Insensibilidade ou a banalidade do mal

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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A filósofa alemã Hannah Arendt inaugurou o termo “banalidade do mal” no livro Eichmann em Jerusalém. Após sofrer perseguições na Alemanha nazista, a intectual judia foi cobrir, anos mais tarde, o julgamento de Adof Eichmann, ex-membro da SS, responsável pela logística de prisioneiros do regime de Hitler.

Durante o julgamento, Arendt concluiu que Eichmann não era um sujeito particularmente perverso. Ele era parte de uma engrenagem maior, era um mero funcionário que cumpria ordens de um grupo social que agiu no vácuo do pensamento, que tornara a violência trivial. Talvez ele fosse apenas insensível a ponto de não perceber o mal que fazia ao planejar suas tarefas diárias. Talvez.

Se era insensibilidade, o que distancia nossos militares e militantes políticos na ditadura da banalidade do mal apresentada por Hannah Arendt? Também não seriam dois grupos tomados por seus ideais usando a violência como única forma de fazer valer seu pensamento? Talvez.

E o que dizer de um país que registra mais mortes violentas do que o Oriente Médio em guerra? É o Brasil em comparação com a Síria, segundo o anuário de Segurança Pública. Não sabemos os nomes de nossas vítimas mmas quem não se lembra da imagem que chocou o mundo do menino sírio Alan Kurdi, encontrado morto numa praia da Turquia após uma tentativa de fuga da guerra.

Hannah Arendt foi muito criticada por sua visão em relação ao homem acusado de genocidio e crimes contra a humanidade. Cabe uma auto-análise de nossa parte quanto ao horror que vivemos diariamente no Brasil. Vemos barbáries contra índios, execuções em presídios, tiroteios diuturnos nas comunidades cariocas, vandalismo em protestos de trabalhadores. Se já nos esquecemos de Maria Eduarda, estudante morta dentro da escola na Pavuna (RJ), de qual excesso sofremos: informação, violência ou insensibilidade?

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