O Brasil pós junho de 2013

Por Carolina Klautau

Junho de 2013 foi o mês em que brasileiros de vários estados foram às ruas protestar pela melhoria de um dos serviços mais básicos do cidadão: o transporte público. Os meses de maio e junho são, normalmente, o período em que os governos alteram o valor das passagens de ônibus, trens e metrôs. Todo ano é esperada a mudança. Mas em 2013 o que mudou mesmo foi a atitude da população.

Seja em São Paulo, Brasília ou Belém, a insatisfação com os meios de transporte público é geral. E foi isso, não os 20 centavos, que fez as pessoas irem às ruas. Em junho, o governo de São Paulo mudou o preço das passagens de ônibus e metrô de R$ 3 para R$3,20. A reação foi ocupar as ruas para mostrar que a população não estava satisfeita.

Manifestacoes Junho e Julho de 2013

A ocupação teve consequências políticas, econômicas, sociais e midiáticas. Acompanhar a cobertura que as granes empresas de comunicação fizeram dos protestos, ou das “Jornadas de Junho” – como ficaram conhecidas -, significava conhecer mais sobre a linha editorial desses veículos.

A Globo foi uma das empresas mais criticadas durante o período das manifestações. A emissora era acusada de não dar voz aos manifestantes e mostrar apenas a versão violenta dos protestos (nisso inclui-se queima de carros, ônibus e depredação de patrimônios públicos, por exemplo). Mas, duas semanas após o início das manifestações, que ocorriam quase todos os dias, a Globo foi “obrigada”a mostrar todas as vertentes do fato.

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Em meio à Era do Conhecimento, a audiência é cada vez mais crítica e quer ver-se representada nos noticiários. As “Jornadas de Junho” mostraram que a sociedade sabe do que está acontecendo e não aceita mais omissões. Os protestos deram um novo gás à teoria da Agenda Setting, por exemplo. De fato, os grandes meios de comunicação conseguiram agendar o assunto da pauta pública, mas não da maneira como quiseram, inicialmente.

A ideia de não fazer um número cada vez maior de pessoas comprarem a legitimidade das manifestações falhou. O que se viu foi diversas críticas nas ruas e nas redes sociais à cobertura dos protestos.

Dessa forma, a população brasileira mostrou que não está insatisfeita apenas com o transporte público ou com os abusos do governo, mas também com a parcialidade da grande mídia. O resultado disso é que o povo quer se ver, cada vez mais, representado na tentativa que mostrar a “realidade”.

 

 

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