Ancine estipula limite de salas para grandes lançamentos

Ariádiny Rinaldi

Quando “Som ao Redor” estreou no cinema do país, em 2013, entrou em exibição em apenas 13 salas. Antes, o longa-metragem havia participado de 40 festivais internacionais e sete nacionais e angariado o prêmio de melhor filme pela Federação Internacional de Críticos e ganhado destaque na lista de dez melhores filmes do no do crítico do New York Times, A. O Scott.  Elogiado, o primeiro longa-metragem de Kleber Mendonça Filho foi visto por 10,9 mil espectadores no seu primeiro fim de semana em cartaz. O número foi considerado uma conquista, já que nenhum ator famoso participou do elenco. Em contrapartida, o blockbuster  “Jogos Vorazes: A esperança – Parte 1”, que estreou no País na sexta-feira passada (18), ocupou 1,3 mil salas de cinema. Quase 50% do parque exibidor nacional.

Com objetivo de garantir a diversidade de títulos, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e empresas exibidoras e distribuidoras de filmes assinaram um compromisso que limita a ocupação das salas de cinema por um mesmo filme a partir de janeiro de 2015. No ano que vem, um único título não poderá ocupar mais do que duas salas em complexos de até seis salas. Nos casos dos multiplex com mais de seis salas, o teto não poderá ultrapassar 35%, sendo o limite de 2,5 salas para complexos de sete e oito salas. O projeto regulatório tomará como base a medida adotada na França, na qual foi estabelecido que cada produção poderá ocupar apenas 30 % das salas de cada complexo.

Um detalhe que muito me incomodou na medida é com relação a penalidade para quem descumprir o limite estabelecido. O relatório final da câmara técnica não revela qual será a advertência, mas, a mais provável é a de obrigar o exibidor trocar cada dia ou cada tela excedida pelo mesmo número de dias ou telas para exibição de filmes brasileiros.  Transformar a exibição de títulos nacionais em punição, só contribui para conotar uma carga negativa sobre a produção local. A questão que fica é: mesmo ocupando quantidade democrática de salas de cinema, os filmes brasileiros conquistaram a predileção do público? Acredito que esse é um gosto, que deve ser cativado.

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