Categoria: ABUTRES/1SEM16

E você, quem salvaria?

 

 

Há alguns dias inúmeras publicações tomaram conta das redes sobre uma enquete que foi realizada no programa Encontro com Fátima Bernardes, que tratava de uma escolha sobre “salvar um traficante em vias de morte ou um policial com uma bala na cabeça, mas em situação estável”, o que gerou uma grande polêmica.

A questão foi levantada por causa da estreia do filme Sob Pressão, onde há uma cena em que o médico que trabalha no sistema público de saúde precisa tomar essa decisão de quem salvar primeiro . O programa quis saber, de seus convidados, quem eles socorreriam antes e escolheram atender primeiro o criminoso.

Policiais indignados gravaram um vídeo sugerindo à Fátima Bernardes que se ela fosse estuprada e tivesse ferido o estuprador com uma faca quem a policia deveria salvar primeiro, a vitima ou o bandido? O deputado Jair Bolsonaro também saiu em defesa dos policiais e publicou um vídeo afirmando que a mídia é parcial, e que o  programa dá mais atenção a um traficante ferido do que um policial, que segundo ele é “um herói a serviço nosso nas ruas”.  Fátima virou alvo de ataques como se fosse responsável pelo resultado do questionamento. Vale lembrar, que a apresentadora, nem tinha dado sua opinião.

Analisando a questão de forma fria, talvez eu tivesse optado rapidamente por salvar o policial. Mas me veio a questão do juramento dos médicos e policiais, cujo creio que tenham feito antes de ingressarem em suas carreiras, e então podemos pensar com isso, quais seriam as escolhas deles. O juramento de Hipócrates (médicos) diz: “Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes. Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza’. Já o juramento da policia do Estado do Rio de Janeiro afirma: “Ao ingressar na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, prometo regular a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, ao serviço policial-militar, à manutenção da ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo com o sacrifício da própria vida”. Tento com isso fazer uma análise técnica/profissional sobre a situação questionada.

O que vejo com essa repercussão toda é como um programa de massa, não expõe uma discussão mais aprofundada, e que as vezes pode acabar se tornando parcial. O resultado dessa enquete pode nos mostrar que ou estamos desacreditados da policia nacional ou o lado humanitário de pensar que uma vida corre mais risco que a outra e que precisa ser salva falou mais alto.

É muito difícil falar a respeito de algo sem antes analisar a situação mais profundamente, ambos os lados, o jeito ‘certo’ de opinar sobre um assunto entre outras coisas importantes para a formação de uma opinião.

Por Muriel Monteforte

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Para terminar…

Maria Isabel Campos Mello

Gostaria de encerrar nosso semestre agradecendo, novamente, a todos que fizeram parte desse processo. Já agradeci antes, em um post que fiz questão de ler em voz alta para a classe, mas diferente de meses atrás, minha sensação não é mais de “medo da exposição” e acredito que todos devem estar se sentindo mais satisfeitos com as próprias palavras e ações.

Quero dizer que foi muito bom acompanhar nossa evolução como grupo. Poder conhecer um pouco de cada um por meio dos textos, seminários e participação em sala traz a sensação que sempre há algo novo para descobrir e explorar. Nós todos temos características interessantes ao outro.

Com relação aos seminários, posso dizer que foi uma experiência muito gratificante poder discutir sobre livros que foram lidos há tantos anos. Foi como voltar no tempo de forma mais madura. Digo o mesmo com relação ao Cidadão Kane.

Já com relação aos “Abutres”, foi completamente diferente, acredito que para todos do meu grupo. Escolhemos o filme por não saber do que se tratava e, junto com a sensação de “como não vi esse filme antes?”, vieram todas as reflexões, histórias, debates com pessoas que se tornaram amigos queridos.

Fico muito feliz por ter feito parte dessa turma e por ter escolhido a disciplina. Estar semanalmente com vocês e, claro, com o Professor Dimas foi um prazer! Os textos, imagens, filmes, músicas e conversas me ajudaram muito a lidar com situações pelas quais eu passei.

Espero que as próximas turmas possam aproveitar da forma como eu aproveitei.

Vou sentir falta.

Muito obrigada!

“Infiel – A história de uma mulher que desafiou o Islã”

Maria Isabel Campos Mello

Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália em 1969. Contrariando todas as expectativas, hoje ela é escritora, ativista e foi eleita deputada do parlamento holandês. Conhecida mundialmente por sua luta pelos direitos da mulher e pelas críticas ao fundamentalismo islâmico, hoje vive cercada de guarda-costas nos Estados Unidos, após ter sofrido uma grave ameaça do assassino do cineasta Theo van Gogh, seu parceiro no filme Submissão, sobre a situação da mulher muçulmana atual.

Em Infiel, Ayaan faz uma autobiografia e descreve fases de sua vida com uma riqueza de detalhes impressionante. O livro é dividido em duas partes, Minha infância e Minha liberdade, que explicam como uma menina nascida em um dos países mais pobres da África, e educada sob as rígidas normas da religião foi eleita, em 2005, pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

 

“Minha mãe também nos contava histórias. Tinha aprendido a cuidar dos animais da família e a conduzi-los pelos desertos aos lugares mais seguros. As cabras eram presa fácil para o predador; as meninas também. Se os homens atacassem minha mãe ou suas irmãs no deserto, a culpa era exclusivamente delas: sabiam que deviam fugir assim que avistassem um camelo desconhecido. (…) Ser estuprada era muito pior que morrer, pois sujava a honra de todos os membros da família.” (Hisri Ali, 2012)

“(…) Duas outras mulheres abriram minhas pernas. O homem, que provavelmente era um “circuncidador” itinerante tradicional do clã dos ferreiros, pegou a tesoura. (…) Então o homem aproximou a tesoura e começou a cortar meus pequenos lábios e o meu clitóris. Ouvi o barulho, feito o de um açougueiro ao tirar a gordura de um pedaço de carne. Uma dor aguda se espalhou no meu sexo, uma dor indescritível, e soltei um berro. Então veio a sutura (…)” (Hirsi Ali, 2012)  

 

Os trechos acima, extraídos do livro Infiel, são exemplos do que passam as meninas que vivem sob as regras do fundamentalismo islâmico. Para nós, ocidentais, fica muito difícil nos darmos conta que, enquanto estamos aqui, existem mulheres sendo tratadas como animais, não tendo qualquer autonomia sobre seus corpos, sendo vendidas e escravizadas. Pior, achando que isso é normal e que é o que está reservado a elas.

Por sorte, existem outras mulheres corajosas, que são capazes de desafiar todo um sistema e mostrar que a vida dos seres humanos não deve ser assim. Ayaan travou uma batalha a favor da liberdade, igualdade e democracia em países muçulmanos. Os avanços são pequenos perto do que a causa mereceria, mas só o fato de ela ser hoje uma mulher respeitada, premiada  e de suas palavras estarem disponíveis para o mundo, já nos traz alguma esperança.

Vale a leitura.

 

EM BUSCA DE ALTERNATIVAS

Por Giuliana Biselli

A tensão política que assola o país desde o fim do primeiro mandato do governo Dilma trouxe, como desdobramento, uma severa crise econômica. A falta de aliados – e de credibilidade – dificultou a governabilidade e a tomada de medidas necessárias para que o país conseguisse apresentar avanços. A população, e economia como um todo, passaram a sentir na pele uma instabilidade que não dá sinais de que possa ser superada de imediato.

Apenas em 2015, cerca de 500.000 pessoas perderam o emprego com carteira assinada, e quase 191.000 empresas fecharam as portas. Segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem hoje 10,4 milhões de pessoas desempregadas E a perspectiva de melhora dos índices não é animadora: estima-se que, até o final do ano, esse número aumentará para 12 milhões. Na busca por soluções, profissionais desempregados, ou preocupados em aumentar suas rendas, encontraram em trabalhos não usuais uma fonte possível para driblar os obstáculos econômicos impostos pela crise.

Dentre os empregos alternativos encontrados pelos brasileiros, um deles tem ganhado destaque, e cada vez mais adeptos: trata-se da prestação de serviço de motorista particular oferecido pela empresa multinacional americana Uber. Criada em meados de 2009 nos Estados Unidos, inseriu-se no Brasil no início de 2014, momento que se mostrou ideal para a sua expansão entre profissionais das mais diversas áreas.

Para aderir à Uber, os motoristas têm de cumprir alguns requisitos: (i) cadastrar um veículo e contratar um seguro de acordo com os termos e condições da companhia; (ii) utilizar um veículo do ano de 2008 ou mais novo, que tenha quatro portas, ar condicionado e capacidade para cinco lugares; (iii) possuir

carteira de motorista válida, além das licenças necessárias para dirigir profissionalmente na sua cidade; (iv) apresentar comprovante de antecedentes criminais; e (v) dispor de certificado de registro e licenciamento do veículo válido.

Uma vez validada a documentação, feita a capacitação online e o cadastro no aplicativo – o que ocorre, em geral, no prazo de uma semana – o motorista pode começar a prestar os serviços. Wilson, ex-bancário de 31 anos, realizou um investimento de R$ 170,00 e em 5 dias estava nas ruas: “o processo é muito agilizado e organizado, nunca imaginei conseguir um emprego assim rápido”.

E a descomplicação e a simplicidade não são as únicas marcas registradas da empresa. Uma das características mais evidentes do serviço é a flexibilidade dos horários de trabalho, a qual permite que os motoristas ajustem suas rendas conforme eventuais necessidades. Por conta disso, a companhia se coloca como alternativa tanto para cidadãos desempregados, como para aqueles que, pelas mais variadas razões, pretendem incrementar os ganhos mensais.

Os exemplos de profissionais que, antes, dedicavam-se à atividades profissionais diversas – e que viram a Uber como uma solução à crise econômica – não são poucos. Marcel Watanabe, corretor de imóveis desde os 25 anos, conta que encontrou, ao seus 43, dificuldade em atuar no ramo. Por conta disso, decidiu atuar, nas horas livres, como motorista e assegurar uma complementação de seus rendimentos.

Situação semelhante é a de Carlos Freire, 38 anos, professor particular de inglês, teve diversas de suas aulas canceladas, o que lhe permitiu maior folga de horários. Aproveitando o tempo extra e as distâncias entre as residências dos alunos, chegou a trabalhar como motorista cerca de 40 horas por mês, o que lhe garantiu que seus proventos não só fossem mantidos, como também aumentados.

Se para os prestadores dos serviços a alternativa tem se mostrado uma nova e viável forma de renda, para os passageiros também existem vantagens. Dentre elas, encontra-se a classificação dos motoristas segundo as notas atribuídas pelos próprios usuários do serviço, o que resulta em ganhos de eficiência e segurança.

Além da pontuação, os usuários podem fazer comentários pelo aplicativo caso não tenham ficados satisfeitos com algum aspecto da corrida. A Uber não só avalia a crítica como toma medidas a respeito. Leticia Gouveia, estudante de 18 anos, afirma que, após uma determinada corrida na cidade de São Paulo, enviou à empresa sua insatisfação com o motorista, que havia errado diversas vezes o percurso. Menos de 24 horas depois, a companhia, além de responder a mensagem desculpando-se, reembolsou o valor do trajeto. Segundo ela, “o fato de a iniciativa privada se responsabilizar pela prestação de certos serviços tradicionalmente tidos como públicos tem demonstrado uma expressiva melhora na qualidade das atividades”.

Apesar de reconhecerem a importância do serviço no atual cenário brasileiro, muitos dos motoristas não se vislumbram na função nos próximos 5 anos. Quando questionado a respeito, Gilberto Ferreira, 30 anos, engenheiro e ex-empregado de uma das maiores construtoras do Brasil, narra que perdeu o emprego no início de 2015, e, encontrou, na Uber, uma forma temporária de conservar a receita de sua família. “Acho interessante a proposta feita pela empresa e consegui que minha renda fosse reduzida em apenas 20%. No cenário atual vejo como algo positivo, mas, à longo prazo, gostaria de voltar a atuar como engenheiro. A vida estressante do trânsito não é para mim”.

Felipe SIlva, 34 anos, e quatro de seus colegas advogados, perderam o emprego em janeiro de 2016. Os cortes no escritório de advocacia foram altos e o serviço de motorista particular foi a solução para três deles. Apesar disso, todos

continuam encaminhando currículos para que, assim que possível, possam voltar a atuar no ramo da advocacia.

O perfil da maioria dos motoristas, assim como Gilberto e Felipe, é de profissionais que, embora tenham um nível superior de escolaridade, encontram dificuldades em se reestabelecer no mercado de trabalho. Alternativamente – e temporariamente – aceitaram um emprego diferente como solução.

Os próximos passos da Uber no Brasil ainda são incertos, porém, a deficiência dos serviços públicos no atendimento à demanda da população, e a falta de perspectiva de melhora no curto prazo, indicam que a empresa terá dois cuidados daqui para frente: sua regulação, e a concorrência.

Como produzir um atleta

Por Giuliana Biselli

A necessidade de utilizar de produtos ilícitos para obter prazeres, pessoais ou profissionais, não é uma característica exclusiva da sociedade moderna. A utilização de drogas teve sua origem nos anos 3.000 a.C, época em que o ópio, um látex obtido pelo corte dos bulbos da Papoula somniferum, fora conhecido pelos sumérios. Séculos depois, por volta de 1804, o aprendiz de farmacêutico alemão Friedrich Sertuner isolou o principal alcalóide do ópio e lhe deu o nome de morfina em alusão a Morfeu, o Deus dos sonhos. Esta substância seria, poucos anos depois, utilizada para um melhor desempenho dos animais.

O uso de meios ilícitos visando o aumento do rendimento de um atleta, humano ou animal, é atualmente denominado doping. O constante desenvolvimento da tecnologia, cumulado à necessidade de evolução e superação sobrenatural, compeliu a grande maioria dos atletas contemporâneos a recorrer à utilização das substâncias sintéticas em quantidades anormais. O conceito de seleção natural foi alterado e o ter – ou tomar – se tornou o elemento mais importante da vida de um esportista.

Um dos fatores que explica a enorme utilização das substancias é a ausência de fiscalização. No campeonato mais importante do mundo, as Olimpíadas, os testes não abrangem todos os participantes. Muito pelo contrário, somente os medalhistas – e alguns poucos “sorteados” – são obrigados a fazer o exame. Esse é um dos motivos que explica o porquê das estimativas apontarem que 60 a 80% dos atletas que competem em nível mundial utilizam algum meio de dopagem.

Se o cenário mundial já é alarmante, em nível nacional o sistema está falido. Inexiste controle e a utilização atinge todos os níveis e idades. Os atletas vivem em um mundo paralelo, acima de tudo e todos. Os heróis fabricados se arriscam (se é que há risco envolvido) visando melhor performances e, quem sabe, a participação em competições de alto nível – onde tampouco haverá fiscalização.

Esta – falsa – seleção natural tem que ser confrontada. Enquanto a tecnologia for utilizada para criação de novas substâncias, e não no auxilio para a criação de novos métodos de combate e prevenção, essa uma tendência – que já virou sistema – se perpetuará.

Procrastinação

Procrastinação

Maria Isabel Campos Mello

Levar o carro na revisão, cancelar a TV a cabo, consertar a porta do armário. Quantas vezes já deixamos essas tarefas para o outro dia? Você tem que entregar um texto na segunda de manhã. Quando ele será feito? Domingo à noite. Por que isso?

Procrastinação é o nome  dado a esse ato (ou hábito?) de adiar aquilo que precisamos fazer. De acordo com o dicionário de Oxford, o nome tem origem no latim: pro significa “a frente” e crastinus, “de amanhã”. E quem você pensa que esse é um hábito moderno, está enganado. Existem relatos de procrastinadores desde a 750 a.C. na poesia grega.

Em pesquisas rápidas na internet, encontramos muitas dicas para acabar com a procrastinação, formas de se tornar uma pessoa mais proativa, exercícios para colocar em prática e fazer render melhor a rotina. Mas não é tão fácil encontrar o que leva as pessoas a sabotar as próprias missões.

O interessante é que não procrastinamos somente quando temos que fazer algo que não gostamos. Ler aquele livro, visitar uma amiga antiga, escrever o post do Dimas!

Existem pesquisadores que afirmam que a procrastinação pode ter causa genética, a pessoa nasce assim e pronto. Eu prefiro outra teoria, que diz que o ato está intimamente ligado à impulsividade e que, essa sim, está muito mais presente atualmente.

As pessoas impulsivas buscam recompensas emocionais imediatas ao invés de uma melhor futuramente. Adiamos grande parte das coisas que temos para fazer porque elas costumam consumir tempo e exigem certo esforço. Então por que não trocar essa atividade por outra com a qual já estamos acostumados e a sensação de missão cumprida vem rapidinho? O agora parece muito mais atraente.

E é nesse ponto que eu queria chegar. Se ansiedade nos faz procrastinar, não há bem que possa sair disso. Apesar de parecer contraditório, a impulsividade e ansiedade está nos deixando mais preguiçosos. Adiamos um monte de missões, que se acumulam, nos deixando mais ansiosos ainda.

Como resolver essa questão? Como já foi dito, a internet tem milhares de fórmulas. Mas eu não acredito em fórmulas que não trabalhem a causa do problema. Podemos até tentar, mas enquanto não soubermos compreender e tentar melhorar a nossa relação com tempo, enquanto não soubermos dar a devida importância aos minutos e horas do dia, nada vai adiantar.

Enquanto continuarmos acordando com pressa, comendo rapidinho, correndo para dar conta de tudo ao mesmo tempo, não tem como dar certo. Temos que aprender a fazer as coisas com calma, concentrados no que estamos fazendo. É fácil? Não, mas é um exercício. Resolve? Não sei, mas os dias parecem melhorar e a ansiedade diminuir. Então, quem sabe, esse seja um caminho. Eu tenho tentado e espero que traga algo de positivo na minha vida. Caso contrário, nem esse post estaria aqui hoje.

Da série feminismo: casa e filhos

Maria Isabel Campos Mello

Pegando carona no post da Patrícia, lembrei de uma pesquisa publicada em junho passado realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O tema era a divisão das tarefas domésticas entre casais casados, ou que vivem em união estável.

Das 810 mulheres entrevistadas, 70,8% dizem ser as principais encarregadas pela arrumação da casa onde moram. Entre as casadas, o número é ainda maior, 80,8%. Com relação ao cuidado com os filhos, apenas 16% afirmam dividir as tarefas com o marido.

Deixando esses números de lado, como se já não fosse suficientemente chocante a diferença de comportamento, quantas vezes alguém ouviu um colega de trabalho dizendo que vai ter que ir embora no meio do dia porque o filho está doente? E a mãe?

O marido que acompanha a mulher em todas as consultas médicas durante a gravidez é quase um herói. O que troca as fraldas e dá banho então… E aquele que lava o banheiro depois? Podem construir um altar!

E o que dizer das professoras que mandam bilhetes a respeito da educação, alimentação e comportamento das crianças direcionados apenas às mamães. Só a mamãe prepara a lancheira? Só a mamãe tem interesse em saber se o filho estava com dor de ouvido?

Hoje mesmo, a rádio CBN publicou o seguinte em sua página do Facebook: “Marido cuida de filhos de brasileira morta em Nice”. O leitor desavisado logo pensa na generosidade do homem. Que atitude bonita. Estranho seria se ele mandasse as crianças para um orfanato, afinal, os filhos também eram dele!

Não se sabe o motivo, mas algumas horas depois, a CBN mudou o título. Espero que tenham reconhecido o “equívoco”.