Categoria: ADMIRÁVEL/2SEM2016

Tá com dor de cabeça? Chama a Neosa

Morei em Araraquara durante a faculdade, então toda vez que decidia visitar meus pais, tinha que pegar um ônibus para Campinas, e depois de lá pegar um circular para Indaiatuba.

A rodoviária de Campinas marcou muito minha vida. Em 2010 ela foi reformada e ficou enorme. Toda moderna, cheia de lojas e etc. Tinha até escada rolante.

Em um desses finais de semana que viajava para Indaiatuba,enquanto me movimentava pelas plataformas, me deparei com uma propaganda enorme:

neosa

Fiquei chocada. Talvez porque estivesse cursando Farmácia e Bioquímica, mas mesmo assim. Era a primeira vez que via a doença ser tratada tão casualmente, e ao mesmo tempo tão comercialmente. Vivemos em uma sociedade tão medicalizada, que necessitamos de remédio para tudo, a qualquer hora.

Não estou falando para nos mantermos com dor, longe disso. Mas será que toda dor de cabeça precisa de remédio? Será que não custa esperar um pouquinho e ver se passa?

Além disso, a Neosa pode mascarar muita coisa, afinal ela trata sua dor de cabeça, sua febre e etc. Às vezes não era só uma dor de cabeça, mas algo muito mais sério.

Mas não dá tempo.  Melhor remediar. Sempre.

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Vida e morte, e morte em vida

Estamos morrendo todos os dias, me disse um professor.

A morte talvez seja a única coisa certeira na vida. Não há nada mais inevitável do que ela. Hoje temos recursos para adiá-la, contorna-la, torna-la mais confortável, mas é fato que todos morreremos um dia. Então, porque grande parte de nós não lida bem com ela? Medo do que acontece depois, do sofrimento? Apego aos que partem, solidão?

Antigamente, enterrar os corpos dos seres amados tornava a terra sagrada. Devolver à terra os corpos dos ancentrais, fazia também que eles mesmos se tornassem sagrados, pois se acreditava que o homem era nascido dela. Nessa época pagã, era costume construir as casas ao lado dos túmulos; era habitual entender a vida e a morte como intimamente ligadas.

Foi o cristianismo que introduziu a noção de sacralidade da vida; foi então que se passou a concebê-la como um dom de Deus a ser preservado. Pondo-se no lugar da Filosofia, a Religião aparece agora como aquilo que traz reconforto e consolo.

Quando alguém parte, o medo do que há do outro lado assombra os que ficam. Para onde foi meu pai, irei vê-lo um dia? Será que descansa, está num lugar bom?  E lembra também, que um dia morreremos.

Será que surge um questionamento moral quanto à vida que vivemos? Não é comum vermos pessoas dizerem fazer o bem para depois ir para o Céu. O medo de poder ir para o Inferno acaba por motivar as pessoas a serem boas. Bizarro. Fazer o bem pelo medo de ser punido por não tê-lo feito mais tarde. Acho que a motivação está um pouco errada.

“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos” – Picasso

Não manda nude

A americana Whitney Bell criou uma exposição um tanto quanto irreverente ao primeiro olhar. “I Didn’t Ask For This: A Lifetime of Dick Pics” contém 200 fotos de pintos que ninguém solicitou. Sabe aquele “Manda nude”? Então, essa exposição trata de todos os nudes que foram enviados sem prévia requisição ou autorização.

Em entrevista, a fotógrafa explica que o objetivo da mostra não é expor os homens que enviaram suas partes íntimas, mas sim mostrar à que são expostas às mulheres.

whitney-bellCom a tecnologia, o assédio hoje em dia pode ocorrer em qualquer lugar. Qualquer um pode te mandar um nude não-requisitado, seja via Whatsapp, e-mail, ou Messenger do Facebook. Basta ter o contato de alguém.  Talvez o assédio até seja maior hoje em dia, afinal as pessoas podem se esconder atrás da tela do computador ou celular. Não precisa mais abordar alguém no cara-a-cara.

O fiu-fiu se extendeu da calçada para o celular. É triste, mas nem dentro de casa mais estamos seguras.

http://www.vice.com/pt_br/read/fotos-de-pinto-exposicao

Catraca Livre em queda livre

Após o enorme deslize na semana passada, para não usar um outro termo pior, o Catraca Livre vem perdendo milhares de seguidores.

Como já escrito aqui no Blog, no dia da tragédia com a delegação do Chapecoense, a página do facebook do Catraca Livre quis pegar onda na notícia e se deu mal. Vários posts de muito mal gosto referenciando o ocorrido foram feitos pela manhã, com revolta dos usuários.

A empresa inicialmente não recuou e defendeu que o que estava feito era jornalismo, e somente no período da noite se retratou. Ao divulgar uma nota se desculpando e assumindo a culpa, o jornalista Gilberto Dimensteise complicou mais ainda, usando um tom arrogante e autoindulgente escrevendo, entre outros, o seguinte absurdo:  “Ganhei todos os prêmios possíveis como escritor e jornalista”.

Os seguidores não perdoaram. Iniciou-se um boicote à pagina, que envolvia desde estímula à pessoas descurtirem a página, até manifestação na porta da Edição.

Até o momento, a página já perdeu cerca de 1 milhão de seguidores.

É, Catraca. A audiência de vocês está caindo em queda livre. Melhor usar um pára-quedas melhor na próxima tentativa de se redimir.

catraca

 

Evolução humana: Eu, mutante.

Quantas vezes olhamos para a rua ou para o espelho e nos perguntamos “o que mudou na nossa espécie?”.

Evidentemente não é uma pergunta comum. Até questionamos sobre o avanço da tecnologia, ciência. Mas tratando de evolução de espécie chegamos nas fotos comparativas do australopitecos ao homo sapiens sapiens e paramos por ai.

“Ah, afinal são milhares de anos para atrás e para frente que fazem a diferença”.

E se dissermos que a evolução acontece em todos os dias. E que está acontecendo agora. Que pode estar acontecendo na sua mesa de jantar, ou que podemos nós mesmos sermos os responsáveis por nossa própria evolução – ou involução…

Tudo bem, já imaginamos aquela resposta “ah sim, existem mesmo apenas 2% de ruivos no mundo e eles podem acabar”.

Não é só isso. E nem só a extinção de quem tem olhos azuis, ou dos canhotos, ou que tudo será a eliminação de genes recessivos, pronto e acabou.

Lógico que jamais desprezaremos Darwin, a seleção natural é um grande causador das alterações de genes e tudo o mais, entretanto vamos além. Os genes podem ser alterados pelo meio ambiente. Pelo que os indivíduos andam ingerindo. Pela Lei do Uso e Desuso de Lamarck (nome inteiramente autoexplicativo). E por mutações até em laboratórios!

Pouco divulgado, mas tem quem hoje já nasça sem os dentes do siso, afinal, os alimentos são bem mais facilmente digeríveis hoje.

Há, também, pesquisas que afirmam que em um futuro “breve”, o homem não possuirá o dedinho do pé. Ele já não tem mais função, visto que o equilíbrio é estabelecido pelos dedos maiores e o quinto dedo servia apenas para literalmente “escalar árvores”. – menos função ainda ele possui quando vivemos topando naquela quina…

Agora é claro que a ciência também possui uma parcela da culpa, para o bem ou para o mal. Enquanto muitos laboratórios testam diariamente mecanismos de eliminar genes que sofreram anomalias, ou que causam doenças ao ser humano; outras tantas indústrias trabalham, através, claro, de interessem econômicos, para produzir diversos tipos de hormônios e pesticidas que vão diretamente para nossa alimentação, envenenando nós mesmos e as próximas gerações.

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Se palpite fosse bom, não seria grátis

A personalidade de uma civilização pode mudar com o tempo, com o local em que se habita, com os círculos de afinidades, mas algumas atitudes podem ser explicadas pela ciência, atitudes que independem de época ou estado existencial, determinações quase biológicas.

Um exemplo, é a necessidade irresistível de alguns seres humanos de interferirem na vida de outros com suas opiniões, muitas vezes sequer solicitadas.

A psicologia explica que até os 8 anos temos 55% de nossa personalidade formada e nesse período as crianças possuem grande noção de como os adultos interferem em sua vida, desde os pais e avós, até os professores.

Existem estudos que indicam que quanto mais “livre” a criação desses pequenos, mais interessados em suas próprias vidas e menos nas dos outros deverão ser esse adultos.

Parece óbvio, mas quantos de nós chegam a essa conclusão?

Tenho a impressão que essas intervenções não requeridas são muitas vezes sinônimos de extremo egoísmo e egocentrismo, ao passo que quando realmente necessitamos de conselhos e do tempo de alguém seja por algum problema físico ou psicológico, o número é bastante reduzido de quem estará realmente disposto a essa “complacência”, visto que até com simples “Oi, tudo bem?”, tudo o que o outro deseja ouvir é uma resposta afirmativa.

Vou mais além. Egoísta esse ser que precisa se auto afirmar sobre suas experiências de vida tão válidas e que deram tão certo. Quase uma vangloriação em cima de quem talvez ainda não tenha acertado, mas pior que isso, em cima de quem está disposto a acertar mesmo que seja errando, e que nunca pediu a opinião de ninguém.

 

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O que dizer de 2016?

2016-2017

Por Fabiana Medina

Foi um ano sem pausas. De tudo tivemos um pouco, ou melhor, tivemos de sobra. Arrocho, crise econômica, desemprego, crise política, desastres ambientais, terrorismo no mundo, violência, presidente deposto, novos tempos em Cuba, Donald Trump eleito, tragédias na aviação. Fortes emoções.

Apesar de já ter começado difícil, aquele ano cheio de boas esperanças – principalmente como era esperado no 2º semestre – não aconteceu. Talvez estejamos em processo ou no início do longo caminho para se chegar lá. Mas não se pode negar que foi um ano muito difícil.

Em meio aos acontecimentos desastrosos, 2016 foi ano olímpico. Conquistamos o ouro no voleibol masculino na Rio 2016 e, no campeonato Brasileiro de Futebol, o Palmeiras levou o título de grande campeão. A seleção brasileira de futebol ganhou novo técnico, o Tite, e nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, está lá no topo.

Dizem que nas horas difíceis, é que conhecemos verdadeiramente as pessoas. Pois bem, brasileiro não desiste nunca. Apesar dos fatos em 2016 nos assombrarem, nos desiludirem, eles nos trouxeram novos desafios e não podemos deixar a peteca cair. Vamos em frente. É preciso, recriar, reinventar e acima de tudo acreditar que dias melhores virão.