Para reflexão: interação humana em xeque na era digital

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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“Não sou anti-tecnologia, sou pró-conversação”. Esta é a principal fala da professora de psicologia social do Massachussets Institute of Technology – o MIT, Sherry Turkle. Autora de “Reclaiming Conversation”, lançado pela Editora Penguin, Turkle é considerada pelo jornal The New York Times um voz singular no MIT. Dividindo corredores com gênios criadores, roboticistas e engenheiros da computação, a psicóloga Sherry Turkle defende que o uso excessivo de equipamentos, ou seja, a hiperconexão faz com que a conversa cara a cara perca sua importância no cotidiano.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Turkle vai além e cita que as crianças estão perdendo a capacidade de empatia porque não há muita convivência familiar, já que os pais geralmente estão conectados, preocupados com demandas diuturnas em seus aparelhos de celular, relógios e tablets. Não é à toa que as fábricas de carrinhos de bebê já adaptam porta-celulares para pais e para os bebês. Segundo ela, os pais acabam buscando na tecnologia uma forma de distrair os filhos e os criam já hiperconectados.

A necessidade de conexão constante, segundo a pesquisadora nasce com o medo do tédio e de estarmos sozinhos com nossos pensamentos, traduzindo-se num desespero por estímulos constantes. E segundo uma pesquisa publicada pela renomada revista Science, o termo “desespero” não é uma exagero. O estudo das Universidades da Virgínia e de Harvard constatou que algumas pessoas preferem se autopunir, até com choques elétricos, a ficar 15 minutos sem acesso à equipamentos e sem nada para fazer. A psicóloga forense Sherrie Bourg Carter, de Fort Lauderdale, na Flórida, concorda com Turkle que as tecnologias modernas podem contribuir para a incapacidade de diminuir o ritmo. “Somos socialmente treinados para procurar estímulos a sensações no nosso trabalho e lazer”, disse Carter.

Para Sherry Turkle, a solução é simples mas demanda boa vontade: conversar mais. Segundo ela, temos o hábito de substituir uma conversa por e-mail ou mensagem de texto justamente para evitarmos enfrentar nossos sentimentos, já que o texto pode ser editado e nos ajuda a apresentar uma versão nossa mais controlável. Ocorre que já foi comprovado que, no ambiente de trabalho, a produtividade, a colaboração e a criatividade aumentam quando há espaços para conversas. No ambiente familiar, Turkle sugere que criemos “espaços sagrados” em que não seja permitido o uso de aparelhos, seja ele o jantar diário ou um ambiente da casa.

No livro Reclaiming Conversation, Sherry Turkle destaca que estamos treinando nosso cérebro para a dependência aos estímulos tecnológicos porque não sabemos lidar com a solidão. “As pessoas se sentem juntas mas sozinhas porque têm muitas conexões mas nenhuma conversa”. Ela defende que ao termos uma vida em que nunca estamos sozinhos de fato até o nosso senso de identidade muda e passamos a ficar menos capazes de conviver conosco e com pessoas de verdade.

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