Mídia, redes sociais e democratização

A era digital transformou a esfera pública. Se antes ela era mediada exclusivamente pela mídia corporativa, hoje a internet possibilita a entrada de novos atores para discutir as questões públicas. Isso não significa que as gigantes brasileiras da comunicação perderam seu poder dentro dos debates de interesse público.

Apesar da lógica descentralizada e horizontal da internet, as grandes empresas de continuam sendo as principais produtoras de notícias e com papel importante no controle do fluxo de informações. É o que mostra essa reportagem da Folha, do caderno Poder:

O jornalismo profissional predominou entre os links compartilhados por usuários de redes sociais nas eleições de outubro. É o que mostra levantamento feito pela Folha a partir de postagens com links no Facebook e no Twitter durante dez dias ao final do pleito brasileiro, quando as redes sociais registraram recordes de interações entre seus participantes. Na amostra coletada pelo jornal, 61% dos compartilhamentos de links por usuários vieram de conteúdo publicado na mídia profissional –em jornais, portais, TVs, rádios, sites de notícias locais ou imprensa internacional. Nos dois dias após a eleição, este índice sobe para mais de 70% dos links compartilhados. “A gente pode dizer tranquilamente que, se não tem mídia, não tem mídia social”, afirma Luli Radfahrer, pesquisador da USP e colunista da Folha.

Apesar da internet ter possibilitado uma esfera pública interconectada, promovendo uma cultura do “express yourself 2.0” independente de grandes investidores, ainda somos pautados pelas mesmas empresas de sempre. Claro que, nas redes sociais, os assuntos são apropriados pelos leitores e ganham outros significados, ampliando e enriquecendo o debate público.

Mas para termos uma mídia verdadeiramente democratizada no país, não bastará a revolução digital. Urge uma regulação econômica no setor, para eliminar monopólios e retirar privilégios históricos de uma minoria de empresários poderosos. A comunicação é uma área fundamental e estratégica para o desenvolvimento de uma nação, não pode continuar sendo controlada por meia dúzia de famílias.

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