Retrocesso da diversidade

Por Simone Dantas Miranda
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Obra “Operários” de Tarsila do Amaral

“O Brasil é multicultural”. Para boa parte de nós, brasileiros, o multiculturalismo nos define. Peça pra explicar e nossos principais argumentos são de que aqui recebemos bem os imigrantes porque gostamos de estrangeiros, é terra de oportunidades e não temos problemas de intolerância.

Mas com tantos povos, etnias e religiões no mundo, o que nos faz acreditar que somos realmente tolerantes à diversidade. Ora, num país de maioria católica que hoje se divide entre petralhas e coxinhas, o simples fato de sermos um povo de cor de pele diversa não nos define como multicultural. Na verdade, pela nossa extensão territorial, detemos uma vasta cultura brasileira: no sul, a influência de nossos “hermanos” e traços da cultura europeia, africana e oriental em todo o país. Todo brasileiro que se preze teve um avô ou bisavô estrangeiro.

Na recente vinda de imigrantes do Haiti, entretanto, muitos cidadãos relataram olhares desconfiados de brasileiros. Psicólogos especializados em cultura, atendem imigrantes que chegam ao Brasil e tentam explicar porque, no ônibus, as pessoas não se sentem ao lado do estrangeiro de origem árabe.

Ao invés de caminharmos rumo ao respeito às culturas, alguns de nós, são intolerantes ao novo. Nossa cultura, apesar de historicamente construída com base na diversidade, nos fez avessos à diferença. Não falo do imigrante francês ou americano. Refiro-me àqueles que buscam em nosso país  exatamente o que ostentamos em discurso: terra das oportunidades.

Constatamos diariamente nos noticiários qual o resultado da intolerância: violência. Criticamos a política separatista dos líderes mundiais mas aqui, em nosso “quintal”, banalizamos as notícias de agressões e mortes que acontecem com as pessoas mais vulneráveis da sociedade, o que desconstrói qualquer concepção mitológica sobre o modo como nos relacionamos com a diferença.

Numa época marcada por intercâmbios culturais e o encurtamento de distâncias geográficas a diversidade passa a fazer cada vez mais parte do nosso cotidiano. No entanto, o medo do contato com o diferente pode fazer aflorar o fundamentalismo cultural. Esse medo do diferente é alimentado por uma série de preconceitos e pré-julgamentos que desumanizam sem, entretanto, conhecer. É o momento para reflexão: será que estamos preparados para o diferente?

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