Categoria: 1984/1SEM16

1, 2, 3 graus para definir o novo formato de consumo

O principal motivo que conduziu a história pelos diferentes modelos econômicos partindo da subsistência, passando pelos  asiático, feudal, mercantil, capitalista industrial, comunismo marxista, capitalista financeiro e capitalista mercadológico não deverá ser o principal que nos levará a um novo modelo.  Acredito que o motivo será, se natural ou artificial, a mudança climática. Tudo indica que o consumo desenfreado é parte do problema por isso os consumidores deverão ser parte da solução e consequentemente as empresas. Porém não tenho certeza se isto ocorrerá por questão de consciência ou necessidade.

Por enquanto apenas três em cada dez brasileiros são considerados consumidores conscientes, aquele que antes da compra se preocupa com fatores financeiros e sócio ambientais. Esta pesquisa foi realizada pelo segundo ano consecutivo pela SPC Brasil. Mesmo com uma metodologia pouco acadêmica esta pesquisa talvez demonstre o que vemos em nosso dia a dia e comportamento. Ainda temos muito que avançar na questão consumo consciente.

Se a necessidade vai vir a ser o fator de mudança ainda não sabemos mas já começa a ser esboçada. No primeiro estudo sobre o ”Valor em Risco pelo clima”  realizado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças do Climas e do Ambiente na London School of Economics and Political Science é demonstrado que uma média de US$ 2,5 trilhões, ou 1,8% dos ativos financeiros do mundo estarão sujeitos aos riscos das mudanças climáticas. Esse número pode ser maior e chegar a US$ 24 trilhões, ou 16,9% dos ativos financeiros globais. O “famoso” professor Dietz, coordenador do estudo, comentou:“Isto significa que os investidores que não se importam com riscos (ao investir) optarão pela redução das emissões e os investidores avessos ao risco estarão ainda mais ansiosos para fazê-lo”.

Não importa o caminho pois o tempo da mudança climática já esta ocorrendo. Não sabemos se o acordo da COPI-21 será capaz de segurar o aquecimento abaixo de 2ºC, mas sabemos que já neste patamar ou acima disto muita coisa irá mudar no planeta. Com certeza o formato do consumo atual deverá sofrer alterações e com ele o modelo econômico que o motiva.aquecimento

https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/pesquisas/filtro/ano/2016/mes/7

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Infográfico: Por que fazer revistas digitais no formato PDF não funciona?

Por: Adriano Rodrigues

Muitas empresas tem seus negócios baseadas em Revistas Digitais, mas muitas dessas revistas estão no formato PDF. As revistas digitais no formato PDF, parecem ter muitas vantagens, mas isso é uma grande ilusão. As revistas no formato PDF, são econômicas no processo de produção, mas são um tiro no pé quando o assunto é negócio.

Saiba quais são os 10 motivos para você não fazer Revistas Digitais no formato PDF

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A ‘Ditadura da Beleza’, por uma adolescente

Texto de Laura Teixeira (aluna de 12 anos de uma escola pública de São Paulo)

“É fato que padrões de beleza sempre existiram e mudaram com o passar do tempo. Na sociedade contemporânea há, como nunca visto antes, a incessante busca pelo corpo perfeito, graças ao poder midiático e que traz enormes consequência a quem se propõe a alcançá-lo. Para entender melhor este fenômeno precisa-se analisar suas causas e consequências.
Na Grécia Antiga, o corpo masculino grande, forte e saudável era disseminado pela arte, como em vasos que representavam os Jogos Olímpicos. Mais tarde, no Renascimento, o corpo farto da mulher era sinônimo de fertilidade e assim pintado em telas, como a de Sandro Botticelli, “O Nascimento de Vênus”. Hoje, com a tecnologia, a mídia é a principal causa e o meio distribuidor do modelo de corpo perfeito. Diariamente a sociedade é bombardeada por fotos de pessoas esteticamente perfeitas, para estimular a adesão a esse padrão. Seja em propagandas, revistas, novelas, filmes e até em letras de música, em que há a apologia ao corpo feminino esmerado, todos os canais de comunicação distribuem a padronização do corpo, tanto feminino quanto masculino, e, pelo poder das tecnologias atuais, esse espalhamento é muito maior. Quem se beneficia com isso é a indústria estética, que vende dietas, remédios, exercícios, tratamentos e cirurgias que prometem proporcionar o físico ideal.
Assim, há uma série de consequências ligadas à busca do padrão. Os problemas físicos podem ser relacionados às dietas e aos remédios que podem causar gastrite, por deixar o estômago vazio constantemente. Há também a possibilidade de se desenvolver úlceras que podem levar ao câncer. Já o uso abusivo de tratamentos e cirurgias estéticas podem destruir o corpo de uma pessoa, como o que aconteceu com Andressa Urach, pelo uso exagerado de hidrogel. Os problemas também podem ser psicológicos, como a bulimia (nutrição excessiva seguida de arrependimento) e a anorexia (falta de ingestão de alimentos). Ambas podem causar profunda depressão.
Desta forma, visto o mal que o padrão de beleza, na sociedade contemporânea, pode causar, mudanças são necessárias. A mídia deve reverter esse quadro, criando propagandas que mostrem a diversidade estética e que promovam a auto-aceitação. Nas escolas e em casa, os professores e os pais devem ensinar os pequenos a terem saúde sem se preocupar com padrões. Assim, o futuro poderá ser melhor, com pessoas sadias e felizes com o seu corpo, independente de como ele for.”

É bom saber que ainda existe uma esperança no fim do túnel. Se daqui alguns anos a aluna pensar em estudar uma pós-graduação, acredito que ela se identificaria com a disciplina Mídia, Complexidade e Poder…

O poder da mídia e as oscilações do mercado de ações

Por Leo Duarte

ações
Nas últimas semanas o que mais tem aparecido nas redes sociais são memes relacionados ao jogo de realidade aumentada Pokemon Go. Aqui no Brasil, ele ainda não existe, ninguém sabe se vai existir de fato, mas os comentários não param.
A tiro do marketing da empresa Nintendo foi certeiro. Antes mesmo de lançar o produto no mercado, conseguiu criar tanta expectativa nas mídias que viu sua ações dispararem apenas com a especulação. Em uma semana de lançamento em apenas 3 países, os papéis do grupo avançaram 50%¹ , chegou ao pico acumulado de 86% de alta, sem contar todos os recordes de downloads de aplicativos nos celulares.
Pouco tempo mais tarde², algo parece estar dando errado. O jogo foi liberado em mais alguns países, incluindo o Japão, mas as ações da empresa despencaram. O motivo alegado foi que os desenvolvedores do título pisaram no freio diante de preocupações com sobrecarga dos servidores que hospedam o jogo. As ações vêm tendo uma queda diária de 18% nos últimos dias.
O fato é que a especulação feita pela mídia é tão ou mais poderosa que a especulação do mercado. Elas andam juntas e ligadas. Outros casos, como do próprio Eike Batista, já mostraram que escândalos em jornais e revistas, boatos diversos, influenciam na oscilação do mercado de renda variável.
Como o investimento em ações é uma aposta no desempenho futuro da empresa, o boato preenche um vazio de informação, ou seja, o mercado financeiro tem o boato como um dos elementos que fazem parte da estrutura, definindo comportamentos e dinâmicas.

¹ dados de 14/07/2016
² dados de 20/07/2016

Há quanto tempo você não senta no seu sofá?

Por Leo Duarte

Fazendo referência à modernidade líquida de Zygmunt Bauman, podemos afirmar que hoje o derretimento dos sólidos são para a busca de novos líquidos, ou seja, as grandes instalações de empresas com galpões, diversas salas de escritórios e departamentos, arquivos de documentos, tudo hoje pode estar centralizado num único laptop que provavelmente está na mesa de cabeceira no dormitório de um empresário que administra  através da Internet, a terceirização de sua fábrica que talvez nem esteja no Brasil.
Os poderes se liquefazem e não param por aí. Não é só nas empresas que o “macro” cedeu lugar ao “micro”. Muito provavelmente, o dormitório em que o empresário está com o laptop não faz parte de um casarão antigo, com pé direito alto e quintal com jardim. A tendência do micro também está presente e cada vez mais forte no mercado imobiliário atual.studio
Basta prestar atenção num desses jornais de lançamento de prédios entregues no semáforo que é possível reparar algumas curiosidades: a grande maioria são de pequenos apartamentos (outro dia recebi um anúncio de apartamento de 18m², sim, dezoito, no centro de São Paulo!!!); observando o desenho da planta é nítido como as salas estão cada vez menores, com espaço para no máximo um sofá de dois lugares, menores que os próprios dormitórios, menores que as próprias “varandas gourmet”, quando estas existem no projeto.
Em visita a um modelo decorado durante um trabalho de gravação para
a construtora, perguntei ao corretor o motivo dos quartos e as varandas serem maiores que a sala. A resposta foi o que eu já deduzia: “hoje em dia, as pessoas chegam em casa e vão direto para o seu quarto ficar no laptop trabalhando, não sentam mais no sofá para ver televisão, muitas vezes fazem as refeições na rua, então o dormitório é a nova sala de estar, e nas raras vezes que recebem amigos, pois não se tem mais tempo para isso, ficam na varanda gourmet, então a cozinha não precisa ter espaço para mais de uma pessoa também”.
A minha curiosidade foi além: “e em relação ao lazer que o prédio vai oferecer, é bem completo, parece um clube; mas e se todos os moradores resolverem usar ao mesmo tempo não virará um caos?” e a resposta: “ninguém usa o lazer, ninguém tem tempo, é apenas formalidade para valorizar o condomínio”. Já num tom de ironia, mas com um raciocínio “moderno líquido” admirável, o corretor continuou: “enquanto as pessoas não percebem isso, a gente continua colocando espelhos nas paredes do apartamento modelo decorado para dar sensação de amplitude, além disso, neste corredor de entrada do prédio vamos colocar um banco e aqui será mais um item de lazer deste “maravilhoso” clube, o Espaço de Convivência… que provavelmente ninguém usará, mas estará no memorial descritivo como item de lazer”.

É possível não deixar rastros?

Por Leo Duarte

digitais

Um rastro digital é o vestígio de uma ação efetuada por um indivíduo no ciberespaço. As particularidades dos rastros digitais são partilhadas por outros tipos de rastros, mas encontram na inscrição digital a sua intensificação.
A máxima da pragmática “não podemos não comunicar” pode ser reescrita: não podemos não deixar rastros, afinal, comunicar é deixar rastro. Além das informações pessoais que divulgamos conscientemente nas redes sociais, toda a ação de navegação, busca e download deixa algum tipo de rastro , um vestígio mais ou menos explícito, suscetível de ser capturado e recuperado.
Se antes o ato de fazer alguma conta ou inscrição em algum site ou plataforma dependia de um gesto adicional à navegação, hoje, está incorporada à ação. Um check-in em algum lugar depende de um cadastro prévio, e além disso, é a inscrição de seu próprio rastro que passará a ser referência para outras inscrições de outras pessoas que também passarem por ali.
Se historicamente era necessário arquivar para não esquecer, agora é preciso esquecer para não arquivar, pois na rede, o arquivo é assegurado por padrão. Os rastros digitais são persistente e facilmente recuperáveis. Isto devido à diminuição relativa do intervalo entre a ação, a inscrição do rastro e sua recuperação. Existe a possibilidade de monitorar e capturar o rastro em tempo real, de modo a possibilitar vias diferenciadas de recuperação. O Google Insights, por exemplo, permite que recuperemos os rastros de busca de termos em períodos específicos, visualizando a sua frequência numa linha do tempo.
Vestígios se inscrevem nos navegadores e nos sites através de cookies e beacons, contendo o registro de nossa navegação, são exemplos dessas outras camadas de rastros, menos visíveis.
Enfim, são muitas marcas, quase que invisíveis, de ações que muitas vezes nem são percebidas. Um aplicativo que, em sua face, quer apenas divertir, porém, indiretamente alimenta os gigantescos bancos de dados publicitários.

As barreiras da mídia digital

Por: Adriano Rodrigues

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A mídia digital vem crescendo a cada dia. Seu crescimento está previsto para ser de 12,7 % em 2016, com faturamento aproximado de US$ 76,6 bilhões arrecadados com publicidade. Apesar deste enorme crescimento, o mercado ainda está em fase de desenvolvimento. A dúvida por formatos de publicações (digitais ou online) ainda não está clara. As revistas foram para as plataformas de publicações digitais, já os jornais foram para as plataformas de publicações online. Na minha modesta opinião, os jornais saíram ganhando, mas isso é assunto para outra publicação.

Mas nem tudo são flores. A mídia digital precisa superar várias barreiras para ela ser viável do ponto de vista comercial. Muita gente não quer pagar pela informação, mas informação de qualidade tem valor. Valor do ponto de vista comercial e valor do ponto de vista conceitual. Quanto vale uma boa notícia? é possível ganhar dinheiro em mídia digital apenas com anúncio, ou os anúncios são abocanhados pelo Google? Todas essas perguntas nos levam a um cenário não muito favorável ao mercado de mídia digital. Vejamos a seguir outros fatores que podem atrapalhar o mercado de mídia digital.

Podemos apontar aqui alguns problemas que podem atrapalhar o desenvolvimento da mídia digital. Os problemas podem vir por questões econômicas, pois alguns veículos de comunicação querem cobrar pelos seus conteúdos, falta de acesso à internet, pois a internet ainda não tem um grande alcance como a tv e o rádio, o acesso aos aparelhos eletrônicos, ainda temos restrições preferência pela mídia impressa por um número considerável de pessoas.

Mesmo com todos esses problemas apontados, a mídia digital vem crescendo muito a cada ano. Com a resolução ou a amenização destes problemas e o crescimento da demanda das pessoas por consumirem mídia digital o mercado pode crescer muito nos próximos anos.

Será que num futuro próximo, ficará a cargo da mídia impressa apenas as edições de luxo ou projetos especiais?