A publicidade infantil e a “educação para o consumo”

Em sala de aula, o professor Dimas falou diversas vezes sobre a importância de “educar para o consumo”. Na era do consumismo desenfreado, torna-se fundamental preparar as futuras gerações para consumir de forma crítica e consciente.

Nesse ano, o CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Crianças e do Adolescente) deu um passo nesse sentido após a publicação da resolução 163 – revoltando os defensores da liberdade irrestrita do mercado e os que faturam alto com a propaganda infantil. É que a nova resolução proíbe esse tipo de publicidade. A intenção é evitar que crianças em fase de desenvolvimento sejam alvo das artimanhas e estratégias abusivas do mercado publicitário. A partir dessa resolução, toda a propaganda de produto infantil deve ser direcionada exclusivamente para os pais.

Mauricio de Souza, talvez o empresário com maior interesse financeiro na publicidade infantil, usou as redes sociais pra pintar um quadro sombrio da resolução:

A resolução 163, se aprovada pelo congresso, vai transformar o país num vale de sombras, sem cor, sem alegria, sem liberdade, sem infância. (…) A resolução generaliza: toda publicidade dirigida à criança é abusiva e merece punição. É uma ‘caça às bruxas’. Lembra o Iraque de hoje. A resolução 163 propõe proibir utilização de pessoas com apelo infantil em qualquer comunicação mercadológica. Se isso não é ditadura…”

O empresário encara a resolução 163 como uma decisão ditatorial. Acontece que a CONANDA é um conselho formado por entidades ligadas à proteção dos direitos das crianças, tais como: CNBB, Pastoral da Criança, APAE e OAB. Essas entidades representativas da sociedade civil debateram a resolução durante anos. Portanto, não há nada de ditatorial aí.

Mesmo assim, Mauricio de Souza traz até o “Iraque” para o seu texto, tentando dar tons ainda mais dramáticos para sua indignação. O cartunista ignora que a resolução 163 segue a linha de regulamentações consolidadas em grandes democracias do mundo. Estamos falando de Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Noruega, Irlanda, Bélgica, Áustria, Grécia, entre outras.

Mesmo com a resolução aprovada e tendo força de lei, as propagandas infantis continuam a circular livremente na mídia nacional. Estamos diante de mais uma batalha entre público x privado.

Minha geração cresceu assistindo a esse tipo de propaganda do vídeo abaixo. Torço para que minha filha tenha melhor sorte.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s