Bolanõs e os mexicanos

Vi que muitos colegas escreveram sobre a morte de Bolaños, o Chaves, então resolvi dar minhas caneladas no assunto. Vi que muitos viram na espetacularização do cerimonial um problema sério de invasão de privacidade, no que eu discordo. Bolaños era uma figura pública que atingiu milhões de pessoas no mundo todo, um sujeito cujos personagens estabeleceram uma relação afetiva com os fãs fora do normal. Não tinha como ser diferente. Ainda mais no México.

Assisti a um bom pedaço da cerimônia de despedida e, tirando a cobertura desastrosa do SBT, achei tudo muito bonito. O excesso de gente e de cores, as estátuas exageradas, o drama transbordando por todos os lados, enfim, essa cafonice mexicana me agrada muito.

Uma característica que admiro no mexicano é justamente essa: a de não ter vergonha de si próprio. Não vejo no povo mexicano, por exemplo, a tal síndrome de vira-latas que nos acomete. Diferente deles, o brasileiro tende a se submeter aos olhares mais sofisticados do mundo e, muitas vezes, acaba se renegando.

Essa é uma impressão particular, superficial, mas vejo o mexicano sempre se apresentando como mexicano em suas produções culturais. Sejam em novelas, em programas de TV, ou na música, sempre vamos nos deparar com a cultura mexicana em estado bruto: dramático, apaixonado, colorido, “brega”, e sem vergonha do seu “terceiromundismo”. Nessa seara, acredito que temos muito a aprender com os mexicanos.

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