Categoria: 1984/1SEM14

(continuação post anterior)

Por: Bruna Zarzur Cury

  • Tecnologia

– O livro foi escrito em uma época que não havia computadores – Tecnologia é vista através das “teletelas” espalhadas, microfones escondidos pela cidade e máquinas para torturar os inimigos.

  • Miséria e decadência urbana

– Em oposição a tecnologia, Londres é retratado em estado degradado com edifícios deteriorados e destruídos, elevadores que não funcionam e problemas com eletricidade/canalização. – Essa desintegração da cidade e pobreza mostra como o Partido é eficaz em melhorar seu próprio poder, porém incompetente em proporcionar o mínimo para seus cidadãos.

  • Comunicação, linguagem e expressão

– O Partido introduziu a língua “Novafala”.

– Eles estão constantemente aperfeiçoando a língua Novafala, para ninguém conseguir conceituar qualquer coisa que questione o poder absoluto.

– Se você cria uma língua, você tem controle das palavras criadas e consegue silenciar os pensamentos humanos.

– A linguagem estrutura e limita as ideias que cada indivíduo é capaz de formular ou expressar.

– Isso está expresso no lema do Partido: “Guerra é Paz, Liberdade é escravidão, ignorância é força”.

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A crença do ‘Homeschooling’

por Marina Neto

Logan Laplante é um menino de 13 anos de idade, que foi levado para fora do sistema de ensino tradicional a ser ensinado em casa de uma vez por todas. Ele não só foi educado em casa, mas também teve a capacidade de adaptar o ensino aos seus interesses e também seu estilo de aprendizagem, algo que a educação tradicional não oferece. Como Logan mencionou no vídeo abaixo, quando crescer, ele quer ser feliz e saudável.

            Em uma conversa no canal de palestras online em 2013 – TED Talk – ele discutiu como foi que ‘hackear’ sua educação vem ajudando-o a alcançar o objetivo de ser uma criança feliz e diferenciada.

 Educação e Ensino doméstico

A educação é muitas vezes considerada a base para a criação de uma sociedade hierarquizada e produtiva, mas essa crença geralmente decorre a certeza de que aqueles que saem do sistema de ensino são capazes de manter as engrenagens da sociedade do avesso, a fim de manter as margens de lucro das grandes empresas com um sistema que requer constante crescimento. Em vez de ter criatividade e pessoas com pensamentos mais libertários, o estilo atual da educação cria mais indivíduos submissos, obedientes e treinados para que o sistema atual se mantenha equilibrado e controlado.

Isso significa que a educação padrão é menos focada em cada indivíduo e seu crescimento é mais na criação de um fornecimento de abelhas operárias que seguem um caminho premeditado e dentro dos limites do sistema. O ilustre escritor e Professor Ken Robinson apresentou o tema em questão em um TED Talk em 2006, onde ele discutiu suas crenças sobre como a educação ‘mata’ a criatividade.

Esta palestra do TED é uma das palestras mais vistas de todos os tempos e tem inspirado muitos a repensar a forma como estamos educando a próxima geração. Como a educação tradicional ainda está tomando seu tempo com muitos ajustes e qualificações, muitos estão se voltando para a educação doméstica como uma solução disciplinar, pois permite que as crianças explorem a educação da forma mais acessível e independente, muito parecido com que o jovem Logan fez.

Atualmente, cerca de 3,8% de crianças com idades entre 5-17 são educados em casa nos EUA. No Canadá, este número caiu para cerca de 1%. É uma estatística que irá crescer em ambos os países em razão das limitações do nosso sistema de ensino atual. Além disso, estudos feitos nos EUA e Canadá mostram que educação feita em casa, as crianças conseguem realizar atividades e empreendimentos educacionais assim como nas escolas públicas e privadas.

 Acredito que vamos ficar bem se deixarmos o sistema de ensino atual para trás e escolher outros métodos. Isso não quer dizer que educação doméstica é comumente vista como um processo bastante funcional, mas realmente acredito em uma drástica mudança, e quero dizer drástica mudança na forma como as funções do sistema de educação precisam acontecer, e logo.

Em minha mísera opinião, ter educação em casa é muito mais propenso a criar uma pessoa criativa, adaptável e com uma visão de futuro maior do que a pessoa que está na escola e condicionada a pensar apenas dentro dos pequenos limites de um sistema de desintegração escolar e fundamentado.

The Daily Beast – The Sinister Side of Homeschooling

Liberdade para os fracos, democracia para os poderosos

por Marina Neto

Muitos hacktivistas traçam paralelos diretos entre suas ações e atos de desobediência civil. Porém, esses legionários da web normalmente veem o ciberespaço como mais um canal útil para protestos pacíficos em prol de liberdades civis, incluindo também como um espaço público.

A ideia dos hackers é tornar este espaço digital mais democrático.

 Por causa do alto fluxo de mensagens a todo instante, seja pelas redes sociais conectadas em PC ou em dispositivos móveis, é quase difícil de censurar a natureza da internet como um canal natural para obter uma mensagem a um público mais vasto.

Além disso, como a internet pode ser vista como uma plataforma distribuída, os atores do ativismo digital são os verdadeiros transformadores da web como uma plataforma ideal para o discurso democrático. E uma das únicas que nos resta hoje em dia.

Aqueles que enxergam o hacktivismo puramente como desobediência civil, conseguem apenas reconhecer que às vezes causa um prejuízo financeiro para uma ordem ou sociedade, mas promove a analogia com protestos do mundo real, greves e vandalismo político em que alguns não estão envolvidos no custo de algumas ações radicais. Tais atos não são (geralmente) confundidos com atos de terror no mundo físico, e suas ações, excepcionalmente, não devem ser confundidas com ciberterrorismo.

Existem concepções do ativismo na internet totalmente deturpadas, que segundo Assange (2013)[1], o discurso da luta pela democracia na Internet é uma guerra invisível, mesmo quando se tem uma grande exposição de informações pelas mídias digitais.

Além de facilitar a liberdade de expressão, alguns usuários da internet ainda sentem que é seu dever proteger a liberdade de expressão ou demonstrar em favor do mesmo, conforme detalhado pela tese de Alexandra Samuel (2008) [2]. Na verdade, os ataques realizados pelo coletivo Anonymous contra as empresas de cartão de crédito que se recusam a atender WikiLeaks são centrados nessa ideia de expor a Internet que conhecemos como um espaço público para exposição de ideias e compartilhamento de conteúdo.

A desativação da internet durante períodos de revolta popular, como no Egito, sugere ainda que o ativismo digital é visto pelos governos como um canal fundamental para a distribuição de informação livre e que não parecem aprovar muito o processo.

Em suma, um significado importante de hacktivismo para o mundo é que se tornou uma forma de manifestação da plataforma da liberdade de expressão global pela Internet.

Não podemos negar que ainda somos detentores de um poder em um maior nível de transparência de informações e do discurso livre que pode ser visto, lido e compartilhado pelo mundo.

 

[1] Citação atribuída na obra “Cyberphunks: Liberdade e Futuro na Internet”, de Julian Assange, 2013.

[2] Professora da Universidade de Harvard e PhD em Ciências Sociais. Especialista em movimentos de ciberativismo pelo mundo. Seu trabalho pode ser visto em http://alexandrasamuel.com/dissertation/pdfs/Samuel-Hacktivism-entire.pdf. Acesso em 19 de Maio 2015

 

A instrumentação do medo a favor do bem

A onda de pânico gerada pelos atentados terroristas, guerras civis, a busca cada vez maior pela segurança, e a mercantilização e valorização exponencial de informações sobre as pessoas culminaram em diversos mecanismos de vigilância e controle sobre a sociedade civil.

A obra “1984” mostra, a partir de uma sociedade dominada por um governo totalitário, um povo que vive sob o olhar e controle de um poder. E o medo torna-se uma das armas mais poderosas para manter essa sociedade. Assim como a Guerra, atitudes negativas são capazes de revelar o pior da natureza humana. Mas e se este contexto fosse usado para mostrar o outro lado da moeda?

A “The Human Rights Foundation” (HRF) lançou uma campanha desenvolvida pela Grey Brasil, usando peças criadas em cima de fotos jornalísticas em cima de conflitos que marcaram a história. As imagens caracterizam os agressores que abusam do poder contra suas vítimas e mostra os “demônios” que surgem com a guerra. Como tagline, a imagem traz a frase ” “A guerra mostra o pior lado da vida. Mostre o seu melhor lado”.

File picture taken in 1943 of Nazi Germa

Northern Alliance Soldiers March Toward Kabul

A HRF é uma organização apartidária e sem fins lucrativos, com sede em Nova York, que promove e protege a paz, a liberdade e os direitos humanos ao redor do mundo.

Sim, pequenos gestos podem fazer a diferença

Dentro das redes sociais, muito se fala sobre o “ativismo de sofá”, ou sobre os protestos cibernéticos. Embora muitos sejam contra e acreditam que a melhor forma de mostrar sua insatisfação é partir para a rua, outros buscam por meio destes canais, uma forma de angariar mais pessoas para lutar a favor de uma causa.

Hoje existem sites dedicados especialmente para a realização de “abaixos assinados” virtuais, uma forma de recolher assinaturas eletrônicas (nome e RG) entre potenciais interessados no assunto. Iniciativas como a aprovação do Marco Civil da Internet, foram impulsionadas pelas mais de 350 mil assinaturas recolhidas pela comunidade Avaaz.  A discussão em torno dos testes em animais,  sobretudo após o caso dos Beagles no Instituto Royal, também ganhou força com essa iniciativa.

Em 2013, o Facebook teve um papel fundamental na onda de protestos que marcaram o mês de junho. Além dos eventos convocando as pessoas a saírem nas ruas, usuários da página montaram grupos de apoio aos manifestantes, além da cobertura independente feita  por páginas como Mídia Ninja.

Baseado no conceito de pequenas ações, como as citadas acima, a Anistia Internacional produziu, em colaboração com a agência TBWA Paris, um vídeo simbolizando o potencial de cada assinatura, na defesa dos direitos humanos. “Pens” destaca que  a voz de uma única pessoa pode nascer um novo movimento social, e mostra que um pequeno gesto pode ser mais poderoso do que imaginamos.

Reflexões sobre o não-caos

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Por Fernando Gonzaga

Junho de 2014. Em plena Copa do Mundo de Futebol, o Primeiro Comando da Capital (PCC) se aproveita da atenção repressiva destinada pelas forças de segurança do Estado de São Paulo às manifestações de rua e ordena a seus asseclas “tacar o terror na cidade”.

Ordem dada, ordem cumprida. Em poucos dias, a cidade mergulharia no caos. Dezenas de ônibus incendiados, agentes de segurança assassinados, presídios explodindo em rebeliões em todo o estado, talvez até alguma seleção sofrendo um ataque inesperado, entre outros delitos em todo o país.

Tal cenário de horror poderia até fazer a Fifa interromper a Copa, algo jamais visto na história, o que seria catastrófico não apenas para São Paulo, mas também para todo o Brasil aos olhos do mundo.

Felizmente, isso não aconteceu. Mas… por quê? Não sei essa resposta, mas há dois pontos que me atiçam a reflexão.

O primeiro segue a linha do jurista Walter Maierovitch que, em artigo publicado na revista Carta Capital em novembro de 2012, aponta a realização de um armistício negociado entre os líderes da facção e o governo do Estado – o que gerou o fim dos ataques em 2006.  Será que um novo armistício foi negociado entre governo e criminosos às escuras da população?

O segundo ponto é o fato de que o PCC aprendeu a se estruturar como empresa e sindicato do crime com integrantes da Camorra (os irmãos Bruno e Renato Torsi), que ficaram presos em Taubaté por quatro anos, na década de 90.

Hoje, diversas investigações da Polícia Civil e Federal apontam que o PCC lava as receitas obtidas com o tráfico de drogas em outros negócios – tais como a cobrança de mesada de lotações de transporte coletivo ou de camelôs que atuam na feira da madrugada ou em quermesses na cidade.

Será que a ordem de “tacar o terror na cidade” seria um transtorno para os negócios da nova máfia brasileira?

Enfim. Não sei qual é a resposta. Apenas sei que o PCC cresce e se alastra como uma metástase, enquanto vivemos a ilusão da congregação entre os povos.

Para quem quiser saber mais, seguem alguns links interessantes.

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,documentos-revelam-a-influencia-da-camorra-na-criacao-do-pccheadline,312606

http://www.viomundo.com.br/politica/maierovich-pcc-assume-status-de-mafia-brasileira.html

http://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/policia/pcc-e-mafia-chinesa-cobram-mesada-na-feira-da-madrugada.html

1984 e a Cultura Pop: outras influências

Já comentei aqui no blog sobre a influência que “1984” trouxe para a cultura pop, exercendo um papel importante na expressão de outras artes. Foi a partir desta obra de George Orwell que surgiram canções, álbuns completos e até mesmo, HQs e filmes que trazem como inspiração aspectos do livro, como a sociedade distópica, vigilância, lavagem cerebral e o conceito do Grande Irmão.

Assim como David Bowie e Muse, outras bandas usaram o livro como base para algumas de suas canções.  O Radiohead se inspirou no livro para compor uma de suas canções mais famosas, “Karma Police” (Ok Computer, 1997), com referências a Polícia do Pensamento e a novilíngua (“Polícia do Carma, prenda este homem, ele fala em números”).

O Coldplay também faz referências a sociedade descrita em “1984”, assim como Polícia do Pensamento e a falta de liberdade na música “Spies”, do álbum Parachutes (2000) (“Eu desperto para perceber que ninguém é livre somos todos fugitivos /  olhe o jeito que vivemos / aqui embaixo, eu não consigo dormir para fugir do medo, não /  Eu disse para que lado eu viro / Oh, eu esqueço tudo que aprendo”).

 

Já a banda australiana Silverchair fez um clipe com elementos inspirados na figura do “Grande Irmão”. A música, lançada em 1999, é uma crítica sobre o governo e o futuro no novo milênio.

 

Ainda dentro da cultura pop, outras artes também foram impactadas pela obra de George Orwell. A história em quadrinhos que deu origem ao filme, “V de Vingança” de Alan Moore, traz claras referências a 1984, contando a história de uma sociedade distópica na Inglaterra do futuro, bem como aspectos do governo totalitarista. Além disso, o personagem “V” apresenta ideais românticos e anárquicos semelhantes ao de Winston. Qualquer semelhança com o símbolo adotado pelo grupo Anonymous não é mera coincidência.

O filme “Equilibrium” (2002) também traz inúmeras semelhanças a sociedade retratada por Orwell. A história se passa em um futuro distópico após uma terceira guerra mundial, e mostra uma sociedade controlada por um regime totalitário que é obrigada a tomar uma droga chamada “Prozium”, responsável por anestesiar emoções e prevenir tensões sociais.

 

Leia mais:

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