Categoria: ADMIRÁVEL/1SEM15

Apertem os cintos, a presidente sumiu…

Por Beatriz Simões Araujo

Com a atual crise que assola o país, a presidente Dilma Rousseff deixou de lado todas as promessas de campanha e tomou decisões totalmente diferentes do esperado. A cada corte e/ou ajuste na economia, a rejeição da presidente aumenta. No início do ano, o ex-presidente Lula incentivava a atual a levantar a cabeça e não se preocupar com as investigações da Petrobras, enquanto a oposição clamava por impeachment.

Seis meses depois da posse de Dilma Rousseff, o PSDB de São Paulo já lançou o governador Geraldo Alckmin como candidato à presidência em 2018. O senador Aécio Neves está aparecendo cada vez mais na mídia e nas redes sociais, representando a oposição e tentando fortalecer sua imagem para a eleição de 2018. O ex-presidente Lula, que em fevereiro defendia o governo da presidente, já assume que o momento atual é difícil para o PT, para ele e para a presidente: “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto. Todos estão numa situação muito ruim. E olha que o PT ainda é o melhor partido. Estamos perdendo para nós mesmos” e continua as críticas apontando que Dilma Rousseff não ouve conselhos.

Hoje o Datafolha divulgou uma pesquisa para a corrida presidencial considerando dois cenários: com Aécio Neves e com Geraldo Alckmin como candidatos. Em seis meses de governo, candidatos, jornalistas e eleitores já pensam nas próximas eleições. Enquanto isso, a presidente evita aparecer para que não haja “panelaço”. Em um ato inédito, nas comemorações do dia do trabalho, Dilma Rousseff fez seu discurso por redes sociais para evitar manifestações. Dias depois, a presidente não se pronunciou na propaganda do PT, que teve o ex-presidente Lula e o presidente do PT Rui Falcão falando sobre corrupção, terceirização e ajuste fiscal.

Recentemente, o apresentador Jô Soares fez uma entrevista com a presidente e foi duramente criticado por ter adotado uma atitude amena, sendo inclusive ameaçado com “morra, Jô Soares” em frente ao seu prédio e acusado de ter recebido dinheiro pela Lei Rouanet. Afora esta entrevista, a presidente está cada vez mais sumida e todos querem seu lugar. Não é fácil ser Dilma Roussef no momento.

Sites consultados:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/06/aecio-tem-35-lula-25-e-marina-18-diz-pesquisa-datafolha.html

http://www.valor.com.br/politica/4012744/lula-defende-ajuste-e-diz-que-dilma-voltara-fazer-pessoas-sorrir

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/06/20/interna_politica,660341/lula-critica-dilma-e-diz-que-ela-esta-no-volume-morto.shtml

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/psdb-de-sao-paulo-lanca-alckmin-como-candidato-em-2018

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Errei, e agora?

Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar as minhas opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.

Alexandre Herculano

Por Beatriz Simões Araújo

Nos últimos empregos que tive, meus chefes costumavam falar: “Errar é normal, mas aqui precisamos evitar o erro a todo custo”. Sou editora, faço livros, e um dos meus maiores medos é encontrar um erro em algum livro que fiz. Eu sei que ele estará lá, não sou perfeita, mas ao pegar o livro pronto, tenho medo de folheá-lo. Um medo que compartilho com muitas pessoas que têm pavor de errar. Mas errar não é humano?

Sim, errar é um humano, e não deveríamos nos sentir tão constrangidos, imperfeitos, malsucedidos ou até ignorantes por errar. Então por que nos sentimos mal por nossos erros? Kathryn Schulz nos dá a resposta no maravilhoso vídeo: Sobre estar errado, ao nos levar pensar na nossa infância, o que nos foi ensinado sobre errar: “Então, já com 9 anos de idade, você já aprendeu: primeiro, que as pessoas que erram são toupeiras preguiçosas e irresponsáveis; e, segundo, que a forma de se ter sucesso na vida é nunca cometer erros. […] Exceto que apavoramos com a possibilidade de cometermos algum erro. Porque, de acordo com isso, cometer algum erro significa que há algo de errado conosco”.

Portanto, errar nos gera o sentimento de termos algo errado conosco. Não sabermos do nosso erro, mesmo que ele exista, nos dá uma falsa segurança de sermos perfeitos. Não queremos, aos olhos dos outros, ter um julgamento negativo. Então evitamos a todo custo errar; quando erramos, sofremos, pois já esperamos o julgamento negativo dos outros.

É necessário mudarmos culturalmente, lá na primeira infância, no começo do aprendizado, e ensinar/aprender que errar não nos torna inferiores, que errar é um processo natural e que se pode utilizar o erro para nosso desenvolvimento e crescimento como seres humanos. Nós não somos os nossos erros, nós somos o que aprendemos do nosso erro.

Vídeo indicado:

Amélia é que era mulher de verdade

dona_de_casa_1Para quem acha que esta coisa de discutir o papel da mulher na sociedade é balela, coisa de “feminazi”, e mais um monte de termo pejorativo pra classificar a luta da mulher por equidade em relação ao homem, não é bem asim.

Tempos atrás, aqui no Brasil, ninguém queria mesmo falar da mulher, até refletindo a pouca representatividade que o gênero feminino tinha na sociedade. No período colonial, por exemplo, o programa de estudos destinados às mulheres restringia-se ao que interessava ao funcionamento do lar: ler, escrever, contar, coser e bordar…

Em 1888, o Jornal do Comércio apresentava os “Dez mandamentos da mulher“:

1° Amai a vosso marido sobre todas as coisas.
2° Não lhe jureis falso.
3° Preparai-lhe dias de festa.
4° Amai-o mais do que a vosso pai e vossa mãe.
5° Não o atormentai com exigências, caprichos e amuos.
6° Não o enganeis.
7° Não lhe subtraiais dinheiro, nem gasteis este com futilidades.
8° Não resmungueis, nem finjais ataques nervosos.
9° Não desejeis mais do que um próximo e que este seja seu marido.
10° Não exijais luxo e não vos detenhais diante das vitrines.

Estes dez mandamentos devem ser lidos pelas mulheres doze vezes por dia, e depois ser bem guardados na caixinha do toillete.

Aposto que se você, mulher, mostrar esses mandamentos para um homem ele vai ao menos rir e dizer, na brincadeira, que a mulher deveria se comportar assim. Logo, se um texto, do século XIX, relacionado ao comportamento “adequado” para a mulher ainda provoca risos, é sinal que tais pensamentos fazem parte do imaginário humano no que diz respeito à mulher.

E, é por essas e outras, que temos que discutir, defender e repensar nosso papel na sociedade.

Pelo direito de não ouvir

É preciso ter cautela com o outro, com o direito do outro. Não basta ter vontade de falar. É preciso que o outro esteja com vontade de ouvir.

Flávio Gikovate

Será que somos pessoas abertas a conselhos, opiniões e observações?

Observando a sociedade, percebo que todos fazem valer seu direito de não ouvir. Em todas as áreas. Não se quer saber se o candidato que votou é corrupto, se o namorado é infiel, se o trabalho não foi bem feito na visão do chefe, se não foi bem-sucedido como queria em uma disciplina da faculdade. O sincero é malvisto nos grupos, ninguém pediria sua opinião em qualquer assunto. Queremos ouvir que tudo está perfeito e que fizemos o melhor.
Mas por que preferimos nos enganar e criar a realidade que nos agrada?

A meu ver, uma das causas é não querer assumir o erro. Errar é abominável na nossa sociedade, e assumir que não fizemos uma boa escolha e/ou que não fomos bem-sucedidos em algo é praticamente assumir o erro. E devemos evitar o erro a todo custo se quisermos ser respeitados pelos demais.

Outra razão para evitarmos ouvir os outros, na minha opinião, é por vaidade. Se o outro estiver certo, parecerá que ele é melhor do que nós, que sabe mais do que nós, e tal fato mexeria com nosso ego. Ficaríamos em um lugar “inferior” na comunicação.

Evidentemente que para conviver é necessário manter diálogos com diversas pessoas, talvez até muito diferente de nós. Mas as relações humanas são complicadas e é necessário prestar bastante atenção se estamos em um diálogo com alguém mais aberto a conselhos e opiniões ou não. Um conselho, uma opinião, uma observação, todos podem ser mal-interpretados de acordo com a personalidade do interlocutor. É nosso dever respeitar o direito do outro de não nos ouvir.

Site consultado:

http://flaviogikovate.com.br/respeite-o-meu-direito-de-nao-querer-te-ouvir-ou-ver/ Acesso em: 9 jun. 2015.

Argumentação e persuasão na propaganda

Por Vivian Pontes

Aristóteles talvez tenha sido o primeiro filósofo a apresentar uma “teoria” da argumentação de modo mais sistematizado nos Tópicos e na Retórica. Ele destaca que o discurso, sob o ponto de vista da retórica antiga, quando proferido, é orientado à persuasão. Isto é, o orador busca persuadir o auditório ao justo, ao útil e ao belo e busca dissuadir o auditório do vício, do que é negativo, por meio do seu ponto de vista.

Nesse sentido, é válido discutir e relativizar os diversos conceitos que permeiam a argumentação e o poder de persuasão, e até mesmo a manipulação que o discurso pode exercer no âmbito do discurso de uma propaganda, por exemplo.

Podemos considerar que o discurso é construído por quem o profere e por quem o escuta. Há um jogo de negociações entre as partes envolvidas na construção conjunta do sentido do discurso. Há um jogo de ação e reação, característica que permanece não só no discurso propagandístico, mas também nos outros tipos de discurso, visto que são utilizados mecanismos discursivos e imagéticos para convencer o auditório, ou seja, os interlocutores. As escolhas sofrem modificações na medida em que os efeitos de sentido esperados não são atingidos e assim o discurso da propaganda se adapta para impactar, persuadir e vender mais.

Adaptado de: Discurso Propagandista: o texto verbal, o visual e a construção argumentativa

A barbárie: o tempo da falta de compreensão

Por Vivian Pontes

Theodor Adorno, membro e expoente da Escola de Frankfurt, defende que a educação é o caminho para que ocorram transformações decisivas relativas ao progresso da civilização, além de afirmar que “desbarbarizar” se tornou uma ação urgente para a educação.

Mesmo com o elevado nível de desenvolvimento tecnológico da sociedade e informações disponíveis rapidamente, na palma da mão, com o advento da internet e dos smartphones, as pessoas (todos nós) ainda podem ser tomadas por uma agressividade primitiva que poderia literalmente implodir a civilização.

Nessa mesma linha, Edgar Morin, na obra Os sete saberes necessários à educação do futuro, defende que o planeta é atravessado por redes e modens, mas  a “incompreensão permanece geral”. Educar para a “compreensão humana” é tarefa complexa,  apresenta diversos obstáculos, mas, ainda assim de acordo com o sociólogo:

A compreensão é, ao mesmo tempo, meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mútuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades; esta deve ser a tarefa da educação do futuro.

Fontes:

A Educação contra a Barbárie – Theodor Adorno

Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro – Edgar Morin

Compreensão através da Música

Por Marina Fonseca Goes de Macedo

Talvez seja muito fácil definir a palavra compreensão de forma etimológica. Mas a prática, provém de uma constante abertura entre emoção, razão e cultura a enxergar o outro, mutuamente, de forma mais humana.

Edgar Morin nos leva a reflexão quando diz que “a comunicação triunfa; o planeta é atravessado por redes, fax, telefones celulares, modems, internet: entretanto a incompreensão permanece geral”. De fato há questionamentos quanto ao uso prejudicial de ferramentas digitais, porém, mesmo se estas não existissem, ainda continuaríamos não tendo técnicas de comunicação capazes a ensinar a compreensão – não teríamos, como não teremos. Educar para compreender qualquer temática é completamente diferente de educar para a compreensão humana.

Se nossas relações, particulares ou não, estão a cada dia ameaçadas pela incompreensão – “quanto mais próximos estamos, menos compreendemos”, como então compreender o outro?

Tal complexidade me levou ao pensamento sensorial, o qual sutilmente me trouxe a música como uma boa alternativa. No programa do canal BIS, Música na Mochila, Guto Guerra – apresentador e produtor musical, viaja mundo afora em busca de experiências sonoras autênticas. “Quando chego para encontrar alguém a primeira coisa que quero descobrir é qual é a verdade musical daquela pessoa, pra que, de alguma forma, eu possa entender um pouquinho o que se passa na cabeça dele e me inserir da minha maneira, trocando música e um pouco da minha própria bagagem musical”, explica Guto.

Ao mesmo tempo em que obras literárias são traduzidas e levadas pelos continentes, permitindo o acesso de outros países a nutrir-se de uma cultura completamente diferente, a música invade casas, ouvidos e coração. O que Guto Guerra faz no programa, é compreender através da música e a reciprocidade entre as pessoas, assim como instrumentos que conhecemos a cada episódio, fica clara a cada nota, a cada melodia intrinsecamente relacionada.

Um músico precisa compreender.
Um músico precisa de cultura.
A compreensão para acontecer, precisa inclusive de compreensão cultural e, neste caso, de música também.

A compreensão é capaz de ser, então, ao mesmo tempo que meio, o fim da comunicação humana, exercida no seu poder e significado mais íntimo. E se feita através da música torna, inclusive, as emoções mais tangíveis, como deve ser em cada ser humano.

Assista ao teaser do programa:

Fonte:
Morin, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro.