Suicide Bling

Por Paula Fraile Foseca

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“Eu sinto muito pela vitória de Trump, pessoal” – seguido de números de telefone e de mensagem de texto para prevenção ao suicídio e para o Trevor Project, projeto de apoio aos jovens LGBT.

Na madrugada do dia 9 o mundo acompanhou incrédulo a contagem de votos da eleição dos Estados Unidos. O inesperado se desenrolava minuto a minuto: Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos da América. O motivo da surpresa é obvio. O candidato republicano apresentou uma campanha regada a propostas extremistas, xenofóbicas, machistas, homofóbicas. O presidente eleito fez emergir o lado mais anacrônico dos republicanos. Mas isso é notícia velha.

Relutei tanto para sentar e escrever sobre a eleição que desisti de tentar entender seus tramites e virei minha atenção para o eleitor, mais uma vez. Além de todos os tuites e posts de Facebook de jovens americanos devastados com o resultado da eleição, outros indicavam números de atendimento telefônico de prevenção ao suicídio e de apoio a jovens LGBT. O extremismo do presidente eleito é tamanho que as minorias congestionaram as linhas. Alguns preferem cogitar o suicídio a viver as propostas do novo presidente.

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“tornar a América maravilhosa novamente? sério? maravilhosa como? literalmente o fato de Trump ser presidente causou congestionamento na linha nacional de prevenção ao suicídio!”

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“Eu sou mulher. Sou judia. Vou me casar com um árabe-americano. Minha cunhada é deficiente. Sou vítima de abuso sexual. É pessoal.”

Ao longo da semana, várias notícias surgiram com relação ao mandato de Trump. Algumas afirmando, inclusive, que a fala conservadora do presidente fora suavizada pelo próprio. Outras, dizendo que ele mantém o discurso da campanha. Entre as últimas, foi divulgado o plano de Trump para os cem primeiros dias de mandato.  Além de extinguir o Obamacare, o ponto mais marcante foi a deportação de três milhões de imigrantes ilegais.

A verdade é que ninguém sabe como Donald Trump governará. De qualquer forma, tempos difíceis estão por vir.

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  1. Karla Fernandes

    Eu não consigo ver a eleição do Trump sem fazer um paralelo com o que passamos no Brasil. O Rio de Janeiro terá nos próximos anos o fundamentalismo religioso governando a cidade, que já fez comentários extremistas assim com o Trump (mas todos justificados com base em sua crença).
    Fico refletindo sobre os rumos que nossa política irá tomar e tenho receio, tempos atrás se me perguntassem se Bolsonaro seria capaz de se tornar presidente, eu iria soltar uma gargalhada com cara de deboche, mas observando os passos que estão acontecendo, não considero isso mais uma utopia e tenho receio de futuro.

    • Paula Fraile Fonseca

      Karla, também tenho muito medo. Essas escolhas que as pessoas têm tomado… Dória, Trump, Crivella. No nosso caso, o prefeito eleito baseou a campanha inteira no mesmo discurso: “Não sou político, sou empresário”. As crises políticas e econômicas tem feito as pessoas se afastarem cada vez mais da política. O que gera mais crise. o mesmo ciclo ad infinitum. É, eu também tenho muito medo…

  2. Guilherme de Morais

    Impressionante como estamos regredindo, não? Primeiramente, a saída do Reino Unido da União Europeia, motivada e fomentada principalmente pelo interior do país, onde o conservadorismo é maior do que o normal. Depois, a eleição no Rio e, agora, uma personalidade controversa como Trump. Não tem como não ficar assustado com esse retorno à tempos de chumbo no mundo

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