Categoria: ABUTRES/2SEM13

Tem boi na linha

Por Elisia Munareto

A empresa Jequití de Silvio Santos tem feito publicidade na emissora SBT, de maneira ilegal e tosca.

Em cada bloco da programação micro comerciais de um frame mostram as logos da Jequití ou da Tele Sena, outro produto do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Para os desavisados, a inserção indevida, parece até um problema de transmissão de sinal. Cada bloco de um filme ou novela tem o frame das empresas do grupo SBT, inserido.

Este procedimento ilegal fere a lei dos direitos autorais. A empresa tenta incutir à força o registro da marca aos telespectadores. É uma mensagem subliminar, que mesmo se não for percebida prontamente pelo público, de alguma forma fica gravada no cérebro. A marca torna-se familiar para o consumidor e mais fácil de ser consumida.

Em 21 de agosto de 2012 o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) acatou a denúncia de plágio da empresa Natura sobre um produto da Jequití. Segundo a Natura a linha Humor é idêntica ao Comix e visa o mesmo tipo de consumidores.

Onde está posicionamento do Conar neste caso visível de má fé? Claramente há um jogo de interesses para que algo assim possa ser ignorado pelo órgão competente.

 

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Teria essa onda de intervenções cirúrgicas chegado ao seu limite?

Por Thaís Gould

É certo que o ser humano nunca estará completamente satisfeito com o que tem. Seja material, abstrato e principalmente, na era moderna, com sua aparência física.

Mas não estaria já na hora de percebermos que diferenças fazem parte e que a miscigenação é cada mais mais benéfica e saudável para a sociedade moderna?

Eu já tenho um pé atrás com aplicações de silicone, botox e todas essas coisas mirabolantes para deixar o corpo escultural de forma artificial.

Agora, o cúmulo do absurdo é essa nova onda na Ásia, que incentiva as pessoas a se ocidentalizar ‘naturalmente’.

Como? Bom, a empresa Japan Trend Shop lançou essa bugiganga chamada Hana Twin Nose, que é um aparelho tipo um clipe de plástico que aparentemente tem o poder de levantar e afinar o nariz das pessoas. O aparelho, que custa aproximadamente R$110,00 já virou hit pelas lojas asiáticas.

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Mas me pergunto quem nós sobreviverá intacto quando essas (supostas) mulheres tiverem suas pálpebras levantadas, aparelhos nos dentes, botox nas faces, silicone nos seios e em suas traseiras, e narizes ocidentais?

Perdemos a noção da individualidade e isso me preocupa. Eu tenho uma mancha de nascença no rosto. Será que era melhor eu tirar esse troço daqui?

Check list da viagem: Passagens – ok. Reserva do meu barraco na favela – oh yeah!

Por Thaís Gould

Já não é novidade as agências de turismo que investem em tours pelas favelas do Rio de Janeiro a fim de mostrar as mais belas vistas da capital fluminense.

Para mim isso sempre foi uma das ideias mais absurdas do mercado. E por mais que eu queira sempre poder explorar novos caminhos, a favela não é uma rota turistica, e sim uma condição de vida que a sociedade impõe à população carente.

Há ainda quem se hospeda em casas de família nos morros cariocas para ter a verdadeira experiência brasileira.

Mas somos a sociedade do espetáculo não somos? E se há alguma forma de entreter as pessoas com o mínimo de absurdo, porque não?

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Talvez por isso não pareça tão absurdo o que o luxuoso hotel Emoya Luxury Hotel and Spa lançou na Àfrica do Sul – uma réplica verdadeira de uma favela sul-africana com ‘barracos’ feitos com mesmo material dos originais, mas com um certo ‘plus’. Estas acomodações- com diárias a R$192 para quatro pessoas- vêm equipados com ar-condicionado, aquecedor, energia elétrica e acesso à internet.

O hotel diz que a proposta da acomodação Shanty Town é voltada para os viajantes mais extravagantes que querem ter a experiência autêntica da vida em uma favela.

Não há mais limites quanto à exploração da desgraça alheia. Haja paciência.

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Sorria: você está sendo avaliado!

Por Elisia Munaretolulu

A nova onda das redes sociais é o aplicativo Lulu. Neste espaço cibernético, que é ligado ao facebook, a usuária pode avaliar os homens que namorou, ficou ou casou.  Anonimamente, mulheres respondem a um questionário sobre como o rapaz se comportou em relação à educação, sexo, ambição e comprometimento. Após responder as questões o app computa a nota e as informações sobre a avaliação ficam disponíveis para outras usuárias.

A privacidade acabou de vez. Qualquer um pode avaliar a conduta de outra pessoa sem ter a responsabilidade de se comprometer com os dados fornecidos. Não tínhamos, até então, controle sobre a internet em relação aos endereços de e-mail, telefone e acesso a sites,  mas a situação piorou. Tudo estava sendo espionado e se não bastasse, tudo está sendo avaliado.

O aplicativo assusta, pois quem entra na rede é peixe e pode ser fisgado por simpatizantes, se tiver sorte ou por pessoas de má índole ou vingativas, por um motivo qualquer.

O aplicativo chegou ao Brasil recentemente e já lidera o ranking de downloads da app store e é destaque no google play.

Alguns usuários do facebook  já se sentiram lesados moralmente pelo conteúdo do aplicativo e entraram na justiça. No Brasil, pela constituição federal, a manifestação de pensamento é livre, porém, o anonimato é proibido.

As mulheres também não estão imunes às avaliações. O Tubby é a versão masculina do aplicativo, e pelo jeito o questionário dos homens  promete ser bem mais picante e ofensivo do que o do Lulu.

Os clubes do Bolinha e da Luluzinha vão dar muito pano para manga pelo o que tudo indica.

Fale menos, sticker mais!

Por Marli Ciaramella Hashimoto

Mamães e papais no mundo todo quase desmaiam de emoção quando seus filhotinhos falam as primeiras palavras… quer dizer, na realidade nem falam e muitos menos palavras, mas aquele som maravilhoso que sai da boquinha do bebê soa como música para os ansiosos e babões pais. Será que essa emoção ainda vai perpetuar gerações? Pelo que vemos atualmente com “a nova linguagem virtual e cada vez mais móvel”, não sei não…

Principalmente os mais jovens estão preferindo uma comunicação mais rápida e objetiva. Essa rapidez é proporcionada pelo uso de stickers (figuras) nas redes sociais e nos  aplicativos dos smartphones. Afinal, pra que escrever muitas palavras quando tudo pode ser dito com apenas uma “figurinha” que em geral é muito fofinha ou muito engraçada.

De acordo com Staci Youn, gerente de comunicações do LINE, aplicativo de mensagens de origem asiática, que disputa espaço com WhatsApp e WeChat, “o envio de desenhos e animações para sinalizar emoções é um fenômeno global.”

Eis o motivo de minha preocupação com o futuro da fala e consequentemente da importãncia que os pais darão aos balbúcios ininteligíveis de seus rebentos. Provavelmente a emoção será causada pelos dedinhos da criança quando teclarem seu primeiro sticker. E a mensagem vai atingir em cheio ansiosos corações maternos e paternos. O exemplo abaixo explica melhor. E a propósito de meu último post quero expressar o que foi essa disciplina e o contato com todos vocês.

smile123

http://www.youtube.com/watch?v=mbVzE6LE_IA

 

A mídia e o poder

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

Por Camilla Rigi

Para encerrar os posts nesse blog, escolhi abordar um assunto que não poderia ser mais claro para exemplificar o significado das discussões da disciplina Mídia, Complexidade e Poder. Deixando as ideologias partidárias de lado, a proposta aqui é fazer uma leitura mais crítica sobre a cobertura das recentes denúncias de cartel no Metrô de São Paulo e de fraude no recolhimento ISS (Imposto sobre Serviços) na prefeitura da capital paulista.

Como base, uso dois artigos publicados no Observatório da Imprensa: Penas para todo lado e Uma estranha obsessão. O primeiro aborda a primeira matéria do jornal O Estado de S. Paulo que cita envolvimento de políticos com o esquema de corrupção no Metrô. A notícia, publicada na quinta-feira (21/11), foi a primeira – depois de quatro meses da denúncia – a admitir que existe um documento oficial que faz referência a supostas propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos.

O segundo artigo, no entanto, questiona o posicionamento da Folha de S.Paulo na cobertura da máfia do ISS. Para este jornal, a simples menção de nomes de políticos petistas em telefonemas já foi suficiente para que eles fossem considerados “ligados” aos fiscais presos.

Não é preciso ser expert em comunicação para entender que houve dois pesos e duas medidas nas duas coberturas. Cabe-nos questionar até quando a grande imprensa brasileira vai continuar a sustentar seu discurso de independente e apartidária. É mais honesto para consigo mesmo e para com os leitores assumir seus interesses e opções políticas.

SOS – Por um mundo sem flashes

Por Elisia Munareto
A modernidade líquida já chegou em todos os lugares. Na rua, nos cafés, cinemas, restaurantes e nos teatros. Avisos de não fotografar, filmar ou desligar os celulares não são mais respeitados. Os equipamentos eletrônicos são agora extensões dos humanos. A necessidade de registrar imagens e de lançá-las nas redes sociais tornou-se obsessão. Nada parece existir se não for divulgado. Todos tornaram-se jornalistas, em potencial. O fato estabeleceu-se até na lei. Atualmente, para se obter o registro profissional de jornalista, o MTB, com base na decisão do STF, é necessário apenas cópias dos documentos CPF, RG e PIS, carteira de trabalho e comprovante de residência. A histórica decisão do supremo tribunal federal em 2009, deixou claro que qualquer brasileiro pode exercer a profissão de jornalista, independente de formação. Sinais dos tempos.
“No futuro todos terão seus quinze minutos de fama”, a profecia do artista plástico Andy Warhol foi um pouco além do esperado.
A ânsia, da maioria, de noticiar tudo que passa pela frente, acaba tirando o brilho e o encantamento do real. Em shows musicais, por exemplo, o artista tem que se concentrar mesmo com flashes disparados a todo o momento em seu rosto. Isto atrapalha não só quem está se apresentando, mas também quem está assistindo ao show. O público leva até seus i pads para fotografar e gravar seu ídolo. Quando um aparelho deste é ligado em uma plateia escura torna-se um foco de luz que tira toda a atenção de quem está apreciando uma canção. Os teatros deveriam ser mais rígidos quanto ao uso destes dispositivos eletrônicos. É preciso ter educação e discernimento para avaliar quando e como podemos usar equipamentos em locais públicos.
A necessidade de se auto promover através do status de poder estar em algum show, restaurante, viagem, parou de ser um espetáculo inédito, já está batido, repetitivo e sem graça. A modernidade exige rapidez e criatividade. Voltar aos antigos costumes de apreciar arte sem flashes pode ser uma maneira renovadora de contemplar uma obra artística.