Categoria: Adríssia Di Paula Santos Costa

Justiça ou tortura?

Por Adríssia Di Paula

Há alguns dias, os olhos de toda a internet brasileira se virou para o caso de Maicon Carvalho dos Reis, tatuador que foi preso por torturar um adolescente de 17 anos que havia tentado assaltar uma pensão. Maicon tatuou a frase “eu sou ladrão e vacilão” na testa do jovem e também filmou a tortura. Logo, postou nas redes sociais, afirmando que fez justiça com as próprias mãos.

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O caso repercutiu com bastante rapidez. A atitude, justificada como “impulso”, viralizou nas redes e obteve opiniões divididas, sendo que a maioria se revoltou contra o tatuador. “Tortura não é justiça. O jovem poderia ter uma segunda chance e o cara estragou tudo”, comentou um dos usuários. Outros, rebatiam “bem feito, quero ver assaltar de novo”. Ao meu ver, as opiniões dos usuários, principalmente daqueles que acharam “bem feito”, já define bem o caráter dos mesmos – conseguimos dividir bem quem faria a mesma coisa. Não é assustador? Há quem tenha empatia e há quem não acredite na mudança do jovem. De qualquer maneira, crueldade realmente não é justiça e Maicon foi condenado por tortura, que pode levar de 8 a 10 anos de prisão. Já para o adolescente, foram doados por volta de R$16 mil reais em uma vaquinha online para que ele possa fazer uma remoção de tatuagem. Há quem diga que isso é passar dos limites. Para outros, isso representa mudança e esperança. As redes sociais, por fim, acabaram ajudando o jovem, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Independente da opinião de quem é à favor da tortura, o jovem talvez ganhe uma segunda chance.

Vídeos postados na internet com intenções “boas” nem sempre realmente tem intenções boas. Nem todo mundo é o Batman para fazer justiça com as próprias mãos. Devemos lembrar que nem sempre vingança é a melhor solução… E que a internet nunca perdoa.

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Defina sensível

Por Adríssia Di Paula

No mês passado, o Youtube causou polêmica nas redes sociais ao lançar uma nova ferramenta de restrição de conteúdo que bloqueia alguns “conteúdos sensíveis” da plataforma, impedindo que determinados vídeos sejam visíveis para alguns usuários – em especial, menores de 18 anos.

A polêmica nasceu após os usuários do maior site atual de streaming de vídeos notarem que a maioria do conteúdo “inapropriado” fazia referência ao universo LGBT. Vídeos de artistas de grande nome e voz para a comunidade, como Lady Gaga e Madonna, não aparecem na busca do site em modo restrito. O maior problema é que o bloqueio não se deu apenas ao conteúdo dos vídeos, mas se um artista é abertamente gay, as chances de seus vídeos terem sido bloqueados são grandes. Assim como aconteceu com a dupla Tegan and Sara, gêmeas abertamente homossexuais, que utilizaram as redes sociais para reclamar sobre o assunto. “Pessoas LGBTQ não deveriam sofrer restrição. Triste!”, twittaram.

Videoclipe de “Back In Your Head”, da dupla Tegan and Sara, bloqueado no modo restrito.

Muitos outros artistas também falaram sobre o assunto e a hashtag #YouTubeIsOverParty foi uma das mais comentadas no Twitter. Após perceber a gigante repercussão da nova ferramenta, o site se pronunciou nas redes sociais, alegando que têm orgulho de representar a comunidade LGBT na plataforma e que o objetivo do modo restrito é apenas filtrar conteúdo censurável para um grupo de pessoas que querem experiência limitada (como escolas, por exemplo). No blog do YouTube, Johanna Wright, vice-presidente de gerenciamento de produtos, escreveu que a ferramenta não está funcionando da maneira correta e pediu desculpas pelo erro, afirmando que ele será corrigido. Até o momento, nada mudou no sistema.