Categoria: 1984/1SEM2017

Estereótipos e a Espiral do Silêncio

Aprende-a-ficar-calado
Por Simone Dantas Miranda

Quantas vezes por dia não repensamos atitudes, não fingimos ou não nos calamos para evitar uma discussão ou, principalmente, o medo do ridículo? Fato é que a diferença gera desconforto. E ingenuamente seguimos lutando para nos adequarmos a um grupo, ser o que os outros querem, nos encaixarmos em estereótipos, modelos predeterminados que nos confortam, nos são acolhedores.

Assim, nos mantemos inconscientes para a vida além do modelo que fizemos de lar. Além disso, falar o que pensa é muita responsabilidade. Quando não assumimos um estereótipo, podemos gerar conflitos e dificuldades que nos prejudicam na convivência social. É mais fácil não encarar o medo de se expressar. Há também o orgulho e até a preguiça de se esforçar em pensar por si, criar sua própria verdade e realidade.

Criar estereótipos é uma maneira de silenciar multidões e foi isso que a socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann estudou. A sua teoria da Espiral do Silêncio vai além, ela fala do impacto da opinião pública na opinião dos indivíduos. Para ela, os indivíduos tendem a omitir sua opinião quando são conflitantes com a opinião dominante por medo do isolamento. É quando, como falamos no início deste texto, repensamos, fingimos ou nos calamos. Existe, segundo a teoria, uma tendência progressiva ao silêncio, o que seria a espiral. A pesquisadora se dedicou a esse estudo porque existe um ônus social quando o silêncio domina, tal qual quando os estereótipos se formam.

Japão Antirrelacionamento

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Por Simone Dantas Miranda

A terceira maior economia do mundo, o Japão, vive um decréscimo de população. Anualmente a população diminui e a razão pode ser o desinteresse por relacionamentos. Segundo o levantamento do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social do Japão, 61% dos homens solteiros e 49% de mulheres entre 18 e 34 anos não mantêm relações íntimas. Mesmo os japoneses casados, de acordo com a pesquisa, sequer sentem atração sexual. Metade dos homens não fazem e sexo e a grande justificativa é que há atividades mais interessantes. É um paradoxo já que o Japão é o maior produtor de pornografia do mundo.

No país onde “morrer de trabalhar” não é força de expressão, ainda mais após a crise econômica que assolou o Japão na década de 1990, o trabalho pode ser uma motivação forte para que os relacionamentos sejam evitados. O governo japonês chegou a reconhecer em 2015 que 93 casos de excesso de trabalho contribuíram para suicídios e tentativas de suicídio e em outros 96 casos, trabalhadores tiveram mortes por ataques cardíacos, derrames, dentre outras doenças motivadas pelo excesso de trabalho.

Outro fator que contribui para desinteresse pelas relações sociais é o consumo de tecnologia. Os jovens investem o tempo e a atenção nos videogames, aplicativos de celulares e sites da internet. Por ser um país rico em que a população tem acesso a diversos produtos, fica mais fácil trocar os relacionamentos reais por virtuais. Há quem pague caro para conseguir o contato pessoal. Sites japoneses alugam companhia àqueles que já não sabem mais se relacionar com pessoas de outro sexo. O interessado escolhe e pago pelo serviço que inclui andar de mãos dadas e passear pela cidade por duas horas. Sem contato físico, o serviço é como uma consultoria para quem não sabe lidar com relacionamentos.

Justiça ou tortura?

Por Adríssia Di Paula

Há alguns dias, os olhos de toda a internet brasileira se virou para o caso de Maicon Carvalho dos Reis, tatuador que foi preso por torturar um adolescente de 17 anos que havia tentado assaltar uma pensão. Maicon tatuou a frase “eu sou ladrão e vacilão” na testa do jovem e também filmou a tortura. Logo, postou nas redes sociais, afirmando que fez justiça com as próprias mãos.

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O caso repercutiu com bastante rapidez. A atitude, justificada como “impulso”, viralizou nas redes e obteve opiniões divididas, sendo que a maioria se revoltou contra o tatuador. “Tortura não é justiça. O jovem poderia ter uma segunda chance e o cara estragou tudo”, comentou um dos usuários. Outros, rebatiam “bem feito, quero ver assaltar de novo”. Ao meu ver, as opiniões dos usuários, principalmente daqueles que acharam “bem feito”, já define bem o caráter dos mesmos – conseguimos dividir bem quem faria a mesma coisa. Não é assustador? Há quem tenha empatia e há quem não acredite na mudança do jovem. De qualquer maneira, crueldade realmente não é justiça e Maicon foi condenado por tortura, que pode levar de 8 a 10 anos de prisão. Já para o adolescente, foram doados por volta de R$16 mil reais em uma vaquinha online para que ele possa fazer uma remoção de tatuagem. Há quem diga que isso é passar dos limites. Para outros, isso representa mudança e esperança. As redes sociais, por fim, acabaram ajudando o jovem, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Independente da opinião de quem é à favor da tortura, o jovem talvez ganhe uma segunda chance.

Vídeos postados na internet com intenções “boas” nem sempre realmente tem intenções boas. Nem todo mundo é o Batman para fazer justiça com as próprias mãos. Devemos lembrar que nem sempre vingança é a melhor solução… E que a internet nunca perdoa.

Lugares e Não-lugares

No texto Sobremodernidade, Marc Augé propõem chamar os espaços em que “se pode ler a identidade, a relação e a história” de lugares, e os não-lugares seriam “os espaços onde esta leitura não se faz possível”.

Os não-lugares seriam destinados apenas a circulação, consumo e comunicação, ambientes onde não se estabelecem relações sociais duradouras, a interação e o convívio perduram o tempo de conclusão de uma compra ou de um embarque aéreo.

Um mesmo espaço pode ser lugar e não-lugar, dependendo do prisma de interação escolhido para análise; recorrendo ao exemplo do autor, o que transforma um aeroporto em um lugar é o convívio diário entre os funcionários, mas se considerarmos apenas o trânsito dos passageiros, aquele lugar torna-se um não-lugar.

E quanto aos rolezinhos? Os encontros organizados pelas redes sociais, que reúnem milhares de adolescentes em shoppings (espaços de consumo); seria possível afirmar que eles alteram o status desses espaços, transformando os corredores dos shoppings em lugares? Tendo em vista a interação social que está no cerne do evento.

charge do Pelicano

Mulher-Maravilha e a representatividade feminina

 

Por: Melina Bontempo

 

 

 

A mulher maravilha sempre foi um ícone pop importante para as mulheres, sempre foi um símbolo de mulher independente, forte, capaz de lutar sozinha sem depender de outros heróis. Essa imagem é reforçada pela sua origem greco-romana, ela nasceu em um povo amazona, ou seja, mulheres que nasceram para serem soldados.

Ela sempre mostra um grande senso de justiça e paz, querendo derrotar Ares (deus da guerra) por influenciar os humanos a lutarem entre si em guerras infinitas. Em outras versões do desenho/quadrinho, ela apenas incapacita ele de usufruir dos poderes, pois ela era filha de Ares em algumas versões dos quadrinhos.

O novo filme dela reforça a sua imagem feminista, que anda sendo discutido muito, seja pelo empoderamento que vemos, seja na sua imagem de uma mulher forte e guerreira. É importante para as garotas terem modelos fortes para se inspirarem, cresceu muito a frase ”Fight Like a Girl”, justamente para mostrar a força que cada mulher tem dentro de si, assim como teve em 43 (redescoberto nos anos 80) o “We Can Do It”, símbolo importante para o feminismo.  

O filme desperta o interesse e mostra alguns padrões arcaicos (por acontecer na segunda guerra mundial), onde há estranhamento por parte dos generais uma mulher ali dando opinião e por ter maior conhecimento que eles. O longa mostra que a mulher deve fazer o que ela sente vontade e ter liberdade pra isso, mostra que todas tem o poder de mudar o mundo, seja na linha de frente de uma guerra como no seu trabalho.

 

 

13 Reasons Why e a violência contra a mulher

Por: Melina Bontempo

 

 

 

A série 13 Reasons Why vem dividindo a opinião do público nas redes sociais nos últimos meses, muitos defendem a série e outros não ficaram muito felizes. O tema dela de fato é algo muito delicado de se mostrar, além de ser um tabu na nossa sociedade ainda. Muitos acham que a história incentivaria jovens a fazer o mesmo que a protagonista.

As pessoas gostando ou não, a série aborda assuntos importantes para serem discutidos, principalmente a violência contra a mulher. Nela podemos ver casos de estupro, abuso mental, abuso físico, machismo em várias ocasiões retratadas no decorrer do enredo. Muito desses momentos vemos o que muitas mulheres já passaram em muitos momentos de sua vida, seja o assédio, a culpa que colocam em cima das mulheres.

A crítica das redes sociais era justamente por ser uma série para “mimizentos”, diminuindo a importância sobre a reflexão da violência. Ela mostra a visão de uma mulher sobre os acontecimentos, o quão humilhante pode ser “levar uma cantada”, que muitas vezes pode ser inofensiva para alguns homens, a série mostra a importância da empatia no nosso dia a dia, como as nossas ações podem interferir na vida das pessoas ao nosso redor.

Nas redes sociais o público reclama muito falando que as pessoas estão ficando muito chatas, ainda bem que estamos, sinal que algo na nossa sociedade não está correto, que estamos ficando incomodados com velhos padrões que prejudicam vidas, vendo a falta de empatia e percebendo o que as minorias precisam. Todos merecem respeito e voz na sociedade, esperamos que surjam mais conteúdos com críticas a nossa sociedade e que cada vez mais diminua a violência e aumente a empatia pelo próximo  como humanos.

1984 e sua influência literária atual

Por: Melina Bontempo

 

 

O livro 1984 fez uma crítica aos regimes totalitários, em como o regime controlava e observava as pessoas, para não fugir do padrão que queriam, ter uma vigilância constante, para as pessoas do partido terem medo e nunca trair o sistema. Mesmo passando anos desde o seu lançamento, sempre foi um tema muito atual, principalmente agora com os aplicativos de celular que possuem todos os nossos dados e coletam nossas informações 24 horas por dia.

Há uma grande semelhança entre o 1984 e o livro O Círculo, nele temos uma empresa grande que se assemelha ao Google e Facebook, em que todas as pessoas querem trabalhar, por ser uma empresa de tecnologia, eles compartilham todos os dados e possuem todos os dados das pessoas, estão sempre vigiando. O produto deles, o “TruYou” é uma plataforma virtual onde coloca toda a sua vida nele e deposita na nuvem.

O Círculo apresenta novas tecnologias, muitas que já existem aqui, como  pulseiras capazes de analisar o nosso corpo (que já existem, como por exemplo o relógio da Samsung que conta os seus passos, batimento cardíacos e etcs), tem também a câmara “SeeChange”, é uma câmera que te segue o tempo todo, gravando cada detalhe da sua vida, mudando como as pessoas veem a privacidade (é parecido com drones que possuem câmeras). De fato empresas como Google e Facebook sabem praticamente tudo sobre as pessoas pelos dados coletados.

É assustador pensar que um dia empresas de tecnologia tenham tantos dados sobre as pessoas, o livro nos faz pensar para onde a tecnologia e as empresas estão caminhando, esses dados são vendidos para empresas, para nos dar propagandas direcionadas nessas redes, nossa privacidade vem diminuindo e nem nos damos conta na maioria das vezes.