Categoria: ABUTRES/1SEM2017

Caso Floyd Collins

Por Fábio Gomes

A Montanha dos 7 Abutres é até hoje considerado um clássico do cinema por causa da maneira como retrata a espetacularização midiática. O filme conta a história de um repórter sem escrúpulos que faz de tudo para noticiar eventos de uma forma espetaculosa. A história do filme foi baseada em um fato real, que teve como protagonista um escavador chamado Floyd Collins.

Em 1925, Floyd Collins ficou preso em um complexo de cavernas, localizado no estado de Kentucky, enquanto explorava os túneis com o objetivo de encontrar rotas turísticas. Nos primeiros dias, os responsáveis pelo resgate conseguiam, através de pequenas passagens, entregar comida e água para Floyd. Entretanto, após 4 dias, uma rocha deslizou e isolou de vez o escavador. Floyd permaneceu preso por mais 14 dias, quando faleceu devido as suas condições precárias.

O que tornou o caso famoso foi justamente a cobertura jornalística do acontecido. A história de Floyd foi extensivamente coberta pela mídia, gerando grande atenção do público. Em certo momento do resgate, a curiosidade popular foi tão grande que diversas famílias se deslocaram até o local para acompanhar o salvamento, criando uma espécie de festival nos arredores do local, com barracas de alimentação e vendedores.

O que consolidou a participação da mídia nesse evento foi a cobertura do repórter William Burke Miller, do jornal The Courier-Journal de Louisville. Willian chegou a ser um dos envolvidos na tentativa de resgate, utilizando sua baixa estatura para ajudar a remover terra dos arredores de Floyd, o que deu ao repórter a possibilidade de entrevistar o acidentado. Com isso, William ganhou notoriedade e conquistou um prêmio Pulitzer de jornalismo.

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Quem Matou Eloá

Por Fábio Gomes

Lançado em 2015, o documentário curta-metragem “Quem Matou Eloá” debate sobre a história do sequestro e morte da menina Eloá, acontecido em 2009, e traz a tona diversas discussões a respeito de como o caso foi coberto pela imprensa, o discurso empregado na mídia e o papel dessa cobertura no desfecho do caso. Além disso, o documentário levanta alguns questionamentos sobre os significados presentes nesse acontecimento, traçando paralelos com diversos assuntos fortemente debatidos atualmente, principalmente o feminismo.

O filme avalia a repercussão midiática através da análise de alguns recortes de matérias do período em que o caso acontecia. Através desses trechos, fica evidente uma série de absurdos. O que mais choca dentre esses absurdos é a atitude de alguns jornalistas que contataram e entrevistaram o sequestrador, se colocando na frente da polícia na tarefa de – sem nenhum treinamento específico – negociar com o rapaz.

Outro ponto denunciado é a tentativa insistente da mídia em romantizar a história. Ao fazer afirmações do tipo “é apenas um rapaz apaixonado cometendo um erro” ou “ele está fazendo tudo por amor”, a imprensa relativiza as atitudes criminosas do agressor. O que se aprende dessa história, de acordo com os jornais, é que cometer crimes é justificável se for por “amor”.

Por último, o documentário coloca em cheque a influência psicológica que todo aquele circo causou sobre o sequestrador. Segundo os depoimentos, o rapaz acompanhava a sua própria narrativa, através da televisão, sentindo-se poderoso por causa de toda aquela atenção.

Liberdade de imprensa na Coréia do Norte

Por Fábio Gomes

Em entrevista para a Agência EFE, o jornalista norte-coreano, Chang Hae-seong, detalhou como funciona a censura dos meios de comunicação da Coréia do Norte. País de regime totalitarista, liderado pela família Kim desde os anos 90, a Coréia do Norte tem como única fonte oficial de notícias a estatal KCTV, onde Chang trabalhou por 20 anos.

Enviado para campos de trabalho após escrever o nome do líder erroneamente, Chang Hae-seong contou em entrevista que os conteúdos da televisão são submetidos por 3 níveis de censura: o interno, o estatal e o posteriori. O jornalista também afirmou que a família Kim e seus assessores ‘fornecem instruções detalhadas sobre o tipo de programas que a TV norte-coreana (‘KCTV’) deve transmitir’ e ‘monitoram os conteúdos propostos pelos jornalistas’.

Chang falou que a empresa transmite conteúdos estrangeiros sem especificar questões autorais, ilustrando esse fato ao contar que, apenas quando se mudou para Seul, descobriu que o desenho animado que assistia na sua infância era americano, e que os personagens, o rato e o gato, eram chamados de Tom e Jerry.

O Jornalista, que está lançando seu livro “Rio Tumen”, concluiu a entrevista afirmando que os seus ex-colegas ‘estão conscientes de que a Coreia do Norte já não é socialista, e sim, uma monarquia feudal’, mas o que os mantém dentro dessas condições é o medo imposto pelo governo.

Quem são os YouTubers?

Por Fábio Gomes

O ano de 2016 foi um período muito marcante para o YouTube. Estima-se que as empresas, nesse ano, investiram mais que o dobro em ações destinadas diretamente ao site, em relação ao ano anterior. A maior causa desse crescimento foi a consolidação da figura do YouTuber.

Os YouTubers são pessoas que utilizam o sistema do YouTube para publicar vídeos de conteúdo autoral, através de seus canais – perfis criados dentro da plataforma. O sucesso dessas figuras se dá principalmente pela capacidade de influenciar os telespectadores. Daí surge o termo “Digital Influencer”.

As marcas tem apostado nesses YouTubers, principalmente através de inserções publicitárias e da co-produção de conteúdo (branded content). A grande vantagem dessa prática é a comunicação mais próxima, informal e orgânica.

No Brasil, o cenário é ainda mais favorável. No final de 2016, a rede Snack (empresa responsável pelo agenciamento de diversos canais do YouTube) realizou uma pesquisa que posicionou o Brasil como o segundo pais no mundo com os canais mais influentes. Dos 100 canais mais influentes da rede, 24 são brasileiros.

Apesar da dificuldade de muitas empresas em se posicionarem nesses novos mares que se abriram na publicidade, especialistas esperam que em 2017 seja mais um ano de sucesso para esses influenciadores digitais.

13 Reasons Why x Dear White People e o silêncio programado

Por Nathália Gaspar

Quando falamos de espiral de silêncio e agenda setting precisamos lembrar que isso acontece fora da TV. O ambiente virtual faz parte de da vida de grande parte da população mundial e, assim como a TV, tem prioridade por algumas causos e causas. O racismo é uma pauta extremamente presente e pouquíssimo falada (infelizmente). A Netflix é responsável por grandes lançamentos do mercado cinematográfico, tendo uma importância muito grande no cenário cultural. A prova disso é a série 13 Reasons Why, série baseada no livro com mesmo nome e que fala sobre bullying e suicidio. Pautas importantes e que precisam ser viabilizadas mas que é tratada como uma preferência “racial” muito explicita.

Uma série que procura tratar um problema social gigantesco no mundo, principalmente no Brasil, onde é mascarado, é a Dear White People que coloca personagens negros na luz. Jovens negros protagonizam suas próprias vidas, algo muito raro em roteiros no cinema/série, personagens fora dos padrões esperados. Em época onde o Oscar foi criticado por não ter atores indicados ao prêmio, onde Viola Davis faz um discurso brilhante de “a única coisa que separa mulheres negras de papéis ótimos são as oportunidades”.

O fato é que o seriado foi muito criticado por colocar os brancos como vilões, dentro de um padrão e estereotipar. Exatamente o que fazemos com os negros. Dear White People toca numa ferida profunda e que poucos percebem, os privilégios foram dados a muito tempo atrás e jamais questionados pelos privilegiados (lógico) e agora os que sofrem com pouquíssimo ou nenhum tipo de privilégio questionam, perturbam o sono. Perturbar o sono, dessa maneira, não é interessante para uma sociedade onde a tradição é o principal e o correto, por isso, é mais fácil silenciar e julgar a entender o que aquele roteiro, de fato, quer dizer. Escutar e enxergar a realidade do outro com empatia e alteridade. O racismo é sofrido exclusivamente por quem não é branco, ou seja, pelas minorias e, geralmente, não a classe dominante. O suicídio é capa quando essa mesma classe dominante o comete, assim como questionamos a história de um branco quando comete algum outro crime e já sentenciamos o negro pelo simples andar na rua.

Espetacularização de tudo

Por Nathália Gaspar

Billy Wilder foi criticado em seu filme A Montanha dos 7 Abutres por ter como o personagem “malvado” alguém que nunca se vê como tal, o cidadão de bem: o telespectador. Tal artificio chocou toda a sociedade americana que se julgava tão boa e próspera. Os vilões (nós) estamos sedentos por imagens e informações do que teria acontecido no acidente. A busca por informações e como elas são passadas para nós, como um verdadeiro show!

Hoje, em pleno 2017, tivemos outro episódio parecido. Transmitido ao vivo. Os três atentados, quase que sincronizados, por Londres foram gravados e disponibilizados online e nas próprias TVs não só por jornalistas. Agora a mídia também recebe o acesso e a contribuição de todos. O mais forte nas cenas é perceber que a notícia pode vir de qualquer lugar e a todo momento, literalmente. Ao acompanhar as imagens, a correria e a tentativa de tradução simultânea, era como se fosse um filme e que o final não fosse anunciado em nenhuma resenha ou sem nenhum spoiler.

Paralelamente, na internet, os comentários bombavam e até apostas eram feitas. Trending Topics no Twitter, posts sem para no Facebook e até lives no Instagram. Qualquer rede social tinha referências e comentários sobre o que estava passando há poucos (ou muitos, no caso do Brasil) quilômetros de distância. Policiais gritando para se afastarem e a câmera, como se fosse nosso olhar, seguindo o que eles queriam evitar de mostrar. Billy Wilder, se estivesse vivo, teria muito material para uma segunda parte do filme.

TRUMP: O que aconteceu?

Por Nathália Gaspar

O que atrai atenção? Notícias falsas. Nada é mais nocivo do que uma pessoa ser julgada por algo que não fez e o processo de provar o contrário é extremamente cansativo e pesado. A guerra de postagens, como vimos nas eleições dos EUA pode ganhar uma eleição. Dar voz a pessoas portadoras de ideias perigosas, que não só flertam mas brincam quase que docemente com teorias fascistas, é dar espaço e margem para pessoas que pensam igual se manifestarem sem a barreira moral de pensar que pessoas morrem por ideais como os de Trump que falava, abertamente, ser contra imigrantes no país. E aqui, no Brasil, aquele-que-não-deve-ser-nomeado e que brincam misturando o nome do político com um de desenho animado, isso não é engraçado e ajuda a disseminar o nome do cara, como aconteceu com o Tiririca que ganhou até votos de quem achava que estava fazendo protesto. Pois é, o cara ganhou.

Essa espera pela informação é algo muito arcaico e questionado por uma geração que nasceu com o mundo disponível em um clique, a questão é: até que ponto esse instantâneo não vai atrapalhar o aprimoramento, desevolvimento de nós quanto sociedade real, no mundo onde pessoas precisam e vão precisar se relacionar?

As redes sociais cada vez mais ganham espaço no dia a dia e cada vez mais abrem menos espaço para que haja uma preocupação necessária, natural e preciosa naquilo que compartilhamos. Algo mal compartilhado ou conteúdo mal intencionado é extremamente nocivo para as pessoas que, muitas vezes, voltando ao que falamos no inicio, não tem o senso crítico ou a sensibilidade de fazer uma análise para passar, de novo, por outro filtro, se aquela informação confere. Nos apenas repassamos, muitas vezes sem nem ler além da machete colocada para caçar cliques