionada à tradição e transmitida por gerações.

Mesmo que tenhamos gostos musicais diferentes e ecléticos, que se prefira um ritmo a outro, de acordo com nosso estado emocional ou nosso contexto cultural, é importante não abandonarmos a reflexão e não cair no deslize de rotular alguns sucessos construídos pela mídia com o objetivo de continuar lucrando, como sendo uma expressão da cultura popular de uma sociedade.

Vale uma crítica à cultura de massa, assim como os pensadores da Escola de Frankfurt fizeram, não por causa de sua característica mais popular, não se trata de implicância às manifestações culturais vindas das classes populares, é exatamente o contrário. A ideia é preservar o conceito de cultura popular. A cultura de massa, de maneira geral, está apoiada nas marcas da dependência e exploração a que pessoas foram condicionadas há muito tempo.

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Identidade

Por André Rodrigues Teixeira

Ao conseguirmos a possibilidade de ter mais coisas, criamos uma identidade mais clara e conciliável com nós mesmos: ao contrário do que parece, somos o que temos acesso e não o que temos.

Nossa identidade é formada de várias maneiras. Somos o lugar que nascemos, o que lemos e o que postamos nas redes sociais. Somos o que fazemos quando ninguém está por perto olhando. Atualmente somos mais o que consumimos e o que parecemos ser. Mas o consumo ainda é controlado por empecilhos como o meio ambiente (não que isso seja ruim) e barreiras financeiras.

Estar em algum lugar hoje não significa necessariamente estar presente. Antes do acesso à internet tomar conta da nossa atenção, nosso foco se concentrava onde estávamos presente fisicamente.

O estar presente físico mas não o mental altera a clareza da formação de nossa identificação. O pertencimento a um lugar significava muito mais. Por exemplo: dizer a nossa origem exercia um nível de identificação simples, mas a globalização e as tecnologias nos fazem achar que temos mais identidades culturais em comum com pessoas de um grande centro urbano distante a alguém que mora na nossa própria cidade.

Estamos passando por essa mudança do comportamento individual, que antes era sólido e inalterável, e agora é instável, mutável, com múltiplas identidades.

Selfie de cada dia

Por André Rodrigues Teixeira

A comemoração da imagem individual é um assunto do momento. Pensadores sobre questões da atualidade observam nos selfies mais uma demonstração contemporânea da veneração à imagem.

As mídias sociais inclinam a formar uma figuração feliz de nós mesmos. É uma tentativa de oferecer à tribo que pertencemos imagens afetuosas de nossas vidas. Vivemos em sociedade e isso faz parte.

Parece que é uma tendência que atinge especialmente as gerações mais jovens: acomodação ao mundo. Adaptação, ajustar-se aos outros. Então, se a regra é selfie, nós tiramos uma!

Nossa rotina está de fato na sociedade do espetáculo. E, por estarmos mergulhados neste contexto, também participamos gerando e reproduzindo nossas próprias autoimagens.

Por que temos esse comportamento? Identidade social? Afirmação da personalidade? Necessidade de participação? Aplacar o tédio ou ansiedade? Seja qual for o motivo, eu e você participamos do que está acontecendo.

Agora eu vou ali tirar um selfie. Ou uma selfie?

Tradicional para quem?

Por André Rodrigues Teixeira

Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego. Também não me importei.

Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo.

A origem de princípios que intencionam ser expandidos a toda população não é um episódio recente. Faz muito tempo que estereótipos foram determinados com o objetivo de que todos seguissem regras e valores pré-determinados. O diferenciado é o maior inimigo do cidadão de bem. O tradicional se sente ameaçado com a ideia de um mundo livre, em que os cidadãos sigam suas vontades independentemente do que os outros pensam como deveria ser.

O cidadão de bem está atento, sempre querendo observar problemas na sociedade. Está preparado para usar a força quando necessária. O cidadão de bem bate panela com a mesma intensidade que bate em estudantes. Na força policial ele vislumbra a salvação do que considera tradicional.

E para você, cidadão de bem, que na verdade só pensa no seu próprio bem; talvez a adaptação do poema ‘Intertexto’ de Bertolt Brecht no início desta publicação possa explicar como será o seu amanhã.

Comunicação em debate

Por André Rodrigues Teixeira

A comunicação tem como objetivo servir à sociedade. Quem faz da comunicação sua profissão nem sempre se defronta com situações em que o certo e o errado são fáceis de identificar. Às vezes as variantes são mais imperceptíveis.

Um fotógrafo deve capturar a imagem de uma criança morrendo ou ajudá-la? Qual é o relacionamento possível e ético com uma fonte de notícias? Até onde ir para conseguir aquela manchete? Uma agência de publicidade deve abrir mão de um prêmio que ganhou com uma campanha polêmica?  Um repórter pode encobrir sua identidade para conseguir uma boa informação?

            Esta publicação é um convite para você se questionar o tempo todo. Para que sua atividade profissional, principalmente na área de comunicação, não perca a razão de ser.

De resto, no exercício rotineiro da cobertura e publicidade dos fatos que interessam à sociedade, a conduta ética muitas vezes se confunde com a própria qualidade técnica do trabalho.

O aprendizado de ética não se limita à sala de aula, apesar dela ser um espaço privilegiado para a discussão do tema.

É essencial falar mais sobre isso. Mas tenho poucos caracteres disponíveis.

Cultura Nerd

Por André Rodrigues Teixeira

Ser chamado de Nerd era um tipo de ofensa. Com o tempo, os que eram apelidados assim passaram a assumir o que antes era pejorativo como uma referência ao grupo. O termo virou uma marca de pessoas com gostos em comum, geralmente ligadas a uma cultura específica. Os Nerds passaram a se demonstrar como um grupo de fato, mas ainda causando uma visão negativa das pessoas de fora. ‘Geek’ passou a ser uma espécie de sinônimo, principalmente quando a pessoa expressava ser viciada em algumas culturas de nicho.

Nos últimos anos, incentivada pelos meios de comunicação, despontou uma nova imagem de Nerd ou Geek. Eles se tornaram legais. Mas, esse traço cultural está sendo mais aceito ou é uma questão de moda?

A ‘Indústria Cultural’ produz uniformidade da população quanto a gostos e inclusive os faz passar rapidamente. Os filósofos Adorno e Horkheimer falaram da padronização da produção e consumo da cultura, frente à vontade autêntica de liberdade e criatividade: a indústria cultural igualou as pessoas.

E o que isso tem a ver com os Nerds? Eles estavam mais associados a nichos de mercado, não eram uma cultura popular. Compartilhavam de comportamentos muito específicos e levavam isso muito a sério, atingindo até mesmo outros níveis de contemplações dessas manifestações.

Pessoas com interesses muito exclusivos e quase sem oferta de atendimento do mercado podem se tornar fieis às mercadorias relacionadas ao seu interesse: a dificuldade de encontrá-las faz com que se tornem compradores habituais de produtos ligados ao seu interesse específico. E como tudo para a Indústria Cultural pode virar investimento, depois de alguns anos, os Nerds chamaram a atenção de investidores…

Festa do Consumo

Por André Rodrigues Teixeira

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É mais confortável seguir o ritmo da nossa sociedade de consumo. Acostumados com a rotina, estamos sempre dispostos a aproveitar aquela promoção que é ‘só hoje’.

Nós mantemos o sistema em ordem e o tempo todo somos lembrados da importância de mantê-lo funcionando. Parece até que estamos dependentes. Mas esta dependência é sutil e usamos a força da mídia para fazer parte deste jogo de sedução.

Muitas vezes somos encantados pela promessa de felicidade disfarçada atrás do consumismo. Atraídos por todos os sorrisos espalhados nas propagandas. Estamos preparados a acreditar que a tal felicidade só é possível se temos condições de participar da festa do consumo.

O tempo inteiro nos lembram da necessidade indispensável de consumir, pois como bem lembra Huxley:

Sessenta e duas mil repetições fazem uma verdade.

Assim, somos atraídos por um sistema que traz satisfação, mas nos torna sem critérios. Parece que passamos a enxergar a realidade apenas pelas lentes que nos são oferecidas.

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão. || Aldous Huxley