Categoria: Allan Fernandes

#FightUnfair

Por Allan Fernandes

Curioso como uma campanha realizada em cima de um experimento social é capaz de despertar tantas ideias e repensar nossas próprias atitudes.

A UNICEF, em junho deste ano, veiculou uma campanha intitulada #FightUnfair protagonizada por uma criança. Duas situações diferentes foram elaboradas: Na primeira, a criança, aos farrapos, pedia esmolas e ajuda para transeuntes aleatórios na rua. Na segunda, a mesma personagem continuaria com seus pedidos, dessa vez com uma roupa muito mais apresentável e muito mais aprumada. Surpreendentemente (ou não), a porcentagem de ajuda que ela recebeu uma vez bem arrumada foi muito maior. E mais: Em uma determinada ocasião do experimento em que esteve aos farrapos, um adulto a ameaçou seriamente, a fazendo correr desesperada para os braços da equipe técnica, que felizmente não estava muito distate da ocasião.

Não nutro a intenção de calcular quantas vezes nós erramos em impensadamente desconsiderar as necessidades de moradores de rua em nossas semanais peregrinações na cidade cinza, mas sim de estimular o enxergar não somente de nossas atitudes, mas sim de uma realidade que por vezes se camufla sob uma primeira impressão ilusória. O olhar do profissional e estudante de comunicação é o mais aguçado e crítico de todas as áreas, e temos em mente que o trabalho de aprimoramento não é feito somente nos órgãos da vista, mas também no do coração. Sensibilizar-nos é uma tarefa diária, onde a evolução e robustecimento de caráter são obrigatórios na busca do melhor de nós mesmos, em busca do mais belo humano que poderemos ser em vida.

 

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Caneta Desmanipuladora

Por Allan Fernandes

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O bombardeio de notícias do qual participamos é digno das mais aprofundadas análises. Vê-se um entrechoque contínuo de dados que em muito se assemelha a um verdadeiro jogo de tabuleiro, onde as reais intenções por vezes jamais são reveladas. Felizmente, porém, há estudantes e profissionais que sabem, e muito, dos perigos de viver em sociedade acriticamente, e algo fazem para ajudar o próximo nessa empreitada.

Uma das muitas páginas que apareceram recentemente no Facebook, estimuladas talvez pelo aumento da discussão de assuntos de cunho midiático-político nas redes, foi a Caneta Desmanipuladora. Não afirmo que ela é um imaculado exemplo de imparcialidade jornalística (ouso dizer que é basicamente impossível um veículo de comunicação organizado por humanos destituído de qualquer influência), porém devo reconhecer sua louvável iniciativa de procurar identificar distorções crassas de informações na grande mídia impressa.

Nos deparamos novamente com mais um convite ao exercício do senso crítico diário. Como o alvo de todo o material jornalístico produzido somos nós, nada mais justo e lógico do que capacitarmos nossa mente e calibrarmos nossos filtros de recepção, evitando assim que sejamos facilmente influenciados por grandes corporações e pessoas cujos interesses longe estão de somente quererem nosso bem estar e nossa boa instrução. Que tenhamos sempre uma caneta desmanipuladora a postos, com a carga bem cheia, pronta para rabiscar os papeis que jogam na nossa cara.

“If you don’t read the newspaper, you’re uninformed. If you read the newspaper, you’re misinformed” — Mark Twain

Memória Viva

Por Allan Fernandes

A vida possui momentos ricos que são armazenados em uma memória que não é RAM, nem se assemelha com um disco rígido. São imagens que marcam nossa existência, que contribuem na moldagem de nosso caráter e podem passar tão rápidas como uma transmissão de dados flash-memory, apesar de se alojarem num tempo “cairótico” de difícil explicação. A binariedade maquinal dificilmente compreenderá a riqueza quântica humana, e talvez jamais devasse a profundidade de nossos mais recônditos sentimentos.

Todas as nossas ações na Internet são registradas de forma indelével, disso com certeza já sabemos. Uma vez que nossa pegada nas areias digitais se faz presente, dificilmente haverá algum recurso acessível que nos fará editar esse histórico de comportamento pessoal online.

Aliás, esses dados são tamanhos que Jon Kleinberg, cientista da universidade de Cornell, e Lars Backstrom, engenheiro do Facebook, elaboraram um algoritmo “capaz de determinar com quem uma pessoa está saindo e quais as chances de o namoro chegar ao fim num futuro próximo” com até 60% de acerto. Assustador, alguns diriam. Pior do que a equação, porém, é a possibilidade de passar quase uma vida dependente de uma rede, atrelada à um meio vicioso onde você sacrifica seu “humano” para se tornar uma URL de perfil de Facebook.

Sorte que há um verdadeiro êxodo de pessoas que notaram que a vida acontece fora do Big Blue. Nossa memória, aquela que não se assemelha a um disco rígido, agradece.

Respeitável Público

 Por Allan Fernandes 

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Curioso como o óbvio, no que tange ao respeito e à educação, muitas vezes não aparece na história da publicidade. A objetificação da mulher, por vezes midiaticamente interpretada como algo meramente sujeito à conquista do homem em uma sociedade falocêntrica, ainda impressiona estudiosos e expectadores de todo o mundo. Métodos ardilosos para explorar a ingenuidade infantil por parte de grandes corporações, driblando estatutos e buscando brechas contratuais como moscas que anseiam por um repasto de carne putrefata, pululam de quando em vez e confirmam que a barbárie moral marca seu ponto nos diálogos organizacionais de toda parte.

Triste distopia, onde indicadores de fatia de mercado e alcance de impacto de campanha egoisticamente sobrepujam valores sociais que há tempos não recebem seu merecido destaque na rotina dos supostos profissionais de comunicação. Profissionais esses que aparentemente não percebem o nível que inescrupulosidade que algumas iniciativas alcançam, ferindo nossos sentidos com convites e engodos que longe estão de se preocuparem com seu consumidor alvo.

Felizmente, a evolução tarda, mas não falha. Órgãos fiscalizadores apertam o cerco, grupos de consumidores exigem transparência e responsabilidade crescentes, e a sensação de que existe uma liberdade desenfreada na produção já não é mais uma realidade. Esperamos que um dia o espetáculo, por mais que continue, saiba ao menos respeitar seu público.

Admirável Grupo Novo

Por Allan Fernandes

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O primeiro grupo do semestre a palestrar, formado pelos colegas André, Fabio, Giovana e João Pedro, apresentaram a clássica obra de Aldous Huxley e inauguraram com grande propriedade as tão esperadas semanas de exposições de nossa turma. Utilizando recursos audiovisuais e várias referências paralelas, o romance do escritor inglês foi estudado sob diversos ângulos, evidenciando que aquele mundo distópico de pré-condicionamento psico-biológico pode ser interpretado das mais variadas formas, reforçando toda a riqueza que o assunto proporciona.

Por ser uma obra de global alcance e indiscutível influência, muitos artistas se inspiraram e até a presente data realizam produções e criações onde a sociedade de castas ectogeneticamente produzida persiste em dar suas caras nos tempos modernos sob diversos disfarces, porém respeitando religiosamente o sórdido maquinário superficial de entidades acríticas cujas atitudes em nada acrescentam, apesar de seu consumo diário da droga ironicamente chamada de “soma”.

Ficamos todos surpresos com a simplicidade porém eficaz exposição dos pontos principais do trabalho por parte do grupo,que inclusive lançou mão de uma dinâmica que simulava uma mágica, sendo que tudo não passava de um jogo onde o responsável pela transmissão das mensagens sabia desde o início a resposta final, ludibriando com sucesso a todos os receptores.

Falar sobre um tema muito antigo mas ao mesmo tempo extremamente atual parece ser fácil, mas exige uma grande capacidade de organização de ideias e principalmente um entendimento aprofundado adequado para que a clareza não se mostre ausente em nenhum instante.

Parabéns ao grupo!

Curiosidade mórbida

Sem título2.pngPor Allan Fernandes

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Desde a origem dos tempos o ser humano nutre um desejo por vezes insofreável de conhecer um pouco mais desse misterioso e obscuro terreno da morte. A passagem do mundo carnal para o imaterial é rondado de cogitações e especulações há milênios, e até hoje somos vítimas de nossas próprias idealizações, alimentadas por histórias que somente colorem ainda mais nosso imaginário.

A morte há muito tempo assusta a humanidade. Já que o maior desejo do homem é a imortalidade, naturalmente morrer se torna o inimigo número um desse nosso anseio milenar. Alguns países possuem formas diferenciadíssimas de lidar com esse tabu: Os mexicanos, por exemplo, comemoram o Día de Muertos (ou Conmemoración de los Fieles Difuntos) tendo refeições nos cemitérios. No interior do país, ainda se tem o costume de conversar com os falecidos para lhes deixar a par dos últimos acontecimentos no mundo dos que ainda não foram.

No vastíssimo universo da comunicação, a curiosidade envolvendo a morte é estudada e, diga-se de passagem, muito bem explorada. Notícias calamitosas têm uma procura muito mais frequente, e assassinatos por vezes vão para o ar estrategicamente como verdadeiros clickbaits, ou isca de cliques, a fim de que as metas de visita de página sejam alcançadas nos grandes portais.

Um assunto de tamanha grandiosidade e riqueza não cabe somente em uma postagem. Portanto, que o estudemos sempre, inclusive para que possamos nos inspirar um pouco mais em vida.

“Nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte.” Sêneca

A Jornada do Esportista da Mente

por Allan Fernandes

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Todo atleta, quando se prepara para sua avaliação final ou para um grande campeonato, condiciona seu corpo antecipadamente: Alimentação adequada, exercícios regulares e uma inegociável disciplina. Não se obtém uma performance invejável negligenciando as exigências necessárias de um profissional que almeja o destaque no pódio, ou ao menos o próprio reconhecimento de ter executado algo exemplarmente.

Similarmente, o bom esportista da mente ambiciona um crescente desempenho na divina arte do pensar, saltando os obstáculos da preguiça, sobrepujando as barreiras da falta de tempo, atravessando a fortes braçadas a piscina das renitentes distrações e acertando o desejado alvo do foco. Como toda modalidade, uma boa colocação exige um trabalho prévio nos bastidores que ocupa 99% de todo o tempo. Não ganha quem vence um oponente… Ganha quem consegue vencer a si mesmo.

A imposição de dificuldades é automática, o chamariz da procrastinação insiste em nos distrair. Porém, esses mesmos elementos que tudo têm para serem odiados acabam se tornando fortes aliados. Graças a eles, nossas virtudes se robustecem, nossa vontade é posta no cadinho das provas e somos continuamente testados. Nessa jornada, somente os heróis mais valorosos podem ter a honra de retornar com o elixir do conhecimento, após terem suportado todas as provações do mundo moderno.