Categoria: ABUTRES/2SEM15

Porpurinou…

Este é o meu último post aqui no blog. E eu havia planejado falar a respeito do tempo, um dos primeiros temas que nos foi exposto no semestre. Iria discorrer sobre o mau aproveitamento que fazemos dele e os motivos que nos levam a deixar tudo para a última hora, como esse meu 12º texto, publicado aos quase 45 minutos do segundo tempo, ou, instantes antes do prazo estipulado pelo professor.

Mas não me contive ao ver a cena abaixo em diversos portais de notícias do país. Para quem não sabe o que houve ou não está conseguindo decifrar, eu explico.

O deputado federal Jair Bolsonaro foi alvo de uma “chuva de glitter” na Assembleia Legislativa de Porto Alegre. O político concedia entrevista quando cinco ativistas do Levante Popular da Juventude lançaram purpurina rosa na cabeça dele aos gritos de racista e homofóbico.

Famoso por declarações polêmicas direcionadas a negros, mulheres e ao público LGBT, Bolsonaro também ataca deliberadamente os direitos humanos e já protagonizou inúmeros episódios lastimáveis.

Sem dúvida, essa é uma ótima maneira de encerrar a minha participação no blog, já que acredito que devemos respeitar TODOS da mesma forma, independente de qualquer coisa.

Direitos iguais.

Viva as diferenças.

🙂

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Robôs no lugar dos humanos. Será?

Fernanda Marques

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Nesta terça-feira, 26 de janeiro de 2016, começou em São Paulo, a Campus Party Brasil, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo. E o principal tema que será discutido nesta nona edição chamou muito a minha atenção: como será o mundo quando as máquinas substituírem os empregos.

Em entrevista coletiva, o espanhol fundador do evento, Paco Ragageles, afirmou que viveremos grandes mudanças nas próximas décadas. Segundo ele, em dez, 20 ou 30 anos não existirão mais empregos porque as máquinas poderão fazer tudo e serão melhores e mais baratas. E foi além: para o criador, um software programado será, em breve, mais inteligente que nós, humanos.

Confesso que me assusto ao imaginar o futuro dessa maneira. Sei que muitas funções já deixaram de existir porque foram substituídas por robôs. Ascensorista, por exemplo, não vemos mais com a mesma freqüência que há alguns anos atrás. É, os elevadores estão, de fato, mais “inteligentes”.

Mas será que haverá máquina boa o suficiente para substituir uma consulta médica? Ou tão persuasiva quanto um experiente advogado diante do júri? Pode ser uma tendência as empresas trocarem empregados por robôs em tarefas manuais e que não exijam raciocínio, sobretudo por conta do custo-benefício. Mas me recuso a acreditar que daqui a pouco teremos computadores dando aula no lugar dos professores. É esperar para conferir! 😉

A Campus Party acontece no Anhembi e vai até domingo.

Informações: http://brasil.campus-party.org/

1.200 toques para se comunicar melhor

por Fernando Gualberto

Eu acho…; talvez…; não consigo demonstrar, mas…; eu pensei o seguinte:…; pela minha estimativa…; minha opinião é que…; julgo que…; creio que…; s.m.j….; quem sabe…; me parece que…; aparentemente…; cara, penso o seguinte:…; minha percepção leva a crer que…; pra mim…; acredito nisso:…; minha opinião é a que segue:…; diante de tudo isso, sou levado a pensar que…; opino que…; entendo que…; a irresistível subjetividade do gosto me deixa dizer que…; man! my opinion is…; meu juízo provisório permite que eu diga…; meu estado de espírito permite concluir que … é verdade; suponho que…; olha:…, mas posso estar enganado; pondero que…; creio que … é verdadeiro, mas tenho consciência da insuficiência subjetiva ou objetiva desse juízo; minha δόξα é…; hesito, mas digo que…; minha certeza provisória é…; ainda que insuficientemente, afirmo que…; me permito dizer…; … não é uma sacada?; tenho fé que…; uma teoria possível é…; admita, por hipótese, que…; de acordo com meu entendimento…; proponho que…; de acordo com minhas concepções…; hipoteticamente…; ad argumentandum tantum…; na minha concepção…; se dependesse de mim…; não posso provar, mas…; sugiro que…; eu acho.

O perigo de uma única história. Sobre o Brasil.

Fernanda Marques

Carnaval. Futebol. Samba. Pelé. Florestas. Amazônia. Mulatas. Quem nunca ouviu um estrangeiro dizer pelo menos duas dessas palavras ao se referir ao Brasil? É verdade que adoramos o Carnaval, temos paixão pelo futebol e orgulho da Floresta Amazônica. No entanto, é um erro afirmar que o país se resume a isso.

Em maio de 2015 estive em Nova Iorque pela primeira vez. Ao visitar a sede da Organização das Nações Unidas, ONU, na cidade, encontrei uma delegação da Nigéria e fiquei com vontade de me comunicar. Quando disse que era brasileira, ouvi, infelizmente, menções ao samba, ao futebol e ao Ronaldo “Fenômeno”.

Um dos principais responsáveis pela solidificação dessa imagem folclórica e caricata do nosso país, acredito, é Hollywood com seus filmes fantasiosos. Em seu documentário O Olhar Estrangeiro (2006), Lucia Murat aponta exatamente longas-metragens que mostram o Brasil de maneira depreciativa e destacam características típicas de forma exacerbada, além de deixarem evidente um total desconhecimento da nossa cultura. Como no filme Próxima Parada, Wonderland, de 1998, dirigido por Brad Anderson, por exemplo, que retrata um personagem brasileiro que fala espanhol.

Tendo estreado no mesmo ano em que o documentário de Murat foi lançado (2006), o filme Turistas é mais uma obra hollywoodiana que entra para essa lista. Em entrevista a um jornal dos Estados Unidos, Michael Ross, roteirista do filme, afirmou que o longa é baseado na realidade e em situações que “poderiam” ter acontecido. Explica ainda que, para escrever o roteiro, ele e o diretor John Stockwell viajaram de ônibus pelo litoral da Bahia durante três meses e meio e coletaram informações sobre as paisagens e a população local para adicionar realismo às cenas. Diz também que a ideia de Turistas nasceu de uma história real que ouviu no rádio sobre um boato que corria na América Latina de que americanos e europeus sequestravam crianças locais para retirar seus órgãos e vendê-los no mercado negro. Segundo o roteirista, esse boato teria motivado diversos ataques a turistas nessa região, e que os visitantes teriam sido espancados, esfaqueados e queimados pela raivosa população local. Com tomadas que mostram o Brasil como um lugar sem regras e repleto de habitantes sem caráter, a película retrata uma quadrilha traficante de órgãos que pratica verdadeiras barbaridades contra um grupo de turistas. Pode ser classificado como do gênero suspense ou até mesmo terror e poderia ter como endereço central qualquer outro país. Porém, John Stockwell pesou a mão e recebeu críticas muito negativas de diversos veículos, inclusive dos norte-americanos.

O grande jornal Los Angeles Times, por exemplo, publicou: “ […] mais da metade do longa é construído em cima de ideias idiotas. […] o cenário brasileiro estereotipado, com caipirinhas rolando soltas e gatinhas de biquíni, se encaixa naturalmente no gênero terror-adolescente, que, no fundo é enraizado na noção de punição”.

A propósito dos filmes hollywoodianos, Jameson recorda que após a 2ª Guerra Mundial países como Alemanha, Inglaterra e Itália sofreram com a “invasão” de películas estadunidenses e tiveram que rever a política de sua indústria cinematográfica. Para o autor, “a destruição nacional do cinema – juntamente com a destruição potencial da cultura local como um todo – é exatamente o que se constata hoje em dia no segundo e no terceiro mundos”. Ou seja, o poder de Hollywood e suas produções milionárias facilitam a disseminação da cultura norte-americana e, consequentemente, contribuem para o desaparecimento das tradições e particularidades locais.

Notícias do Planalto

Fernanda Marques

Foto oficial do presidente Fernando Collor de Melo.

Foto oficial do presidente Fernando Collor de Melo.

Tenho aproveitado o tempo livre para, entre outras coisas, revisitar alguns livros. E tenho flertado muito atualmente com Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti, que li na faculdade de jornalismo. Lançado em 1999, o título é uma reportagem com mais de 700 páginas, que retrata o pleito presidencial de 1989 e os primeiros anos do mandato de Fernando Collor, que não chegaria ao fim, assim como todas as denúncias e investigações que culminaram em seu impeachment.

O livro também é um dos primeiros no Brasil a registrar como funciona o processo de tomada de decisão nos grandes jornais, nas revistas e nas emissoras de televisão do país. Além disso, o autor traça um perfil minucioso dos principais protagonistas da história, assim como descreve os veículos de mídia.

Conti inicia a narrativa abordando a trajetória de Collor, então governador de Alagoas, que em curto período de tempo virou figura fácil nas grandes redações nacionais e passou a ter exposição nos principais veículos, capa após capa, entrevista após entrevista. Foi assim que o político construiu sua imagem e chegou à presidência da república.

Ao longo da leitura é possível perceber as relações pessoais entre o candidato e os principais mandatários da mídia brasileira, numa época em que os empresários proclamavam sua opinião política abertamente, assim como o interesse econômico das organizações de comunicação exercia grande influência na cobertura política.

Um dos pontos altos do livro é, sem dúvida, a polêmica em torno do debate realizado entre Collor e Lula no segundo turno das eleições, graças à edição exibida no Jornal Nacional, na véspera da votação. O texto narra os bastidores e as decisões do então responsável pelo jornalismo da emissora, Armando Nogueira, de Roberto Marinho e de outros nomes importantes no processo. Vale ressaltar que podemos encontrar vários trechos e afirmativas sobre a preferência do dono da emissora pelo candidato de Alagoas, como retratado abaixo:

“Um mês depois do discurso de Covas, Roberto Marinho tinha um candidato: Fernando Collor. Numa entrevista a Neri Vitor Eich, da Folha de S. Paulo, declarou não acreditar que Covas tivesse ‘condições e se eleger’ e julgou Collor ‘mais assentado, mais ponderado e mais equilibrado, com suas boas ideias privatistas’, do que os outros concorrentes. Se o candidato continuasse nesse caminho, acrescentou, ‘vou influir o máximo a favor dele’. Dito e feito” (páginas 167-168)

“Na condensação do Jornal Nacional, Lula falou sete vezes. Collor, oito: teve direito a uma fala a mais que o adversário. No total, Lula falou 2 min22s e Collor, 3min 34s: 1 min 12s a mais que o candidato do PT. No resumo do JN, Collor foi o tempo todo sintético e enfático, enquanto Lula apareceu claudicante, inseguro e trocando palavras (cerca em vez de seca) […] Mas é impossível defender que o “Jornal Nacional buscou espelhar o debate de modo neutro e fiel: dar 1min 12s a mais para Collor foi uma maneira clara de privilegiá-lo” (páginas 269-270).

Conti escreve também sobre a queda do presidente e retrata a perseguição sofrida por alguns jornais, como a Folha de S.Paulo. O autor nos lembra que o irmão, Pedro Collor, já andava às turras há anos com o presidente por conta da gestão dos negócios da família quando concedeu a entrevista à revista Veja, em que denunciava todas as irregularidades cometidas por PC Farias, com o conhecimento de Collor.

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Após o depoimento de Pedro, novas denúncias surgiram. E a ameaça de impeachment fez o presidente renunciar ao cargo, mesmo não tendo sido incriminado pela Justiça.

Sem dúvida, uma ótima leitura! Eu super recomendo.

72.851.200/7.212.268.800

Márcio Tadeu da Silva

A Oxfam Internacional, ONG que busca soluções para a pobreza e injustiça mundial, publicou um relatório atestando que 1% da população (72.851.200 pessoas) detém a riqueza equivalente aos outros 99% (7.212.268.800 pessoas).

Ainda mais impressionante é saber que 62 pessoas acumulam capital equivalente ao dos 50% mais pobres, ou seja, menos que 0,00000001% dos habitantes deste planeta são mais abastados que a soma de 3.642.560.000 seres humanos.

Como ser imparcial ao veicular esse tipo de notícia na mídia?

A pretensa imparcialidade e neutralidade no campo do Jornalismo possui o mesmo espectro que ainda ronda as chamadas ciências exatas e que fornece uma visão matemática do mundo, inclusive para outras ciências. Algo que foi construído desde a época do velho Auguste Comte, mas que teve em Descartes as origens na análise das partes para se juntar ao todo e assim ver o conjunto.

Ser cientista parece ainda não prescindir do jaleco branco e tubos de ensaio e, as ciências humanas, principalmente as sociais, parecem carecem de credibilidade em suas pesquisas por não fornecerem dados exatos de causa e efeito e sim o entendimento dos processos e possíveis soluções a serem construídas coletivamente.

Do que vale uma ciência, se não fornecer subsídios para a construção de um mundo mais justo socialmente?

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Paraisópolis, São Paulo – típica paisagem mundial

Isso parece passar longe de ser verdade quando se obtém informações (infelizmente, aparentemente subestimadas) da desigualdade social planetária. Essas diferenças são apenas números, mas falamos de indivíduos da espécie homo sapiens, cada uma com sua vida e teias que envolvem outras vidas.

Historicamente, a queda do Muro de Berlim representou o início do século XXI. Nos prometeram um mundo melhor com a adesão mundial ao capitalismo de modelo democrático, mas o que se viu nesses tempos globalizados foi apenas a acentuação das diferenças, principalmente de riqueza. O capitalismo não era a solução para a pobreza mundial.

Ver com os pés no chão as mazelas da contemporaneidade pode ser uma das formas para se construir uma visão otimista pouco inocente. Uma utopia com paradas reais qualitativamente superiores e menos injustas, nos permitindo ir além dos sonhos, que parecem ser sempre um ótimo começo.

Um grande amigo e professor disse uma vez: seja uma pessoa melhor e desta forma estará colaborando para que se construa uma sociedade melhor.

E agora, para onde vamos? Comece refazendo os cálculos, pois a nave não para de girar:

1% vs 99%

0,00000001% vs 50%

RELÓGIO POPULACIONAL: http://www.apolo11.com/populacao.php

E ouvir música, é sempre bom para relaxar 😉

 

Feliz Ano Novo

Fernanda Marques

2016 começou com uma novidade nada agradável para mim: fui demitida.

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Após as festas de final de ano, voltei ao trabalho em quatro de janeiro com um pressentimento forte. Já imaginava que seria dispensada naquele dia. Tanto que sentei e nem tirei minha bolsa do colo. Quando o telefone tocou e era o gerente me pedindo para descer até à sala de reunião do térreo – a mais importante e imponente da agência – eu já sabia.

Mas, mesmo preparada para ouvir a notícia, nunca é uma situação fácil. Então, respirei fundo, ergui a minha cabeça e entrei para receber o veredito. Lá estávamos nós, frente a frente, eu e o gestor. Ele alegou que a crise estava fazendo a empresa passar por uma reestruturação e que, por uma decisão da diretoria, eu estava sendo cortada. Depois entrou a pessoa responsável pelo RH, me deu uns papéis para preencher e assinar e pronto, terminou.

Essa é a terceira vez que sou demitida, mas pela primeira não sofri, não me preocupei, não fiquei triste. É claro que tenho meu planejamento financeiro, minhas contas para pagar e vou ter que me virar nos trinta para conseguir equilibrar meu orçamento doméstico. Mas, querem saber, estou muito confiante e contente por ter uma nova oportunidade de conhecer pessoas e aprender com elas. Um ciclo se encerra e outro logo vai se iniciar, eu acredito! Feliz ano novo.