Categoria: 1984/2SEM2016

Luiz Carlos Miele

O produtor musical, ator e diretor Luiz Carlos D’Ugo Miele, morreu aos 77 anos em 14 de outubro de 2015, em sua casa, na zona Sul do Rio e três anos antes me “apaixonei” pelo showman ao entrevistá-lo para o meu TCC. Do perfil, recuperei alguns do arquivos e compartilho esse trecho com vocês, devido a importância desse artista e um pouco também pelo filme da Elis que está nos cinemas.

Um homem…

muitas paixões

Luiz Carlos Miele é um homem cujas paixões se misturam. A música, os amigos, as profissões. Tudo aparece no mesmo lugar. Vindo de uma geração em que os profissionais do show business dispunham de poucos recursos tecnológicos, Miele se transformou em um artista que não via e, ainda hoje, não vê limites impostos por essas condições. Ele se adaptou e, assim, passa pela vida, conhecendo gente e se emocionando muito, sempre com os sentimentos à flor da pele.

Com a gentileza dos antigos, Luiz Carlos Miele, 74 anos, nos recebeu em sua casa, um imóvel grande com ares do campo, em um condomínio fechado, no bairro de São Conrado, Rio de Janeiro. O caseiro, de chinelo de dedos e jeito de caboclo, daqueles que guarda todos os segredos, nos recepcionou no pequeno portão e, passando pelo deck, nos deparamos com uma estátua do Miele, que ficava na frente da Casa de Cultura Estácio de Sá, com a programação nas mãos. Após a demolição do local, sua esposa, Anita Miele, pediu para buscá-la e o presenteou. Miele, trajado com uma camisa polo preta, de mangas curtas, calça e meias bege, e sapatos pretos,  nos cumprimenta perguntando o nome de cada um, e vai nos acomodando em sofás brancos da sala de estar. Anita Miele veste um estilo marinheiro, camisa listrada azul e branca e calça azul. Mostram-se um casal elegante, habituado a confraternizar. Miele se desculpa por não ter empregada em casa naquele sábado de maio, mas logo pede ao Batista, o caseiro, para providenciar um café.

A entrevista começa e a cronologia dos fatos é logo colocada de lado, à medida que uma história se mistura as outras, alinhavadas por nomes que aparecem em várias situações. E quando perguntamos sobre datas, a resposta é direta: “eu não sei, porque fiz essa barreira por conta da minha idade e eu não quero saber de ano”.

Nascido em 31 de maio de 1938, filho de Irma D’Ugo Miele e Dinovaldo Nascimento Miele, o paulistano foi o único menino de três filhos. As duas irmãs mais novas, Regina, 65, e Eliana, 66, nasceram quase dez anos depois e, por isso, “Miele foi o primeiro filho, primeiro neto, primeiro sobrinho, primeiro primo, primeiro homem, paparicado pela família inteira até hoje”, afirmam as irmãs. A mãe, de nome artístico Regina Macedo, a quem Anita se refere como “maravilhosa”, trabalhou em rádio, cinema e TV, foi produtora e musicista, talento múltiplo herdado pelo filho.

Ele viu o início da carreira de artistas como a de Nara Leão, Elis Regina e Carol Saboya. O primeiro compacto de Carol Saboya, filha do produtor e músico Antônio Adolfo, foi cantando com Miele. “Os músicos vinham para o meu pai fazer os arranjos e dentro disso apareceu a ideia do Miele, que já o conhecia há muito tempo – ‘A menina e a TV’”. Também viu muitos deles partirem.

Emociona-se cada vez que fala de Elis, mas também lembra com bastante carinho das cantoras Leny Andrade e Liza Minelli. “Liza escreveu, em um jornal de Nova York, ‘Eu me considero uma profissional do show business, não exatamente uma cantora. Cantar faz parte das minhas performances, de uma profissional do show business. Se eu fosse cantora, queria ser Leny Andrade’”. Miele, com a voz embargada, diz que isso é espetacular.

No livro “Poeira de Estrelas”, 2004, Miele afirmou: “Elis Regina foi a única artista cujo talento eu não me acostumei. Meu entusiasmo chegou ao limite numa entrevista que dei ao jornal ‘O Globo’, quando a repórter perguntou quais eram as três maiores cantoras do Brasil, eu respondi: Elis Regina. A garota do jornal achou que eu não havia entendido, mas eu confirmei. (….) Essa declaração me deu a maior dor de cabeça, pois eu dirigia outros espetáculos.” A relação dos dois sempre foi intensa, assim como a personalidade de Elis, mas Miele se refere ao divórcio dela e Ronaldo Bôscoli, com algum ressentimento e diz que: “até admito que essa coisa do Ronaldo, de ter feito muita coisa, sobrou pra mim”. A filha de Elis, Maria Rita, não quis manter vínculo com ele e, em algumas situações em que estiveram juntos, não demonstrou grande apreço. Uma vez “perguntaram se ela queria fazer uma matéria comigo e ela disse…” nem morta.” Ela queria mesmo distância. Não queria ficar batendo na tecla Elis…Elis…”

O destino, perverso que é, reservou ao “paulistano carioca da gema” o papel mais difícil que alguém da estirpe de Luiz Carlos Miele pode representar: o de coadjuvante, numa história onde o protagonista é ele mesmo. Descrito como uma pessoa agradável, bondosa, calma, dedicada aos amigos e “aos prazeres da vida”, elegante, fino, entre outros adjetivos que caberiam no alfabeto inteiro, Miele é, sem dúvida, bem sucedido. É o destaque.

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O Amor

Por Merillyn Reis

É tudo sobre o Amor.

Aquele que vem e vai, que nos faz dizer e reagir de maneiras que não esperávamos.
É o que faz sonhar e também sofrer.
O sentimento que norteia a sociedade.
As músicas de todos os gêneros. O jazz, a bossa, o rock e até o metal e, claro, sertanejo e pagode, quando o negócio está mais meloso e/ou raivoso. De maneira meio torta, até o axé também entra no pacote.

É o amor livre, o que respeita e o que não respeita as determinações da sociedade. Com paixão ou sem. Pode ser o amor à família e, ainda, o que esquecemos diariamente, ao próximo.

É tudo sobre Amor. Um sentimento abstrato, que, assim como os que tentam medir o índice de felicidade, só quem sente sabe o que é. Será que sabem?
Sem definições ou explicações, cujos detentores distribuem a quem querem. Beijos, abraços, afagos. Será que o amor é isso?

Vamos fazer amor? No sentido mais puro da frase, será que é possível fazê-lo? …. E aí eu digo: é da vontade de amar que precisamos. Eros não me deixa mentir.
Quem você ama sabe que está sendo amado, desejado, bem quisto?

Pois é, olhe em volta e veja que é tudo sobre amor. Esteja presente ou ausente. A ausência dele, aliás, está nos faróis, na desigualdade, na corrupção….na xenofobia e homofobia. apaixonado fundamentado e baseado na aparência física.

O Natal está aí nos dando mais uma chance de trocar amor ao invés de presentes.

Semelhanças entre 1984 e a Ditadura

A obra 1984 de George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair,devia ser leitura obrigatória devido aos fatos que podem ser relacionados com o que vivemos no Brasil em 1964, quando o Brasil passava por um furação e quando se iniciou a Ditadura Militar (1964-1985). A comparação que faço é sobre um fato específico que ocorreu no Brasil nessa época, o AI-5 (Ato Institucional n.5) que pode ser comparado ao Ministério da Verdade e a Polícia do Pensamento, uma que trata da mentira e censura e a segunda que trata da supervisão constante na obra de Orwell.

A censura prévia teve início a partir da edição do AI-5, onde vários veículos da imprensa sofreram a intervenção do Estado.O Ato Institucional nº 5, AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva, foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira. Na obra de Orwell, o AI-5 pode ser comparado ao Ministério citado acima e a Polícia do Pensamento, pois havia um controle absoluto do que era veiculado e também era removido o que não era interessante ao Partido, no Brasil os militares.

Uma história que não pode ser esquecida, mas nunca deve ser revivida.

E se gritar pega ladrão?

A delação do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo, balançou todas as redações e lotou os voos para Curitiba. Já condenado pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos e 4 meses de prisão, o empreiteiro se recusava a colaborar. Mudou de ideia.

Antes dele, alguns outros resolveram colaborar e uma série de políticos foram citados. Na delação do ex-diretor de relações institucionais da Odebrechet Cláudio Melo Filho,um capítulo foi dedicado ao relacionamento que tinha com o nosso atual presidente Michel Temer. Lula também já foi citado. Garotinho, Alckmin, em outra delação.’E se gritar pega ladrão? Não fica um mermão”. Será que é isso que teremos daqui pra frente? Uma limpeza nos Poderes?

Joias foram compradas em dinheiro vivo, sem nota, como se fosse normal. Apartamentos de donos que não são donos, que não estão na escritura. Faxineiras milionárias.

Um espetáculo! Um juiz herói, cuja população quer para presidente.

Vazamentos de dados sigilosos aos meios de comunicação são frequentes. A população apoia, mas não é só o circo que queremos ver. Queremos que os julgamentos e possíveis punições sejam aplicadas.

Citando José Arbex Jr. no livro Showrnalismo: a notícia como espetáculo(Editora Casa Amarela, São Paulo, 2001):

‘O espetáculo – diz Debord – consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. O espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida. É a forma mais elaborada de uma sociedade que desenvolveu ao extremo o ‘fetichismo da mercadoria’ (felicidade identifica-se a consumo). Os meios de comunicação de massa – diz Debord – são apenas ‘a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores’’.

Trabalhar até morrer

A Aposentadoria por tempo de contribuição é um benefício devido ao cidadão que comprovar o tempo total de 35 anos de contribuição, se homem, ou 30 anos de contribuição, se mulher (Fonte: Previdência Social ). Caso seja aprovada a reforma, só conseguirá aposentadoria integral quem trabalhar por 49 anos. Me pergunto: se um brasileiro que termina a faculdade e começa a trabalhar aos 20, 21 anos, quiser se aposentar recebendo o valor integral terá que trabalhar até os 70 e só depois disso, é isso?

Principais requisitos

Regra 85/95 progressiva
  • Não há idade mínima
  • Soma da idade + tempo de contribuição
    • 85 anos (mulher)
    • 95 anos (homem)
  • 180 meses efetivamente trabalhados, para efeito de carência
Regra com 30/35 anos de contribuição
  • Não há idade mínima
  • Tempo total de contribuição
    • 35 anos de contribuição (homem)
    • 30 anos de contribuição (mulher)
  • 180 meses efetivamente trabalhados, para efeito de carência
Regra para proporcional
  • Idade mínima de 48 anos (mulher) e 53 anos (homem)
  • Tempo total de contribuição
    • 25 anos de contribuição + adicional (mulher)
    • 30 anos de contribuição + adicional (homem)
  • 180 meses efetivamente trabalhados, para efeito de carência

Documentos necessários

  • Documento de identificação válido e oficial com foto;
  • Número do CPF;
  • Carteiras de trabalho, carnês de contribuição e outros documentos que comprovem pagamento ao INSS;
  • Se precisar, veja outros documentos para comprovação que podem ser apresentados.

O Medo e o Colégio Totalitário

Todo ano, em meados de Outubro, um colégio na Baia de São Francisco, nos EUA, vira um Estado totalitário. Andrew Simmons introduz a obra 1984 de George Orwell de forma brilhante: com a ajuda dos juniors e de uma conta de Instagram aberta unicamente para o exercício, o professor persegue os alunos do último ano como o IngSoc perseguia Winston Smith. Todos os dias os mais novos fazem um relatório de conduta dos mais velhos indicando faltas, desleixo, hábitos e conduta. Simmons vai todo ano ainda mais além e distribui pelo colégio panfletos e pôsteres com seu rosto e inventa todo ano um nome diferente para o partido do qual é o líder soberano, como o Big Brother de Orwell. O slogan desse ano foi emblemático: “Faça do colégio um lugar SEGURO novamente”, fazendo alusão à frase de efeito da campanha de Donald Trump.

1984 sempre reflete algum aspecto da sociedade – daí a genialidade do livro – mas, segundo Simmons, esse ano o trabalho foi ainda mais significativo. Em uma escola com 65% dos estudantes de origem latina, o professor viu os alunos atormentados com a eleição de Trump. “Os estudantes contaram que aprenderam quão rapidamente uma missão supostamente feita para o bem maior pode mudar de curso, ter mudanças previamente pensadas. Eles admitiram me seguir no Instagram sem considerar o risco de uma “autoridade” ter acesso às suas vidas privadas.”, conta o professor.

Os juniors não questionaram em momento nenhum a autoridade do professor e o porquê da perseguição aos alunos mais velhos. Paradoxal, no mínimo, com o porquê do discurso do presidente-eleito a respeito dos imigrantes latino-americanos e seu discurso de ódio às minorias como um todo.

2016… nossa, que ano

Todo final de ano é a mesma coisa. Nos forçamos a reflexão de mais um ano que passou. Conseguimos, de forma inédita, repensar sobre todas as besteiras e até erros que cometemos ao longo do ano. Eu, particularmente, faço um top cinco de coisas boas e ruins. Não nego esse ano foi complicado – claro que sob minha percepção -, me enfiei em uma leve roubada, que no final, só me fez perceber o quanto não quero ser uma pessoa frustrada futuro e, talvez tenha que aprender a meditar para enfrentar pessoas desse tipo.

Bebi mais cerveja do que podia, mas quem nega uma bem gelada? Ninguém, só que dá um desespero saber que uma cerveja, em calorias, equivale a um pãozinho francês. Pelo menos, tomei vergonha cara e me inscrevi na academia, depois de anos prometendo para minhas amigas. E olha que elas tinham razão, faz um bem danado para saúde, apesar das eternas dores musculares.

Percebi o quanto o ser humano pode ser sem noção. No ano que o paulista descobriu que é possível curtir o carnaval de rua sem sair da cidade, eles me elegem João Doria? Meeeeu, o que essas pessoas tem na cabeça? Fica a boa lembrança – e a saudade – de uma cidade cheia de bicicleta, menos tempo no trânsito para quem vai de ônibus e muito incentivo público. Falaram até que vão privatizar o meu, o seu, o nosso Pacaembu?

Vai ver é de João Doria que o Corinthians precise. Porque, olha, que ano! Sofremos com a saída do Tite e do time inteiro. Até da Libertadores ficamos fora. Será que daqui a 100 anos voltemos a ganhar? Difícil.

Até 2017!