Categoria: ABUTRES/2SEM14

Privacidade

por Amanda Bellorio

Estava eu conferindo as notícias do meu timeline no Facebook quando começei a ver várias vezes esta mensagem a seguir:

privacidade

Logo pensei: “O que o Facebook vai mudar agora?”. O fato é que a partir do dia 1 de janeiro de 2015 o Facebook vai continuar sabendo o que você postou, onde esteve (se você marcou), onde seus amigos estão, mas a parte mais assustadora é que agora ele vai saber o que você começou a escrever e desistiu. A empresa, na verdade, quer simplificar os termos para que os usuários entendam o que eles significam e quais são suas opções relativas à privacidade. Mas essa privacidade é relativa aos outros usuários do site.
Mas não, postar uma declaração sobre como não dá autorização para a rede social utilizar seus dados de qualquer forma, não te protege da rede que sabe quase tudo, ao contrário do que vem circulando no feed de vários usuários.

Por que postar isso não muda os termos? Porque vale o seguinte: o Facebook reconhece que ‘você é proprietário de todas as informações e conteúdos que publica’, e ‘pode controlar como eles serão compartilhados por meio de suas configurações de privacidade e de aplicativos’. Entretanto, para conteúdos como fotos ou vídeos, ao postar você já dá autorização para que a empresa use esse conteúdo. Segundo os termos de uso, essa mesma licença desaparece quando você apaga o conteúdo.

Em termos, postou autorizou. Apagou, já desautorizou.

Meio confuso né?

E essa é só uma parte do tal termo de privacidade…

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CINISMO…

Por Lúcia Deccache

Faz três meses que meu divórcio corre na veia. Tecnicamente, eu diria três meses de sua homologação. Ainda é cedo para um novo relacionamento, mas a antena está permanentemente ligada para captar sinais de um homem bom!

O farol fechou. Atravessei a rua. O mendigo da lamparina continua ali, dispensando esmolas. Já desisti de oferecer meus trocos, mas continuo curiosa por saber o motivo da luz acesa, mesmo durante o dia. Me esforcei para ignorá-lo, até porque eu estava arrumada para um evento importante: salto alto, vestido curto, bolsa de marca, coque, maquiagem… a mulher dos sonhos de um mendigo que poderia causar certa humilhação. Mesmo assim, parei na sua frente e perguntei:

– Bom dia, senhor. Prometo que não lhe darei esmolas, mas gostaria de saber por que essa lamparina acesa diariamente?

Para a minha surpresa, ele gesticulou com as mãos para eu sair de sua frente. Minha sombra ofuscava o sol que o aquecia. Pensou por um tempo e respondeu:

– Procuro um homem bom!

Sorri.

– Somos dois!

Pensei em dar meu contato para me avisar, caso apareça algum por aí. Será mesmo que essa lamparina funciona? Sorri novamente. Ele continuou o papo:

– Certamente o homem que a senhora procura nada tem a ver com o meu.

– Por que tens tanta certeza?

– Olha a sua roupa? Ridícula! O que você quer provar com tanta parafernalha? Não consigo nem saber quem é você de tão escondida atrás dessa máscara que escolheu para dizer ao mundo quem pretende ser.

Choquei! Eu, ridícula? Talvez ele tenha razão. Mas não me conformei com a crítica e o enfrentei:

– Então você acha que o certo é viver no chão da rua, sem dignidade, sem produzir, sem ganhar dinheiro para o básico?

– Básico? Já tenho o básico. Se não tivesse, estaria morto. Não quero conversar com você. És frívola demais para o meu diálogo. Jamais vai encontrar o homem que procuro.

– Cínico!

– Sim, acertou. Ao menos és inteligente e não aceitou o conceito transviado de cinismo imposto por nossa sociedade. Sou cínico pois vivo independente das convenções sociais. Pouco me importo com elas. Dane-se o seu dinheiro, a sua bolsa Channel… nada disso é virtude. Nada disso faz um homem feliz.

Me recompus da humilhação que acabei de sofrer. Louco! Desaforado! Como ousa me chamar de ridícula, frívola…? Respirei fundo, dei dois passos e voltei.

– Onde compro essa lamparina?

Velório “espetaculoso”

Por Amanda Bellorio

Na última sexta-feira, dia 28/11, faleceu Roberto Bolaños, conhecido mundialmente como Chaves ou Chapolin. Dono de frases antológicas como “ninguém tem paciência comigo” e “não contavam com a minha astúcia”, que marcaram e marcão gerações de fãs em toda a América Latina, Roberto Gómez Bolaños, criador dos seriados “Chaves” e “Chapolin”, morreu aos 85 anos. Bolanõs foi humorista, escritor, ator, produtor de cinema, televisão e teatro.

No vídeo a seguir o comediante brasileiro Danilo Gentili fala sobre o seriado mexicano que fez história.

O que mais me impressionou em toda a história foi o fato do seu velório ser em um estádio LOTADO, com crianças caminhando em volta do caixão vestidas com fantasias dos personagens de Bolaños. Tudo isso, claro, televisionado ao vivo.

o portal UOL destaca a trasmissão do velório de Roberto Bolaños.

o portal UOL destaca a trasmissão do velório de Roberto Bolaños.

velorio

velorio cheio

Não existe privacidade depois da fama? A família não tem direito a intimidade do luto?

Eis uma questão a ser bem discutida nos dias de hoje onde tudo é exposto, aberto, compartilhado, postado, televisionado…

 

Ainda sobre a inserção de outras culturas no Brasil

Por Amanda Bellorio

Em muitas aulas discutimos sobre a invasão de outras culturas no calendário brasileiro.

O Halloween, o Dia dos Namorados, o Natal decorado com neve e mais recentemente a Black Friday. Que se resume em quase todas as lojas de varejo com muito desconto, fazendo os consumidores irem à loucura.

Hoje, rindo com as amigas sobre as pseudo promoções e os absurdos que as pessoas fazem para comprar qualquer coisa, encontrei esta charge do Maurício Ricardo:

Black Friday

Quem aí também se sentiu assim?

LIBERDADE BAND-AID

Por Lúcia Deccache

Do quarto dava para ouvir as gargalhadas que vinham da sala. Era domingo à noite e algo sensacional estava passando na televisão… duvidei ser o Fantástico.

Do corredor, gritei:

– Silêncio, preciso fazer seu irmão dormir!

– Mãe!!! hahahaha! Vc precisa ver isso…

Estava mesmo curiosa para conhecer esse programa milagroso que fez meus dois adolescentes pararem de brigar e se divertirem juntos por alguns minutos. Já estava gostando do astral do ambiente, apesar do temporão estar me aguardando no quarto com um livrinho de Monteiro Lobato.

– Manhêêê! Vem logo!

Dividida, no meio do corredor, optei por retornar e finalizar a história do Sítio do Pica Pau Amarelo. As risadas continuavam e o pequeno não conseguia dormir. Deixei o livro aberto, sem finalizar o capítulo e corri para a sala. Cheguei bem na hora em que o anão semi-nu era banhado por cera quente. Logo em seguida, mulheres lindas se jogavam numa correnteza que lhes tirava os escassos biquinis, cujas cenas mais grotescas eram repetidas em câmera lenta…

Já não me surpreendo com o conteúdo de nossos programas de TV. Diante da bandeira da ilimitada liberdade de expressão, como um curativo para a ferida deixada pela ditadura, tudo é possível diante dos nossos olhos e ouvidos… me surpreendo sim, com as gargalhadas!

– Gente, é isso mesmo que vocês queriam me mostrar?

O de quinze anos falou:

– Não mano, era a parte do programa que já acabou. Eu sabia que você iria odiar tudo isso… hahahaha. Relaxa mãe! Vai dizer que não é engraçado?

O de dezoito, estudante de direito, se manifestou:

– Não vai dizer que agora você vai querer censurar! Alôôô, censura acabou mãe! Lê o artigo 5o. da Constiuição Federal…

– Não. Não é engraçado e não é constitucional. Se você prestar bem atenção em nossa Constituição verá que a dignidade da pessoa humana é um valor acima das normas. Releia com olhar mais amplo!

Percebi que não me ouviam. As bundas eram mais interessantes do que o sermão da mãe. Eu tinha duas opções: desligar a televisão, sem contribuir para a mudança de uma geração, ou voltar à história da Carochinha, contribuindo para as próximas… escolhi a segunda.

Então é Natal?

Por Amanda Bellorio

Quanto mais melhor?

             Quanto mais melhor?

Vem chegando o Natal, a época mais eufórica para os lojistas. Alguns chegam a declarar que a data representa 1/3 das vendas do ano. Mas para 2014, as previsões não são das melhores. Enquanto alguns veículos divulgam a possível queda na porcentagem de vendas, o comércio já se adianta e antecipando as “vendas de Natal” para tentar conter os possíveis prejuízos.

E você? Consome ou é consumido pela data? Muitas pessoas afirmam esperar ansiosamente o 13º salário para “investir” tudo nos presentes natalinos. Mas qual é mesmo o sentido do Natal? E os presentes? Por que nós trocamos? Deixar de presentear alguém é uma ofensa ou um descaso? E esse consumo excessivo e compulsivo, nos levará a que?

“No passado, penso logo existo.
No presente, nem penso logo consumo.
No futuro penso, por quê?” Anita Prado

E a pergunta que mais me perturba: por que nosso Papai Noel tem que estar com roupas de inverno? Tá, pela história ele mora no polo norte e lá é bem gelado. Mas quando ele caminha pelas ruas do Brasil acredito que ele merece um look mais descontraído.

Por um look de Papai Noel mais leve!

Por um look de Papai Noel mais leve!

“Compras de Natal
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.”  Cecília Meirelles

Sensacionalismo. Quem aparece mais no Red Carpet?

Por Amanda Bellorio

Ultimamente os tapetes vermelhos das grandes premiações tem sido um enorme circo. De vestidos tela quase nus a corpos pintados imitando roupas. Quase um Red Carpet dos horrores!

Qual será a real intensão das pessoas? Aos meus olhos é um excesso de exposição. É um super desejo de exposição. Quase como um mega espetáculo ou sensacionalismo mesmo!

O que deveria ser um evento com pessoas elegantes parece ter se transformado em um festival de estranhezas. A questão é, a que pontos chegamos e qual é o objetivo?

O que mais me aflige é: se o objetivo é chamar a atenção e se tornar notícia, mesmo que instantânea, eles conseguem!