Categoria: 1984/2SEM15

Golpe baixo

Por Rafael Silva

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Uma polêmica interessante ganhou destaque no mundo da luta nas últimas semanas. O ex-boxeador Floyd Mayweather colocou a questão racial em pauta ao falar sobre a adoração do público ao também lutador Conor Mcgregor. Ambos tem no currículo a característica de serem grandes provocadores que se garantem dentro do ringue.

Mayweather é conhecido pelo estilo de vida de pura ostentação. Nas redes sociais, os temas principais de seus posts são mulheres, carros e muito dinheiro. Em 2011, o lutador foi preso após ser acusado de agressão em roubo pela ex-namorada e mãe de um de seus filhos.

Conor McGregor construiu uma carreira sólida no UFC ao longo dos anos. É conhecido por ser o típico falastrão que entra na mente no adversário. Seu diferencial está no fato de que ele cumpre com toda a falação. Recentemente, tirou das mãos de José Aldo o título de peso pena do UFC numa luta que durou apenas 13 segundos e com um nocaute avassalador. O irlandês ganhou a simpatia do público com todo o falatório. Na redes sociais, cumpre também o mesmo checklist Mayweather: ostentação como resultado das grandes vitórias.

Em resposta a declaração de Mayweather, Conor McGregor disparou:

Floyd Mayweather, nunca mais coloque raça no meu sucesso novamente. Sou irlandês, meu povo tem sido oprimido durante toda a sua existência e muitas pessoas ainda são. Compreendo o sentimento de preconceito, é um sentimento profundo no meu sangue. Houve um tempo na história da minha família em que apenas ter o nome “McGregor” era passível de punição com a morte. Não me coloque nisso de novo. Se você quiser, podemos organizar uma luta sem problemas. Darei a você 80/20 da bolsa a meu favor, já que você foi bombardeado em todas as áreas. Aos 27 anos de idade, tenho a chave do jogo. Esse jogo responde a mim agora

Mayweather manteve a palavra. Mas convenhamos que seu golpe foi baixo. Usar a questão racial para justificar popularidade não é a melhor das estratégias, ainda mais tendo agressão contra mulher na bagagem.

É bem provável que a disputa fique apenas na trocação de farpas. Enquanto isso, acompanhamos o espetáculo da mídia em cima de ambos.

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Radicalismo²

Por Rafael Silva

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Sim, eu sei. Futebol, política e religião são coisas que não se discutem. Já é um mantra conhecido nas rodas de conversa. Mas o último item, por vezes, faz a gente pensar duas vezes se não vale uma segunda opinião. Como disse há algumas semanas aqui no blog, passei um tempo nos Emirados Árabes (consegui voltar, amém). Sendo um país de maioria predominantemente muçulmana, as diferenças saltam facilmente aos olhos do observador “católico” nada praticante.

Um exemplo simples é o uso do véu islâmico, o hijab, pelas mulheres. A ideia é proteger sua modéstia e honra. No Alcorão Sagrado, Deus diz (33.ª Surata, Al-Ahzab, versículo 59):

Ó profeta, dizei a vossas esposas, vossas filhas e às mulheres dos crentes que quando saírem que se cubram com as suas mantas; isso é mais conveniente, para que se distingam das demais e não sejam molestadas; sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo

Algumas mulheres cobrem apenas o cabelo. Outras, deixam apenas os olhos à mostra. Os mais radicais do Talibã impõe o uso da burca, que cobre os olhos inclusive.

Em meados do ano passado, foi divulgada mundialmente a notícia de um pai que deixou a filha de 20 anos morrer afogada para evitar que ela fosse tocada pelos salva-vidas em Dubai. O homem preferiu deixa-la morrer à vê-la desonrada pela equipe de resgate.

O pai, obviamente, foi indiciado e processado pelas autoridades locais. O radicalismo distorce e corrompe qualquer tipo de pensamento, seja no futebol, na política e, principalmente, na religião.

Uma pequena mudança de perspectiva de pensamento poderia colocar um ponto final em guerras que se arrastam por milhares de anos.

Organismos cibernéticos

O termo ciborgue é uma contração de “organismo cibernético” inventado pelo engenheiro biomédico Manfred Clynes, em 1960. Clynes o definiu como “a mistura do orgânico com o maquínico, ou a engenharia da união entre sistemas orgânicos separados.

A idéia de ciborgue tem base na adaptação do homem a ambientes inóspitos, ampliação e/ou aprimoramento das capacidades humanas e substituição de “peças”. A mescla com máquinas e circuitos cibernéticos promete incrementar as capacidades sensoriais e cognitivas, além de aumentar a resistência e a durabilidade da espécie.

E já temos alguns ciborgues entre nós, a antropóloga ciborgue Amber Case em palestra no TED, cita que criamos inúmeras ferramentas que foram usadas como uma extensão do corpo físico. Porém, hoje a tecnologia traz uma extensão mental.

https://embed-ssl.ted.com/talks/amber_case_we_are_all_cyborgs_now.html

Extensão essa que, ao conectar os estímulos cerebrais com dados de computadores, mais uma vez transcende a natureza, fazendo que bits sejam materializados e átomos digitalizados. A ausência de barreiras que dividissem os espaços físicos e virtuais tornaria a sociedade modulada, termo criado pelo Gilles Deleuze. As noções de identidade e corpo físico estariam associadas uma a outra.

Desde que cunhado o termo cibernética e aplicada a interação entre homem e máquina, o ser humano e o cenário de atuação do ser se tornaram híbridos. O ser pós-humano e ciborgue consegue superar as deficiências humanas, transcedendo a mente no espaço-tempo no futuro.

O Policial do futuro

Uma das distopias que mais me chamaram a atenção quando criança foi Robocop. Talvez a violência extrema (na tela) era algo que me animava, além é claro das menções robóticas já explicadas aqui no blog.

Lançado em 1987, o filme traz, pelos olhos do diretor, os EUA ensandecido, mais especificamente uma Detroit futurista devastada pelo crime gerada pelo capitalismo extremo. A solução para o fraco Governo conseguir domar a feroz violência é privatizar a segurança e utilizar a matemática, em parceria com máquinas e estudiosos de guerra.

A Omni Consumer Products (OCP) entra em cena e, com a autorização do Estado, transformam Murphy, um policial que foi gravemente ferido por criminosos, em um ciborgue. Robocop é ciborgue com licença para matar, servindo o falido Estado e à megacorporação fascista, que em troca da redução da criminalidade em Detroit, poderá criar uma cidade independente nas áreas degradadas.

A Detriot retratada por Paul Verhoeven expõe uma sociedade derrotada pelas megacoroprações e a alta tecnologia. Seria esse cenário apenas uma mera coincidência ou um estudo de futurologia sobre como o poder será privatizado nas próximas páginas da história?

 

Tecnologia primitiva

Em 1968 Stanley Kubrick reencenou o surgimento da tecnologia no primeiro ato do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço. Os simbólicos primatas utilizam pela primera vez um artefato para conseguir estender seus habilidades.


Desde então, o homem está na constante busca da evolução e extensão do ser. Ele parece condenado a evoluir, mas com o objetivo de se auto-destruir. Vale lembrar que os primatas descobrem a força do osso utilizado para quebrar crânios de esqueletos para atacar seus próximos.

Na pré-história, nossos predecessores começaram a fazer o uso de elementos externos para tirar vantagem da “limitação” que a natureza havia os proporcionado.

Como representado na cena de Kubrik, ossos e pedras utilizados para a fabricação de instrumentos, visando atacar membros de outros clãs, o homo sapiens procura aprimorar a técnica para interferir no curso natural do universo.

Eu, ainda não robô – Parte 2

Após cursar o ensino médio, tive que fazer aquela ingrata escolha que uma pessoa de 18 anos deve fazer para “ser alguém” na vida – isso é o que eles dizem.

Nunca deixei de lado meu gosto pela tecnologia e continuei imaginando soluções ou invenções que pudessem ser úteis para a sociedade. Infelizmente nunca coloquei nada em prática – poderia agora ser um personagem daquelas matérias do PequenasEmpresasGrandesNegócios sobre empreendedores, vai saber.

Após uma passagem frustrada pela faculdade de Matemática, resolvi apostar na minha “vocação” de ser um comunicador e cursei jornalismo, muito mais interessado nas aulas de ~jornalismo na web~ do que no restante das aulas práticas.

Consegui meu primeiro estágio em uma redação ~web~ (esse termo é muito anos doismil), na área de tecnologia. O ingresso oficial na editoria me deu oportunidade de rumar até então maior publicação da área – por mais anacrônico que seja uma revista impressa falar sobre assuntos não-mais-impressos. Desde então acompanho bem a área de tecnologia e quero seguir estudando os reflexos da aceitação excessiva dos gadgets e novas soluções às nossas vidas.

Passei para o outro lado do “balcão”, mas não me desvinculei do mundo high-tec. Por isso, os próximos textos que postarei terão base nos poucos estudos que já fiz, tentando sempre juntar a tecnologia com a nossa sociedade.

Espero que a redação destes posts me “ilumine” – eu sei que não é assim – ou então me trilhe para manter meus estudos de comunicação sempre voltados à área tecnológica.