Como os jornalistas dos Documentos do Panamá desvendaram o maior vazamento da história

Em palestra à comunidade TED, Gerard Ryle contou sobre o processo de apuração e pesquisa desencadeados pelo vazamento dos Documentos do Panamá e como eles conseguiram criar uma rede de jornalistas para desvendar as informações recebidas de forma eficaz. Em 2015, um anônimo (auto-denominado John Doe) entregou a cópia de quase 40 anos de registros do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca – especializado na criação de contas em paraísos fiscais – a dois jornalistas do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Eram 11,5 milhões de documentos, contendo os segredos de pessoas de mais de 200 países diferentes.

Por causa do volume de informações, os jornalistas procuraram a organização de Gerard, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, e eles decidiram fazer exatamente o oposto de tudo o que haviam aprendido como jornalistas investigativos: compartilhar. Ao todo, participaram do processo de apuração repórteres de mais de 100 organizações de mídia em 76 países, com o objetivo de buscar “Olhos nativos em nomes nativos”. Como os documentos envolviam nomes de diversos locais do globo, os jornalistas conseguiam identificar de forma mais rápida as pessoas importantes do seu local de origem. Haviam apenas duas regras para os que foram convidados: todos concordaram em compartilhar tudo que encontraram com os demais e em publicar em conjunto, no mesmo dia.

Foram meses de trabalho, envolvendo mais de 350 repórteres de 25 grupos de idiomas diferentes. Eles criaram uma redação virtual segura, com um buscador especialmente projetado para a situação, no qual era possível conectar os assuntos e se reunir em torno de um mesmo tema. Manter o segredo era essencial para o trabalho bem apurado e eles auxiliavam uns aos outros nos momentos de estresse, a cada descoberta nova durante a pesquisa nos documentos. “O maior vazamento de informação da história tinha gerado agora a maior colaboração jornalística da história”, diz Gerard. E em 3 de abril de 2016, exatamente às 20h no horário alemão, eles publicaram simultaneamente em 76 países as reportagens produzidas e que desencadearam grande repercussão mundial.

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